Capítulo X
Jane teve que controlar sua contrariedade diante do que acabara de ouvir, foi pega de surpresa, não imaginava que fosse possível. O Sr. Albuquerque olhava incrédulo para Lizzy, que mal conseguia encará-lo, sempre imaginou que sua filha repudiasse o Sr. Braga e agora diante daquele pedido, sentiu-se confuso. O Grande silêncio e surpresa que envolvia a todos foram quebrados, pelo grito esfuziante da Sra. Albuquerque.
- Que notícia maravilhosa... Oh! Estou tão feliz por vocês!
Dizia a plenos pulmões enquanto abraçava a filha e cumprimentava um sorridente Sr. Braga. Seu sonho estava sendo realizado, teria suas duas filhas casadas com os melhores partidos da cidade. Certamente todas as mulheres de Campinas iram invejá-la pela sorte de suas filhas.
Antes de dar sua permissão, o Sr. Albuquerque pediu para ter uma conversa em particular com sua filha. Contrariada, Lizzy o seguiu, sob os enérgicos protestos da Sra. Albuquerque, que não via razões para aquela conversa, na verdade ela temia que seu marido colocasse tudo a perder.
Já no escritório, Lizzy permaneceu de pé próxima à porta, enquanto seu pai caminhava lentamente até sua poltrona, mas sem deixar de fita-la. Depois de acomodado, ele começou a esclarecer a nuvem de dúvida que pairava em sua cabeça.
- Sente-se Lizzy.
- Eu estou bem assim, papai.
- Por favor, sente-se.
Lizzy obedeceu. E quando estavam acomodados ele deu um longo suspiro, então continuou:
- O que foi aquilo lá fora, minha filha?
- Não estou entendendo meu pai.
- Desde quando, você ama o Sr. Braga?... Lizzy eu sempre achei que não o suportava, e agora ele me pede sua mão. Explique-me filha, pois juro que não estou entendendo.
- Papai, não há o que explicar... O Sr. Braga me pediu em casamento e eu aceitei.
- E o que a fez mudar de opinião dessa maneira?
- Eu só o conheci melhor... Meu pai, o que importa é que eu estou feliz. - Lizzy falou, se colocando ao lado do pai.
- E por que eu não vejo o brilho nos seus olhos?
- Eu... Eu estou cansada, só isso papai. Só preciso da sua benção meu pai, por favor. –Falou tentando conter as lágrimas.
- Minha pequena, tudo o que mais quero no mundo é sua felicidade, e mesmo sem acreditar que você esteja feliz, eu a abençoou. Mas quero lhe pedir que se tiver algo que queira me contar você não vai hesitar.
- Acho melhor voltarmos para a sala, antes que a mamãe venha nos tirar a força. - Falou forçando um sorriso.
Lizzy tentou sorrir, mas por mais que tentasse não era natural. Seu pai apesar de não estar convencido, resolveu apoiá-la. Seguiram para sala, onde os outros os aguardavam para o jantar.
O jantar transcorreu tenso, apenas o Sr. Braga e a Sra. Albuquerque conversavam animadamente. Jane e o Sr. Albuquerque apenas observavam o semblante triste e distante de Lizzy, que mal tocara na comida e apenas respondia monossilabicamente às perguntas a ela direcionadas. Ficou acertado que haveria um jantar em Pinhal para o anuncio do noivado dali a três dias. Seriam convidados alguns amigos das famílias e algumas pessoas importantes da sociedade.
Após o jantar o Sr. Braga se despediu de Jane e dos Albuquerque, e se dirigindo a Lizzy, beijou-lhe a mão. Lizzy mal conseguiu acreditar quando ouviu sua mãe pedindo para que ela acompanhasse seu noivo até a varanda. Diante da insistência de sua mãe, se viu obrigada a aceitar.
Quando estavam fora da casa, o Sr. Braga, percebendo a expressão séria de Lizzy, com seu cinismo peculiar gracejou.
- Será que não mereço um beijo de despedida da minha querida noiva?
- Eu já lhe avisei que...
- Acalme-se. Foi apenas uma brincadeira... Afinal temos um acordo, e sou um homem de palavra.
- É até cômico ouvi-lo falar em palavra.
- Ora minha querida, está mais do que na hora de baixar suas armas, dentro em breve seremos marido e mulher.
- Sr. Braga deixemos esta conversa sem fundamento de lado e vamos ser objetivos. Eu já cumpri com minha parte, mas quero garantias reais de que não está blefando, que meu pai receberá o empréstimo necessário e os títulos das dívidas.
- Nossa! Estou realmente surpreso. A senhorita até que para uma interiorana é muito esperta... Em relação ao empréstimo, por agora conseguirei o adiamento da execução da dívida que seria na próxima semana, o empréstimo é claro, só depois do casamento.
- Eu já lhe dei minha palavra que me casarei com o Senhor!
- Não posso arriscar que a Senhorita volte atrás.
- O empréstimo será dado no dia do casamento Sr. Braga, ou não haverá casamento algum.
- Está bem. O empréstimo será dado ao seu querido pai no dia do casamento... Quanto aos títulos das dividas, bem... Ficarão bem guardados comigo, como garantia que minha esposa não irá me abandonar.
- Se isso é tudo, tenha uma péssima noite!
- Espere! Tem mais uma coisa sim... Faço questão que o Sr. Darcy esteja presente no jantar de anúncio do nosso noivado.
- Por que isso agora? – Lizzy perguntou surpresa.
- É uma forma de ter certeza que ele entenderá que tem que se afastar definitivamente da Senhorita.
- Isso é loucura. Eu já lhe garanti que me afastarei dele.
- Pode até ser minha querida, mas não arriscarei ser enganado por vocês dois... Tenha uma boa noite minha noiva, e se possível sonhe comigo.
Dizendo isso, ele se despediu e partiu, deixando Lizzy travando uma luta dentro de si para não chorar ali mesmo. Quando entrou ficou aliviada por não ter mais ninguém na sala, certamente eles já haviam se recolhido. Subiu para seu quarto, já havia tido emoções demais por um dia, precisava descansar, e por um breve momento esquecer o inferno que estava vivendo. Ao entrar em seu quarto, se deparou com Jane sentada em sua cama, com uma expressão preocupada.
- Jane! Assustou-me.
- Desculpe-me Lizzy, mas precisava conversar com você, não iria conseguir dormir sem antes lhe falar.
- Jane, é que estou um pouco cansada...
- Eu não vou sair deste quarto, Elizabeth Albuquerque, não antes de esclarecer algo.
- O que quer saber? – Falou deixando-se cair em uma poltrona.
- Lizzy, você vai se casar mesmo com o Sr. Braga?
- E o que tem isso Jane?
- Há menos de três semanas, ele era um esnobe, mimado e o ultimo homem na face da terra com quem você se casaria.
- Eu mudei minha opinião Jane. Acaso não posso? - Falou irritada.
- É claro que pode! Mas eu achei que... Imaginei que estivesse apaixonada pelo...
- Você estava enganada! – Falou quase gritando, mas em seguida, se arrependeu. – Perdoe-me Jane, estou muito cansada e tive um dia agitado, só isso, estou feliz e é isto que importa, não é?
- Não irei mais insistir Lizzy... Só espero que você saiba o que está fazendo... Boa noite.
- Boa noite, Jane!
Contrariada Jane beijou a irmã e saiu, sabia que algo estava errado, mas preferiu deixá-la sozinha e em outra oportunidade conversariam melhor.
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Darcy mal conseguia esconder sua ansiedade, respondia mecanicamente às perguntas feitas por Jane, enquanto aguardavam a chegada de Lizzy para a aula. Ela já estava alguns minutos atrasada, e de alguma forma, eles teriam que conversar e esclarecer algumas coisas.
Lizzy andava de um lado para o outro do quarto, sentia que não iria suportar revê-lo, ainda mais depois de tudo que viveram no dia anterior. Ele iria odiá-la, mas tinha que ser correta com ele, tinha que contar sobre o noivado, seria terrível se ele descobrisse por outra pessoa. Respirou fundo, e desceu decidida a acabar com aquele sofrimento de uma vez.
Estava em frente à grande porta do escritório, tinha o coração acelerado, mas iria fazer o que tinha que ser feito. Colocou a mão na maçaneta e quando estava prestes a girar, foi surpreendida por batidas na porta principal, ao se virar, se deparou com Jorge Braga, que rapidamente se colocou ao seu lado, e com seu sorriso mais cínico, falou:
- Bom dia minha noivinha! Não achou que eu a deixaria sozinha com o pobretão não é? Quero me certificar que não me farão de trouxa... Vamos?
Lizzy ficou visivelmente contrariada, o fuzilou com o olhar, mas percebendo que não teria alternativa, entrou, seguida por Jorge Braga, que com sua falsa gentileza, cumprimentou a todos sorrindo.
- Bom dia a todos!
Darcy sentiu seu coração acelerar ao ver que a porta se abria. Tudo o que mais desejava era ver Lizzy novamente, ainda sentia seu corpo estremecer ao lembrar-se da pele macia dela tocando a sua. Mas o grande sorriso que ostentava foi desfeito ao vê-la entrando acompanhada por Jorge Braga, tentando se recompor, apenas respondeu:
- Bom dia!
A aula se seguiu tensa, Lizzy não o encarava, parecia inquieta e nervosa. Jorge Braga permaneceu toda a aula calado, mas ao lado das irmãs Albuquerque o que deixou Darcy confuso, mas mesmo pouco a vontade, conseguiu terminar sua alua.
Darcy não teve como falar com Lizzy, o Sr. Braga não os deixou nenhum momento a sós. Mas tinha esperança de encontrá-la na cachoeira, como eles faziam quase todos os dias após a aula. Despediu-se de todos e lançou um olhar significativo para Lizzy, que apenas o olhou de forma triste a angustiada.
Já na cachoeira, esperou por mais de uma hora, mas ela não apareceu. Por mais que seu coração tentasse acalmá-lo, dizendo que talvez algo a tivesse prendido impossibilitando-a de encontrá-lo, sentia que algo estava errado, a mulher que estava naquele escritório não era sua Lizzy, não era a mesma que tinha se entregado a ele e o amado no dia anterior. Afastou esses pensamentos e desanimado, resolveu voltar para casa, no dia seguinte falaria com ela.
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Nos dia seguinte, apenas Jane assistira a aula, Lizzy havia saído com a mãe para a cidade. Logo após a aula, Jane lhe convidou para um jantar que seria oferecido na fazenda aquela noite. Aquilo o deixou confuso ainda mais contrariado algo estava errado, mas ele não sabia o que era. Passou toda à tarde na cachoeira na esperança que ela aparecesse porem, mas uma vez, ela não apareceu.
Darcy já estava voltando para a fazenda de Carlos, onde morava, quando fora abordado por Jorge Braga, que ao que parecia, estava indo para Pinhal. Ao vê-lo, acelerou seu passo, mas o Sr. Braga parou o carro no meio da estrada de maneira que sua única opção foi parar.
- Bom dia Sr. Darcy!
- Bom dia Sr. Braga.
- Está vindo de Pinhal?
- Sim.
- Presumo que tenha recebido o convite para o jantar desta noite?
- A Srta. Albuquerque me convidou ainda pouco.
- Espero que possa comparecer ao que soube a Srta. Elizabeth faz questão da sua presença. – Falou dando uma tapinha em suas costas, enquanto exibia seu sorriso mais cínico. – Tenha um bom dia Sr. Darcy, o verei a noite.
Jorge nem deu tempo para que Darcy respondesse, entrou em seu carro e seguiu rumo a Pinhal, deixando para trás um Darcy desconfiado, porém muito curioso.
Já em casa, passava pela grande porteira, quando foi abordado por Georgiana e Carlos, que faziam um passeio pela fazenda, aproveitando o fim de tarde agradável que fazia naquele dia.
- Darcy amigo, junte-se a nós! – Convidou um risonho Carlos.
- Eu agradeço Carlos, mas preciso ir para casa.
- Ele deve está indo se preparar para o jantar em Pinhal desta noite meu irmão, e nós deveríamos fazer o mesmo.
- Céus! Esqueci completamente deste jantar. Você também vai Darcy?
- Fui convidado, mas acho que não irei, sabe muito bem que não gosto destes jantares formais.
- Que desfeita você fará Darcy, foi muito gentilmente convidado pelos Albuquerque e irá recusar?
- Concordo com meu irmão Sr. Darcy, o Senhor deveria ir.
- Sabes o que estão comemorando Carlos?
- Meu amigo, lhe confesso que sei tanto quanto você. Estive viajando com meu pai para a capital e não vi ninguém de Pinhal desde que voltei esta manhã, soube do jantar através de Georgiana.
- Não me olhem dessa maneira. Assim como vocês, também não sei do que se trata, a Sra. Albuquerque apenas nos convidou.
- Vamos lá Darcy, deixe de ser anti-social e vamos ao jantar. Sairemos às dezenove horas em ponto.
- Está bem, eu vou a este jantar.
Darcy concordou mais por ansiedade, precisava ver Elizabeth e finalmente aliviar seu coração, que desde o dia que ela saiu sem dar explicações, vinha sofrendo com a incerteza do que realmente estava acontecendo, e depois dos comentários do Sr. Braga ficou ainda mais preocupado.
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À medida que o carro dos Matias se aproximava da casa grande, Darcy observou que havia muitos convidados, pois tinham muitos carros na entrada principal. Não seria um simples jantar, o que o deixou ainda mais angustiado.
Quando adentraram a grande sala, muito bem decorada, foram recebidos por Jane a o Sr. Albuquerque, que muito amigavelmente os apresentaram a outros convidados. Mas Darcy sentia falta de Lizzy, passou rapidamente os olhos pelo salão a procura dela, mas não a encontrou.
Lizzy estava fazendo um grande esforço para disfarçar com maquiagem os vestígios de um choro. Tinha vontade de fugir, desaparecer no mundo, tudo a não ter que ver a reação de Darcy ao saber do seu noivado. Ela se odiou por não ter contado tudo a ele no dia em que se amaram, depois não teve oportunidade de ficar a sós com ele. E agora tudo estava perdido, certamente ele a odiaria para sempre, e isso, era a pior dor que poderia sentir, mas até do que ter que suportar a convivência com Jorge Braga.
Estava tão envolta em sua tristeza que se assustou ao ouvir a voz de sua mãe por trás da porta. A Sra. Albuquerque viera reclamar da demora da filha, e a desfeita que ela estava fazendo aos convidados. Lizzy respirou fundo e buscando forças que nem ela sabia que tinha, desceu.
Quando chegou ao topo da escada, sentiu que iria fraquejar ao ver toda aquela gente, mas agora era muito tarde. Avistou Darcy num canto da sala acompanhado por Jane, o Sr. Matias e sua irmã Georgiana. Ao vê-la, ele lançou-lhe um imenso sorriso, o que a fez se sentir a pior das mulheres, sentiu seus olhos marejarem, mas se conteve.
A imponente voz do Sr. Albuquerque foi ouvida, ele se colocou junto de Lizzy, a olhou dentro dos olhos, e perguntou baixinho próximo a seu ouvido.
- Tem certeza do que está prestes a fazer minha filha? Ainda há tempo.
- Estou papai.
Diante da resposta dela, olhando para todos os convidados, que traziam nos rostos toda a curiosidade para saber o motivo daquele jantar, ele começou a falar.
- Senhores e Senhoras! Desejo uma ótima noite a todos... Quero agradecer aos nossos amigos por terem nos dado a honra de suas presenças neste momento tão especial para nossa família...
Darcy sentiu um grande aperto no peito, como se algo ruim estivesse para acontecer. Ouvia confuso, as palavras do Sr. Albuquerque, enquanto tentava em vão receber um olhar de Elizabeth, que tinha os olhos fixos no chão.
- Estou perdendo e ganhando nesta noite... Perdendo minha filha Elizabeth e ganhando um genro...
Darcy não podia acreditar no que estava ouvindo, sentiu suas pernas fraquejarem, olhava incrédulo para Elizabeth. Aquilo tinha que ser uma brincadeira, ela não seria capaz de tamanha maldade.
- Gostaria de erguer um brinde a felicidade dos noivos... Pois, tenho o prazer de anunciar o noivado de minha filha Elizabeth com o Senhor Jorge Braga. Aos noivos!
Jorge Braga com um grande sorriso foi até eles, e após ser cumprimentado pelo Sr. Albuquerque, segurou as mãos de Lizzy, enquanto falava entre dentes.
- Sorria... Não parece uma noiva feliz.
Todos levantaram suas taças para o brinde a felicidade do futuro casal, mas em um canto da sala, Darcy, sentia que não mais controlaria a decepção, a tristeza, a surpresa e principalmente a raiva. Aquelas palavras do Sr. Albuquerque, e a imagem dos dois juntos brindando o seu noivado, atravessaram sua alma como uma espada afiada.
Inconscientemente, concentrou toda a sua revolta em sua mão direita, que segurava uma taça de vinho. O barulho do cristal se quebrando foi ouvido por alguns convidados que estavam mais próximos.
- Deus Darcy, o que foi isso? – Carlos perguntou preocupado.
- Sr. Darcy, sua mão está sangrando. –Jane falou apontando para o sangue que escorria pela mão dele.
- Está sangrando muito, é melhor cuidar do ferimento. –Foi à vez de Georgiana falar assustada.
- Venha Sr. Darcy, vamos até a cozinha, o ferimento pode ser sério.
- Eu... Eu estou bem Srta. Albuquerque, eu agradeço, mas preciso ir.
- Aonde vai homem? O que houve Darcy?
- Carlos por Deus, deixe-me ir agora. –Darcy falou nervoso.
O incidente rapidamente se espalhou por entre os convidados. Lizzy empalideceu, sabia que aquela altura perdera o amor de Darcy para sempre. Sentiu a mão do Sr. Braga puxando-a, antes que conseguisse protestar, já estava próxima a saída, onde Darcy com sua mão ferida, já pegava seu casaco.
- Já está de saída Sr. Darcy? A festa não está do seu agrado? –Jorge Braga perguntou com ironia.
- Preciso ir. –Darcy respondeu secamente, enquanto fuzilava Lizzy com o olhar.
- Não vai nos desejar felicidades, posso pensar que tem algo contra nossa união.
- Sr. Braga, pare, por favor... – Lizzy, falou num fio de voz.
Darcy que colocava o casaco, parou, respirou fundo. E com o olhar carregado de decepção e rancor, olhou para os dois em especial para Lizzy, e com toda a ironia que conseguiu reunir naquele momento, falou:
- É claro que desejo que vocês sejam muito felizes, afinal de contas, vocês se merecem.
Darcy sentiu que não mais conteria as lágrimas, deu as costas e começou a caminhar rapidamente para a saída. Quando se viu fora da casa, próximo ao jardim deixou seu corpo cair em um dos bancos, as primeiras lágrimas começavam a brotar de seus olhos azuis. Procurou um lenço em seu paletó, e encontrou um que há muito tempo guardara com carinho, pegou o lenço de Elizabeth e enrolou a mão ensangüentada.
Levantou-se como muito esforço e começou a caminhar, tudo o que desejava era sair dali o mais rápido possível. Sua respiração estava ofegante, tinha o rosto vermelho, devido à raiva que sentia. Seus passos se tornaram cada vez mais rápidos, estava quase correndo, então, movido por um grande desespero, começou a correr. Precisava extravasar todo aquele sentimento que lhe corroia a alma, um grande grito de raiva ecoou pela noite escura da estrada deserta.














