Citações

A natureza humana manifesta uma tendência muito acentuada para o orgulho, que são pouquíssimos os que não alimentam esse sentimento, fundados em alguma qualidade real ou imaginária! (Jane Austen)

Sabor do Amor - Capítulo 6

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Capítulo VI


Fazia uma bela manhã de sábado, Campinas amanheceu ensolarada, com ventos agradáveis e convidativos para um passeio. Darcy ainda dormia, estava tendo um lindo sonho com Elizabeth Albuquerque, estavam em um belo e imenso jardim, tão próximos que sentiam a respiração um do outro, suas bocas cada vez mais próximas, e quando estavam quase se beijando...

- Anda Darcy acorda homem.

A voz de Carlos bradou do lado da janela do quarto de Darcy. Apesar do pai de Carlos ter lhe oferecido hospedagem em sua casa, Darcy recusou e preferiu ficar em uma pequena casa localizada ao lado da casa grande. Ainda sonolento, Darcy levantou, abriu a janela então respondeu com seu mau humor matinal habitual.

- Carlos em mais de vinte anos de amizade, eu nunca consigo dormir até mais tarde aos sábados, mas vou te dizer novamente, por favor, me deixa dormir.

- Anda William, o dia está lindo, vamos cavalgar.

- Eu tenho alguma alternativa?  - Perguntou divertido, e diante da expressão risonha do amigo, continuou. – Posso me vestir e comer alguma coisa ao menos?

- Mas seja rápido, antes que fique tarde. Ah! E já mandei selar seu cavalo.

Depois de alguns minutos, Darcy já estava no estábulo, vestido com sua roupa de montaria e um chapéu preto, que lhe dava um ar mais elegante. Cavalgaram primeiro pelos cafezais da fazenda seguindo para a cidade, pois Carlos precisava comprar algumas coisas, depois pararam em uma espécie de bar muito freqüentado na cidade, pediram uma bebida enquanto conversavam sobre suas vidas.

- Então Carlos, eu nem acredito que você se casará em menos de dois meses.

- Nem eu amigo. Mas Jane é a mulher da minha vida William, eu a amo como jamais amei alguém entende? É tão bom estar apaixonado.

- Eu fico muito feliz por você amigo, e realmente você acertou na escolha, a srta. Albuquerque é uma moça, doce, educada, bondosa, assim como você.

- Quando te verei casado também meu amigo? Se bem que nunca te vi apaixonado por alguma mulher, parece mais difícil de acontecer, do que chover ouro. – Ele brincou.

- Belo amigo você é, querendo me ver enforcado. – Darcy brincou, fazendo seu amigo rir, mas depois adotou um tom sério e pensativo, então continuou - Talvez eu já esteja apaixonado... Talvez eu tenha encontrado uma mulher que fez meu coração acelerar, que me deixa nervoso sem encontrar as palavras... Uma mulher que faz eu me perder em seus belos olhos... Alguém por quem eu seria capaz de dar minha vida...

- Estou falando sério William! Você não está apaix... Deus você está apaixonado mesmo, olha só a sua expressão! Vamos lá, conte-me de quem se trata? Quem é a felizarda meu amigo? – Falou sorrindo dando um tapinha nas costas do amigo.

- Isso não importa Carlos, certamente é algo impossível, diferente de você eu não tenho posses e consequentemente nada a oferecer a ela.

- Imagina William, a moça que tiver a sorte de ter você como marido, poderá se considerar a mais sortuda de toda a cidade. Pois terá um companheiro, um amigo, e o melhor o mais fiel dos homens e completamente apaixonado, e eu lhe garanto dinheiro nenhum no mundo compra isso... Se eu mesmo não fosse noivo te pediria em casamento agora Sr. William Darcy. –Carlos brincou, mudando de assunto, percebendo a tristeza do amigo.

- Muito obrigado pelo convite, mas terei que declinar Sr. Matias. – Darcy respondeu divertido. – Olha quem vem ali! Seu sogro o Sr. Albuquerque.

Carlos se virou e viu seu futuro sogro entrando pela porta principal do estabelecimento. Ao vê-los, o Sr. Albuquerque se juntou a eles, pediu uma bebida também e começou um diálogo sobre um foco de uma praga que estava atingindo uma parte do seu cafezal, Carlos logo indicou Darcy para ajudá-lo, alegando que o mesmo sempre resolvia este tipo de problema em sua fazenda. O Sr. Albuquerque aceitou com alegria a ajuda de Darcy, e ficou acertado que no dia seguinte pela manhã, eles iriam até o cafezal.
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 Nas primeiras horas da manhã do dia seguinte, Lizzy e seu pai já estavam tomando o desjejum, para depois seguirem para o cafezal. Apesar dos protestos da Sra. Albuquerque sobre Lizzy acompanhar o pai, ela estava decidida, sempre ajudou seu pai com os assuntos da fazenda, e com esse foco de praga não seria diferente, principalmente em meio à crise que enfrentavam. Vestiu sua roupa de montaria e foi esperar o pai no estábulo.

Lizzy estava terminando de preparar o seu cavalo, quando Francisco trouxe dois cavalos. Lizzy estranhou esse fato e tratou de esclarecer o assunto.

- Só sairemos eu e meu pai, Francisco, e como sempre vou com o Alazão, pode levar o outro cavalo.

- Não posso Senhorinha, seu pai me pediu para celar dois cavalos, na verdade ele pediu para que eu também celasse o Alazão, mas como sei que não posso tocá-lo, preparei só os dois. – Falou rindo.

- Estranho... Meu pai não me falou que teríamos companhia. Sabe de quem se trata?

- Não Senhorinha, ele não falou... Mas vamos saber agora, olha ele ali, e está acompanhado de um Senhor.

Lizzy virou na direção da entrada do estábulo e teve que segurar na parede, suas pernas começaram a tremer, não era possível. O que ele estaria fazendo aqui?- pensou. Se recompôs do susto e ficou esperando eles se aproximarem.

- Ai está ela Sr. Darcy. Eu sabia que a encontraríamos aqui. – Falou o Sr. Albuquerque.

- Bom dia Srta. Albuquerque. – Darcy a cumprimentou timidamente.

- Bom dia Sr. Darcy! – Ela respondeu ainda mais tímida.

- Filha, eu estava agora mesmo falando para o Sr. Darcy que infelizmente não poderei ir até o cafezal.

- Mas por que meu pai? Aconteceu alguma coisa?

- Infelizmente recebi um chamado do Sr. Farias, e terei que ir até a casa dele.

- Está tudo bem papai? – Lizzy perguntou aflita.

- Está sim minha filha... São alguns assuntos pendentes, fique tranqüila. – Ele respondeu tentando tranqüilizá-la.

- Então não vamos mais ao cafezal?

- Eu vim justamente lhe avisar, que como não poderei ir, quero que você acompanhe o Sr. Darcy até o cafezal, não podemos esperar, temos que controlar esse foco o mais rápido possível.

- O Sr. Darcy? – Lizzy perguntou curiosa.

- Eu não te falei que ele iria conosco? Nossa estou mesmo ficando velho. Ontem conversando com o Sr. Matias sobre a praga, ele me recomendou o Sr. Darcy... Não se preocupem, o Zé acompanhará vocês e irá providenciar tudo o que o Senhor precisar. Agora eu preciso ir. Adeus.

O Sr. Albuquerque se despediu e partiu. O clima entre Darcy e Lizzy era constrangedor, nenhum dos dois sabia o que falar, depois do bilhete. Ele sem saber qual a resposta dela.
Já ela não sabia por onde começar, como expressar o que sentiu ao ler o bilhete, e principalmente, o que sentia por ele. Para sorte dos dois, o capataz da fazenda logo chegou, então os três seguiram rumo ao cafezal.

Em poucos minutos eles já estavam no lugar onde a praga estava começando, Darcy analisou e logo descobriu do que se tratava, era algo que precisava ser sanado o mais rápido possível, enquanto estava no começo, Lizzy observava tudo atentamente. Darcy passou as instruções do que era necessário para preparar o veneno para o capataz, ressaltando a urgência da compra dos produtos, também lhe mostrou a forma de aplicação.

- Pode deixar Senhor, eu vou agora mesmo a cidade comprar tudo. E ainda hoje aplicarei junto com os trabalhadores. – Zé falou aflito.

Quando o capataz se afastou, mais uma vez o silêncio e a inibição tomaram conta dos dois, até que Lizzy procurou um assunto para quebrar o gelo.

- Que bom que é algo reversível Sr. Darcy.

- Seu pai descobriu a tempo, e isso ajuda muito Senhorita... Sempre acompanha seu pai nos assuntos da fazenda?

- Sim, desde garota, para desespero da minha mãe.

 Ambos riram. Mas novamente o silêncio pairou, até que os dois falaram ao mesmo tempo.

- Srta. Albuquerque!

- Sr. Darcy!

- Perdoe-me. A Srta. Primeiro.

Lizzy sorriu timidamente, sentiu sua respiração acelerar o que foi demonstrado pelo movimento do seu colo. Olhou fixamente naqueles olhos azuis que tanto lhe perturbavam, criou coragem e começou a falar:

- Eu quero agradecer pelo poema, realmente um lindo poema Sr. Darcy.

- Fico feliz que tenha apreciado...

Darcy respondeu. Estava aparentemente nervoso, sabia que tinha cometido uma loucura, mas não mais poderia voltar atrás. Com a coragem que só os amantes possuem, resolveu ser direto, tinha que correr o risco, teria Elizabeth, ou a perderia para sempre.

Foi se aproximando dela, pegou suas mãos, apertando-as um pouco devido ao nervosismo. Olhou fundo em seus olhos e começou a falar de uma vez, antes que perdesse a coragem.

- Aquele poema, retrata o que eu sinto Srta. Albuquerque... Em vão tenho lutado, mas de nada serve. Os meus sentimentos não podem ser reprimidos e permita-me dizer-lhe que a admiro e a amo ardentemente. Desde o nosso primeiro encontro quando a amparei, mesmo sem conhecê-la, a imagem dos seus belos olhos negros não saíram da minha cabeça.

Lizzy continuava ofegante, enquanto olhava para ele com os olhos marejados. Diante do silêncio dela, ele continuou.

- Sei que nada tenho, e que não sou ninguém, mas posso oferecer-lhe meu amor, não luxo ou riqueza, mas todo amor que um homem é capaz de oferecer a uma mulher... Se este não for seu sentimento, eu entenderei perfeitamente, mas imploro que não deixe meu coração sofrer com a dúvida, uma palavra, um gesto apenas, é tudo o que peço, permita-me faze-la feliz. - Darcy falou com lágrimas nos olhos.

- Sr. Darcy eu... Eu...

Lizzy procurou as palavras certas, mas a surpresa e beleza daquela declaração a deixaram se chão. Com as lágrimas agora livres, correndo por sua face, se aproximou ainda mais dele, e apenas conseguiu sussurrar:

- Sim...

Ao ouvir aquela resposta, Darcy não mais se conteve, explodindo de felicidade a abraçou, foi um abraço forte, cúmplice. Quando se afastaram, acariciou o rosto molhado dela, enxugando suas lágrimas. Já não mais controlava o impulso de beijá-la, beijou suas mãos, depois sua testa, desceu até a face, e percebendo que ela também desejava aquele beijo tanto quanto ele uniu seus lábios ao dela, foi um pequeno roçar de lábios, mas o suficiente para despertar as mais fortes sensações.

Quando Darcy se afastou pôde ver no rosto de Lizzy a alegria que ela sentia. Ela estava corada, mas um largo sorriso iluminava todo o seu rosto, aproximou-se e a beijou novamente, mas desta vez foi um beijo mais profundo, cheio de paixão. Enquanto a beijava, sua mão direita segurava firme a nuca dela, enquanto sua mão esquerda segurava forte a mão de Lizzy... Ainda de mãos dadas, olharam ao redor, pois esqueceram completamente que estavam em meio ao cafezal, por sorte ninguém os havia visto.

- Será que fomos vistos? – Lizzy estava realmente preocupada.

- Perdoe-me Srta. Albuquerque se a coloquei em uma situação constrangedora, mas não consegui controlar minha felicidade.

- Eu também estou feliz. Mas acho que devemos sair daqui, alguém pode nos ver.

- Sim, tem razão... É melhor voltarmos.

Lizzy foi na frente, Darcy a seguiu. Quando montaram nos cavalos, Lizzy o olhou com um sorriso maroto nos lábios, e falou desafiadoramente.

- Agora é minha vez de perguntar se confia em mim Sr. Darcy. Se a resposta for sim, siga-me.

Lizzy saiu em disparada, pegando Darcy de surpresa. Sorrindo ele a seguiu, enquanto admirava a bela visão de Elizabeth cavalgando velozmente em seu Alazão, ela tinha um espírito livre, seus cabelos longos voando a deixavam ainda mais bela. Mas esse vislumbre foi se tornando apreensão, pois ela estava indo muito rápido. Mas para seu alívio ela parou, desceu do cavalo e ficou esperando ele se aproximar.

À medida que ia se aproximando Darcy observava o local, era lindo. Uma espécie de bosque, com várias árvores, e um arco de galhos sobre dois bancos que ficavam nas extremidades. Desceu do cavalo, com um sorriso aberto e completamente encantado com o que via.

- Esta fazenda não pára de me surpreender Srta. Albuquerque, um lugar encantador.

- Primeiro, pode me chamar de Lizzy... É um dos meus lugares prediletos, é muito especial para mim... Nunca trouxe ninguém aqui. – Disse sorrindo.

- Fico completamente honrado. Posso tomar a liberdade de tê-lo como sendo especial para mim também?... Para nós...

Dizendo isso Darcy se aproximou e carinhosamente acariciou a face rosada de Lizzy, entrelaçando sua cintura puxando-a para mais perto. Encostou sua testa na dela, enquanto suas respirações ficavam cada vez mais ofegantes. Completamente embriagada pela sensação que aquilo lhe proporcionava, Lizzy com a voz embargada falou em um sussurro:

- Sr. Darcy, o que faremos agora?

- Não sei, mas não quero perdê-la.

Lizzy o abraçou com força, como se quisesse evitar que ele saísse de seus braços. Estava vivendo o momento mais feliz de sua vida, experimentando sensações e sentimentos nunca antes sentidos, mas sabia que o que lhes aguardavam era muito complicado. Certamente sofreriam as mais severas oposições, da sociedade e principalmente da sua mãe. Não... Não podia permitir que destruíssem a felicidade que estava sentindo naquele momento, sabia que mais cedo ou mais tarde teriam que tomar uma decisão, mas por agora, queria apenas ser feliz. Afastou-se um pouco, e olhando fixamente nos olhos dele falou:

- Eu o amo, é um sentimento que me completa, me faz sentir feliz, mas...

- Mas pertencemos a mundos diferentes...

- Sabes que não me importo com isso... Eu não tenho medo de enfrentar essa sociedade hipócrita... Mas... O quero dizer, é que podemos esperar mais um pouco, nos conhecermos melhor...

- Está propondo que nos encontremos as escondidas? Entendo a Srta. Tem vergonha de mim.

- Não! Eu só quero que possamos viver um pouco essa paz que estamos vivendo agora. Não quero que se sinta ofendido... Eu... Eu temo que nos separem, não quero perdê-lo... E será por pouco tempo, eu prometo.

- Eu não sei... Sou um cavalheiro e jamais iria lhe expor dessa maneira. – Darcy falou dando-lhe as costas.

Lizzy com os olhos marejados, foi até ele e abraçando suas costas firmemente, tentou mais uma vez.

- Por favor...

- Não me sinto bem fazendo tal coisa... Por mim iria agora mesmo até seu pai e pediriam sua mão, enfrentaria tudo e todos para ficarmos juntos... Mas, farei o que me pede, mas que seja por pouco tempo. Depois vamos enfrentar juntos.

- Eu prometo.

Darcy a abraçou enxugou as lágrimas que desciam pelo rosto dela. Beijaram-se apaixonadamente, completamente cúmplices de um sentimento forte que lhes invadia toda a alma.

- Venha, quero lhe mostrar o “nosso lugar”.

Lizzy falou lhe estendendo as mãos, que foi aceita por Darcy. Os dois caminharam por um tempo, Lizzy mostrava encantada cada canto daquele lugar, que de agora em diante seria dos dois. Sentaram em um dos bancos e entre carícias e beijos, puderam se conhecer um pouco mais, a vida de cada um, suas histórias, seus desejos, suas paixões...


********************************___***********************************

O Sr. Albuquerque andava de um lado ao outro do escritório do banqueiro, o Sr. Farias. Sabia que precisava conseguir mais um prazo, argumentar, infelizmente por mais que estivesse tentando sua situação só piorava. Ouviu passos, então parou em frente a grande porta.

O Sr. Farias entrou trazendo consigo uns papeis, olhou para o Sr. Albuquerque que tinha uma expressão ansiosa, então prosseguiu.

- Infelizmente meu caro, não há o que eu possa fazer. Sua tentativa de financiamento para investir no cafezal foi negada.

- Mas como? Eu contava com esse crédito.

- O conselho do banco foi enfático, não há a menor possibilidade de lhe conceder um financiamento diante das dívidas já existentes.

- Mas eles não entendem? Era investindo no cafezal que eu iria conseguir o dinheiro para sanar minhas dívidas... Eles sabem que sempre fui um homem honrado, sempre paguei o que devia.

- Negócios são negócios Joaquim!... Têm muitos outros na mesma situação, se forem ser benevolentes com todos, nós é que iremos à falência. Não há o que ser feito. Eu lamento.

- Lamenta? Será mesmo?

- O que está insinuando?

- Nada,... É que estou desesperado, não posso perder minha fazenda.

- Ainda tem seu futuro genro, a família dele não enfrenta problemas nos negócios. Pode pedir um empréstimo aos Matias.

- Eu jamais faria isso. Sou um homem, e pode ter certeza de que resolverei isso.

- Assim espero Joaquim. Devo lembrá-lo que iremos executar a dívida em três semanas caso não quite as dívidas.

- Passar bem Sr. Farias.

O Sr. Albuquerque saiu batendo a porta e na ânsia de sair dali o mais rápido possível nem percebeu que alguém estava próximo a porta do escritório e acabara de ouvir toda a conversa.

*******************************____***********************************

Lizzy e Darcy conversavam sobre suas histórias de vidas e nem perceberam o tempo passar. Ao se dar conta do tempo, Lizzy levantou de uma vez.

- Nossa já é tarde! Devem ter percebido nossa demora.

- Por mim o tempo parava agora. Não quero me separar de você. –Darcy falou enquanto beijava-lhe ternamente os lábios.

- Mas precisamos...

- Quando a verei novamente?

- Me verá todos os dias, ainda é meu professor lembras?

- E isso me consola meu amor. Não conseguiria passar um dia sem admirar esses olhos negros... Não sei se resistirei de não beijá-la na frente de todos.

- Será um martírio para mim também, mas não temos alternativa.

- Temos sim... Ainda não me sinto bem em nos encontrarmos dessa maneira, sinto-me um criminoso.

- Já falamos sobre isso, por favor.

- Tudo bem. Mas me prometa que iremos nos encontrar.

- Daremos um jeito... Bem, agora realmente devemos ir, já faz muito tempo que estamos aqui.

Darcy fez uma careta, mas sabia que ela tinha razão. Depois de mais beijos de despedida, subiram no cavalo. Antes que começassem o percurso de volta, Darcy advertiu Lizzy.

- Ah! Quase esqueci. Por favor, não corra tanto, você pode se machucar.

- Duvida da minha habilidade como amazona Sr. Darcy?

- Não é isso, é que não quero que nada de mau lhe aconteça.

- Então eu proponho uma corrida. - Falou divertida.

- Não... Não apostarei corrida com você. É muito perigoso.

- Não posso acreditar que o homem por quem estou apaixonada tem medo de desafios... Alcance-me se puder Sr. Darcy.

Darcy mal ouviu a ultima frase, pois ela já estava à frente, galopando rapidamente. Ele sorriu com o jeito atrevido como ela o desafiou e teve a certeza de que era aquela mulher que procurara nos seus sonhos... Temendo ficar para trás, Darcy incitou seu cavalo a correr, na tentativa de alcançá-la.

 

 

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