Capítulo IX
Dois dias já haviam se passado desde o acontecido naquela noite e Lidya evitava ao máximo estar na companhia de Arthur, ela sabia que a proximidade dele a perturbava, a cada dia que passava ela sentia que seu coração se rendia aos olhares, por isso ela resolveu se afastar para que falsas esperanças não surgissem em seus corações.
Arthur convencido por Ian e Georgiana da impossibilidade de qualquer esperança de viver algo com Lidya resolveu partir, quanto mais rápido ele partisse menos sofrimento seria, matar um sentimento no inicio é melhor que um consolidado. Ian e Georgiana preparam um jantar para comemorar a gravidez e para a despedida de Arthur. Em Pemberley todos já estavam prontos para ir ao jantar, Lizzy sentiu falta de Lidya, subiu até seu quarto.
- Lidya ainda não está pronta? Estamos esperando você.
- Eu não vou.
- Mas por que não vai? Se sente mal?
- Uma ligeira indisposição. Mas podem ir tranqüilos vou dormir e ficarei bem.
- Acha que sou boba? Sei muito bem por que não quer ir.
- Lizzy já disse não é nada demais.
- Acha que não percebi o que há entre você e o Sr. James.
- Não há nada entre nós.
- Eu sei, nem poderia. Minha irmã eu mais que ninguém deseja que você seja feliz, mas sabemos que mesmo o Wickham indo embora, você ainda sim será uma mulher casada e não poderá se casar novamente.
- Tenho consciência disso, e é por isso que não vou a este jantar, não quero reencontrá-lo.
- Eu a entendo, mas ele está indo embora, e provavelmente vocês nunca mais se verão novamente. Então você se sentirá culpada por ter perdido a chance de vê-lo pela ultima vez.
- Lizzy...
- Siga seu coração minha irmã, para não se arrepender depois. Eu estarei do seu lado.
- Eu vou, para me despedir.
- Isso mesmo, eu vou descer e esperaremos por você lá embaixo.
Ao ouvir as palavras de sua irmã, Lidya sentiu que tinha que se despedir daquele homem que a fez se sentir bem, em meio a tantos problemas.
Todos chegaram pontualmente à casa de Ian e Georgiana. Arthur estava na sala com os anfitriões quando foi anunciada a chegada de todos. o jantar foi servido e seguiu animado, a alegria de Georgiana e Ian era intensa, como eles desejaram este filho, e todos apesar dos problemas compartilhavam da mesma alegria. Arthur e Lidya trocavam olhares encabulados, apenas Lizzy ficava atenta a isto. Terminado o jantar todos se reuniram na sala e conversavam animadamente. Arthur se sentia triste de nem ao menos ter a chance de conversar mais uma vez com Lidya, ele saiu ate a varanda da casa, se sentia sufocado, Lidya apenas o observava de longe, Lizzy vendo a tristeza nos olhos da irmã, se aproximou dela.
- Por que não vai até lá e conversa com ele?
- Lizzy você me assustou. Não acho que devo.
- Acho que você deve sim, Lidya é notável a tristeza de vocês, ele principalmente. Vá falar com ele, se despeça. Não há nada de mal, afinal estamos todos aqui.
Lidya com os passos receosos foi em direção à varanda, seu coração estava cada vez mais acelerado, ela temeu não conseguir pronunciar uma única palavra, reuniu suas forças e com muita dificuldade falou o que primeiro lhe veio à cabeça.
- Boa noite Sr. James!
- Lidya! Boa noite.
- Partirá amanha cedo?
- Sim, nas primeiras horas da manhã, quero estar em casa o mais rápido possível.
- Não gostou da região?
- Gostei muito, mas do que deveria. – Após um tempo de silêncio, ele continuou. – Não se trata disso, é que tenho muitas coisas para resolver, pois partirei para uma viagem de dez meses para Paris.
- Que bom! Fico feliz, mas não pensei que fosse embora tão rápido confesso que fui pega de surpresa. Espero que faça uma boa viagem.
- Obrigada.
- Bom vou me juntar aos outros.
- É adeus então... Lidya!
- Sim.
- Eu a amo!
- Sr. James, por favor...
- Não precisa se preocupar, não vou mais insistir. Só quero que saiba que a amo, e que agradeço por ter me tirado do meu luto, e me trazido à vida novamente. As circunstancias não nos permite ter qualquer esperança de felicidade juntos, mas quero que saiba que sempre a amarei e que mesmo distante meus pensamentos e meu coração são seus. E que se estou partindo é por que não agüentaria ficar tão perto de você e não pode beijá-la, tocá-la, quero preservá-la e também a sua filha.
- Por que não apareceu antes na minha vida? Em outra situação tenho certeza que encontraria a felicidade ao seu lado. – Ela falou tentando conter as lágrimas que já molhavam seu rosto.
- Lidya...
- Mas infelizmente não podemos. Também quero lhe agradecer por ter me salvado e defendido tantas vezes, e principalmente por me oferecer este amor, tão lindo e puro.
- Estarei esperando por você.
- Quero que me prometa uma coisa.
- O que quiser.
- Que não se prenderá a mim, que viverá e buscará felicidade, que dará a chance de uma boa mulher fazê-lo feliz.
- Não me peça isso, ao menos não agora. Mas posso prometer que quando a vida nos der uma chance de ficarmos juntos eu voltarei, nunca esqueça disso.
- Lidya! Lidya! O que está fazendo aqui, se dê ao respeito. Vamos entre e fique conosco. – esbravejou a Sra. Bennet.
Lidya obedeceu à mãe, pois sabia que não o fizesse ela era capaz de chamar a atenção de todos. Após mais algumas horas todos se despediram e partiram de volta para Pemberley. No dia seguinte Ian e Georgiana desceram para acompanhar a partida de Arthur.
- É realmente uma pena que você já esteja indo embora.
- Ian você, mas do que ninguém sabe que é melhor que eu vá.
- É tem razão, mas estou muito feliz, pois apesar de tudo você parte um novo homem, quase aquele Arthur que brincava comigo quando criança, que era feliz.
- É verdade, me sinto bem, apesar de triste, devo tudo isso a Lidya que me fez enxergar que a vida continua... Bem, Georgiana, obrigado pela hospitalidade e seja muito feliz com esta criança que está por vir.
- Obrigada Arthur e, por favor, nos mande notícias de Paris.
- Pode deixar. Até logo!
Arthur subiu na carruagem e partiu. De longe avistou Pemberley que se aproximava cada vez mais, pensou na possibilidade de avistar Lidya, mas aquilo era impossível, pois a casa ficava distante da entrada, tentava afastar seus pensamentos quando a carruagem parou, ele assustado perguntou ao cocheiro o que estava acontecendo quando Lidya surgiu na sua frente, incrédulo desceu e foi ao encontro dela.
- Lidya! O que faz aqui?
- Vim por um único motivo, mas antes de dizer o porquê de estar aqui, me ouça. Não quero que me ache indigna por causa disso, e que se lembre sempre deste momento, pois eu jamais esquecerei que você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida, que depois disso quero que siga seu caminho e vá embora, e que eu... Eu também o amo.
Antes de Arthur falar qualquer coisa, Lidya o beijou, com toda a intensidade da paixão que ela sentia naquele momento, foi um beijo longo e suave. Após se separarem ele quis falar, mas ela acariciou seu rosto e com um sorriso falou:
- Eu jamais o esquecerei.
Falando isso ela correu em direção a casa, ele ainda ficou um tempo parado, enfeitiçado por aquele momento, o cocheiro teve que chamá-lo, com o ânimo renovado e o coração cheio de esperança ele partiu.














