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Não desesperar nunca do que se quer esperar: Por uma aplicação infatigável alcançaremos o fim.(Jane Austen)

Recomeço - Capítulo 8

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Capítulo VIII


Lidya tremia por completo, nunca sentira tanto medo em sua vida, à escuridão tomava conta de Pemberley, ela tomou todos os cuidados para não ser vista por nenhum criado, e quando já estava saído da propriedade ouviu uivos ora distantes, ora próximos, e cada vez mais próximos, o medo foi tão grande que ela ficou parada sem saber o que fazer, se refez e recomeçou a andar desta vez apressando os passos, quando ela menos esperava dois lobos ferozes saíram de traz de um grande arbusto, os olhos dos animais estavam fixos em Lidya, eles emitiam um barulho de ataque. Lidya parou, lágrimas começaram a rolar em seu rosto, ela já não controlava mais suas emoções, ela pensou em não se mexer na ilusão de que os animais não a atacassem, mas numa fração de segundos os lobos correram para cima dela, e em um ato de desespero ela começou a correr e a gritar por socorro, pensou estar tudo acabado, pois ela estava distante da casa e seus gritos de socorro não seriam ouvidos.

Arthur observava a casa com seus pensamentos vagos, a sua intenção de ir até lá foi se despedir de um sentimento que começava a nascer, mas que ele sabia ser impossível, de repente ele ouviu o barulho de pisadas e depois seu coração acelerou ao ouvir os gritos de Lidya, ele correu na direção dos gritos e ao longe avistou Lidya correndo e lobos a perseguindo, correu ainda mais, não estava acostumado a correr com cavalo, mas ele precisava salva-la.

Lidya já não tinha mais forças para correr, já pensava em desistir, não via e nem ouvia mais nada ao seu redor, quando sentiu braços fortes a pegarem pela sua cintura e colocá-la em cima de um cavalo cansada de tanto esforço e completamente amedrontada ela desmaiou.

Arthur a levou para uma velha cabana que ficava no final da estrada, pensou ser abandonada, mas ao entrar viu que se tratava de uma cabana de caça, pois tinha vestígios de que era freqüentada, existia cama, velas, era tudo muito simples. Ele a deitou na cama e como estava muito frio tirou seu, sobretudo e a cobriu, acendeu umas velas e como depois de algum tempo ela não acordava ele temeu, colocou a cabeça dela em seu peito e chamando-a começou a acordá-la.

- Lidya! Lidya, acorde, por favor!... Por Deus ande acorde, abra os olhos, não faça isso comigo.

Com muita dificuldade, e ainda um pouco tonta ela aos poucos foi abrindo os olhos, ao ver Arthur ela se assustou.

- Sr. James! O que faz aqui?...Onde estou? ... Oh meu Deus...

- Fique calma, por favor.

- Aqueles animais, eu tive tanto medo, eu...

- Está tudo bem agora, eu estou aqui e vou protegê-la, eu prometo.

Lidya começou a chorar, ela precisava externar todo o medo que sentia. Arthur apenas a abraçava e acariciava seus cabelos, depois que ela havia se acalmado, percebeu a gravidade da situação e lembrou do que tinha que fazer.

- Preciso ir.

- Como ir, aonde vai nesse escuro há essa hora?

- Tenho algo muito importante a fazer, preciso ir.

- Perdoe-me, mas não deixarei partir, é muito perigoso, por pouco não lhe acontece algo grave.

- Agradeço por ter me ajudado mais uma vez, mas com todo respeito Senhor James não tente me impedir.

- Tenha certeza que a impedirei, ao menos me deixe ir com a você.

- Não!... Eu preciso ir sozinha.

- Mas onde? Sinto muito, mas não posso permitir.

- Será que não entende, preciso fazer isso por minha filha, devo isso a ela, deixe-me ir por Deus... – Lidya disse suplicando neste instante as lágrimas voltaram a cair.

- Desculpe a inconveniência, mas estava indo se encontrar com seu esposo?

- Sim, lá é meu lugar.

- É inaceitável que volte para ele, depois de tudo o que ele lhe fez.

- Ele é meu esposo, tenho a obrigação de ficar ao lado dele.

- Não creio que essa é a razão que a faz cometer essa loucura.

- Não quero ser grosseira Sr. James, mas não há outro motivo alem deste, e agora preciso ir.

Arthur não podia aceitar tal coisa, não antes de lutar, de entender. Segurou-a pelos braços e olhando fixamente em seus olhos falou:

- Prometo que a deixarei ir, se olhar em meus olhos e dizer sinceramente se é por amor que voltara para aquele canalha.

- Por favor...

- É muito importante para mim que responda, eu lhe suplico, responda.

- Eu... Não, eu não o suporto, o odeio, mas não posso arruinar a vida de minha filha como fiz com a minha, tenho que me sacrificar por ela.

- Graças a Deus! Não sabe como isso me consola e alivia meu coração.

- Mas por quê?

- Isso não importa, o importante é que você não precisa voltar para aquele canalha por obrigação.

- O Senhor não entende faço isso por Wendy, que futuro eu posso oferecer a minha filha se for uma mulher que abandonou o marido, acha que ela vai conseguir alguém que a queira, que a ame, a respeite. Não posso permitir uma coisa dessas, já consegui destruir minha vida não vou ser responsável pela infelicidade de minha filha.

- Mas ao lado daquele homem, você acha que poderá garantir algum futuro a ela? Além do mais você terá todo o apoio dos Darcy que certamente acolheram Wendy e garantirão o futuro dela.

- Mas preciso tentar. Não tenho alternativa.

- Foi você mesma que me falou que nós não temos que ser infelizes para o resto da vida, eu segui seu conselho e não temo mais, vou seguir a minha vida, faça o mesmo.

- Eu sei, mas as coisas são diferentes, eu não tenho perspectiva de futuro, pela lei e pelas regras da sociedade eu não posso nem se quer ter a oportunidade de ser feliz novamente.

- O que importam as leis, as regras, nada é maior que o amor.

- Tudo isso é lindo, mas a realidade é bem diferente. Qual homem em sã consciência vai se apaixonar por uma mulher que abandonou o marido?

- Eu!

- O que?!

- Isso mesmo, eu estou perdidamente apaixonado por você, acho que desde a primeira vez que a vi, só não consegui admitir para mim mesmo por receio de ferir a lembrança de minha falecida esposa, mas agora posso de alma limpa afirmar que a amo e que seria capaz de enfrentar o mundo se necessário por seu amor.

- Isso é loucura... Pare por favor.

- Enfrentaremos Wickham, a sociedade, tudo juntos, se você quiser. Basta apenas você dizer que seus sentimentos não são indiferentes.

- Do que adianta meus sentimentos, não vê que é impossível?

- Diga ao menos que não sente nada por mim, e eu não mais insistirei.

- Eu... Eu não sei ao certo o que sinto Sr. James. Mas posso afirmar que algo muito forte.

- Então, nada mais importa.

- Por favor, me leve de volta a Pemberley.

- Então desistiu de voltar para Wickham?

- Sim, mas não interprete mal minha decisão, reconheço que cometi uma loucura ao pensar em voltar para Wickham, mas chega de erros em minha vida, não cometerei mais nenhum.

- Mas o que faremos como nosso sentimento?

- Matamos, ou guardamos em nossos corações. Eu lhe suplico em nome desse amor que diz nutrir por mim, me esqueça e não me procure novamente, não me tente a cometer mais desatinos.

- Mas Lidya...

- Por favor, me leve de volta.

Arthur não tinha mais forças para falar mais nada, no fundo ele sabia que o que ela falava era verdade, não queria ser o causador de mais sofrimento para ela, que apesar de tão jovem já tinha uma carga muito pesada, cuidadosamente a colocou em seu cavalo, subiu e no mais profundo silêncio seguiram de volta para Pemberley.

Lizzy estava estranhando a reação de sua mãe, e o sumiço de Lidya, estava deixando todos muito preocupados. Como ela tinha se recolhido muito cedo, Lizzy resolveu conversar um pouco com a irmã e ao chegar ao quarto não a encontrou, achou apenas um bilhete onde ela dizia ter resolvido voltar para o marido. Darcy e o Sr. Bennet já haviam reunido alguns homens para irem a sua procura quando Arthur entrou na sala, acompanhado por Lidya que estava cabisbaixa e envergonhada pela situação.

- Lidya, Sr. James o que está havendo aqui? – Perguntou o Sr. Bennet.
 
- Posso explicar o que houve se me permitirem e lhes garanto que não houve nada.

Arthur se pôs a contar tudo o que aconteceu, Lidya apenas chorava baixinho, todos ouviam atentamente, após o termino do relato Lizzy abraçou a irmã.

- Oh! Lidya não imagina o susto que nos deu.

- Me perdoe Lizzy, eu só queria evitar mais aborrecimentos a vocês. Fui uma tola.

- Nunca mais faça uma coisa destas, você terá todo o nosso apoio. Obrigada mais uma vez Sr. James, mais uma vez o Senhor salvou a vida de minha irmã.

- Não precisa agradecer, é uma sorte eu estar por perto.

- Certamente que foi uma falta de sorte, pois se não fosse pelo Senhor ela neste momento estaria com o esposo dela, onde é seu lugar. – resmungou a Sra. Bennet.

- Mamãe, que absurdo. – falou Lizzy

- Bem agora se me permitem já é muito tarde, certamente Ian está muito preocupado comigo, preciso ir.

- Peço que passe a noite conosco Arthur, é realmente muito tarde.

- Agradeço Darcy, mas realmente preciso ir.

- Então deixe que ao menos eu mande alguns homens lhe acompanharem até em casa.

- Eu agradeço.

 

 

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