Citações

Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente.(Jane Austen)

Recomeço - Capítulo 6

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Capítulo VI


Georgiana chegou a casa naquela noite decidida a falar com Ian, não podia mais esconder que Wickham foi o homem que a enganara no passado, aquilo já estava ficando insustentável, mas suas intenções foram sucumbidas por um bilhete de Ian dizendo que por razões de trabalho teria que ficar retido em Lambton, mas que no dia seguinte antes do almoço estaria em casa, mas uma vez aquela conversa tão importante teria que ser adiada.

Arthur estava em seu quarto, olhando as estrelas, os dias tinham sido muito cheios e pesados, mas ele estava feliz, se culpava por sentir tal sentimento, pois ainda não estava pronto para amar novamente, e o seu luto? Alem do mais, ela era casada, seria um sentimento impossível, e decididamente ele não estava disposto a sofrer novamente.

 Lidya já se preparava para dormir, estava velando o sono de sua filha e pensando em tudo o que havia acontecido, sentiu nojo e raiva de si mesmo por ter se apaixonado por alguém como Wickham, se o tempo pudesse voltar certamente teria sido menos tola e imprudente. Repentinamente Arthur James invadiu seus pensamentos, a beleza inigualável dele, a sua determinação ao defendê-la, mas com a mesma rapidez que esses pensamentos vieram, se foram, pois era impossível pensar nessa possibilidade, infelizmente ela era casada, e ele já havia deixado evidente que não estava aberto para novos sentimentos. Ela despertou de seus pensamentos ao ouvir batida na porta, ao ouvir a voz de Lizzy ela mandou a irmã entrar.

- Acordei você?

- Não Lizzy, eu estava pensando em tudo o que está acontecendo na minha vida.

- Está muito difícil não está meu amor?

- Sim, não sei como estou conseguindo suportar.

- Eu estou muito orgulhosa de você, tem demonstrado muita força e coragem, e amadureceu muito.

- As duras penas minha irmã.

- Mas tudo isso vai passar. Espero que não tenha ficado aborrecida com nossa mãe.

- Imagina, sei que do jeito dela, ela quer apenas nosso bem.

- É verdade, é a Sra. Bennet. Querida o que você pretende fazer? Quer dizer, em relação ao Wickham.

- Não sei bem o que fazer da minha vida Lizzy, mas de uma coisa tenho absoluta certeza, não quero mais voltar pra ele, eu não o amo mais, na verdade agora nem tenho certeza se o amei algum dia.

- E não precisa querida, como Darcy já falou você pode ficar conosco, eu ficarei imensamente feliz.

- Não sei como agradecer tudo o que vocês estão fazendo por mim. Não sei o que seria de mim sem vocês.

- Mas pelo visto você está cheio e protetores, Arthur se mostrou muito interessado em defendê-la.

- Deixe de bobagens Lizzy, como ele mesmo disse fez o qualquer cavalheiro faria. E infelizmente pelas regras da sociedade, não posso mais me dar ao luxo de amar novamente.

- Ei, o que isso! Mas você terá o nosso amor e de Wendy também.

- E isso para mim já é o suficiente.

- Vou deixá-la descansar, boa noite meu amor.

- Boa noite Lizzy, e obrigada mais uma vez.

No dia seguinte Ian estava voltando para casa, não via à hora de rever a esposa, mas se viu na obrigação de ir até Pemberley prestar sua solidariedade e sua ajuda à família Darcy, devido a assuntos urgentes de trabalho ele não tinha dado o apoio que deveria ao amigo. Darcy, o Sr. Bennet e Charlles estavam no escritório quando a criada anunciou a chegada de Ian.

- Bom dia!

- Bom dia Ian.

- Desculpe minha vinda tão cedo, mas vim prestar minha solidariedade e oferecer minha ajuda a vocês. Por motivos maiores que minha vontade, eu não tenho ajudado o suficiente, mas agora estou à inteira disposição, se houver algo que eu possa fazer...

- Agradeço Ian, sei que posso contar com você.

- Como andam as coisas? Georgiana me contou que o Sr. Wickham esteve aqui e sobre a briga entre ele e Arthur.

- Sim, realmente foi um fato lastimável.

- Ele voltou a procurá-los? O que pretendem fazer?

- Soubemos que ele está na casa de amigos aqui perto, mandei uma pessoa de minha inteira confiança levar um recado meu, e ele me enviou esse bilhete, nele ele me pede para encontrá-lo, ele tem algumas exigências... Canalha!

- Acalme-se Darcy, vejo que você está muito nervoso, acho melhor não o encontrar desse jeito, só piorará as coisas. – Ponderou Charlles.

- Charlles tem razão Darcy, isso não nos levará a nada. Mas ele virá até aqui para vocês conversarem?

- Não, ele nunca mais pisará os pés em minha casa, e também quero proteger Lidya e sua filha.

- Então me permita oferecer minha casa para este encontro. Lá é um lugar neutro e vocês terão toda a privacidade para conversarem.

- Não acho uma boa idéia Ian, ele não é uma pessoa confiável.

- Mas o que ele poderá fazer? Estaremos em maioria e ele não será louco de tentar fazer algo.

- Mas Ian...

- Eu acho uma excelente idéia Darcy.

- Meu genro, eu tenho que dar minha opinião, também acho que é o ideal, pois aqui não poderemos falar com ele, em algum lugar público as pessoas podem ouvir, e a ultima coisa que queremos é um escândalo maior, aceite a oferta de seu cunhado.

- Então está decidido, marque na minha casa e para quando será?

- Tudo bem Ian, não vejo alternativa, enviarei agora mesmo um mensageiro marcando o encontro para hoje mesmo, agora à tarde.

Darcy assim o fez, mas contra a sua vontade. Lizzy havia lhe contado que Georgiana ainda não havia revelado a Ian que Wickham foi o homem que a enganou, mas diante da insistência dos outros ele se viu obrigado a aceitar.

Após a confirmação do encontro eles partiram para a casa de Ian como o combinado, ao chegarem lá Ian perguntou por Georgiana, e foi informado que ela estava em seu quarto descansando, ele acomodou os convidados em seu escritório e subiu para ver a esposa. Chegando ao quarto ela estava dormindo, ele pensou em acordá-la, beijar sua face, seus lábios, mas achou melhor deixa-la dormir, pois quis priva-la do que aconteceria em sua casa, em seguida foi até o quarto de Arthur avisa-lo da presença de Wickham para que estes não viessem a se encontrar. Wickham chegou na hora combinada, um criado o encaminhou ao escritório onde Darcy, o Sr. Bennet e Ian o esperavam.

- Bom dia Senhores!

- Não estamos aqui para brincadeiras Sr. Wickham.

- Mas eu apenas os cumprimentei como manda a boa educação. Alias caro sogro o Senhor já foi mais gentil comigo.

- É mesmo um cínico, dissimulado, depois de tudo o que fez a minha filha, ainda quer que o tratemos cordialmente?

- Se for começar com ofensas eu vou embora, fui claro.

- O Senhor não está em condições de impor nada Wickham.

- Acho que Você está enganado Darcy, eu dou as cartas aqui.

- Não dá não e sabe disso! – esbravejou Darcy batendo na mesa e assustando os presentes. – Cale-se e ouça o que tenho a lhe propor.

- Acalme-se, só quero minha mulher e filha de volta.

- Claro que quer. Wickham a questão é que ela não quer voltar para você.

- Mas pela lei de Deus e dos homens ela é minha esposa e tenho direitos sobre ela.

- Não sei a quais direitos você se refere, pois a vida que oferecia a ela e canalhice que fez lhe tira qualquer direito sobre ela.

- Mas ela me pertence...

- Vamos encurtar este conversa. Diga seu preço, quanto quer para sumir de nossas vidas?

- Mas quem falou que eu quero algum dinheiro?

- Wickham nos prive de seu cinismo, fale quanto quer? Todo canalha tem um preço.

- Acha que pode comprar minha honra Darcy?

- Está brincando conosco? Sou uma testemunha de quão cara é sua honra.

- Assim você até me ofende... Bem mas já que você faz tanta questão, quero o dobro do que você me deu para casar-me com ela.

- Mas é muito dinheiro, não aceite meu genro.

- É minha ultima palavra Sr. Bennet, ou me dão essa quantia ou quero minha amada esposa de volta. E quero esta quantia dentro de no máximo cinco dias.

- Para que precisa de tanto dinheiro Wickham? Acaso está fugindo de alguém?

- Eu... Não claro que não, de onde tirou isso Darcy?

- Quem sabe não está fugindo de Conde Harley. – Vendo o silencio de Wickham Darcy continuou. – Fiquei sabendo esta manhã que o Conde o desafiou para um duelo, pela afronta a honra dele.

- Não sei do que você está falando, não fui desafiado a nenhum duelo.

- Claro que foi, por ter estado com a mulher dele, alias não foi com ela que sua mulher o flagrou?

- Os meus motivos não interessam, mas se querem que eu a deixe em paz é só me pagarem e ficaram livres de mim para sempre.

- Está bem me dê cinco dias para levantar esse valor, mas quero que saiba que assinará um documento abrindo mão de Lidya e Wendy.

- Desconfia de minha palavra Darcy?... Assino o que quiser.

- Bem Senhores já que tudo está resolvido acho que o Senhor deve partir. – Falou Ian.

- O Senhor deve ser o esposo de Georgiana suponho.

- Sim sou eu, conhece minha esposa?

- Mais do que o Senhor possa imaginar, não é mesmo Darcy?

- Do que está falando?

- Ela não lhe contou? Vejo que ela preferiu esconder seu passado.

- Já chega Wickham! – Suplicou Darcy prevendo o pior.

- Não! Continue por favor, o que Georgiana deveria ter contado?

- Pergunte a ela o Senhor mesmo. Não sou eu quem vai trazer desavenças para este lindo casal, Senhores se me permitem devo ir.

Wickham abriu a porta para ir e deu de cara com Georgiana que tinha ouvido o final da conversa, ela estava paralisada, pálida, o choque da revelação feita por Wickham e não por ela, a fez ficar sem reação, ela apenas conseguiu pronunciar uma frase antes de desmaiar.

- Ian meu amor, me perdoe.

 

 

 

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