| Recomeço - Capítulo 5 |
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| Escrito por Fátima |
| Qui, 03 de Setembro de 2009 01:33 |
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Capítulo V
- Assustei-o Sr. James? Foi sem intenção. - Está tudo bem, achei que era algum animal. Estava tão envolto em meus pensamentos que nem a vi se aproximando. - Bem então vou deixá-lo com seus pensamentos. - Não, por favor, fique! Sra. Wickham quero me desculpar pelo que lhe disse hoje, percebi que a Senhora ficou incomodada. - Primeiro quero lhe pedir um favor, não me chame assim, já não me sinto como tal. Pode me chamar de Lidya. E não precisa se desculpar, afinal de contas não é novidade para ninguém o que aconteceu. - Sinto muito pelo que lhe aconteceu, seu esposo foi um canalha. - Eu não gostaria de falar sobre isso. - Certo, eu que estou sendo inconveniente, apenas gostaria de exprimir minha indignação. - Eu agradeço. - Posso fazer uma pergunta? - Sim. - Agora a Senhora está com medo de falar comigo? - Não... – Lidya riu – Olhem, vejam só o Senhor também tem senso de humor. - Que bom, consegui fazê-la sorrir. Fica linda quando sorri. - O Senhor também sorriu. - Não sou o monstro que pareço ser Senhora, quer dizer Lidya. A vida é muito complicada e às vezes amarga demais. - Concordo que temos tristezas na vida, mas não devemos nos fechar. Veja aos poucos estou me recuperando e tenho esperanças de um dia voltar a ser quem eu era, mas mais madura. - Talvez você tenha razão, mas então o que fazemos com nossa dor? Não se pode arrancar assim. - Realmente não podemos arrancar, mas também não temos o direito de tornar as pessoas e o ambiente que nos cerca triste. O Senhor tem um belo sorriso, deveria sorri mais, tentar ser feliz. - Mas pode soar como um desrespeito à memória de minha esposa, é como se minimizasse tudo o que vive com ela. - Não vejo desta forma, tudo o que vocês viveram juntos ficará guardado pra sempre em seu coração, é lá que precisa ficar, e pode ter certeza que a ultima coisa que ela desejaria para o Senhor era ser infeliz para o resto da vida, o fato de ser feliz não desmerecerá o amor que o Senhor sentiu por ela. - Agora você falou da mesma foram que ela falaria. Obrigada Lidya. Ele pegou as mãos de Lidya e as beijou em agradecimento àquela conversa, tudo o que ela falara, apesar de todos já terem lhe falado, nunca o tocara tanto como desta vez. Lidya estremeceu o simples toque daquele homem a inebriava, naqueles poucos instantes de conversa ela pôde perceber de verdade quem era Arthur James. Eles estavam tão aprisionados aquele momento que nem perceberam que alguém se aproximava deles, ouviram apenas aplausos, se viraram bruscamente e de repente Arthur viu Lidya pálida a ponto de desmaiar olhando fixamente para aquele homem. - Que pouca vergonha minha querida, agora sei por que fugiu de mim, você é mesmo uma cortesã. - Cale-se! não permitirei que a ofenda dessa forma. - Quem deve calar-se aqui é o Senhor. Por acaso ela lhe contou que é casada e comigo? - Sim sei que infelizmente ela é casada com o Senhor e também sei a canalhice que o Senhor fez a ela. - E por acaso o Senhor é o protetor dela, idiota, está pensando que vai ficar com ela, mas sinto lhe dizer que ela é minha esposa e vai voltar comigo agora. Venha Lidya vamos pegar Wendy e vamos embora. - Eu não vou a lugar algum com você seu canalha! – Lidya respondeu aos prantos. - Está me desafiando sua... Wickham se aproximou para pega-la a força mais foi empurrado por Arthur. - Ela não irá com o Senhor - E é você quem vai impedir, ela é minha esposa tenho meus direitos. - Perdeu todos os seus direitos quando a humilhou de forma tão vil. - Do jeito que fala até parece que já provou da bela Senhora, é bem provável, pois todos sabem como ela era libertina. Contou a ele que fugiu comigo? Que se oferecia a qualquer homem que a quisesse e que só fiz o sacrifício de casar-me com você por que seu cunhado me pagou muito bem? - Chega! Agora o Senhor foi longe de mais... Arthur partiu para cima de Wickham com uma fúria incontrolável, ele não poderia mais permitir este desrespeito com aquela jovem tão desprotegida. Os dois se envolveram em uma luta, Lidya estava desesperada. - Parem pelo amor de Deus! Alguém me ajude! Ela correu em direção a casa e encontrou um grupo de criados que estavam cuidando do jardim, pediu ajuda a eles que imediatamente separaram a briga. Wickham vociferava insultos a Arthur e Lidya. Arthur mandou coloca-lo pra fora e vigiar para que ele não entrasse na propriedade. Ao volta-se para Lidya ele viu que ela ainda chorava, estava desconsolada com tanta humilhação, foi até ela e a abraçou, ela se deixou cair naquele abraço, estava fraca e sem forças para qualquer reação, chorou muito, e depois de um tempo, mais calma, levantou seu rosto e olhou bem no fundo dos olhos dele. - Obrigada por ter me defendido, estou tão envergonhada. - Não precisa se sentir assim, você não tem culpa daquele homem ser um covarde. - Não sei o que faria se não estivesse aqui. Deus seu rosto está machucado, seu nariz está sangrando. Vamos o Senhor precisa de cuidados. - Isso é uma bobagem não se preocupe, espero que ele esteja pior do que eu... - Não brinque, poderia ter se machucado ainda mais. - Daria a minha vida se fosse necessário. Desconcertada Lidya o ajudou e juntos seguiram para casa. Georgiana ao vê-lo naquele estado quis saber o que aconteceu e quando Lidya lhe relatou o que havia acontecido ela congelou, Wickham estava perto, mais cedo ou mais tarde ele e Ian poderiam se encontrar, ela tinha que contar tudo ao esposo, mas precisava de coragem. Ao cair da noite Lizzy enviou um mensageiro a Pemberley comunicando que seria impossível sua volta para casa naquele mesmo dia, pois Jane não melhorara, e que voltaria no dia seguinte, então Georgiana e Arthur se viram obrigados a dormirem em Pemberley temendo deixar Lidya e Wendy sozinhas, depois do que aconteceu a tarde ficou evidente que Wickham não desistiria assim tão fácil. Georgiana mandou avisar a Ian através de um bilhete comunicando todo o acontecido e pedindo que ele viesse ficar com eles, mas para tristeza dele e dela também, ele não poderia ir a Pemberley, pois os seus advogados tinham chegado de Londres para tratar de negócios, mas ele sabia que elas estavam seguras, principalmente pela presença de Arthur, como também de toda a segurança de Pemberley. No dia seguinte pouco depois do almoço Lizzy chegou e foi colocada a par de tudo o que ocorreu no dia anterior, ela ficou horrorizada e muito agradecida a Arthur por ter salvado sua irmã. Logo mais à tarde Darcy e Charlles chegaram trazendo consigo o Senhor e a Sra. Bennet. Ao entrarem em casa encontraram todos conversando na sala de estar, a Sra. Bennet foi logo correndo em direção a Lidya, abraçou a filha a beijou, mas surpreendeu a todos. - Lidya você quer acabar com meus pobres nervos? Volte para seu esposo, quer manchar para sempre o nome de nossa família. - Mamãe que absurdo é este! – falou uma incrédula Lizzy. - Absurdo? Absurdo é o que ela fez, todos os casais se desentendem e precisam se acertar. Não percebe o que está acontecendo Lizzy? Minha filha está abandonando o marido, será um escândalo. - Já basta Sra. Bennet! – falou o Sr. Bennet quase gritando. – Quem não percebe o que está acontecendo é a Senhora. Quer entregar nossa filha para um canalha que a humilhou, espancou por Deus Senhora às vezes duvido de sua inocência. - Acalmem-se, por favor, não nos levará a nada, precisamos arranjar uma forma de resolver toda esta situação. – Ponderou Darcy. - E eu não quero voltar para aquele homem, se me obrigarem eu sumo, pego minha filha e vou embora daqui. - Lidya calma, imagine se a forçaríamos a fazer isso querida. Você e Wendy são muito bem vindas aqui, não mesmo Darcy? - Claro meu amor. Cara cunhada vocês podem permanecer aqui se quiserem. - Eu ainda não me conformo. – Falou a Sra. Bennet. - Mamãe aquele homem é muito perigoso. Ele invadiu Pemberley ontem para arrastar Lidya e a filha com ele, a humilhou e só não aconteceu o pior porque com a graça de Deus o Sr. Arthur estava presente e a defendeu. – esclareceu Lizzy. - Como ele invadiu nossa propriedade? Como ele entrou, deixei ordens expressas para que aquele canalha não entrasse aqui. - Darcy, nós devemos levar em conta que ele cresceu aqui e certamente deve ter entrado ou com a ajuda de algum criado, ou por algum lugar que não tenha sido visto. - Pode ser Charlles, mas vou investigar, e se descobrir que alguém o ajudou... Bem mais o que importa é que Arthur estava aqui, eu lhe agradeço imensamente, vejo que as marcas da visita daquele sujeito ainda estão visíveis em seu rosto. - Eu também gostaria de lhe agradecer Senhor muito obrigada por defender minha filha. - Não precisam me agradecer, fiz o que qualquer um faria. Mas ressalto que pelo que presenciei ontem, posso afirmar que esse Sr. Wickham é um ser completamente desprezível e a forma como ele tratou Lidya, é completamente inadmissível que ela volte pra ele. - Com qual direito este Senhor se intromete neste assunto de família? Quem é ele? E que petulância chamar minha filha pelo nome, fique sabendo que ela é uma Senhora casada. - Perdoe-me Sra. Bennet, realmente estou sendo impertinente. Se me permitem estou de saída. - Não Sr. James fique, por favor. Mamãe este assunto também diz respeito a ele a partir do momento em que ele se arriscou para me defender. – desabafou Lidya. - Se dependesse de mim o desafiaria a um duelo. - Papai não fale isso, por favor. Não suportaríamos a idéia de perdê-lo. – Lizzy choramingou. - Além do mais meu sogro, tenho certeza que aquele canalha tem um preço. Ele virá até nós e dirá seu valor para nos deixar em paz. O restante da noite se seguiu com conversas mais amenas, apesar do clima de tensão que pairava sobre Pemberley.
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