Capítulo IV
Georgiana olhava fixamente pra o marido, ela não conseguiu dormir envolta em seus pensamentos, ela estava decidida iria contar a ele o que vinha escondendo há tanto tempo. Ian ainda com os olhos fechados tentou abraçar a esposa, mas como não a encontrou na cama, virou-se rápido e encontrou-a em pé olhando pra ele.
- Já de pé meu amor, venha aqui dar meu beijo de bom dia.
- Querido preciso lhe contar algo.
- Deve ser muito sério, pra você está assim.
- É sobre Wickham, o esposo de Lidya.
- Ah! É sobre isso, não se preocupe meu amor, Darcy já me contou, eu entendo os seus motivos pra não ter me contado.
- Darcy lhe contou? Mas como assim, ele...
- Por que o susto meu amor? Ela é cunhada dele e ninguém melhor que ele pra me contar, você não acha?
- Ah! É isso, sim claro que ele é a melhor pessoa para lhe contar.
- Meu amor preciso ir visitar uns arrendatários, e só volto no final da tarde. Tentei levar o Arthur, mas infelizmente ele não quis ir, então, por favor, faça companhia a ele está bem?
- Mas Ian preciso conversar com você...
- Quando eu voltar prometo que conversaremos, agora preciso ir, nem vou tomar café com vocês para chegar a tempo do jantar.
Ian disse está ultima frase e foi para o seu quarto se trocar, Georgiana ficou mortificada, ela mais vez não teve coragem de contar a verdade para Ian. Ela se arrumou e desceu, precisava esta na sala antes de Arthur, mas quando ela chegou, ele já a esperava.
- Bom dia Arthur, perdoe-me, mas estava me arrumando e...
- Não precisa se desculpar, eu é que madruguei. E pelo visto Ian também, pois soube pelos criados que ele já saiu.
- Sim, há algum tempo ele foi resolver uns negócios. Vamos tomar nosso desjejum?
- Claro, por favor.
Eles sentaram-se a mesa, Georgiana estava sem graça, ela não tinha muita intimidade e sua timidez característica a inibia de conversar com Arthur, mas ela não podia ficar em silencio seria descortês de sua parte, então começou uma conversa com o que lhe veio primeiro a cabeça.
- Então Arthur, eu espero que esteja gostando de estar conosco.
- Sim Georgiana, estou gostando muito.
- E também da família de meu irmão.
- Sim, a Sra. Darcy é encantadora, e a irmã dela e Charlles também são muito agradáveis, já a Sra. Wickham, bem não tivemos muito contato.
- Lidya? Sim, ela geralmente sempre foi muito espontânea, mas ultimamente tem sido assim, triste e silenciosa.
- Não quero ser indiscreto, e este assunto não me diz respeito, mas não pude deixar de ouvir quando seu irmão narrava os acontecimentos com a Sra. Wickham a Ian.
- Oh sim lastimável o que aconteceu, mas meu irmão está disposto a proteger a ela e sua filha Wendy.
- E este tal de Wickham, onde está?
- Bem não se sabe, mas certamente ele virá em busca dela, e isto é o que mais me preocupa.
- Mas por quê?
- Bem. é...
Georgiana ficou desconcertada com a pergunta de Arthur, quando estava prestes a inventar uma resposta qualquer foi salva pela governanta que lhe entregou um bilhete de Lizzy:
Cara Georgiana
Estou escrevendo para lhe pedir um imenso favor. Darcy e Charlles foram conversar com meus pais sobre a situação de Lidya e eu fui até a casa de Jane, em meio a tantos problemas tivemos uma excelente notícia, Jane está grávida do seu segundo filho, e como ela se sente muito indisposta vou ter com ela. Lidya preferiu não vir, para que as pessoas não a vissem e assim pudesse chegar aos ouvidos de Wickham a sua presença em Pemberley. O que quero lhe pedir é que, por favor, fique com ela até a minha chegada, sei que é um incômodo, mas não tinha mais a quem recorrer, e sei que me compreenderá.
Atenciosamente
Elizabeth Darcy
- Algum problema Georgiana?
- Não, é que minha cunhada me pediu para ficar com Lidya até ela voltar da casa de sua irmã Jane.
- Quer que eu a acompanhe?
- Sim, será muito bom ter sua companhia, e assim ficaremos mais protegidas com a presença de um homem.
- Então está acertado irei com você.
- Após nosso café, partiremos.
Arthur se ofereceu porque não poderia deixar Georgiana ir sozinha até Pemberley, mas o motivo principal ele sabia, mas não admitia, ele queria rever a bela Lidya, mas isso lhe trazia uma culpa muito grande por isso afastava qualquer pensamento relacionado a isso, principalmente porque ela era casada, com um covarde, mas mesmo assim casada e ele não poderia. Em pouco tempo eles estavam em Pemberley ao entrarem na casa Georgiana mandou a governanta chamar Lidya, em alguns minutos Lidya já estava na sala junto com os outros.
- Georgiana que surpresa, Sr. Arthur.
- Lidya como vai?
- Muito bem obrigada, mas Lizzy não está foi até a casa de Jane, e Darcy e Charlles também saíram, eles só voltam no final da tarde.
- Eu sei, Lizzy me pediu para lhe fazer companhia e Arthur me acompanhou.
- Deus, Lizzy e essa mania de proteção exagerada. Eu disse a ela que ficaria bem, ela não precisava ter incomodado você Georgiana.
- Imagina Lidya para mim é um prazer e não falamos mais no assunto. Onde está Wendy?
- Ela está no quarto com a babá.
- Posso vê-la?
- Claro que sim, fique a vontade.
- Ela é uma menina encantadora, por favor, faça companhia a Arthur, volto logo.
Georgiana subiu as escadas, Arthur se viu a sós com essa mulher que tanto o perturbava, ficou sem graça, não sabia o que falar, em outras épocas ele já fora mais espontâneo, mais vivaz, mas hoje perdeu o jeito e principalmente na presença de Lidya Wickham. Ela por sua vez apesar da maturidade e sofrimento aos poucos recuperava sua espontaneidade, os dois sentaram e ficaram um bom tempo em silencio, ate que ela resolveu quebrar o silencio.
- Sr. James está gostando de sua estadia?
- Sim, muito todos são muito gentis. Georgiana é uma excelente anfitriã.
- O Senhor é um homem muito calado. Às vezes dá medo até de lhe dirigir a palavra.
- É esta a impressão que a Senhora tem de mim?
- Perdoe-me não quis ofendê-lo, ah meu Deus sou muito atrapalhada mesmo...
- Não precisa se desculpar, nem sempre fui assim.
- Eu sei é viúvo. Sinto muito.
- Não mais que eu, acredite.
- Mas o Senhor ainda é muito jovem, ainda tem tempo para encontrar um novo amor. E tenho certeza que não lhe faltarão pretendentes.
- Não estou aberto para novos romances, mas a Senhora também é muito jovem, não pensa em recomeçar sua vida?
Lidya corou. Então ele já sabia do que aconteceu a ela, ela estava coberta de vergonha, um estranho já sabia da canalhice de seu esposo, não sabia o que responder, neste momento, Georgiana entrava na sala com a pequena Wendy nos braços, o que aliviou Lidya.
- Wendy é mesmo linda.
- Venha aqui meu amor. – Lidya a pegou nos braços.
- Mamãe, moço bonito. – A menina falou apontando para Arthur.
- Wendy! Desculpe Sr. James.
- Não a reprove Lidya, ela é uma criança e ela não falou nada demais. Venha aqui querida esse é o tio Arthur vá até ele e o cumprimente. – Georgiana a incentivou.
Wendy com suas perninhas correu em direção a Arthur, num impulso se jogou em seus braços e beijou-lhe a face. Arthur ficou sem saber o que fazer, mas aos poucos seu coração foi se enchendo de ternura e ele retribuiu o carinho da menina afagando-lhe os cabelos.
- Moço bonito.
- Obrigada Wendy você também é uma menina muito bonita.
- Wendy, vamos nos arrumar para o almoço. – Lidya chamou perturbada pelo carinho que surgiu entre a filha e aquele estranho que a perturbava.
- Até logo moço bonito.
- Até logo querida.
Lidya pegou a menina e subiu. Arthur ficou anestesiado e surpreso, como foi bom sentir o carinho de uma criança, ele sentiu que seu coração ainda estava vivo e aberto a emoções.
Durante o almoço o silêncio reinava absoluto, pois os presentes não viam assuntos em comum para serem debatidos. Após o almoço Lidya foi colocar Wendy para dormir, Georgiana foi até a biblioteca, convidou Arthur, mas ele preferiu caminhar um pouco. Lidya tentou dormir, mas como não conseguiu desceu e resolveu tomar ar fresco.














