Citações

A imaginação de uma dama é muito rápida, salta da admiração ao amor, e do amor ao matrimônio, num momento. (Jane Austen)

Recomeço - Capítulo 2

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Capítulo II


Lizzy andava de um lado para o outro da sala, por mais que ela tentasse conter a ansiedade não conseguia. Jane apesar de estar tão nervosa quanto à irmã, se mantinha sentada, não conseguindo mais ver o nervosismo da irmã resolveu intervir.

- Lizzy, por favor, acalme-se, não resolverá nada tanta aflição.

- Mas elas já deveriam ter chegado.

- Elas já devem estar chegando, não se aflija, por favor.

- Será que Wickhan as encontrou? Será que ele descobriu?

- Minha irmã, nós não devemos pensar no pior, além do mais se tivesse acontecido algo já saberíamos.

- Eu gostaria muito de ter sua calma.

- E eu a sua coragem e determinação.

As duas se abraçaram, finalmente ouviram o barulho da carruagem chegando, correram em direção a Lidya e a pequena Wendy. Jane cumprimentou a irmã, pegou a menina e entrou, Lizzy ficou observando Lidya com roupas surradas, ela ainda era jovem, mas sem aquele brilho que lhe era característico, trazia em seu rosto as marcas da agressão sofrida, Lizzy vendo o estado da irmã foi em direção a ela e a abraçou chorando.

- Oh! Lidya minha irmã, o que aquele canalha lhe fez? Seu rosto...

- Lizzy, eu estou tão humilhada, tão envergonhada.

- Agora está tudo bem querida, vocês estão seguras aqui.

- Eu não quero incomodar, Lizzy se for lhe trazer problemas eu procuro outro lugar e...

- Lidya em absoluto vocês estão incomodando, eu jamais as abandonaria.

- E o Sr. Darcy como ele reagiu? Ele aceitou que nós ficássemos aqui?

- Deixe isso comigo, ele está viajando e eu não tive como avisa-lo, mas não se preocupe.

- Lizzy não está certo, e se ele se zangar e brigar com você por minha causa, eu fico em outro lugar.

- Onde? Lidya aqui é o lugar mais seguro para vocês ficarem, aqui aquele homem não se atreverá entrar.

- Mas Lizzy...

- Sem mais, vamos entrar, vou acomodá-la.

Elas entraram e Lidya foi para o quarto descansar da viagem junto com Wendy, à menina já estava com seus quatro anos, era linda, lembrava muito a mãe, pele branca, cabelos castanhos e olhos verdes, tinha apenas o sorriso do pai. A tarde seguiu calma, a noite caiu tranquilamente, Jane e Lizzy esperavam Lidya para o Jantar, as crianças já estavam com as criadas, elas pensavam em uma forma de abordar o assunto com Lidya sem machucá-la ainda mais.

- Jane acho melhor deixarmos esta conversa para depois.

- Não Lizzy, nós precisamos saber exatamente o que houve para podermos ajudá-la, não acho que ela se recusará a falar.

- Você viu o estado que ela chegou aqui? As roupas surradas, como nossa irmã sofreu nas mãos daquele canalha.

- Mas não devemos esquecer que foi ela quem escolheu.

- Jane! Ela era uma menina, mas pelo que vi hoje ela amadureceu bastante.

- Estou pronta, vamos jantar? – Falou Lidya que neste momento entrava na sala de estar.

- Sim, vamos.

As três seguiram para a sala de jantar. Durante todo o tempo as conversas foram sobre as crianças, sobre a família, Lidya queria saber de todos: os pais, Mary e Kitty, esta ultima estava noiva. Depois de terminado o jantar, elas seguiram para a sala de estar, onde Lizzy pediu para que a irmã contasse como tudo aconteceu que ela não omitisse nenhum detalhe para que assim ela pudesse ajudá-la. Lidya assim o fez, contando todos os por menores do acontecido.

Os dias se passaram tranquilamente, sem nenhuma notícia de Wickhan, o que não era um sinal de alívio, pois daquele homem poderia se esperar tudo.

 Georgiana estava em seu quarto, deitada, ultimamente ela não se sentia muito bem, estava enjoada indisposta, até as visitas a Pemberley foram diminuídas, pensou em falar com Lizzy, mas com todo este problema de Lidya sabia que ela não teria cabeça para uma indisposiçãozinha a toa. Chovia forte, ela acabou dormindo, estava tão cansada e dormia tento ultimamente que nem ouviu a movimentação dos criados com a chegada de Ian e seu primo, Arthur James.

- Onde está minha esposa?

- Está em seu quarto Sr. Miller, quer que mande chama-la?

- Não é necessário, eu mesmo irei até lá. Não se importa não é Arthur?

- Claro que não, fique a vontade para matar as saudades de sua esposa.

- Ótimo, acompanhe a criada ela lhe mostrará seu quarto, vejo você durante o almoço, descanse um pouco, você tem muita coisa para ver por aqui, precisa estar preparado e bem descansado.

- Ian você bem sabe que não tenho ânimo para sair, depois do que aconteceu, não tenho disposição nem animação para diversões, só vim pra cá porque você insistiu muito.

- Você precisava sair de Londres, da sua casa. Mas está bem, faremos o que você quiser, mas agora vou ver minha Georgie, não agüento mais de saudades dela e... Desculpe Arthur não foi minha intenção...

- Imagina Ian, eu sei. Bem vá lá não a deixe esperando. Vejo-te durante o almoço.

Ian se sentiu mal com sua própria felicidade conjugal. Seu primo Arthur era jovem, mais jovem que ele, era um homem alto, porte atlético, cabelos castanhos lisos, e olhos verdes, era um homem muito bonito e atraente, apesar de hoje está abatido e descuidado, mas sua beleza era nítida. Casou-se muito cedo, amava a esposa, era um casal visivelmente apaixonado. Após dois anos de casamento ela ficou muito doente, uma pneumonia que foi fatal e a mais ou menos um ano ele ficou viúvo, a dor de perder seu grande amor foi tão grande que ele se fechou para o mundo, ficou trancado em casa com sua amargura e seu sofrimento, não tiveram filhos o que o machucava ainda mais, pois não tinha lhe sobrado nada físico para lembrar a esposa, apenas suas lembranças. Ian gostava muito de seu primo, e por diversas vezes tentou trazê-lo para sua casa, para que se distraísse, mas nunca conseguiu, desta ultima vez, insistiu tanto e com a grande ajuda de Darcy conseguiu tirar seu querido primo da clausura mental que ele se colocou.

Ian subiu as escadas estava tão nervoso quanto quando esteve com Georgiana pela primeira vez, estava com tanta saudade da esposa, e tinha um tempo até o almoço, ele riu por seus pensamentos. Entrou no quarto e viu Georgiana deitada, ela estava dormindo tranquilamente, ele hesitou um pouco antes de acordá-la, mas não se conteve, deitou perto dela e começou a beijá-la por todo o rosto, aos poucos ela foi abrindo os olhos, ainda estava meio sonolenta, mas ao sentir o cheiro do marido, abriu um sorriso iluminador.

- A Senhora costuma deixar homens beijá-la enquanto dorme?

- Só os mais bonitos e com o seu cheiro.

Os dois se abraçaram e se beijaram longamente, Georgiana ainda sem ar, com muita dificuldade conseguiu falar:

- Ian eu também estou morrendo de saudades, mas temos visitas não é? Ian e seu primo, ele veio com você?

- Veio sim, mas não se preocupe com isso, ele está descansando no quarto, e temos um tempinho até a hora do almoço...

- Senhor Ian Miller se comporte!

- Estou me comportando Sra. Miller.

- Não é o que parece.

- Mas estou me comportando, como um homem apaixonado que não agüenta mais de saudade da mulher amada.

Dizendo isso ele a envolveu com todo seu amor, eles se amaram.

Em Pemberley, Lizzy estava na sala com Jane e Lidya, quando Darcy chegou, ao entrar na sala ele viu as três, ele não pôde deixar de estranha a presença de Lidya, mas usou de seu bom senso e educação e não deixou transparecer sua contrariedade. Após ficarem alguns minutos na sala comentando os acontecimentos da viagem, Lizzy e Darcy subiram com o argumento de desfazer as malas. Chegando ao quarto Darcy abraçou a esposa fortemente e os dois deram um beijo longo, terno e cheio de saudade e cumplicidade. Após ficarem um tempo abraçados, Darcy não se conteve mais em perguntar.

- Meu amor, sua irmã veio nos visitar?

- É justamente sobre isso que eu quero falar com você.

- Pode falar. Aconteceu alguma coisa?

- Primeiro leia esta carta, por favor, depois conversamos.

Ela entregou a carta a Darcy, ele sentou na cama e começou a ler, a cada linha lida seu semblante ia mudando, ficando cada vez mais fechado, um ar de reprovação e revolta foi tomando conta dele. De repente Lizzy se assustou com a reação de Darcy, ele levantou abruptamente e socou a escrivaninha.

- Canalha!

- Acalme-se meu amor.

- Ele precisa de uma lição, covarde! Bater em uma mulher.

- Eu sei agora elas estão aqui, sob nossos cuidados. É sobre isso que quero lhe falar, as trouxe para cá, porque achei que aqui seria o único lugar que ele se atreveria procura-las, agi impensadamente, mas precisava agir rápido, não podia deixá-las lá sob a violência de Wickhan, espero que você não tenha se zangado.

- Imagina meu amor, você agiu corretamente, eu seria tão crápula quanto ele se me recusasse proteger sua irmã e sua sobrinha. Seus pais já sabem?

- Não, ainda não criei coragem para contar, meu pai já está velho e certamente vai querer tirar satisfações com aquele canalha, e ele não hesitará em fazer mal ao meu pai.

- Você tem razão, mas alguém precisa dar uma lição nesse sujeito.

- Mas não será você, Darcy me prometa que não vai fazer nada contra ele.

- Não posso lhe prometer nada, ao menos não agora, estou tomado pela raiva.

- Desculpe trazer os problemas de minha família pra você.

- Meu amor sua família agora é minha, e eu as protegerei como a mim mesmo.

- Obrigada meu amor, eu sabia que poderia contar com você. Eu te amo.

Lizzy abraçou o marido o mais forte que conseguiu, eram momentos e atitudes como esta que confirmavam todo o amor e admiração que ela sentia por aquele homem. Não poderia deixar de se sentir a mulher mais feliz do mundo apesar dos problemas.


 

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