| Destino - Capítulo 14 (Final) |
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| Escrito por Fátima |
| Ter, 29 de Setembro de 2009 05:23 |
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Capítulo Final
- David é um absurdo, não se tem funcionários decentes ultimamente, esses trogloditas não me deixaram entrar. Exijo que repare esse erro imediatamente. - Exige Karen? Não acho que você está em condições de exigir alguma coisa. - David, não estou entendendo querido. - Não está mesmo, ou você acha que está diante de um palhaço? Eu pessoalmente dei ordens para que nem você nem o canalha do seu irmão colocassem os pés em Pemberley. - Mas o que eu fiz? – Falou fingindo choro. - Pela primeira vez desde que a conheci Karen posso dizer que tem futuro como atriz, quase me convenceu. Admira-me muito sua cara de pau de ainda vir nos fazer uma visita como se nada tivesse acontecido. - David, mas eu não fiz nada, foi o Dillan, ele planejou tudo eu fui contra é claro, mas... - Então confessa? - Eu... Eu não confessei nada, e... Querido sou eu Karen, por favor, vamos conversar e esclarecer esse mal entendido. - Quer um conselho Karen? Faça como seu irmão e suma daqui, porque dei queixa apenas dele, mas hoje mesmo vou acusá-la como cúmplice, aí você me esclarece tudo na cadeia, que é o lugar de gente como vocês. Adeus! David saiu deixando para trás uma amedrontada Karen, que entrou em seu carro imediatamente sem ao menos perceber que estava sendo seguida, e ao chegar ao esconderijo de seu irmão teve uma grande surpresa ao serem presos por policiais que a seguiu.
Quase quinze dias depois David estava na biblioteca lendo um livro quando Eleanor entrou com uma caixa nas mãos. - Sr. Russel finalmente terminamos de limpar o último andar e encontrei isso. - O que tem aí? - São fotos, cartas e uma carta do seu falecido tio endereçada a vocês. - Obrigado Eleanor, por favor, preciso que providencie tudo o que está nesta lista, é muito importante e preciso que você cuide de tudo pessoalmente, não quero que nada saia errado, e quero tudo pronto amanhã à noite. Onde está a Emily? - No quarto descansando Sr. Quer que a chame? - Não precisa vou até lá, obrigado Eleanor. Ah! Antes quero que providencie tudo o que está na lista, tudo tem que estar perfeito. David entregou uma lista para Eleanor que ao ler apenas assentiu e sorriu. Coma a caixa em mãos David foi até o quarto de Emily e a encontrou ainda dormindo, foi até ela e depositando pequenos beijos por sua face, acordou-a. - Hum... David eu ainda estou com sono. - Estou te acostumando muito mal. - Está me cansando muito a noite isso sim. O que foi? – perguntou sentando na cama. - Eleanor encontrou essas coisas no último andar. - O que é? - São fotos, cartas antigas e uma em especial do nosso falecido tio endereçada a nós. - Você já leu? - Não, trouxe para lermos juntos. Emily sentou próximo a David que começou a ler a carta...
Devem se perguntar por que nós? Pois bem, eu era um pobre velho doente e sozinho e não sabia da existência de vocês, até que uma noite eu tive um sonho estranho, sei que pode parecer loucura, mas no sonho eu encontrava a chave que abria aquele lugar tão envolto em mistérios desde a minha infância, e dois dos nossos antepassados estavam lá, o mais estranho é que eu falei com eles, conversamos e eles me pediram para que Pemberley voltasse para os seus verdadeiros donos, confesso que não entendi nada e acordei muito confuso. No dia seguinte fui até o local onde no sonho tinha encontrado a chave e para minha surpresa ela estava lá, com a ajuda do meu fiel Dalton resolvi ir até lá e quão grande foi minha surpresa ao ver tudo aquilo e mais surpreso ao ver o quadro com aquelas pessoas que estavam nos meus sonhos. Então decidi que deveria procurar por parentes, falei com meu advogado o Sr. James e ele através de um detetive os encontrou, na verdade eles trouxeram dados e fotos de mais pessoas, mas ao ver as fotos de vocês e a grande semelhança com o casal Darcy tive a certeza no meu coração que este lugar não poderia ser de mais ninguém alem de vocês. Estabeleci alguns pontos para que permanecessem aqui, pois temi que viessem a desistir. Espero que tenha acertado ao seguir meus instintos. Cuidem da minha amada Pemberley que por direito do destino é de vocês. [/i]
- David... - Eu sei, parece loucura. Mas diante de tudo o que já vivemos aqui, nada é irreal. - Então eles nos queriam aqui... - É o que parece... Bem vamos ver o que tem na caixa. - David, o prazo para permanecermos aqui termina depois de amanhã, já pensou no que vai fazer, quer dizer temos que voltar a nossas vidas fora de Pemberley. - Eu ainda não sei o que vamos fazer, pois só poderei tomar uma decisão depois de resolver algo muito importante amanhã. - E o que é? - Emily Miller não seja curiosa. Vamos ver o que temos aqui... David pegou as fotos e começou a espalhar pela cama, eles analisavam as fotos com cuidado, eram fotos antigas de pessoas desconhecidas até que Emily pegou uma das fotos e elevando a mão a boca exclamou: - David! - O que foi? - Esta foto, tem uma foto igual na minha casa. - Não pode ser Emily, essas fotos antigas são muito parecidas, você de estar confundindo. - Não estou, acredite, como sou apaixonada por restauração, história, sempre gostei de olhar as fotos antigas da família para entender minha própria história e poderia reconhecer esta foto em qualquer lugar. Trata-se da minha tataravó Vitória Darcy... Ai meu Deus! Vitória Darcy, então isso quer dizer que... - Vamos virar a foto e ver se tem alguma coisa escrita, assim tiramos a dúvida. Emily virou a foto com cuidado e então seus olhos se surpreenderam ao ler: [i] “Vitória Darcy” [/i] - David eu sou tataraneta da filha deles. – Falou não mais contendo a emoção. David a abraçou e ficaram ali até o final da tarde, olhando as fotos e lendo aquelas cartas que retratavam o grande amor vivido por Elizabeth e Fitzwilliam Darcy. No dia seguinte Emily acordou angustiada, olhou pelo quarto e percebeu que David já não estava. Certamente deve ter descido, em menos de vinte quatro horas tinha que tomar uma decisão, afinal tinha um vida esperando por ela em Nova York, mas algo maior a inquietava, sua relação com David como ficaria? O que ele quis dizer com estar dependendo de algo? Muitas dúvidas lhe torturavam, resolveu tomar um banho frio para aliviar a tensão do dia. Desceu vinte minutos depois e como não o encontrou na sala de jantar foi até a cozinha, lá encontrou apenas Eleanor e algumas empregadas. - Bom dia Eleanor! David já tomou café? - Bom dia menina, já sim logo cedo, hoje ele madrugou. - E onde ele está? - Na biblioteca. - Vou até lá falar com ele. - Ele está com visitas. - Como? - Há algumas horas um casal veio procurá-lo. E desde então estão trancados lá na biblioteca. - E você sabe quem são? - Nunca vi menina, mas o homem se identificou como irmão do Sr. Russell. - Irmão?! Edward, esse é o nome? - Sim, esse mesmo. Você conhece? - Não... Obrigada Eleanor. Emily saiu da cozinha pensativa sem nem ouvir Eleanor perguntando se ela gostaria de comer. Resolveu ir até a biblioteca se apresentar. Ao chegar lá ouviu vozes alteradas, então não contendo sua curiosidade ouviu a conversa.
- Então David? Não tenho o dia todo. – Esbravejou – Se você for só um pouquinho inteligente não vai recusar nem pensar duas vezes, é a chance que você queria seu idiota. - David, eu não pude esperar até você voltar, tentei ligar, mas seu celular não atendia. Fiquei tão feliz quando soube que chamei o seu irmão para me trazer até aqui. É a oportunidade da sua vida depois de todo aquele escândalo, é nossa chance de reerguer o escritório e sua carreira. David permaneceu na mesma posição e calado, precisava do silêncio para ouvir a voz do seu coração. Vendo que ele não estava disposto a falar nada Edward continuou. - Você deveria agradecer aos céus essa nova oportunidade que está tendo. Depois daquele fiasco uma empresa conceituada como a Grahan S.A querer você como advogado é a glória. David é tudo o que você sempre quis dinheiro e reconhecimento, não seja tolo desistir de tudo por isso aqui, um prédio velho que não lhe renderá nem metade do que você ganhará pegando esse caso. - Você não entenderia Edward, não posso fazer isso com Emily. – Falou permanecendo na mesma posição. - Eu não acredito, está apaixonado pela garota?!... Droga David não pode deixar que um casinho idiota acabe com o sonho de toda a sua vida. Não seja um fraco como sempre foi a sua vida inteira, seu coração não pode falar mais alto que sua razão, e como viverá o resto dos seus dias sabendo que jogou fora a chance de ver o sonho da nossa mãe sendo realizado? E tudo em troca de que? Tenho certeza que você irá aceitar e partir conosco ainda hoje, pois não temos tempo. Mamãe ficará orgulhosa de você. Emily ouviu tudo estarrecida e quando não mais conseguiu conter as lágrimas correu na direção da porta, o que mais queria naquele momento era ir para bem longe. Correu o mais rápido que pôde pegou a chave do carro da casa e saiu dirigindo sem rumo, queria apenas fugir. Depois de algum tempo dirigindo parou perto de um park em uma cidade próxima. Resolveu dar uma caminhada para pensar e colocar as idéias em ordem. Andou por um tempo até avistar uma grande e velha árvore que fazia uma sombra acolhedora, sentou de forma que ficou encostada na árvore e abraçando as pernas começou a lembrar da conversa que teve com David enquanto estavam presos. Lembrou com detalhes do brilho nos olhos dele ao falar do desejo de sua mãe que ele se tornasse um advogado de renome e finalmente livre financeiramente para tomar definitivamente as rédeas de sua vida. Respirou fundo e então chegou à conclusão que não seria ela a responsável pela desistência dele por seus sonhos, resolveu que abriria mão do amor que sentia em troca da felicidade e realização dele, se assustou ao ouvir o seu celular tocar, olhou para o visor e então leu em voz alta entre soluços: [i] David [/i], ficou olhando o celular tocar várias vezes até finalmente desistir. Ficou ali sentada olhando o tempo passar e chorando sua dor por tanto tempo que nem percebeu que já era noite. Sentindo o estômago reclamar resolveu a contragosto voltar para casa, talvez ele já tivesse ido embora e estava ligando para se despedir, foi melhor assim pensou, pois evitamos mais sofrimento, e se caso ele ainda estivesse lá iria reunir suas forças e terminar com ele, deixá-lo livre para ir em busca de seus sonhos. Entrou em casa tentando fazer o menor barulho possível, pois se não fosse vista seria melhor, pois o quanto mais evitasse o reencontro melhor. Foi ate o seu quarto e ao fechar a porta encostou-se nela e deixou seu corpo escorregar em um misto de alívio e tristeza, baixou sua cabeça até os joelhos e a levantou dando um grande suspiro, pelo silêncio que estava na casa certamente ele devia ter ido embora mesmo. Ao levantar a cabeça viu que na cama havia algo, levantou rápido e foi até lá, ficou surpresa ao perceber que se tratava de um belo vestido e rosas vermelhas espalhadas, do lado viu um bilhete, abriu apressadamente e começou a ler. [i] Meu amor Assim como nos seus mais belos sonhos uma grande surpresa a espera no lugar onde nos amamos pela primeira vez. Um lugar que foi palco do mais lindo romance já visto e que agora será o nosso lugar... Seu para sempre David [/i] Emily beijou o bilhete enquanto uma lágrima escorria por sua face. Certamente ele teria preparado aquela surpresa antes da visita de seu irmão, e agora de nada mais adiantaria tudo aquilo, ele já não estava mais lá. Sentou na cama cansada quando percebeu que havia um outro bilhete, como coração acelerado abriu e começou a ler. [i] Emily Espero que você leia esse bilhete, estou com meu coração em desespero por não saber onde você está ou o que aconteceu, mas quero que saiba que como lhe prometi um dia, sempre estarei aqui, sempre... [/i] Uma grande esperança tomou conta de Emily, que com um grande sorriso correu para o banheiro e tomou um banho rápido, vestiu-se e se arrumou com capricho, entendeu perfeitamente o que ele quis dizer no bilhete e teve esperança de ainda não ser tarde. Respirou fundo e saiu do quarto, no corredor encontrou Eleanor que ao vê-la a abraçou forte e lhe sorrindo apenas falou: [i] – Ele está lá esperando por você [/i] Emily lhe sorriu e seguiu para o último andar, à medida que subia as escadas sentia seu coração acelerar. Quando entrou se surpreendeu com o que viu, tudo estava limpo e arrumado, no centro havia uma bela mesa iluminada por velas que se espalhavam por todo o cômodo, pétalas de rosas cobriam todo o chão, ao fundo uma música tocava finalizando o clima de romantismo. Emily procurou David e o viu próximo a janela, ele tinha um semblante triste e estava com uma rosa em uma das mãos. De repente ele começou a virar devagar, como se sentisse a presença dela, e quando finalmente seus olhos se encontraram, David correu na direção dela e abraçando-a fortemente entre lágrimas falou: - Você está aqui. Eu tive tanto medo de te perder... - David... - O que houve? Eu a procurei e não a encontrei, já estava ficando desesperado. - Eu sinto muito, não quis preocupar você, mas precisava de um tempo pra pensar e... - Não precisa explicar nada, o importante é que você está aqui agora. Falou enquanto a beijava com paixão. Emily retribuiu, mas ao lembrar do que houve se afastou. Surpreso David perguntou: - Meu amor, está tudo bem? - David!... Eu ouvi sua conversa com seu irmão. - Ah... - Ouça atentamente o que tenho a dizer, por favor... Eu sei que tudo o que vivemos aqui foi lindo, mas temos uma realidade nos esperando lá fora e temos que encarar isso. Seu irmão tem toda razão quando afirma que você não pode desperdiçar essa chance que tanto desejou, por isso eu decidi que é melhor terminarmos por aqui não quero ser responsável por você desistir dos seus sonhos. - Emily você entendeu tudo errado.... Edward é um completo idiota, e eu decidi e quero ficar. Aqui eu realmente encontrei o que procurava minha vida toda, percebi que o dinheiro, o prestígio e reconhecimento não me fariam sentir o que sinto hoje. - Mas David e quanto ao sonho de sua mãe? Não acho isso justo. - Alguém muito especial me falou um dia que o que ela mais queria era que eu fosse feliz. E tenho certeza que de onde ela estiver estará feliz por finalmente eu ter encontrado o que ela mais desejou para mim, o amor verdadeiro e a felicidade. - Tem certeza disso? É realmente isso o que quer? - Eu já te disse uma vez e repito. Eu sei muito bem o que quero, pois esta aqui em minhas mãos neste momento. – Dizendo isso a beijou carinhosamente. - Você é mais louco do que pensei sabia? – Emily brincou David riu e se afastando um pouco se ajoelhou, tirou uma caixinha de veludo do paletó, e abrindo tirou um anel enquanto visivelmente emocionado falava: - E para garantir que você nunca mais fuja de mim, quero saber se aceitar casar comigo? - David eu... – Emily tentava conter a emoção. - Pelo amor de Deus diga sim ou não, não tenho mais idade para ficar de joelhos muito tempo. - Sim eu aceito seu bobo. Quero ser a Sra. Russell com toda a certeza do mundo. Ao som daquela música eles se beijaram e se amaram selando aquele momento que marcaria para sempre as suas vidas. Já era madrugada quando cansados pela bela noite de amor adormeceram na bela cama que David mandou colocar lá.
David acordou assustado e percebeu que estava de pé em frente uma cama, ficou ainda mais surpreso ao ver quem estava deitada na cama, era Elizabeth Darcy, ela estava velha e parecia debilitada. Ouviu vozes e então viu uma jovem mulher e um belo homem que lembrava Darcy, eles estavam próximos à cama e entre lágrimas se despediam daquela que certamente era sua mãe. David pensou em se esconder, mas percebeu que não conseguiam vê-lo, olhou para o lado e então viu Emily se aproximando, ao vê-lo ela também se assustou, pois ao que parecia eles estavam tendo o mesmo sonho, sem pronunciarem uma só palavra eles permaneceram juntos em um canto do quarto, até que ouviram quando o homem falou: - Vamos Vitória ela se foi. Precisamos avisar a todos. Adeus mamãe que descanse em paz. - Adeus mamãe. Entre lágrimas eles deixaram o quarto. David e Emily se sentiram angustiados ao presenciarem aquela cena. De repente um grande brilho iluminou todo o quarto, e uma figura iluminada surgiu aos poucos eles reconheceram Fitizwilliam Darcy que sorrindo olhou para eles e em seguida se voltou para a cama e estendeu sua mão, então Elizabeth começou a sair do seu corpo e sorrindo pegou sua mão e o abraçou. Depois de se afastarem eles se voltaram para David e Emily que presenciavam tudo comovidos, caminharam até eles e segurando suas mãos disseram em uma só voz: - Somos um só para sempre... David e Emily sorriram e entenderam exatamente o que eles queriam dizer. Os dois se viraram e de mãos dadas caminharam em direção aquela luz brilhante até sumirem aos poucos... [/i]
- Eu te amo, e te amarei para sempre David Darcy. - Eu te amo, e te amarei para todo o sempre Emily Darcy.
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