Citações

A vaidade ao trabalhar em uma mente fraca é a fonte de todo tipo de discórdia. (Jane Austen)

Destino - Capítulo 13

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Capítulo XIII

Já era noite quando chegaram em casa, foi um dia agradável onde se divertiram e se amaram, Eleanor ao ouvir a chegada dos dois foi encontrá-los na sala.

- Devo servir o jantar?

- Eleanor desculpe por não termos voltado para o almoço, é que não percebemos o tempo passar. – Emily falou

- Vamos subir para um banho e em seguida desceremos para o jantar Eleanor, mas antes eu gostaria de conversar com você sobre algumas coisas em relação à casa. – Completou David.

- Então eu vou indo, estou muito cansada e preciso de um bom banho de espuma.

Emily subiu as escadas enquanto David seguiu Eleanor até a cozinha. Certificando-se de que Emily não estava ouvindo falou:

- Eleanor preciso de um grande favor.

- Sim.

- Quero que mande limpar o último andar.

- Como? Mas...

- Sei que parece loucura, que talvez não devêssemos voltar lá. Mas meu coração pede para que eu preserve aquele lugar.

- Eu entendo Sr.

- Limpem tudo, mas não quero que mudem nada, nenhum objeto. Tudo tem que estar igual, só que limpo e arejado. Quando terminarem de limpar darei novas ordens.

- Como quiser Sr.

Falando isso ele subiu para o seu quarto. Em menos de uma hora eles já estavam jantando, Eleanor adentrou a sala de jantar seguida por um empregado.

- Desculpem-me interromper o jantar, mas Derick tem uma informação muito importante para dar.

- Pode falar Derick. – David pediu.

- É que na noite em que trancaram vocês no último andar eu vi o Dillan saindo da casa, achei estranho devido ao horário, mas ele alegou ter vindo pegar sua carteira que havia esquecido. Fiquei desconfiado e o segui, então o vi jogar algo no lago.

- Então foi ele David, só pode ter sido aquele canalha.

- Sr. Russel tem mais, hoje a tarde o Sr. James ligou avisando que Dillan vendeu sua parte na herança e foi embora de Londres.

- Eu estava certa o tempo todo, eles estavam armando pra nós, e você nunca me deu ouvidos. Poderíamos ter morrido.

- Obrigado Derek e Eleanor pelas informações. Derick avise aos outros que está terminantemente proibida a entrada deles aqui em Pemberley. E se caso eles insistam chamem a polícia. Hoje mesmo telefonarei para o Sr. James para formalizar uma queixa contra Dillan.

Eleanor saiu da sala seguida por Derick, aos a saída deles David voltou a comer seu jantar, Emily ficou aguardando ele falar alguma coisa, e diante do silêncio dele lhe lançou um olhar significativo.

- Vou mesmo ter que falar Emily?

- Humrum. Fique a vontade.

- Certo. Você tinha razão e eu estava errado. Satisfeita?

- É, digamos que estou meio satisfeita. Mas não te julgo. Afinal você sempre prestou mais atenção aos decotes da Karen do que as suas reais intenções. – brincou.

- E você morria de ciúmes não é mesmo?

- Você está mesmo se achando um máximo agora.

- Confesse Emily Miller, sentia ciúmes de mim com Karen Daves.

- Ta bom, eu sentia sim. Mas também como concorrer com tanto silicone assim não é? Sim porque aquela criatura é a alegria dos cirurgiões plásticos, sem ela eles iriam à falência.


David não pôde deixar de rir daquela situação. Após o jantar eles foram até a varanda, fazia uma agradável, com o frio costumeiro daquela época do ano. Emily pediu licença e foi até seu quarto, poucos minutos depois voltou com um edredom e as cartas e diários encontrados. Eles se acomodaram em um sofá antigo grande que ficava de frente para a lua e começaram a sua busca para respostas de alguns pontos falhos em tudo o que estava acontecendo.

- David, neste diário é visível o quanto eles eram felizes, o quanto se amavam de verdade. Eu sempre achei que ninguém poderia ser tão feliz.

- É verdade, eles pareciam se completar formavam uma família feliz de verdade.

- E pelo que entendi, eles não se deram bem de início, parece uma antipatia à primeira vista.

- Realmente, em vários trechos do diário ele cita algumas situações de conflitos entre eles. Assim como nós.

- É assim como nós.

Eleanor pediu licença e entrou com uma bandeja com duas canecas de chocolate quente que exalavam um cheiro delicioso através de sua fumaça fumegante.

- Eleanor você parece que adivinhou, estávamos mesmo precisando disso.

- Menina eu não adivinhei só deduzi que com esse frio que está fazendo vocês precisavam de algo quente. Não sei como conseguem ficar aqui fora.

- Não está tão frio assim Eleanor, deveria experimentar.

- Obrigada Sr. Russel, mas prefiro o aquecedor do meu quarto. Ainda vão precisar dos meus serviços?

- Não Eleanor, pode ir... Eleanor!

- Sim Emily.

- Já que está a tanto tempo nesta casa. Sabe alguma coisa sobre Elizabeth e Fitzwilliam Darcy?

- Sei apenas o que sempre se ouviu falar.

- Pode nos contar? – Pediu David.

- Lembro que meus pais sempre falavam o que ouviram de outros empregados mais antigos, que nunca se viu família mais feliz, ou um amor maior e mais intenso em um casal. Eles tiveram que enfrentar seus próprios vilões para viver esse amor, seus: Orgulho e preconceito. Ela era pobre e ele um herdeiro rico, um dos mais ricos do país, e deste contraste de onde seria impossível uma relação nasceu um amor verdadeiro capaz de enfrentar tudo e todos... Bem é isso, espero ter ajudado.

- Nos ajudou muito Eleanor, obrigada.

Eleanor saiu deixando-os sozinhos com seus pensamentos. David abraçou Emily ainda mais, ela por sua vez continuou folheando as cartas.

- David eu gostaria de ser amada dessa maneira.

- E será Emily, eu prometo.

- É nítido nas cartas de Elizabeth o quanto ela sofreu com a morte dele. Isso é tão triste.

- Ao menos eles puderam viver esse amor por muito tempo, triste seria se nunca tivessem tido uma chance.

- É você tem razão. Essa carta diz exatamente isso, vou ler um trecho que me chamou atenção.

[i]... “Querido hoje fui até o nosso lugar predileto, as águas do lago estavam claras e calmas como sempre, os pássaros cantavam alegremente, o sol estava lindo, fiquei muito brava por tudo estar em perfeita harmonia enquanto meu coração chorava a sua partida, não achei justo que enquanto lágrimas cobriam minha face, tudo permanecia feliz e em paz. Então lembrei do que você sempre dizia quando íamos lá, lembrei exatamente do seu sorriso ao dizer: Meu amor amo tanto este lugar, ele é tão especial para mim que quando não mais estiver aqui quero que você ao vir aqui novamente sinta que eu e esse lugar somos um só. De repente já não estava mais brava, pois te senti. Quando o vento tocava meu rosto senti que era você me acariciando. Quando toquei a água era como se mais uma vez seu corpo tocasse o meu. Foi então que compreendi o que você estava querendo dizer, e agradeço aos céus por ter a chance de ter você tão perto de mim outra vez”... [/i]

- É realmente lindo Emily, nem a morte os separou.

- Nem poderia um amor assim é além da vida. Queria tanto entender, compreender, mas é tudo tão confuso.

- Não precisamos nos apressar Emily, aos poucos vamos descobrir e juntos... Agora minha gatinha acho melhor irmos dormir, está muito frio aqui.

- No meu quarto ou no seu?

- Hum, está ficando saidinha Srta. Miller!

- Se não quiser não tem problema Sr. Russell. – Fingiu uma falsa indignação.

- Retiro completamente o que disse... No seu.

Falando isso David colocou os papeis do lado e pegando Emily nos braços seguiram ao quarto dela onde se amaram mais uma vez.

 


[i] Sonho...


Emily se viu de frente a um grande espelho, se assustou ao ver que estava com o rosto envelhecido, cabelos grisalhos marcados pelo tempo, foi entranho se ver daquela forma, tocou seu rosto incrédula. A porta do quarto se abriu e pôde ver Darcy igualmente idoso, a beleza e o porte eram os mesmos, mas com traços do tempo. Ele se aproximou dela tocando seus ombros e com dificuldade falou:

- Como é possível você estar mais bela a cada dia?

Diante do olhar inquisidor dela, ele afagou seus cabelos, beijou-os então falou:

- Sei o que vai dizer que o médico pediu que eu não fizesse esforço nem levantasse da cama hoje, mas veja me sinto bem melhor e vim aqui pedir para dar um passeio com minha linda esposa. Não me negue este pedido Lizzy, não dessa vez.

Completamente desnorteada e confusa Emily assentiu com a cabeça, em seguida pegou na mão dele que estava estendida e seguiram caminhando até chegarem ao jardim, caminharam em silêncio por um tempo até alegando cansaço ele pediu para que sentassem em um banco.

- Não seria melhor voltar para o quarto? – Emily perguntou preocupada.

- Estou bem meu amor, preciso de um pouco de ar puro e sua companhia.

- Está bem.

- Sabe Lizzy eu hoje estava lembrando como a vida tem sido boa comigo, há quase quarenta e cinco anos eu tenho sido imensamente feliz. Tive a sorte de ter você ao meu lado, me amando, respeitando, me fazendo rir, me dando dois filhos lindos que nos deram cinco netos maravilhosos, me perguntei: O que ainda tenho a desejar? Acho que nada mais... Estou velho, cansado e doente, sinto que estou indo...

- Não fale assim, por favor.

- Não estou triste querida, não... Não estou. Considero-me o homem mais feliz do mundo, sinto por ter que ser assim, por te deixar, mas quero que lembre sempre dos nossos momentos felizes, sei que será difícil, mas temos nossos filhos, nossos netos e será por eles que você será forte.

- Não é justo... – Emily falou entre lágrimas

- Não há injustiça Lizzy é a lei de Deus, é o curso natural da vida e não há nada a fazer...

Ele encostou o rosto molhado de Emily em seu ombro, acariciou seus cabelos e com a voz e respiração arrastadas falou:

- Quero que saiba que eu sempre a amarei, que mesmo apesar da partida eu sempre a amarei e estarei presente, por todas as vidas eu a amarei, por todas as vidas...

Um último suspiro foi dado e então Emily sentiu a vida se esvaindo naquele instante, ele já não mais estava ali. Um desespero tomou conta dela, chorava copiosamente abraçada aquele corpo sem vida... [/i]


David se assustou com o choro de Emily que se debatia na cama entre soluços, gritando entre suplicas.

- Não me deixe!

- Emily acorde!... Emily meu amor acorde pelo amor de Deus!

David estava desesperado com aquela situação, segurando forte pelos ombros de Emily falou mais uma vez, agora quase gritando.

- Emily acorde!

- David!

Emily falou abrindo os olhos, não se contendo chorou, deixou todo aquele desespero que sentia extravasar através das lágrimas. David apenas a abraçava forte enquanto tentava acalmá-la, depois de longos minutos Emily já estava mais calma.

- O que houve meu amor?

- David foi horrível, ele partiu em meus braços.

- Quem? Do que você está falando?

- Ele, Darcy, ele se foi David e eu não pude fazer nada.

- Acalme-se. Foi um sonho, só um sonho.

- Você sabe que não é um simples sonho, não fale assim, por favor, não você.

- Desculpe... Eu sei que é tudo confuso, mas eles foram felizes Emily, ele foi feliz e isso é o que realmente importa.

- É eu sei. Quero que me prometa uma coisa.

- Nunca via me deixar sozinha, não vai me deixar David, prometa.

- Eu sempre estarei aqui ao seu lado meu amor, eu prometo. Eu te amo.

David a beijou levemente nos lábios e abraçou forte, e assim passaram o resto da noite, como se fossem um só.
 

 

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