Capítulo XII
Emily acordou angustiada, por mais que tentasse sabia que tudo era muito complicado e confuso. A noite estava muito quente, então ela resolveu abrir a janela do quarto um pouco e ir até a varanda. Quando abriu a grande janela pôde sentir o vento passar pelo seu corpo, fechou os olhos e abriu os braços tentando absorver aquela magia da noite. Foi caminhando até a parte de fora da varanda e ficou admirando a beleza daquela noite de lua cheia, ela estava lá imponente, reluzente, iluminando tudo, Emily deu um largo sorriso ao contemplar tal beleza, foi então que viu alguém caminhando pelo jardim que ficava embaixo da sua janela, seu coração acelerou, uma luta começou a travar dentro de si, a razão e a emoção brigavam em seu peito...
David olhou sentia que sua cama estava repleta de espinhos, por mais que tentasse não conseguiu dormir e o calor que estava fazendo contribuiu ainda mais para sua insônia. Pegou a parte de cima do pijama e resolveu dar uma volta lá fora, na tentativa de se refrescar e colocar seus pensamentos em ordem. Caminhou por entre as flores, a noite estava linda trazendo consigo um leve vento refrescante pensou em vestir a camisa, mas decidiu se refrescar mais um pouco. Sentou em um banco próximo a uma fonte e ficou admirando a lua, e planejando a sua ida, pois decidiu que abriria mão de tudo, partiria no dia seguinte sem se importar com herança, pois a única coisa que lhe atormentava era ter que ficar tão perto de Emily e não poder tocá-la. Estava tão envolto em seus pensamentos que nem percebeu a aproximação de alguém, foi então que viu Emily.
- Oi! – Emily falou timidamente.
- Oi!
- Noite quente não é?
- Muito.
- Posso sentar um pouco com você?
- Claro!
Emily sentou no final do banco, de forma que ficaram distantes. Eles ficaram um tempo em silêncio, tímidos, sem encontrar palavras, apenas olhando para frente. Até que falaram ao mesmo tempo.
- Emily!
- David!
- Pode falar Emily!
- Não, por favor, fale você.
- Eu pensei muito e... Bem eu resolvi que partirei amanhã. Abro mão da minha parte na herança.
- Mas David...
- Não se preocupe antes de ir ligarei para o Sr. Adams avisando da minha decisão e então é isso...
- Do que está fugindo David?
- Como?
- Está fugindo de mim é isso?
- Acho que não fui eu quem fugiu primeiro.
- É eu sei. E é por isso que estou aqui, vim me desculpar pela forma ríspida que te tratei essa manhã, você deve estar me achando no mínimo maluca.
- Você não me deve desculpas Emily, não pode se sentir culpada por não corresponder aos meus sentimentos.
- Mas não é nada disso, você está enganado.
- Então me explique, por que não consigo entender.
- É complicado, mas se coloque no meu lugar. Nunca vivi algo tão intenso, tão forte, nenhum homem me fez agir da forma como você fez, pela primeira vez na minha vida me entreguei sem reservas, sem medos, sem pudores. E ainda por cima aquele lugar, as cartas, o diário, os sonhos, aqueles quadros, éramos nós ali... Eu tive medo David, medo de tudo não ter passado de ilusão, de que tenhamos nos deixado levar por tudo, medo de que na verdade você só ficou comigo pelos sonhos. Eu não quero me machucar David, não novamente.
Emily não conseguiu conter as lágrimas, tocado David se aproximou dela aos poucos, bem timidamente, a abraçou então falou entre beijos nos cabelos dela.
- Emily... Eu jamais magoaria você. Compreendo que tudo está confuso agora, mas prometo que ficará tudo bem. Confesso que também estou confuso, mas se tem algo que tenho certeza é do que quero, pois está bem aqui em minhas mãos. E você Emily o que quer?
David perguntou enquanto com doçura a fazia encara-lo.
- Eu... Eu quero que fique David, quero que me ajude a entender e juntos vamos descobrir tudo, inclusive os nossos sentimentos.
- Emily eu preciso saber o que você sente por mim. Por que eu sei o que sinto, eu te amo Emily, levei um tempo para perceber isso, mas agora posso afirmar que amo você, é um sentimento forte, intenso e... Verdadeiro, acredite nele, por favor.
- Eu acredito David, acredito e... E afirmo com toda certeza do mundo, eu também te amo.
David a tomou em um beijo cálido e cheio de desejo molhado pelas lágrimas que brotavam dos olhos de Emily.
- Emily eu prometo jamais te fazer sofrer, confie em mim.
- Eu confio.
Mais uma vez se beijaram intensamente. Os beijos se tornavam mais sensuais, as mãos de Emily movidas pelo desejo acariciavam as costas nuas de David, à medida que o desejo entre eles aumentava as suas unhas passavam pelas costas dele a ponto de machucar um pouco, arrancando um pequeno grito de dor de David, que entre risos vendo a expressão assustada de Emily falou:
- Tudo bem...
- Desculpe, te machuquei muito? Eu sou um desastre.
- Emily está tudo bem eu já disse. – Falou rindo.
- É que eu não tenho muita prática nisso... É que eu só tive um homem na minha vida, que por sinal agora depois dessa experiência eu sei que não era lá essas coisas e...
- Emily!
- O que?
- Cala essa boca e me beija sua maluca.
Pegando na nuca de Emily, David beijou sua testa, em seguida sua face, depois seu nariz, pulou para seu queixo descendo por seu pescoço, olhou fixamente nos olhos dela e foi se aproximando lentamente dos lábios dela e quando estava prestes a beijá-la, elevou sua boca até o ouvido de Emily e em um sussurro falou:
- Você me deixa louco Emily Miller.
Emily sentiu um arrepio tomar conta de todo o seu corpo, e com os olhos ainda fechados conseguiu apenas falar num fio de voz.
- Meu Deus estou perdida...
David ao ouvir o comentário dela apenas sorriu e voltou a beijá-la. Ficou em pé estendendo sua mão, Emily sorrindo pegou na mão dele e o seguiu até o seu quarto, e mais uma vez aqueles dois corações apaixonados provaram do amor e do desejo.
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David acordou e ficou feliz ao ver Emily ainda em sua cama, mas ficou com receio de acordá-la, pois a lembrança da última vez não era muito boa. Levantou bem devagar e foi tomar banho. Já vestido notou que Emily ainda dormia certamente o cansaço dos dias presos e a noite de muita atividade a deixou exausta. Foi então que ele teve uma idéia, saiu do quarto devagar e foi até a cozinha, entrou assoviando uma canção o que chamou imediatamente a atenção de Eleanor.
- Bom dia Eleanor!
- Realmente um bom dia Sr. Russell. – Disse lançando-lhe um olhar significativo.
- Por que diz isso?
- Nada, por nada. Perdoe-me pelo atraso, vou colocar o café na mesa agora mesmo.
- Não precisa Eleanor. Não sei por que mais acordei com uma imensa vontade de passear um pouco, aproveitar esse dia maravilhoso. O dia não está lindo Eleanor? Não acha?
- Claro que sim. – Falou rindo do sorriso apaixonado de David.
- Então pensei, seria ótimo um piquenique. Por favor, prepare uma cesta com coisas bem gostosas para mim e a Srta. Miller.
- Pode deixar, prepararei tudo.
- Ah! Eleanor!
- Sim
- Pode me indicar um lugar para o nosso piquenique? De preferência um lugar ro...quer dizer calmo, tranqüilo.
- Claro Sr. Russel, tem um lago lindo depois do bosque, lá é realmente muito bonito e romântico. – Falou rindo
- E, por favor, mande preparar um cavalo para nós, já que a Srta. Miller não monta.
Enquanto Eleanor foi preparar a cesta David resolveu ir acordar Emily e convida-la para o passeio. Quando estava começando a subir as escadas ela vinha descendo, linda, o mundo parou para ele naquele instante. Quando chegou perto dele, sorriu e falou:
- Por que não me acordou?
- Fiquei apavorado pensando: Será que ela vai me dar um fora novamente? Achei melhor não arriscar.
- David! Seu ogro. – Fingiu indignação.
- Brincadeira meu amor. Bom dia pra você também. – Falou enquanto lhe beijava.
- David aqui não! – Emily se afastou.
- Mas por quê?
- É estranho. Alguém pode ver.
- Então quer dizer que a Srta. quer namorar escondido é? Srta. Miller que coisa mais feia. Se bem que é mais emocionante.
- Eu não conhecia esse seu lado bobo Sr. Russell.
- Você não conhecia meu lado completamente, loucamente apaixonado.
Emily não resistindo mais abraçou David e o beijou ternamente sendo surpreendidos por Eleanor que entrou a sala para avisar que tudo já estava pronto.
- Ótimo Eleanor, muito obrigado, pode ir agora.
- Posso saber do que se trata?
- Não Sra. A única coisa que precisa saber é que você está sendo seqüestrada.
- Hum! Seqüestro, você está me surpreendendo David.
- Então vamos?
- Claro. Só espera um minuto vou me arrumar e pegar algumas coisas.
David esperou pacientemente por cinqüenta minutos e quando ela finalmente desceu, ele pegou a cesta e eles seguiram caminhando lado a lado, vendo que estavam indo na direção do estábulo Emily perguntou:
- Não vamos a cavalo, vamos?
- Vamos sim.
- Mas David você sabe que não sei montar.
- Eu sei e precisamos mudar isso, mas não se preocupe que hoje você vai comigo no mesmo cavalo.
Emily apenas sorriu, David subiu no cavalo e estendeu sua mão para que ela subisse no cavalo. Ela sentou a frente de David que por sua vez enlaçou sua cintura para pegar as rédeas do cavalo. Assim seguiram até o lago, e enquanto cavalgavam descobriam e se encantavam ainda mais com a beleza de Pemberley. Chegando ao lago David desceu do cavalo e ajudou Emily a descer.
- Meu Deus, como você descobriu este lugar?
- Digamos que contei com uma ajudinha de alguém.
- Eleanor?
- Sim. Gostou?
- Se gostei? Eu adorei David é realmente muito lindo e adorei a surpresa.
- Fico feliz que tenha gostado. Bem vamos ver o que Eleanor nos reservou, pois estou faminto.
David abriu a sesta, pegou uma toalha e estendeu no chão. Emily ajudou na distribuição dos alimentos, após comerem Emily sentou entre as pernas de David de maneira que ficou encostada no peito dele.
- Sabe David é tudo tão estranho.
- Sabe que já me falaram isso, mas será que sou realmente estranho?
- David estou falando sério. Sabe sinto que há algo no ar, a casa, aquele andar, tem alguma coisa que não se encaixa.
- O que exatamente?
- Por que nós? Qual a explicação para nossos sonhos? Qual a influência de Elizabeth e Fitzwilliam Darcy nisso tudo? São tantas dúvidas que me angustiam, por isso trouxe as cartas e o diário na esperança de encontrarmos alguma resposta.
- Ei pode parar, eu também quero descobrir, tenho dúvidas, mas não agora. Agora neste exato momento eu quero mergulhar neste lago maravilhoso e convidativo.
- Mas David...
- Sem mas, eu já estou indo.
David falou rindo enquanto levantava. Já de pé em frente ao lago começou a tirar as roupas, Emily que continuava sentada observando se assustou ao perceber o que ele estava prestes a fazer.
- David! O que pensa que está fazendo?
- O que você está vendo, estou tirando a roupa para poder mergulhar no lago. Não quer que eu molhe minhas roupas não é?
- Claro que não, mas você está tirando tudo. Você está pelado. – Falou em um sussurro.
- Estou sim e aconselho você a ficar também.
- Ficou maluco? De forma alguma eu ficarei sem roupa.
- Ora Emily, só estamos nós dois aqui. Vai me dizer que nunca fez isso na vida?
- Eu nunca! Ah me desculpe dever ser super comum aqui na Inglaterra as pessoas nadarem nuas.
- Comum não é, mas que é muito bom isso é. Anda Emily vem, ao menos uma vez na sua vida sai do convencional.
David pulou na água, nadou um pouco, mergulhou rindo muito. Emily ficou observando e riu da naturalidade de David, estava acostumada com homens formais, convencionais, com David tudo era uma novidade pra ela. Contagiada pela alegria que ele expressava naquele momento, ela resolveu entrar na brincadeira, olhou para os lados a procura de alguém e começou a tirar sua roupa também. David ao perceber isso não deixou despercebido.
- É isso aí Emily Miller! – Gritou.
- Shi! Para de gritar já estou me sentindo ridícula o bastante.
- Anda vem à água está uma delicia.
- Já vou, para de gritar seu maluco.
Emily parou em frente ao lago tímida por está expondo seu corpo, pois apesar de David já tê-la visto daquela forma, ainda se sentia tímida. Ficou indecisa se pulava na água ou voltava e vestia sua roupa.
- Anda Emily pula! Vai pula agora!
- Ai meu Deus!
Foi a sua última frase antes de pular na água. Emily se sentiu pela primeira vez livre, mergulhou algumas vezes, jogou água em David e nadou até ele.
- Viu, não foi tão ruim assim, foi?
- É não foi. Confesso que é uma sensação ótima. Eu morri de vergonha.
- Mas porquê? Você é linda! – David falou dando uma sonora gargalhada em seguida.
- Do que está rindo agora?
- Você precisava ver sua cara ao pular, foi muito engraçado.
- Eu levei um susto quando você gritou. Ai Meu Deus você é maluco... E eu gosto disso.
- Eu sei, sou realmente irresistível.
- Você não leva nada sério?... Eu me sinto livre com você, é como se estivesse descobrindo quem realmente sou. O que sinto.
- E o que sente agora?
- Sinto que estou perdidamente apaixonada por você.
David gostou de ouvir aquilo, abriu um largo sorriso e carinhosamente a beijou, foi um beijo terno cheio de amor...














