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Não me enfrente diretamente com seu olhar. Um olhar pode ser rápido demais ou lento demais. (Jane Austen)

Destino - Capítulo 11

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Capítulo XI

Emily acordou com beijos distribuídos por seu rosto, abriu os olhos devagar e só então sentiu os braços fortes de David em volta do seu corpo, em um sobre salto ela levantou ficando de frente para ele, que a olhava com carinho e com um grande sorriso nos lábios.

- Bom dia linda!

- Bom... Bom dia! – Disse enquanto procurava suas roupas sem olhar para ele.

- Ei... Emily! Está tudo bem? – David falou segurando pelos braços dela, fazendo-a parar e encara-lo.

- Está... Claro que está. Eu só vou me vestir.


Emily começou a se vestir rapidamente e aparentemente nervosa. David apenas observava tudo enquanto também se vestia, pois apesar de não entender o motivo da reação dela resolveu não interferir.

Emily foi até a janela central e ficou olhando a paisagem, estava confusa, tudo o que aconteceu na noite anterior havia sido lindo como ela nunca havia vivido antes, mas tinha sido tudo muito rápido, muito estranho, certamente os dois foram envolvidos pelas cartas e pelo ambiente, sentiu vontade de chorar de ir embora dali o mais rápido possível, mas estava presa.

David sentou em uma poltrona do lado oposto da grande sala. Ficou confuso sem conseguir entender o motivo da reação seca e rude de Emily após uma noite de amor intensa quanto a que tiveram. Assim eles permaneceram por longos minutos, tomados por um silêncio sepulcral, até que David completamente contrariado e mais uma vez sem segurar sua impetuosidade foi até a janela, tomado pela raiva segurou em seu braço e foi logo perguntando com certa impaciência.

- O que está havendo Emily?

- Do que você está falando?

- Pelo amor de Deus, não faça de conta que não houve nada entre nós, por que houve sim e foi mágico, foi algo que nunca aconteceu comigo antes.

- David... Por favor...

- Eu não sei quanto a você, mas meu corpo e meu coração ainda vibram por tudo o que rolou entre nós ontem à noite. Então por que a indiferença? Por que o silêncio? Explique-me, por favor, por que estou ficando louco.

- David... É que está tudo tão confuso. Esse lugar, as cartas, o diário, os sonhos... Tudo está dando voltas na minha cabeça e fiquei pensando, será que o que aconteceu entre nós foi real? Quero dizer será que são nossos verdadeiros sentimentos?

- Emily o que está querendo dizer com tudo isso? É claro que eu conheço meus sentimentos.

- Isso é loucura David, será que não percebe que há algo estranho acontecendo? ... Eu tenho tido sonhos, mas não são sonhos comuns. Eu estou lá vivendo as situações que parecem ser tão reais, sou eu mais com outro nome, como se fosse outra pessoa e... Ah! Deixa pra lá, você não entenderia. – Disse dando-lhe as costas.

- É claro que eu entendo... Eu... Eu estou tendo sonhos estranhos também.

- O que?

- Inexplicavelmente estou tendo sonhos estranhos também, e nesses sonhos sou ele. – Falou apontando para a foto de Darcy.

- Meu Deus! – Emily foi se afastando.

- Emily calma, deve haver uma explicação lógica para tudo isso.

- Eu quero sair daqui agora.

- Emily acalme-se, por favor. Estamos presos aqui.

David mal terminou de falar quando ouviram uma voz conhecida chamando seus nomes, a voz ia se aproximando e a figura de Eleanor adentrou a sala.

- Graças a Deus os encontrei. Estão bem?

- Eleanor, como nos achou aqui? – Emily perguntou.

- Os criados sentiram falta de vocês na casa e ligaram para o hospital, vim o mais rápido possível e graças a Deus os encontrei. Vocês devem estar famintos, vamos sair daqui.
***************************___****************************************

Algumas horas depois Caren Daves fazia compras nas mais badaladas lojas de Londres quando seu celular tocou, de maneira afetada pediu licença à vendedora e foi atender.

- O que você quer Dilan?

- Onde você está Caren?

- Estou comemorando querido irmão e da maneira que sei fazer melhor, comprando é claro, afinal de contas dinheiro não será mais problema não é mesmo?

- Aconselho a deixar tudo isso aí.

- Ficou louco! Se não tem nada melhor a fazer do que me encher Dilan, me deixe em paz.

- Caren eles foram libertados.

- O que?

- O que você ouviu, a maldita governanta os encontrou e os libertou.

- Mas como? Seu incompetente, você não disse que tinha dado um sumiço na chave.

- E dei. Você não acha que cometeria um erro bobo destes com a sorte que tivemos de trancá-los para sempre naquele centro de poeira.

- Então?

- Aquela maldita velha deve ter uma cópia da chave.

- Seu idiota! E o que faremos agora?

- Quanto a você eu não sei, mas eu vou sumir por um tempo, pois alguns empregados me viram na casa naquela noite e para juntarem os fatos não demorará muito. É melhor você fazer o mesmo.

[i] Flashback


Dillan e Caren tinham ido visitar os herdeiros de Pemberley naquele dia como uma desculpa, pois suas reais intenções eram estudar os hábitos dos novos moradores, para planejarem a melhor maneira de roubar o cofre que ficava no andar dos quartos. Após terem feito a visita e aproveitando que Emily havia saído para um passeio, Dillan alegando que iria esperar Caren no carro saiu, mas na verdade ele se escondeu na biblioteca para assim que eles dormissem colocar seu plano em ação.

Assim foi feito, Dilan ficou escondido até anoitecer, e quando percebeu que todos já haviam se recolhido já na biblioteca começou a revirar tudo em busca de algo valioso, afinal de contas tudo aquilo era pra ser dele. Pegou algum dinheiro e foi na direção do seu objetivo maior, quando estava saindo da biblioteca se deparou com David na sala, ele parecia estar procurando alguém, foi então que o ouviu falar em voz alta:

- Emily onde você está? Será que ela encontrou a chave e está lá no tal andar. Deus!

Dilan que ouvia tudo escondido resolveu segui-lo, desde pequeno ouvia falar no andar fechado, lembrou também que uma vez Emily fez algumas perguntas sobre aquele lugar. Ao chegar lá em cima viu quando David entrou pela porta que levava ao andar, movido pela ambição e pelo golpe de sorte Dilan trancou a porta, com a intenção de deixá-los trancados naquele lugar até que todos esquecessem da existência deles, e assim toda a herança passaria para suas mãos. Saiu da mansão o mais rápido que pôde, mas para sua infelicidade foi visto por alguns empregados que ainda estavam de pé, e quando perguntado o que fazia ali àquela hora falou a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

- Vim pegar minha carteira que esqueci logo cedo.

Parou em frente ao lago da propriedade, tirou a chave do bolso, olhou para ela por um tempo, voltou-se para a mansão e olhando fixamente para o andar onde havia trancado David e Emily, jogou a chave no lago enquanto dizia:

- Adeus David Russell e Emily Miller. Agora sim Pemberley passará a ser minha, como deveria ter sido sempre. [/i]

**************************************____****************************

David já havia tomado um banho quente e agora se preparava para descer, apesar da falta de apetite, seu corpo estava fraco e precisava comer algo. Mas seu coração estava triste, apesar de não aceitar, entendiam verdadeiramente tudo o que Emily levantou, analisou seus sentimentos, mas tudo aquilo estava extremamente confuso. Decidiu dar um tempo a sim mesmo e a Emily, não tocaria mais no assunto até que se sentisse pronto, pegou o interfone e pediu para que trouxessem seu almoço no quarto, pois estava indisposto.

Emily ainda atordoada com tudo o que aconteceu, desceu para comer, estava faminta e fraca afinal passou quase dois dias inteiro sem comer. Foi adentrando a cozinha com receio, não sabia qual seria a sua reação ou a de David, mas para seu alivio e tristeza ele não estava lá.

- Eleanor o David ainda não desceu?

- Não menina, ele pediu que o almoço dele fosse servido no quarto, deve estar cansado coitado.

- É dever estar mesmo cansado. – Falou disfarçando a decepção.

- Resolvi não colocar a mesa, achei que você não gostaria de almoçar sozinha.

- Fez muito bem Eleanor, vou comer aqui mesmo... Eleanor, como nos achou?

- Eu... Eu já disse menina, os empregados me ligaram e eu vim. Agora coma antes que esfrie.

- Eleanor! Olhe para mim e não fuja, por favor, sei que há algo estranho nisso tudo e você vai me explicar.

- O que quer saber menina?

- Foi você quem nos trancou lá?

- Eu?! Como pode pensar isso de mim menina? Eu jamais faria uma coisa dessas.

- Então como entrou lá se só havia uma chave? É no mínimo estranho não acha?

- Eu possuía outra chave.

- O que? E por que mentiu para mim quando perguntei sobre a chave?

- Perdoe-me eu não fiz por mal. Seu tio antes de morrer me entregou a chave e me fez prometer que só entregaria essa chave a vocês no momento certo, quando estivessem prontos entende?

- Momento certo?

- É, e agora me dei conta de quando ele disse que eu saberia quando seria esse momento, na hora eu não entendi, mas vendo a sua carinha e o que está acontecendo entre vocês sei que realmente não era o momento certo para vocês entrarem lá.

- Está tudo tão confuso...

- Eu sei que está. Mas aos poucos vocês entenderão tudo e aí, finalmente vão conseguir enxergar toda a verdade.

- Mas como Eleanor?

- Sem perguntas querida, agora só o tempo poderá ajudá-la. Ouça seu coração independente de tudo o que está acontecendo. Agora vou levar o almoço do Sr. Russell.


Eleanor saiu deixando Emily surpresa e pensativa, quando pensava que tudo estava ficando claro, ficava tudo mais confuso.

A tarde se passou rapidamente, assim como no almoço David pediu o jantar no quarto, não sabia até quando, mas evitaria o reencontro com Emily o máximo que pudesse. Emily recusou o jantar, estava confusa demais para comer alguma coisa. Cansados e vencido pela angustia e dúvida, dormiram.


[i] Sonho...

Emily abriu os olhos e se deparou com um grande espelho a sua frente, passou a mão pelo lindo vestido aveludado com lindos bordados, notou que seus cabelos estavam caprichosamente penteados. Assustou-se com as batidas na porta, com o coração acelerado respondeu:

- Sim?

- Sra. Darcy, o Sr. Darcy já está lhe aguardando na sala de jantar.

- Eu... Eu já estou indo.

Emily estava decidida a não mais continuar com toda aquela loucura, deitou-se na cama e fechou os olhos bem forte em seguida os abriu na esperança de acordar, mas foi em vão ainda estava lá, tentou várias vezes, e todas em vão. Passado alguns minutos e decidida a não descer ouviu mais uma vez as batidas na porta.

- Querida está tudo bem? – Perguntou a voz familiar.

Como Emily não respondeu, ele continuou.

- Lizzy meu amor, você está bem? Estou ficando preocupado, responda.

Como as batidas ficavam cada vez mais intensas e a voz dele passava uma sensação de aflição e vendo que não acordaria por mais que tentasse, Emily resolveu abrir a porta e ficou surpresa pelo abraço forte que aquele homem lhe deu.

- Ainda bem Lizzy, já estava ficando aflito meu amor. O que houve?

- Na... Nada.

- Por que não abriu a porta?

- Desculpe, estava terminando de me arrumar. – Respondeu rápido.

- Deixe-me olha-la, está linda como sempre, maravilhosa. Ainda a mais bela visão que meus olhos já viram. Então, vamos?

- Sim.

Emily se deixou ser guiada por aquele homem que a inebriava. Chegando ao grande salão viu que tinha uma grande mesa posta, toda iluminada por velas em belos castiçais de pratas, pétalas de rosas espalhadas pelo chão, e um pequeno grupo de músicos no canto da sala. O homem a olhou fixamente nos olhos e com um sorriso encantador no canto dos lábios falou:

- Gostou da surpresa meu amor?

- Eu... Eu adorei – falou emocionada.

- Fiz tudo isso para você meu amor.

- Está tudo maravilhoso.

- Não é todo homem quem tem a sorte de viver um grande amor há 15 anos. E tudo isso aqui é pequeno perto da felicidade que sinto em tê-la ao meu lado Sra. Elizabeth Darcy. Concede-me a honra desta dança?

- Claro.

Muito delicadamente ele beijou a mão de Emily e a conduziu até o meio do salão, a música começou a tocar e como se pisassem em nuvens começaram a dançar pelo salão.

- Lembra dessa música querida? É a mesma que dançamos no baile de Nerthefild naquela noite, por mais que eu negasse a mim mesmo, foi ali que me apaixonei perdidamente por você.

- Eu... Eu não entendo.

- O que não entende?

- Não é nada. Vamos continuar dançando.

E assim dançaram toda a música, Emily dançava todos os passos daquela dança como se tudo aquilo lhe fosse familiar e quando a música já estava terminando ele a pegou pela cintura e olhando bem dentro dos seus olhos falou:

- Lizzy quero que saiba que amar você foi a melhor coisa que me aconteceu. Através do seu amor me tornei mais humano. Peço a Deus todos os dias que continue regando nosso amor até o fim de nossas vidas.

- Eu...

- Shi! Lembra que uma vez há alguns anos você me fez prometer que a amaria para todo sempre? Então Lizzy agora lhe prometo que a amarei por todos os séculos, por todas as vidas, por todo o sempre. E quando o meu amor aparecer, por favor, não o rejeite, pois sempre será verdadeiro.

Dizendo isso ele a beijou ternamente... [/i]
 

 

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