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Citações

Todos gostamos de ensinar os outros, embora só possamos transmitir o que não é digno de ser ensinado.(Jane Austen)

Home Fátima Destino - Capítulo 10
Destino - Capítulo 10 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fátima   
Ter, 29 de Setembro de 2009 05:15

Capítulo X

 

David abriu os olhos devagar, ainda meio sonolento sentiu o doce perfume dos cabelos de Emily, não conseguiu resistir e afagou seus cabelos, já não conseguia negar, ela o atraia, estava completamente apaixonado por aquela maluca da língua afiada, aliás, o que mais o encantou em Emily foi sua inteligência e vivacidade. Como ela ainda dormia resolveu deixá-la dormir um pouco mais, afinal os acontecimentos da noite passada foram intensos. Levantou bem devagar para não acorda-la, estava disposto a encontrar uma forma de saírem dali, resolveu dar uma olhada no local em busca de telefone, ou até outra saída.

David começou a caminhar pelo cômodo, notou que era muito grande, estava cheio de poeira, lençóis agora amarelados cobriam os móveis e o que pareciam ser quadros, grandes cortinas cobriam as janelas o que dava um aspecto mais escuro no cômodo. David foi até as janelas, abriu as cortinas e em seguida abriu todas as janelas deixando a luz do sol invadir tudo. Resolveu desce até a porta na esperança de estar aberta, chegando lá para sua decepção a porta continuava trancada, chamou, gritou, bateu, mas foi em vão ninguém respondia nada. Desanimado subiu as escadas e quando adentrou ao cômodo percebeu que a sua esquerda tinha um grande quadro se virou bem devagar, precisou se segurar para não cair, devido a sua surpresa, aquilo só poderia ser uma peça que seus olhos estavam lhe pregando.

Definitivamente era ela, a mulher que estava sempre nos seus sonhos, os mesmos olhos vivos e negros, a bela trança, o sorriso vivaz. Aquilo parecia inacreditável então ela existiu, olhou embaixo da pintura, na parte da madeira e leu em voz alta: [i] Elizabeth Darcy. [/i]

- É incrível não é mesmo? Emily perguntou assustando David.

- Eu...

- Eu também tive essa reação ao ver esse quadro.

- A semelhança entre vocês é incrível. Quem é ela?

- Eu não sei.

- Aqui diz: Elizabeth Darcy. Então pode ter sido uma das donas desta casa.

- Certamente, mas não me sinto bem olhando esse quadro. – disse virando-se. - Então como sairemos daqui?

- Eu fui até a porta, mas ela continua trancada, eu gritei, mas ninguém respondeu. Acho melhor procurarmos um telefone, por aqui deve ter um.

Assim eles fizeram em meio à poeira e tanto mistério, Emily teve a idéia de retirar os lençóis da mobília, à medida que faziam isso começaram a perceber como aquele lugar era pessoal e confortável, parecia uma espécie de refúgio. Emily encantada e ao mesmo tempo assustada foi explorando cada canto daquele lugar intrigante. Parou em frente a uma pequena cômoda, onde tinham quatro pequenas gavetas, abriu as gavetas e começou a mexer nos papeis antigos e amarelados, pôde perceber que se tratava de cartas de amor, todas endereçadas de Elizabeth Darcy para Fitzwilliam Darcy. Emily buscou a cadeira mais próxima que encontrou e começou a ler aquelas cartas, enquanto David estava do outro lado do cômodo a procura de um telefone. À medida que Emily lia aquelas lindas declarações de amor às lágrimas rolavam por sua face, era evidente o amor que eles sentiam um pelo outro. Um trecho em especial lhe chamou atenção...

[i]... Meu querido esses dias sem sua presença ao meu lado são um verdadeiro tormento, por mais que saiba que devido a negócios importantes sua presença em Londres é essencial sinto muito sua falta. Mais difícil é acalmar Vitória, nossa princesinha sente muito sua falta, aguardo com uma saudade imensa o seu regresso para sua família, nosso lar.. [/i]

David já estava ficando furioso, por mais que procurasse só encontrava poeira, teias de aranha e velharias do século XIX, deixou seu corpo cair numa poltrona, passou a mão várias vezes pelos cabelos, estava nervoso, nervoso por estar preso ali, por seus esforços de sair serem frustrados e por estar naquele ambiente que lhe dava estranhas sensações. Olhou para um cavalete e percebeu um quadro coberto, não resistindo à curiosidade foi até lá e retirou o lençol, seu coração acelerou com o que viu. Era uma pintura de uma família feliz, leu no rodapé do quadro. [i] Fitzwilliam Darcy, Elizabeth Darcy, William Darcy e Vitória Darcy. [/i] Com os olhos marejados David passou a mão pelo quadro, lembranças dolorosas da família que ele não teve vieram a sua mente e sua semelhança com Darcy o abalava. Foi se afastando aos poucos de costas e esbarrou em uma escrivaninha, tinham alguns papeis em cima, completamente amarelados, um tinteiro com penas, David analisou cada detalhe de tudo aquilo, notou que embaixo de uns papeis tinha um livro, mas quando o abriu percebeu que se tratava de uma espécie de diário ou caderno de anotações, na primeira folha tinha o nome Fitzwilliam Darcy, hesitou um pouco em ler, mas vencido pela curiosidade começou a ler e logo nas primeiras páginas leu algo que lhe chamou atenção...

[i]... Aqueles olhos cheios de vivacidade e de um brilho tão intenso têm o dom de consumir minha alma. Ah! Srta. Bennet se soubesses os sentimentos que provocas em mim não me destrataria. Vê-la tocando hoje em Rosings acalentou um pouco minha alma tão sofrida pela incerteza de um dia ter o seu amor... [/i]

David sentiu uma nostalgia ao ler aquelas anotações, era como se aquilo tudo lhe fosse familiar, folheou mais algumas páginas, a cada vez que lia o que estava escrito sentia um aperto no peito, e por algumas vezes deixou as lágrimas caírem diante de um amor tão sublime. Após ler aquelas lindas lembranças felizes começou a compreender os seus sonhos.

********************************___***********************************

O estômago de Emily já estava roncando, olhou em seu relógio e viu que já se passava da hora do almoço, passou a mão pelo estômago e resolveu ir à procura de David, guardou as cartas e foi procurá-lo, o cômodo era enorme, o que lhe deu certo trabalho, o encontrou sentado em uma poltrona perto da janela, ele estava tão entretido na leitura de uma espécie de livro que nem a viu se aproximar.

- O que está lendo?

- Oh! Não é nada, só um livro velho que encontrei aqui.

- Ah! Tudo bem. E aí encontrou alguma coisa, um telefone, ou algo do tipo?

- Nada, estou começando a achar que vamos ter que pular da janela.

- Engraçadinho. Agora é sério David, como vamos sair daqui?

- Eu não sei, temos que contar com a sorte de alguém dar por nossa falta. Mas quem foi o miserável que nos trancou aqui? Alguém sabia que você tinha encontrado a chave?

- Não, eu não falei para ninguém que tinha encontrado, isso está ficando cada vez mais estranho. E quanto a alguém sentir nossa falta, só a Eleanor, ela é a única da casa que temos contato direto.

- Mas a Eleanor só volta amanhã esqueceu? E talvez algum criado note a nossa ausência.

- E o que faremos até lá? Estou faminta.

- Quanto a sua fome eu não posso fazer nada.

- Isso eu sei... Você percebeu como esse lugar é lindo? Aconchegante, uma espécie de refúgio, não entendo por que ficou tanto tempo fechado.

- É realmente muito lindo, e parece um tanto pessoal. Acho que quem o trancou não queria que ninguém entrasse, como se quisesse preservar momentos felizes.

- Acho que você tem razão. E o seu livro aí é sobre o que?

- Na verdade não é um livro, é uma espécie de diário.

- É mesmo? De quem?

- Fitzwilliam Darcy.

- E o que diz? – Emily falou emocionada.

- São lembranças, do amor vivido com sua esposa Elizabeth, desde como se conheceram até a vida de casado.

- Eu também encontrei umas cartas dela para ele. Eles realmente se amavam. Você gostaria de lê-las.

- Claro.

Os dois foram até o sofá onde Emily deixou as cartas. Assim passaram a tarde lendo as cartas de Lizzy para Darcy, e trechos do diário dele, à medida que liam ambos esclareciam para si os sonhos, mas sem coragem de contar para outro sobre esses sonhos, afinal nenhum sabia dos sonhos do outro. As cartas que Emily encontrou já estavam acabando, mas ainda restava uma, já estava anoitecendo quando bem devagar Emily abriu e começou a ler em voz alta...

[i] Meu querido...

         A saudade que sinto é quase insuportável, atormenta minha alma e meu corpo. Sei que prometi não sofrer após sua morte, mas meu coração chora por mim meu amor, não consigo evitar. Nossos filhos não entendem minha dor, eles querem me proibir de vir aqui no nosso lugar, dizem que sofro mais com todas essas lembranças, mas não vejo assim, aqui sinto sua presença, sinto seu cheiro, seu amor... Darcy por que tinha que ser assim? O que mais me consola é lembrar da sua promessa de me amar além da vida, e a esperança de encontrá-lo em breve.  Para não preocupar mais nossos filhos resolvi trancar este andar, nossas lembranças ficarão eternizadas para todo o sempre bem aqui, no nosso refúgio. Sei que nosso amor é tão forte, tão real que ultrapassará vidas, e mesmo que em outros tempos viverá.

Eternamente sua...

Elizabeth Darcy [/i]

Emily mal conseguiu de terminar de ler aquela emocionante despedida, lágrimas desciam por sua face, olhou para David que também estava visivelmente emocionado. Agora tudo fazia sentido, os sonhos, as sensações, a herança deixada para eles e apenas para os dois. Sem conseguir dizer nenhuma palavra, falando apenas com o olhar eles se abraçaram na tentativa de confortar um ao outro.

Foram se afastando lentamente, suas respirações estavam ofegantes. David com os dedos enxugava as lágrimas que ainda teimavam em cair no belo rosto de Emily, eles se olharam fixamente. A lua reinava majestosa, o seu brilho estava tão radiante que invadiu todo o cômodo iluminando os dois e os envolvendo naquela magia que se formava.

David foi se aproximando de Emily que estava trêmula, à medida que se aproximava sentia o hálito quente dela, o cheiro que emanava de seus cabelos e seu corpo. Seus lábios se tocaram de forma desajeitada e nervosa, o beijo foi tímido de inicio, mas aos poucos se tornou cheio de desejo, vontade, enquanto David a beijava, suas mãos buscavam seu corpo com delicadeza, já prestes a se entregar ao prazer que os invadia, ele abruptamente se afastou.

- Emily eu a desejo muito, mas quero saber o que sente por mim. – Ele falou ofegante e com dificuldade.

- Eu estou confusa... Mas o que tenho certeza agora é que quero ser sua.

David segurou o rosto dela e com um sorriso nos lábios deu vários beijos lentos e cálidos por todo o rosto de Emily que apenas suspirava pelo êxtase que sentia. David carinhosamente a pegou nos braços e caminhou até uma espécie de cama que ficava próxima a uma grande janela, a deitou na cama bem devagar e deitou por cima, os beijos passaram a ser mais intensos e freqüentes, as mãos de David buscavam desesperadamente tirar as roupas de Emily, e diante dessa dificuldade ela se levantou e começou a tirar lentamente suas roupas, olhando sempre nos olhos de David. Quando finalmente ela estava completamente despida ficou constrangida, pois ele a olhava intensamente, mas para seu alívio David num fio de voz sussurrou:

- Como você é linda!

Em seguida a tomando nos braços e com toda a delicadeza que o amor e o desejo lhe permitiam naquele momento eles se amaram intensamente, com a luz brilhante do luar que testemunhava mais uma vez todo o amor que há muitos anos não acontecia naquele refúgio dos amantes...


 

 






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