Capítulo VIII
David ficou imerso em sua admiração pela beleza de Emily, ainda anestesiado pelo realismo do seu sonho. Tentou acorda-lá, mas o máximo que conseguiu foi um resmungo, certamente ela deveria estar cansada devido ao dia exaustivo, com muito cuidado e carinho a pegou nos braços e a levou para o seu quarto. Deitou-a na cama, retirou seus sapatos e como a noite estava muito fria a cobriu com uma manta que estava aos pés da cama. Quando já estava na porta prestes a sair ouviu algo que o fez parar:
[i] – Eu o amo Fitzwilliam Darcy... [/i]
Não conseguiu acreditar no que acabara de ouvir, olhou para Emily e notou que ela estava dormindo profundamente e com um terno sorriso nos lábios. Passou as mãos pelos cabelos várias vezes, sempre fazia isso quando estava nervoso, saiu apressadamente do quarto e foi dormir decidido a esquecer toda essa loucura.
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Fazia uma bela manhã em Pemberley, os raios do sol iluminavam todo o quarto de Emily fazendo-a despertar, se espreguiçou longamente e abriu os olhos devagar, abraçou ainda mais o travesseiro e só então percebeu que estava em sua cama, mas como aquilo era possível? Ela tinha certeza de que estava na noite passada no quarto do seu falecido tio, levantou rapidamente, tomou um banho e desceu.
Ao chegar à sala de jantar David já estava lá saboreando com vontade seu café, cumprimentou Eleanor e a criada que servia o café, e quando ficou a sós com David resolveu perguntar se ele sabia de algo, mas um imenso constrangimento tomou conta dela, ficou extremamente envergonhada, mas para seu alívio David começou a conversa.
- E aí, alguma novidade sobre a chave do tal andar?
- Não, mas algo me diz que essa chave está no quarto do nosso tio.
- E por que você não chama um chaveiro?
- David, vou responder só por que levarei em consideração a sua ignorância em construções antigas. – Disse com ironia. – Essas portas antigas, muito antigas, possuem uma fechadura muito antiga e rara, certamente nenhum chaveiro conseguiria abrir.
- Então arrombamos a porta então.
- Claro que não! Ficou louco?! Eu jamais cometeria um crime desses com uma riqueza histórica como esta casa. Tenho certeza de que encontrarei essa chave, algo me diz que estou bem perto.
- Acho que está levando isso a sério demais, ontem mesmo tive que carrega-la até sua cama, você estava dormindo sentada em meio a uma bagunça.
- Então foi você?!
- Eu o que?
- Que me colocou na cama.
- Fui eu sim, fiz mal?
- Claro que sim, como ousa a entrar em meu quarto?
- Você é mesmo uma mal agradecida, eu cheio de boas intenções a levei para o seu quarto, mas não se preocupe da próxima vez a deixarei lá, nem que a encontre dormindo em um chiqueiro.
Emily já estava prestes a responder a provocação quando Eleanor anunciou a visita dos Daves, David levantou assim que viu a srta. Daves o que irritou Emily profundamente, ela sentia que aqueles dois eram falsos e certamente se aproximaram deles pensando na herança que eles herdaram. A manhã toda foi uma grande chatice para Emily que tentou fugir a todo custo das investidas e dos sorrisos melosos de Dilan. Após o almoço enquanto as visitas e David se divertiam caminhando por entre o salão de artes de Pemberley, Emily aproveitou e saiu sem ser vista, resolveu dar um passeio bem longe dali o que queria era sair daquele antro de cobras.
- Como David é um idiota!
Emily falou em voz alta enquanto caminhava, cada vez ficava mais apaixonada por Pemberley, cada bosque, o lago, a mata virgem, os belos e imensos jardins, lembrou de sua família, seus amigos... De repente avistou uma cabana abandonada, parecia uma cabana de caça, como sempre sua curiosidade vencia sua sensatez foi até lá. Forçou um pouco a porta e entrou. Percebeu que era realmente uma cabana de caça, estava tudo muito empoeirado, algumas armas, animais empalhados e um enorme quadro com a foto do seu tio. Aquele deveria ser o lugar favorito dele, pois era aconchegante e muito pessoal. Após vasculhar cada cantinho daquela velha cabana sem se dar conta do tempo, Emily viu uma mesinha perto de uma poltrona, com toda curiosidade que lhe era característica abriu a gaveta, remexeu nos papeis amarelados que estava lá, até suas mãos tocarem um pequeno objeto. Seu coração acelerou ao perceber que se tratava de uma chave, não podia ser, depois de tanta procura e ansiedade, estava ali à solução para todo o mistério. se assustou quando a porta se abriu abruptamente e a figura de David apareceu.
- Deus David! Você me assustou!
- Emily você enlouqueceu? Se deu conta de que horas são? – David falou furioso e ao mesmo tempo aliviado.
- Não vejo motivos para tanto.
- Como não? Já passam das 21 h. e estávamos te procurando a um tempão.
- Desculpe, eu estava caminhando, tentando buscar um pouco de ar puro em meio a tanto veneno, encontrei essa cabana e me distrai só isso.
- Só isso? Você é incrível, deixa todo mundo preocupado, a pobre Eleanor está angustiada sem saber o que aconteceu com você, e você ainda diz só isso?
- Eu sinto muito, sei que errei, mas não precisava você chegar aqui gritando.
- Você não baixa essa crista mesmo não é? Vamos embora, já perdi tempo de mais.
- Hã?! Pode ir seu troglodita, eu cheguei aqui sem você então voltarei sem você!
- Desta vez não, mas não vai sair por aí sozinha mesmo.
- E o que pretende fazer? Arrastar-me?
- Ótima idéia.
- Não se atreva....
Emily mal terminou a frese, David a pegou pelas pernas, colocando-a em seu ombro. Emily tentou se soltar se debatendo o que foi em vão, pois David era indiscutivelmente mais forte, ele praticamente a jogou dentro do carro travando a porta logo em seguida para que ela não saísse. Eles percorreram o curto caminho até a casa sem proferirem uma só palavra, enquanto David dirigia sério, Emily estava com os braços cruzados e emburrada, parecia uma criança contrariada. Ao chegarem em frente a casa, Emily saiu batendo forte a porta do carro, seguida por David. Eleanor ao vê-los foi rapidamente na sua direção.
- Graças a Deus está tudo bem menina, eu quase morri de preocupação.
- Perdoe-me Eleanor, não foi minha intenção.
- Ainda bem que chegaram preciso da autorização de vocês para passar dois dias fora.
- Aconteceu alguma coisa Eleanor? – David perguntou preocupado.
- Não, será por uma boa causa, acabaram de ligar do hospital avisando que o Sr. Dalton piorou e como ele não tem parentes vivos me chamaram para ficar com ele, posso ir?
- Claro Eleanor, pode ir e fique o quanto quiser amanhã mesmo eu farei uma visita a ele. – Falou Emily.
- Chame o motorista para levá-la Eleanor e diga que fique a sua disposição e qualquer coisa nos ligue.
- Obrigada Sr. Russell.
Após a saída de Eleanor os dois ficaram no mais absoluto silêncio, Emily foi para o seu quarto alegando sono e cansaço, David fez o mesmo.
Emily entrou no quarto com o coração acelerado, tirou a chave do bolso e analisou mais uma vez, decidiu tomar um banho, comer alguma coisa, pois estava faminta e depois iria até o último andar para confirmar se a chave que encontrara era a da porta trancada, seu bom senso pedia para que esperasse até o dia seguinte, mas sua curiosidade foi maior, assim o fez.
Com uma lanterna na mão e muito ansiosa Emily foi devagar para não ser ouvida por alguém até a porta que dava acesso a o último andar, parou em frente à porta com o coração aos pulos, pegou a chave com as mãos tremulas e colocou na fechadura, ao girar ficou feliz e mais nervosa ao perceber que a porta havia sido aberta. Hesitou um pouco ao entrar, quase se arrependeu, respirou fundo, ligou a lanterna e começou a subir as escadas devagar, a cada passo que dava seu coração e seu corpo estremeciam, enquanto segurava a lanterna com uma mão, à outra afastava as teias de aranha que estavam espalhadas. Quando chegou ao final dos degraus se deparou com outra porta, mas esta estava aberta, empurrou com um pouco de força, a porta foi abrindo lentamente e com dificuldade pela escuridão, ela foi caminhando, procurou um interruptor na parede perto da porta, mas não encontrou nada, cainhou mais um pouco em meio à escuridão guiada apenas pela luz fraca da lanterna até que ao tocar a parede sentiu que tocou em uma espécie de quadro, virou a lanterna na direção do quadro e quando viu a imagem contida nele se assustou abafando um grito de espanto, cobriu a boca com uma das mãos e começou a caminhar para traz, fugindo do que seus olhos teimavam em ver, tropeçou em alguns objetos espalhados pelo chão, até que bateu em uma espécie de armário que com o impacto tombou batendo em Emily fazendo-a cair no chão com o armário em cima dela, devido à queda e o peso do móvel Emily desmaiou...
David deu alguns telefonemas para os amigos e sua secretária em seguida tomou um banho demorado e foi dormir.
[i] sonho...
David se viu em meio a um temporal, a chuva era forte atrapalhando a visão dele, era noite e isso deixava tudo ainda pior. Então percebeu que estava em um cavalo e que corria desesperadamente, mas não sabia para onde estava indo, parou o cavalo e ficou um tempo parado, confuso, até ouvir gritos femininos, começou a galopar novamente. Os gritos foram ficando cada vez mais perto, e avistando uma carruagem antiga com a roda quebrada, os gritos cada vez mais intensos, à medida que se aproximava ouvia alguém chamando seu nome, ao menos aquele nome que o chamavam em seus sonhos. Quando finalmente chegou à carruagem, desceu do cavalo e correu até a porta, olhou para dentro e viu a mesma mulher dos seus sonhos, só que desta vez ela estava grávida e assustada, ao vê-lo foi logo dizendo...
- Darcy meu amor, eu estava com muito medo, eu não quero perder nosso bebê...
- Calma, eu estou aqui agora. – Disse abraçando-a.
- Eu sei que você está zangado comigo, você pediu que eu não fosse até a casa de Jane devido à fase final da gravidez, mas eu precisava ir, me perdoe Darcy.
- Não se preocupe com isso agora meu amor, fique calma.
- Nosso bebê vai nascer Darcy, eu estou com medo.
- Vai dar tudo certo meu amor, eu estou aqui do seu lado.
David estava apavorado, tentava dar força aquela pobre mulher assustada, mas não sabia como, o que fazer só sentia uma imensa vontade de protegê-la, e não deixa-la sofrer. Quando já estava completamente desesperado ouviu uma carruagem se aproximando, ela parou ao lado da que eles estavam a ponto das portas ficarem coladas, dois homens e uma Senhora saíram colocando a mulher na outra carruagem, David estava completamente confuso, sem reação e antes da carruagem partir a Senhora falou:
- Não se preocupe Sr. Darcy, o médico já está a caminho.
A carruagem partiu apressadamente em meio ao temporal, David ficou confuso sem saber o que fazer ou para onde ir, então num impulso montou no cavalo e seguiu a carruagem. Ficou surpreso ao perceber que ela parou em frente à Pemberley, relutante desceu do cavalo e entrou na casa seguindo os outros. Aqueles estranhos levaram a mulher para um quarto onde um Sr. Já os aguardava, a porta se fechou e uma grande angustia tomou conta dele, depois de algum tempo um grito ecoou pela casa. [/i]
David abriu os olhos assustado, completamente suado e com a respiração ofegante, as imagens dos sonhos foram vindo a sua mente, mas a angustia continuou em seu peito, mesmo tendo acordado daquele sonho, uma lembrança súbita de Emily veio a sua cabeça, ouviu um barulho vindo do último andar, levantou rapidamente e saiu correndo na direção do barulho...














