Capítulo VII
David ficou extremamente incomodado com a reação daquele homem, por que todos se assustavam quando o viam? Aquilo já ultrapassara de todos os limites, ele precisava saber o motivo de tanta surpresa, se aproximou do Sr. Dalton e com toda convicção na voz perguntou:
- Desculpe, Sr. Dalton não é? O que não pode ser?
- Não é nada Sr. Russell, o pobre está muito debilitado e não está falando coisa com coisa. – Eleanor se apressou em falar.
- É que todos por aqui quando me vêem fazem essa cara de espanto.
- Certamente é impressão sua Sr. Russell. Sr. Dalton esses são Emily Miller e David Russell herdeiros de Pemberley.
- Como vai Sr. Dalton, é um prazer conhecê-lo, ouvimos falar muito bem do Senhor. – Emily falou tentando mudar de assunto.
- O prazer é todo meu menina. E não ligue para o que um velho com o pé na cova fala.
- Sei... Tudo bem. Espero que se recupere logo. – David deu o assunto por encerrado, mas muito desconfiado.
- Eleanor minha amiga, eu gostaria de um pouco mais de água, você poderia conseguir mais um pouco, por favor?
- Claro Sr. Dalton, irei agora mesmo.
- Eu a acompanho Eleanor, preciso de um bom café.
David se ofereceu para ir com Eleanor, os dois saíram do quarto deixando Emily e o Sr. Dalton sozinhos. O Sr. Dalton tentou sentar na cama, Emily ao perceber isso foi em sua direção e o ajudou.
- Obrigada minha filha, já não sirvo mais para nada, nem para me levantar.
- Não diga isso Sr. Dalton, o Sr. Logo irá se recuperar e voltará para casa.
- Quem me dera voltar para minha amada Pemberley.
- O Sr. Fala dela com tanta paixão.
- Eu amo aquele lugar, lá passei momentos maravilhosos. Sabia que fui criado com seu tio?
- Eleanor nos contou.
- Éramos mais do que patrão e empregado, éramos amigos, irmãos. Eu conheço cada canto daquele lugar, cada segredo...
- Sr. Dalton já que falou isso, posso fazer uma pergunta?
- Claro minha filha, o que quiser.
- Tem um andar, o último, percebi que ele está fechado. Eleanor não me esclareceu muita coisa, o Sr. Sabe o que tem lá e por que está fechado?
O velho Dalton esboçou um sorriso olhou na direção da janela como se quisesse pensar no que responder, voltou a olhar para Emily e olhando-a no fundo dos olhos perguntou:
- Existem muitas duvidas nesta cabecinha não é mesmo? Não é só o andar fechado que lhe incomoda não é?
- Eu... Eu...
- No tempo certo todas as suas dúvidas serão esclarecidas, quanto ao andar fechado só o que posso lhe dizer é que lá encontrará as respostas que tanto quer.
- Mas como eu entro lá? Dizem estar fechado há mais de um século.
- Não, posso lhe garantir que ele já foi aberto bem depois. – Disse ele rindo.
- Então Eleanor mentiu, mas por quê?
- Ela não mentiu ninguém sabe disso, além de mim, seu tio e do Sr. Adams. Agora entendo tudo, a mudança do testamento, o sonho dele, aquele andar...
- O Sr. Adams? Mas...
- Aqui está à água Sr. Dalton.
Eleanor entrou no quarto trazendo uma jarra de água nas mãos, seguida por David. Emily preferiu não continuar a conversa. A visita durou cerca de mais quinze minutos, e após as despedidas e promessas de novas visitas. Emily e Eleanor saíram primeiro, David que saiu por último se despediu do Sr. Dalton.
- Adeus Sr. Dalton, espero que melhore logo.
- Creio que não Sr. Darcy!
David gelou ao ouvir esse nome, ficou paralisado. Virou-se devagar e olhou fixamente para o Sr. Dalton, que o olhava com um olhar decidido e um sorriso nos lábios. David tentou falar, mas desistiu e seguiu seu caminho.
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Era noite quando o celular de Emily tocou. Ao identificar o número do telefone como sendo do Sr. Adams ela atendeu apressadamente.
- Sr. Adams graças a Deus. Achava que o Sr. Não ligaria nunca.
- Srta. Miller depois de quase dez recados na minha caixa postal eu precisava ligar, está tudo bem?
- Está, quer dizer pode melhorar.
-No que posso ajudá-la então?
- Sr. Adams, soube que posso obter informações com o Sr. Sobre o último andar que está fechado.
- Infelizmente acho que não poderei ajudá-la.
- Não foi isso que o Sr. Dalton me disse.
- Sr. Dalton?
- Sr. Adams como dona de Pemberley eu acho que tenho todo o direito de saber tudo sobre ela. E se terei que lhe atormentar em busca de respostas saiba que não hesitarei em fazê-lo. Então o que me diz?
- Srta. Miller sabe ser convincente não é mesmo?
- O Sr. Não sabe quanto...
- Ok! Tudo o que sei é que um dia seu tio me chamou aí com urgência. Quando cheguei aí fui levado pelo Sr. Dalton até o escritório para conversar com o seu tio, ele queria procurar por parentes vivos e mudar seu testamento caso eu os encontrasse, mas ele parecia ter certeza que esses parentes existiam, eu perguntei o motivo da mudança e ele me respondeu que foi por coisas que eu não entenderia, falou alguma coisa sobre esse tal andar fechado e me mostrou uma chave...
- Chave?! Essa chave acaso seria a que dá acesso ao último andar?
- Creio que sim Srta. Miller.
- E onde está essa chave?
- Isso eu realmente não sei lhe responder, talvez nas coisas do seu falecido tio.
- Certo! Obrigada Sr. Adams, me fez um imenso favor.
Emily desligou o telefone com o coração acelerado, então o fim de todo o mistério estava mais perto de ser revelado, desceu a procura de Eleanor, a encontrou na biblioteca acertando alguns detalhes da administração da casa com David.
- Eleanor preciso falar com você.
- Emily não vê que estamos tratando de assuntos importantes? – David perguntou.
- Será rápido prometo. Eleanor sabia da existência de uma chave que abre o último andar? Melhor, sabia que nosso tio entrou lá?
- último andar? Chave? Mas do que você está falando Emily? – Quis saber David.
- Então Eleanor?
- Emily tudo o que sei eu lhe contei. Eu não sabia de nenhuma chave nem muito menos que seu tio entrou lá. Estou tão surpresa quanto você.
- Se esqueceram eu ainda estou aqui, e pior sem entender nada do que estão falando.
- Acredite em mim menina, eu jamais mentiria para você.
- Eu sei Eleanor, mas por que você ficou tão nervosa lá no hospital quando o Sr. Dalton se surpreendeu ao nos ver?
- Isso é verdade Eleanor. – David insistia em fazer parte da conversa.
- Eu.. Eu só não queria que ele não se cansasse falando muito, só isso.
- Tudo bem Eleanor, eu preciso encontrar esta chave. Pode me dar a chave do quarto do nosso tio?
- É claro, eu vou pegar agora mesmo. - Eleanor saiu apressada.
- Tudo bem agora você poderia fazer a gentileza de me contar o que foi tudo isso?
Emily assentiu com a cabeça e começou a relatar tudo para David, desde a descoberta do andar, a conversa com Eleanor, com o Sr. Dalton e agora com o Sr. Adams, claro omitiu os sonhos. David que ouviu tudo atentamente após o fim do relato, disparou uma sonora gargalhada.
- Posso saber qual o motivo da graça?
- Desculpe, é que isso tudo é tão...
- Tão o que?
- Emily o que você está pensando?
- Tem algum mistério nisso tudo e eu vou descobrir.
- Você deve estar brincando não é? – vendo a expressão séria dela ele disse. – Não, pior que não está. E o que pretende fazer?
- Vou procurar essa chave nem que tenha que revirar essa casa toda.
- Mas para que você quer ir lá? Deve estar cheio de poeira, mofo. Emily pelo amor de Deus.
- David tem coisas estranhas acontecendo e você sabe disso. Algo me diz que preciso entrar lá.
- Eu não sei do que você está falando. Acredita mesmo em tudo o que está me dizendo?
- Eu vou conseguir entrar lá com ou sem a sua ajuda.
- Emily isso é loucura, esquece isso.
- David escute, eu tenho tidos sonhos estranhos e...
- Aqui está à chave Emily.
Eleanor entrou atrapalhando a conversa, David agradeceu por isso, pois a última coisa que queria era falar sobre esses sonhos. Mas o que ela quis dizer com eu tenho tido sonhos estranhos? Será que ela estava tendo os mesmos sonhos estranhos que ele?
Emily pegou as chaves e saiu da biblioteca, sua ansiedade era tanta para encontrar aquela chave que esqueceu até o que estava conversando com David.
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David depois de um tempo pensativo foi para o seu quarto, o dia havia sido cheios de grandes emoções. Tomou um longo banho, vestiu algo confortável e foi até a varanda do quarto, o céu estava lindo, a lua cheia dava o tom de magnetismo que aquela noite exalava. Deitou em uma poltrona que ficava na varanda, vencido pelo cansaço e envolvido pelo clima, adormeceu...
Sonho...
David abriu os olhos lentamente, pôde ver as estrelas brilhantes no céu, sentiu muito frio, estava congelando, quando levantou para pegar algo para se aquecer. Foi com grande espanto que viu aquela mulher dos seus sonhos, ela estava linda, seus cabelos negros soltos caíam por seus ombros, vestia apenas uma camisola branca fina que deixava a silhueta do seu belo corpo à mostra aguçando a imaginação de David, à medida que ela se aproximava ele ficava mais nervoso. Ela trazia nas mãos uma grande manta quente, e quando chegou junto dele deu um grande sorriso, que iluminou todo o seu rosto, neste momento David percebeu como ela era parecida com Emily à diferença estava apenas na cor dos cabelos. Sentiu todo o seu corpo estremecer quando ela deitou ao seu lado e o abraçou, ele ficou completamente sem reação, o que parece que ela percebeu, pois com um sorriso no canto dos lábios, olhou fixamente para ele então gracejou:
- Acho que depois de uma noite de amor maravilhosa quanto a que tivemos hoje eu mereço ser abraçada, do contrário irei congelar aqui Sr. Darcy!
Completamente sem jeito David a abraçou de uma forma meio desconcertada. Ela pareceu ter gostado mesmo assim, pois se aninhou em seu peito. David pensou em protestar, mas algo maior o impedia, aquela mulher e toda aquela situação o deixavam completamente sem ação.
- Está tão calado hoje meu amor, aconteceu algo?
- Não.
- Sabe Darcy ainda não entendo porque você gosta tanto de ficar aqui fora depois que nos amamos, é tão frio. – Disse rindo enquanto o abraçava mais forte ainda.
- É que gosto de observar a noite... – Falou sem precisão nas palavras.
- Isso eu sei, nunca vi em minha vida um adorador da noite como você. Apesar do frio esta realmente uma noite linda. Sabe Darcy eu queria que o tempo parasse em momentos como este, eu me sinto tão protegida e feliz quando estou em seus braços.
- Eu também. – desta vez ele foi sincero, apertou-a ainda mais em seus braços.
- Prometa-me uma coisa.
- Claro.
- Que nem que passem séculos, todo o tempo do mundo, prometa que me amará para sempre e que jamais me esquecerá.
- Eu prometo.
- Eu o amo Fitzwilliam Darcy, e também prometo que o amarei para todo o sempre, por todas as vidas...
Dizendo isso ela o beijou de forma apaixonante, David correspondeu a este beijo com urgência, nunca em toda a sua vida sentiu algo tão intenso quanto sentia naquele momento, se entregou aquele momento sem pudor ou pensamentos coesos. Ela se afastou e com um sorriso matreiro nos lábios falou:
- Fico feliz que em quase oito anos de casamento ainda provoque esses rompantes de paixão em meu marido... Não sei quanto a você, mas estou faminta, fique aí que vou até a cozinha pegar algumas frutas para nós.
Beijou suavemente os lábios dele e se afastou. David ficou apenas observando o sedutor caminhar daquela estranha, pensou como seria bom tê-la em seus braços por inteiro, após a porta se fechar David fechou os olhos relaxando seu corpo por completo...
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Ao abrir os olhos novamente ele percebeu que tinha sido apenas um sonho, mas algo agora o inquietava, precisava de respostas. Levantou da poltrona e saiu do quarto apressadamente, sem saber ao certo aonde iria e o que estava fazendo ele foi andando sorrateiramente tentando não fazer barulho, quando passou em frente à porta do quarto do seu falecido tio viu Emily adormecida entre várias caixas e envelopes, resolveu ir até lá para acordá-la, mas ao chegar lá desistiu, ficou hipnotizado pela beleza dela, ainda atordoado pelo realismo do seu sonho não pôde deixar de observar a incrível semelhança, afastou delicadamente uma mecha de cabelo que caía no belo rosto sereno dela...














