David se aproximou do carro e pode observar que a motorista estava bem. Ela abriu a porta e saiu ainda meio atordoada, olhou para aquele homem que estava visivelmente irritado e reconhecendo que estava errada tentou pedir desculpas, mas foi surpreendida pelas palavras dele.
- Ficou maluca foi? Se quiser se matar fique à vontade, mas não tente levar outras pessoas junto. – Falou quase gritando.
- Desculpe foi um acidente. – tentou se justificar – É que eu nunca dirigi no lado contrário e...
- Não, só podia ser turista, não sei como permitem que vocês dirijam por aqui.
- O senhor tem algum problema? – Emily falou irritada.
- Acho que não ouvi muito bem. Você está perguntando se eu tenho algum problema, é isso?
- É surdo por acaso?
- Vou lhe dizer qual o meu problema. Eu vinha tranquilamente na minha mão, quando uma louca atravessa a estrada e se choca com meu carro, me dando um prejuízo e pior quase me matando. Esse é o meu problema.
- Eu sinto muito. Acredite não foi intencional. – respondeu no mesmo tom.
- Quem vai arcar com o meu prejuízo?
- Mas nem aconteceu nada com o seu carro, só amassou um pouco, não me venha com dramas.
- Você deve estar de brincadeira não é?
- Tenho cara de quem está brincando por acaso?
- Deus o que fiz pra me acontecer isso, meu dia já estava péssimo e só que me faltava era o senhor colocar uma maluca no meu caminho.
David falou olhando para o céu, o que irritou Emily ainda mais, ela lhe deu as costas e foi na direção do carro, entrou e tentou funcionar o veículo o que foi inútil, o carro parecia que não ligaria mais, ela precisava fazer algo, estava perto do seu destino, mas não o suficiente para ir andando, e como aquele homem estava indo na mesma direção resolveu pedir uma carona apesar do que tinha acontecido. David entrou no carro e quando já estava prestes a dar partida e seguir seu caminho deixando aquela louca para trás, teve que frear bruscamente, pois Emily praticamente se jogou na frente do carro para que ele parasse.
- Você quer se matar?
- Será que você pode me dar uma carona? É que o carro não quer funcionar e pelo que vejo você vai à mesma direção que eu e...
- Não!
- O quê?
- O que você ouviu, eu não vou lhe dar carona coisa nenhuma.
- Que espécie de homem é você, um ogro?
- Pense o que quiser, mas o carro é meu e você já me deu muitos prejuízos por hoje. Passar bem.
David arrancou com o carro deixando Emily furiosa, ele saiu tão rápido que nem ouviu a última frase dela.
- Seu homem das cavernas, mal-educado filho de uma...
David estava furioso, não apenas pelo acidente, mas principalmente pela língua afiada daquela mulher, o que ela tinha de bela tinha de maluca, mas após pensar um pouco e esfriar a cabeça se arrependeu de tê-la deixado sozinha. Completamente arrependido e ciente de que descontara nela os seus problemas. ele fez a volta do carro e foi até ela. A encontrou já na metade do caminho, olhou a cena e teve vontade rir, ela andava bem devagar, arrastando duas malas enormes, e com pelo menos mais três em cada mão. Parou o carro do lado dela que fingiu que não o conhecia.
- Vem entra no carro.
David falou num tom de reconciliação, como Emily não respondeu e nem sequer esboçou alguma reação ele se irritou:
- Anda eu não tenho o dia todo. Quer entrar logo nessa droga de carro!
- Nem por todo o dinheiro do mundo, nem que seu carro fosse o último da face da terra, eu entraria num carro com um troglodita como você.
- Você é realmente incrível. Percebeu que vai anoitecer?
- Eu... é, eu adoro caminhar, principalmente à noite.
- Se está pensando que vou insistir, enganou-se. É a última vez que vou chamar.
- E é a última vez que vou dizer: Eu não vou! - gritou
- Ok! Você é quem sabe. Adeus e cuidado com os animais dessa região dizem que são, digamos, perigosos e adoram turistas.
David disse isso enquanto arrancava com o carro, fez a volta e seguiu seu caminho. Emily ficou apavorada com o que aquele homem havia dito, mas jamais poderia dar o braço a torcer, nunca em sua vida fora tão insultada, aquele homem das cavernas passara de todos os limites, está certo que ela provocara o acidente com sua distração, mas ele ao menos poderia ter sido menos grosso. O que lhe confortava era o fato de nunca mais iria voltar a encontrá-lo.
*********************************___**********************************
À medida que David se aproximava de Pemberley não conseguiu deixar de se sentir deslumbrado, não conseguia acreditar como um lugar tão antigo mantivesse a mesma conservação, o jardim estava impecavelmente cuidado, as árvores todas podadas, ao se aproximar da casa seus olhos mal acreditaram no que viram, era imensa, com vários andares, era realmente de tirar o fôlego. Ao parar em frente à porta percebeu que um criado o esperava, após os cumprimentos, foi cuidadosamente conduzido a entrar, e ao adentrar a grande porta ficou ainda mais fascinado com a grandiosidade e luxo daquele lugar, o tempo parecia ter parado ali, toda a mobília era do século XIX. Foi despertado de seu encantamento ao ser cumprimentado por uma senhora de meia idade que ao olhar para ele não conseguiu deixar transparecer seu espanto, o que o incomodou bastante.
- Desculpe, há algo errado comigo? – Perguntou ele constrangido.
- Queira me perdoar senhor, é que a semelhança é assombrosa.
- Semelhança?
- Oh! Esqueça, por favor. Meu nome é Eleanor sou a governanta de Pemberley há anos e será um imenso prazer servi-lo.
- Olá Eleanor, eu agradeço muito sua gentileza.
- O Sr. Adams telefonou esta manhã avisando de sua chegada e da Srta. Miller, e pediu que o avisasse que por motivos de trabalho se atrasaria um pouco, porém deverá chegar ainda hoje para conversar com vocês.
- Ah! Tudo bem Eleanor.
- Gostaria de conhecer seu quarto Senhor?
- Claro, estou um pouco cansado da viagem e louco por um banho.
- Então siga-me, o levarei até lá.
Após dar as ordens necessárias sobre a bagagem de David, a Sra. Eleanor o levou até o seu quarto. David não conseguiu deixar de observar cada detalhe daquela casa, a bela escadaria que levava aos andares superiores, tudo estava intacto, era surpreendente. Quando Eleanor abriu a porta daquele que seria seu quarto, David quase caiu de costas, estava acostumado a viver confortavelmente, mas não daquela forma. O cômodo era grande, espaçoso, os móveis todos conservados e antigos, David se sentiu em pleno século XIX. Eleanor ao perceber a cara de surpresa dele não conseguiu deixar de fazer uma observação.
- Lindo não, senhor?
- Deslumbrante Eleanor.
- Tudo nesta casa está mantido por séculos, não há modernidade excessiva aqui, só o necessário para a sobrevivência dos dias atuais. O banheiro fica logo ali atrás daquela porta. Se precisar de algo, há um interfone ao lado da sua cama.
- Obrigado, Eleanor. Ah! E me avise assim que o Sr. Adams chegar.
- Certamente Sr. Russell. Espero que tenha uma boa estadia em Pemberley.
David ainda ficou certo tempo examinando e apreciando cada detalhe daquele quarto, até decidir tomar um banho.
Já estava escurecendo quando Emily chegou ao portão de Pemberley, o que agradeceu aos céus, pois após se identificar, um criado de imediato pegou suas malas. Emily estava visivelmente cansada, seus cabelos completamente desalinhados, tinha retirado o casaco e amarrado na cintura, a sua maquiagem não resistira ao calor e agora lhe dava um aspecto feio. Ao entrar na casa foi recebida por Eleanor que se espantou ao ver a situação que ela se encontrava, após as apresentações ela encaminhou Emily até o seu quarto e lhe avisou que o Sr. Adams conversaria com eles logo após o jantar que seria servido dali a uma hora.
David se sentia renovado após o banho e aproveitou para dormir um pouco antes do jantar, já estava na sala de estar da residência observando cada detalhe daquele luxuoso local, se assustou quando Eleanor adentrou a sala.
- Ah! Eleanor você me assustou!
- Não foi minha intenção senhor. O jantar será servido dentro de alguns minutos.
- Certo. Estamos esperando o Sr. Adams?
- Não, senhor. Ele só chegará após o jantar. Na verdade estamos esperando a Srta. Miller.
- Srta. Miller? A outra herdeira?
- Isso mesmo ela chegou a pouco eu vou avisá-la que o jantar esta pronto.
Tudo o que Emily desejava naquele momento estava ali, água quente, roupa limpa e uma boa maquiagem. Após toda a produção se olhou no espelho e gostou muito do que viu, escolhera algo leve para vestir, uma blusa de lã vinho e calças jeans, com botas de cano curto, pois estava frio naquela época do ano. Ouviu batidas na porta e reconheceu a voz de Eleanor. Emily caminhou rapidamente e abriu a porta. Eleanor se surpreendeu com o que viu, agora de roupas limpas, cabelos arrumados e sem o borrão da maquiagem, aquela mulher tinha uma assombrosa semelhança com alguém, mantendo sua discrição costumeira Eleanor se limitou apenas a avisá-la sobre o jantar.
- Vim avisar que o Sr. Russell está esperando pela Srta. e o jantar está servido.
- Ele já está aqui? Não o vi quando cheguei, é engraçado tenho que dividir esta maravilha com um estranho.
- Ele chegou antes da senhorita e estava no quarto durante sua chegada.
- Ok! Desço em cinco minutos, obrigada por avisa Eleanor.
Emily caprichou mais um pouco, fez um rabo de cavalo nos cabelos e desceu. Ao chegar ao final da escadaria viu um homem de costas para ela e de frente para a lareira, não pôde deixar de observar que ele era alto, tinha um belo corpo, cabelos castanhos. “hum, não sabia que tinha parentes tão gatos, acho que não vai ser tão mal dividir o teto dois meses com ele”. Abafou o riso e com seu melhor sorriso falou:
- Boa noite!
LAST_UPDATED2














