No desembarque Emily estava muito cansada, o vôo fora longo e como ela sentia um medo mortal de avião, não conseguiu pregar o olho. Pegou suas bagagens e seguiu direto para alugar um carro, após tudo resolvido, ela se dirigiu ao estacionamento e só quando chegou lá foi que lembrou que os ingleses dirigiam do lado contrário.
- Não deve ser tão difícil, você consegue Emily Miller! – pensou em voz alta.
Entrou no carro, pegou o mapa que comprou no aeroporto e seguindo as indicações contidas nele saiu devagar, percorreu as belas ruas de Londres, recebendo algumas buzinadas e xingamentos, até finalmente chegar a Rodovia que a levaria a Pemberley, ligou o som do carro e gostou da música que tocava, aumentou o volume e começou a cantar em voz alta, quase gritando, deu uma boa gargalhada ao dar graças a Deus por estar sozinha, pois sabia que como cantora era um fiasco, lembrou do que Diana dizia ao ouvi-la cantar:
- “Amiga se eu quiser me suicidar já sei um bom método que não cause dor, nem sujeira, é só eu ficar o dia todo ouvindo você cantar.”
Gritou ainda mais alto a canção enquanto admirava a bela paisagem rural que ia se formando, vez por outra olhando o mapa, pois sabia que era muito ruim em se localizar, e quase sempre acabava se perdendo. Após algumas horas de viagem, seguida pelas coordenadas do mapa, Emily pegou uma estrada mais estreita que a levaria até Pemberley. De repente no rádio começou a tocar uma música romântica, o seu sorriso e alegria foram desfeitos e as lágrimas começaram a rolar, aquela era a música que embalava seu relacionamento com Arthur, apesar de tudo eles haviam sido felizes, ao menos aparentemente, se odiou por ainda sofrer por aquele canalha, e com muito pesar se lembrou da besteira que fizera ao ligar para ele, com a desculpa que iria apenas se despedir...
Flash back
- Arthur sou eu, Emily. Por favor, não desligue.
- Emily, não temos mais nada para conversar.
- Eu... eu só liguei para me despedir. É que resolvi viajar para Londres, sobre a herança, lembra?
- Tá, mais alguma coisa?
- Soube que está saindo com a Lana Farrell.
- Emily não se humilhe assim, entre nós já não há mais nada, e eu não devo mais satisfação a você com quem saio ou não. Se só queria se despedir, desejo que faça uma boa viagem. Adeus!
Emily bateu com a cabeça no volante enquanto chorava, era como se quisesse se punir por ter feito tamanha besteira, ela precisava se livrar da lembrança de Arthur MacCoy a qualquer custo, nem que para isso fosse preciso arrancar seu coração. Estava tão envolta em seus pensamentos que não percebeu que passara para a contramão, quando foi despertada por um barulho forte de buzina, sua única reação foi desviar o carro que vinha a sua frente voltando rapidamente para sua mão e se chocando com um veículo que vinha no mesmo sentido, não foi uma batida forte, mas o suficiente para que seu carro rodasse no meio da estrada. Após seu carro ter parado, percebeu que estava meio zonza, e só conseguiu enxergar um homem alto, corpo forte, cabelos castanhos, que vinha em sua direção com uma expressão fechada, era evidente que estava aborrecido por causa de sua imprudência...
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David terminou de arrumar suas malas desceu para tomar seu café da manhã, deixou as malas na sala e seguiu para a sala de jantar, para sua infelicidade Edward estava sentado a mesa, ele ainda pensou em sair sem comer, mas seu estômago falou mais alto, após o fiasco do caso Matarazzo ele tinha caído em tristeza e mau humor que não se alimentou direito. Com o semblante fechado sentou a mesa e começou a se servir. Edward que não perdia a oportunidade de lhe ferir o alfinetou.
- Vai viajar querido irmão?
- Isso não é da sua conta Edward.
- Parece que alguém acordou de mau humor hoje. Irmãozinho, eu só me preocupo com você.
- Sabe Edward, acho que deve lhe dar muito trabalho ficar arquitetando qual a melhor maneira de me perturbar.
- Vejam só! A sua ironia já está voltando David. Soube que há alguns dias recebeu a visita de um advogado, e pelo que sondei foi referente à herança de nosso tio avô, estou certo.
- Edward eu daria meu braço direito para saber como consegue sondar a minha vida dessa forma.
- Tenho meus contatos David. Está viajando por causa disso?
- Como já lhe disse o que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta. E quer saber me sentar a mesma mesa que você me tira o apetite completamente. Adeus.
- Se não quer me dizer onde vai, tudo bem. Mas saiba que mais cedo ou mais tarde vou descobrir tudo.
Aquela desagradável conversa com Edward só fez aumentar seu mau humor, como duas pessoas tão diferentes poderiam ser irmãos? Sua mãe sempre dizia que Edward tinha todas as características de seu pai, o que a entristecia muito. Desde pequenos que havia essa rixa entre eles, Edward sempre acusou sua mãe de ter uma preferência evidente por David, e como ele era muito próximo ao seu pai, foi realmente ficando idêntico a ele. Espantou aqueles pensamentos, ligou o carro e seguiu para o seu escritório, agora era que vinha a parte mais difícil do dia, se despedir de seus funcionários, com tudo o que havia acontecido, muitos clientes se afastaram restando apenas uns poucos, que permaneceram mais por amizade que por confiança. Ao chegar ao escritório encontrou seus funcionários reunidos, todos traziam um semblante triste, ele reuniu todas as suas forças e começou seu discurso.
- Bem pessoal, sei que muito clichê dizer isso, mas eu realmente sinto muito pelo que aconteceu. Infelizmente não poderei manter todos, como sabem o escritório passa por algumas dificuldades e por isso com muito pesar terei que reduzir significativamente a equipe, mas não se preocupem que já falei com alguns amigos e conseguir recolocação para todos que irão sair, Anne está com a relação dos demitidos e onde irão trabalhar de hoje em diante. Só quero que acreditem no que eu vou dizer agora, isso aqui é o meu sonho, que vocês com muito trabalho e dignidade me ajudaram a construir, não sei como vou fazer, mas eu juro que darei a volta por cima, e quando isso acontecer quero vocês de volta, para juntos projetarmos o nome do nosso escritório por toda a Londres.
David foi aplaudido de pé, com muita emoção presente em todos, principalmente nele. Após as despedidas foi até a sua sala, em seguida entrou Anne sua secretária que o acompanhava desde quando ele era um recém formado advogado, com muitos sonhos e desejos, ela era uma senhora bondosa, que o conhecia desde o dia que abriu seu escritório. Ao entrar ela lhe lançou um olhar acolhedor, cúmplice, e com todo carinho que sentia por David perguntou:
- E agora David, o que pretende fazer?
- Sinceramente Anne? Não faço a menor idéia.
- Sinto muito querido.
- Não mais que eu, acredite.
- Já tomei todas as providências em relação à dispensa do pessoal.
- Obrigado Anne você é um anjo.
- Imagine isso aqui também é minha vida David. Só não entendi o fato de você ir viajar e passar dois meses longe. Se esconder não é do seu feitio David.
- Não estou me escondendo. Preciso mesmo ir até lá para resolver uns assuntos pendentes, e além do mais será ótimo descansar minha imagem por um tempo, quem sabe as pessoas esquecem um pouco de todo esse inferno que aconteceu.
- Você tem razão, e pode ir tranqüilo que tomarei conta do escritório.
- Eu sei que posso contar com você sempre. Anne obrigada por ficar ao meu lado nos momentos mais difíceis da minha vida.
- Vá antes que eu te veja chorar, o que seria um acontecimento, pois você não chora desde...
- Anne. – suplicou ele.
- Desculpe David. Adeus!
Deixar para trás, nem que fosse por pouco tempo, seu escritório era muito doloroso para David, tinha ótimas lembranças ali, lembrou com saudade dos olhos brilhantes de sua mãe ao entrar ali, o orgulho que ela sentiu ao ver o sonho e a dignidade do filho começando ali, agora. Entrou no carro e seguiu rumo a Pemberley.
Durante o trajeto de algumas horas David remoia acontecimentos dolorosos em sua vida, desde sua adolescência até aquele momento, como tudo havia dado errado? Isso não saía da cabeça dele. Quando entrou na estrada que daria em Pemberley viu quando a sua frente um carro passou para a contramão e em segundos veio para cima do seu carro, puxou a direção para o lado tentando evitar o choque, o que não ocorreu, mas ao menos diminuiu o impacto, graças a Deus não sofrera nada e pelo que percebeu o outro motorista também estava bem. Uma raiva tomou conta dele, era só o que faltava para coroar o seu péssimo dia, desceu do carro pronto a dizer poucas e boas para aquele maluco, ao se aproximar viu que se tratava de uma mulher, uma bela mulher por sinal, ela era linda, cabelos pretos, pele branca, mas o que realmente lhe chamou atenção foram seus olhos, eles eram vivos, escuros e por um breve instante prenderam sua atenção...
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