| Destino - Capítulo 1 |
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| Escrito por Fátima |
| Seg, 21 de Setembro de 2009 10:05 |
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Emily saiu do escritório do advogado completamente atordoada, sua vida estava indo muito bem obrigada até ter recebido a notícia que herdara uma propriedade familiar, mas por que ela tinha que abandonar sua vida, sua carreira e sua rotina para receber uma herança de um parente que ela sequer imaginava que existisse, aquilo a estava chateando profundamente, enquanto caminhava até o restaurante onde se encontraria com seu namorado Arthur MacCoy, pensava em o quanto estava arrependida de ter dito ao advogado que iria pensar na possibilidade de ir até a Inglaterra para tomar posse da propriedade. Quando finalmente chegou ao restaurante avistou Arthur de longe, como sempre ele estava lindo, abriu um largo sorriso e caminhou até ele.
Arthur MacCoy era um ator frustrado, seu único papel de destaque em toda a sua carreira havia sido há três anos quando fez uma ponta em um filme, onde ninguém soube que era ele, pois no curto tempo em que apareceu no filme estava mascarado. Ele conheceu Emily em uma festa de amigos em comum, de inicio não se interessou por ela, mas quando soube de seus bons contatos e sua fortuna de imediato a pediu em namoro, mas como todo oportunista Arthur corria sempre atrás do que lhe fosse mais vantajoso, e terminaria com Emily assim que outra oportunidade melhor surgisse.
- Oi meu amor, desculpe a demora.
- Emily, você sabe o quanto odeio esperar. Onde esteve?
- Fui falar com o advogado sobre a minha herança.
- Ah! Como pode chamar de herança uma propriedade do século 19, deve ser um prédio velho em ruínas, cheio de mofo e cupim... Esqueci que você adora coisas velhas.
- Arthur já te pedi para não zombar do meu trabalho, amo o que faço e você sabe disso.
- Emily, você não precisa trabalhar, sua família tem muito dinheiro.
- Já falamos sobre isso, pode parar.
- Você quem sabe querida. Então o que o advogado falou?
- Bem, ele repetiu o que havia me falado ao telefone. Que esse meu tio, que eu nem sabia que existia me deixou Pemberley de herança, quer dizer para mim e um primo meu chamado D... David acho que é isso.
- Tá, e daí?
- Agora é que vem o mais estranho, no testamente esse meu tio fez duas exigências.
- Quais?
- Primeiro, que nem eu, nem esse tal David podemos vender nossas partes na propriedade, nem mesmo um para o outro.
- Muito espirituoso esse seu tio, além de lhe deixar um monte de ruína, ainda exige que fique com ela o resto de seus dias.
- Continuando, a segunda exigência é que para que possamos receber definitivamente a herança teremos que passar dois meses lá.
- O quê? Como assim?
- Eu também fiquei surpresa.
- Você não vai aceitar essa idiotice não é mesmo Emily?
- Arthur isso não é o que eu mais quero agora, vai atrapalhar minha carreira, meus planos, mas...
- Você e seus “mas”, Emily isso é no mínimo ridículo.
- Estou olhando pelo lado profissional Arthur, eu sou completamente apaixonada pela arquitetura européia, principalmente a inglesa, essa é a chance que eu estava procurando. E tem algo mais que eu não consigo explicar e me diz que eu devo ir.
- Por favor, não venha com seus devaneios, Emily você é uma mulher de 25 anos e ainda acredita nessas besteiras de sexto sentido.
- Arthur não é devaneio, você não entenderia mesmo.
- Certamente que não entenderia, eu não sou louco. E quer saber Emily eu estou adiando isso faz muito tempo, mas agora chega. Não consigo mais.
- Do que você está falando?
- Estou falando que acabou, chega de ficar me enganando. Sabe Emily, sou ambicioso e você sempre soube disso, não posso continuar ao lado de alguém que mesmo tendo tudo, dinheiro, posição, prefere ficar consertando velharia por aí.
- Mas é meu trabalho...
- Chame como quiser, só que para mim não dá mais. Cheguei ao meu limite.
- Não faz isso conosco.
- Emily, por favor, não faça ceninhas aqui! Sabe que sou uma pessoa conhecida e não quero chamar atenção da imprensa, quer que amanhã o meu nome esteja na capa das revistas de fofocas?
- Cale a boca Arthur, aparecer na mídia é tudo o que você quer não é? Você é ridículo e me enoja completamente, como eu posso ter me apaixonado por alguém tão pequeno, tão mesquinho? Sabe de uma coisa, acabou pra mim também e pode começar a procurar outra idiota para subir na vida. Passar muito mal, seu panaca!
Emily saiu do restaurante com o coração arrasado, deixando um surpreso Arthur. Já em seu apartamento com um pote de sorvete na mão e o controle da TV em outra, Emily curtia o seu momento fossa, quando ouviu a campainha tocar, quando olhou pelo olho mágico viu que era sua amiga Diana, mal abriu a porta e esta pulou em cima da cama.
- Oi pra você também Diana.
- Emily, como você pode ficar desse jeito por causa daquele idiota.
- Diana eu gostava daquele idiota lembra?
- Para sua infelicidade minha amiga. Sabia que ele foi visto com Lana Farrell?
- Você está tentando me animar? Por que se for isso pode parar agora mesmo.
- Acredite estou sim, enquanto você fica aí largada se entupindo de sorvete ele está se divertindo com aquela anoréxica. Emily, você precisa reagir, ele não vale a pena, só você não via isso e deveria agradecer por ele ter terminado.
- Eu sei que você tem razão Di, mas como vou conseguir esquecê-lo? Cruzando com ele por aí, eu não vou agüentar amiga.
- Você precisa de uma viagem com urgência, um homem lindo e tudo de bom já servia, mas para o momento uma viagem é ideal.
- Mas para onde eu vou?
- Não sei, mas podemos pensar em algum lugar.
- É isso! – Falou em um salto, assustando Diana.
- Emily você me assustou! No que está pensando?
Emily contou tudo para Diana que ouvia tudo com muito entusiasmo, o que contagiou ainda mais Emily, que decidiu que partiria rumo a Pemberley dali a três dias. ___________
David ignorou completamente os telefonemas do advogado de seu tio avô James William Darcy, afinal de contas ele nem sabia quem era esse senhor, e muito menos estava interessado em nenhuma herança. Quando se preparava para sair para o seu escritório foi surpreendido por uma empregada de sua casa que anunciou que um senhor o esperava na biblioteca. Contrariado e completamente aborrecido ele seguiu praguejando em direção da biblioteca, onde encontrou um homem que ao vê-lo tratou imediatamente de se apresentar.
- Bom dia Sr. Darcy! Sou John Adams advogado do seu tio o Sr. James William Darcy.
- Bom dia, mas por favor me chame de Russel, não uso o sobrenome Darcy.
- Oh! Desculpe-me, como queira Sr. Russell. Tem um tempo para conversarmos.
- Na verdade estou de saída para o escritório...
- Prometo que serei breve. Desculpe-me por vir até sua casa, mas como o senhor não atendia a meus telefonemas, tomei a liberdade de procurá-lo.
- Está bem, sente-se, por favor.
- Como suponho que deva saber, o Sr. e a Srta. Emily Miller Darcy são herdeiros do Sr. James.
- Sr...
- John Adams.
- Desculpe, Sr. Adams, como disse a sua secretária eu não estou interessado em nenhuma herança, para falar a verdade eu nem sabia da existência desse Sr. James William Darcy. E, sinceramente, tudo o que eu menos desejo agora é mais um problema para minha vida.
- Eu compreendo Sr. Russell, mas se insisto é porque como amigo pessoal do seu tio avô, gostaria muito de ver o seu último desejo se realizar.
- Sr. Adams, eu tenho uma dúvida. Como ele soube de mim?
- Seu tio era um homem muito só, nunca se casou e perdeu os pais ainda jovem, sempre viveu sozinho em Pemberley, apenas na companhia dos criados. Já na sua velhice sentindo que a morte se aproximava, ele fez um testamento e deixou tudo para o filho de um criado muito fiel, o jovem Dillan Daves, mas um dia recebi uma ligação aflita de seu tio que me pediu para procurar pistas de parentes que provavelmente viveriam em Nova York e aqui em Londres. Ele não me deu muitas explicações sobre como descobriu que ainda possuía parentes, mas como seu advogado, procurei até chegar a sua família e a da Srta. Miller.
- Mas por que eu, e não meu irmão Edward?
- Não posso lhe explicar tal fato Sr. Russell. Quando contei ao seu tio sobre seu irmã e também sobre o fato da Srta. Miller ainda possuir pais e uma irmã vivos, ele decididamente mudou o seu testamento deixando apenas o senhor e a Srta. Miller como seus únicos herdeiros.
- Isso é ridículo! O senhor tem idéia do que está me contando?
- Claro que tenho, eu mesmo custei a acreditar em tudo isso. A não ser pelo fato...
- Pelo fato?
- A última vez que conversei com seu tio, em seus últimos momentos de consciência, ele me mostrou fotos de seus antepassados e agora diante do senhor não posso deixar de me assustar com sua espantosa semelhança com o Sr. Fitzwilliam Darcy.
- Acho que o senhor. realmente acredita em tudo o que está me dizendo. Bem, Sr. James se isso é tudo, prometo que pensarei no assunto.
- Está bem, se prefere assim não me oporei. Mas peço que fique com uma cópia do testamento, e depois me ligue.
- Estou com uma causa muito complicada e se ganharmos será o que falta para meu escritório se consolidar, então não prometo que vou ler logo, mas assim que o fizer pode ter certeza que ligarei.
- Até logo Sr. Russell.
Após a saída do advogado, David seguiu direto para o carro, estava realmente apressado, estava prestes a ter o nome de seu escritório projetado por toda Inglaterra. Quando recebeu o convite para aquele caso, aceitou de imediato, ganhar aquela causa era fundamental para que sua carreira tomasse outras proporções e finalmente poderia provar para seu irmão e todos que duvidavam que ele pudesse construir sua própria fortuna e não viver da fortuna deixada por seu pai, que a conseguira de forma ilícita. Ele estava nervoso, ali diante daquele tribunal estava a sua chance de mudar sua vida radicalmente, estava confiante, tudo estava ao seu lado, tinha certeza que o jovem e talentoso advogado David Russel Martin Darcy levaria mais essa, e todo o dinheiro que estava envolvido.
O julgamento começou e tudo seguia tranqüilo, até que a defesa de última hora apareceu com uma testemunha chave que mudaria completamente o rumo das coisas. Seu cliente o olhou assustado e com todo o poder que lhe conferia, falou quase em um sussurro:
- É melhor que tenha algo para reverter isso, ou considere sua carreira acabada!
David engoliu seco. Tentou inutilmente argumentar, contestar, mas foi em vão, aquela testemunha chave acabara com seus planos. E quando saiu o veredicto ele viu seu mundo desmoronar, perder aquela causa com todo aquele dinheiro e poder envolvido era certamente o fim da sua carreira, ao ouvir o resultado pôde notar nos olhos do Sr. Matarazzo que ele moveria mundos para destruí-lo. Completamente arrasado ele voltou para casa, ao chegar lá e vendo a cara de diversão de Edward se arrependeu amargamente por ter voltado pra lá, mas agora já era tarde, então ele ergueu a cabeça e entrou.
- Não vai cumprimentar os outros, irmãzinho?
- Hoje não Edward.
- Gostaria de lhe parabenizar, mas ops! Você perdeu não foi? – disse enquanto soltava uma sonora gargalhada.
- Não venha com seu cinismo, não estou com paciência.
- O que foi? Onde está o grande e independente David Russell? O grande e honesto advogado que toda Londres já viu. Você está arruinado David, acabado, depois desse vexame nunca mais pegará boas causas... Quero só ver se agora você baixa essa sua crista e aceita o dinheiro do nosso pai.
- Nunca! – gritou David – Eu nunca usarei nenhum centavo desse dinheiro sujo.
- Não seja idiota David, você não está em condições de ter ataque de moralidade. Foi com esse dinheiro sujo que você estudou.
- Contra a minha vontade e você sabe disso, só aceitei para não ver a mamãe mais triste do que ela era. Não tive escolha, mas um dia Edward eu juro que devolverei cada centavo a você.
- Ah! Sim. E como pretende fazer isso? Sim, porque agora você não é ninguém, a não ser o filho de Daniel Martin!
- Não sei como farei, mas lhe garanto que darei a volta por cima.
- Então vá sonhando meu irmão, vá sonhado.
Edward disse esta última frase enquanto sumia, David estava completamente deprimido e aquela discussão só serviu para aumentar sua tristeza. Entrou em seu quarto e foi direto para o banheiro, tomou um banho longo e quente, como se desejasse que a água levasse todos os seus problemas. Deitou em sua cama, mas não conseguiu dormir, virou de um lado para o outro na cama, mas o sono teimava em não aparecer, quando olhou para a pequena cômoda do seu quarto e viu o testamento que recebera naquele dia mais cedo, resolveu ler, foi até a varanda do seu quarto e começou a ler, a cada linha lida se surpreendia, principalmente com as duas exigências, riu quando leu. Olhou para o céu, a noite estava linda, uma leve brisa tocou seu rosto, então um pensamento veio à tona. Dois meses fora era tudo o que precisava para que todos esquecessem do ocorrido, e o que poderia lhe acontecer em dois meses? Estava decidido, no dia seguinte ligaria para o Sr. James e o mais breve possível partiria rumo a Pemberley.
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