Citações

Meus sentimentos não podem ser reprimidos. Permita-me dizer-lhe que a admiro e a amo ardentemente. (Jane Austen)

Continuação do Filme - Capítulo X

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No dia seguinte Lizzy contou a Jane o que havia ocorrido na noite anterior, sobre como mentira para Darcy fingindo estar comprometida com Ian, as duas conversavam no quarto, quando Kitty entrou anunciando a chegada de Lidya, todas desceram em seguida para cumprimentar a irmã.

 

- Lizzy, Jane quanta saudades eu estava de vocês!

 

- Nós também estávamos, mas porque antecipou sua vinda? - perguntou Jane

 

- É que queria passar mais tempo com minha família.

 

Lidya se aproximou de Lizzy e falou discretamente que gostaria de falar urgentemente com ela em particular, as duas subiram com discrição para o quarto, seguidas por Jane.

 

- Agora podemos conversar tranqüilas, pode falar.

 

- Lizzy na verdade eu vim, porque quero te contar algo muito importante.

 

- Meu Deus, você esta me assustando, o crápula do seu marido lhe fez algo?

 

- Fez, mas não a mim e sim a você.

 

- Mas isso eu já sei, só não tenho como provar.

 

- Depois daquele dia em que você contou o que aconteceu na sua festa de noivado, eu fui para a hospedaria e lá perguntei a Wickham se ele tinha algo haver com o que aconteceu, ele negou, disse que foi tudo um mal entendido e que não poderia falar com Darcy, pois de nada adiantaria. – Lidya parou por um instante, como se temesse continuar.

 

- Continue Lidya, é muito importante. – Falou Jane.

 

- Então eu acreditei e fomos embora, mas chegando em nossa casa ele começou a gastar muito dinheiro, com jogos, luxo.

 

- E você não o questionou sobre a origem desse dinheiro? – Perguntou Lizzy

 

- É claro, e ele dizia que tinha conseguido através de trabalhos temporários, mas eu sabia que algo estava errado. Ouvi rumores de que ele tinha uma amante, desconfiada e querendo provas vasculhei os pertences dele e encontrei isto. Leia Lizzy, por favor.

 

Neste momento ela entregou a Lizzy um pedaço de papel, Lizzy abriu e leu, seus olhos não acreditavam no que estavam vendo, era a prova que ela tanto pedira a Deus para provar sua inocência, e ele a atendeu, entregou em suas mãos o bilhete de Lady Catherine para Wickham. Jane impaciente de tanta curiosidade perguntou:

 

- Então Lizzy, do que se trata?

 

- É um bilhete de Lady Catherine para Wickham, em que ela pede para que ele a encontre no escritório.

 

- Mas isso é maravilhoso, finalmente você poderá esclarecer tudo, e se entender com o Sr. Darcy.

 

- Não Jane você está enganada, ele servirá para que eu esclareça tudo, mas voltar com Darcy, isso não.

 

- Mas Lizzy eu sei que você o ama.

 

- Amo, mais do que poderia imaginar, mas não posso simplesmente esquecer tudo o que aconteceu, você não imagina como me senti.

 

- E o que você pretende fazer, vai desmascarar aquelas bruxas não vai?

 

Lidya que até aquele momento estava calada tirou mais um papel da bolsa e falou:

 

- Você vai sim, minha irmã se não meu esforço não terá valido a pena, independente de você voltar com ele ou não, você precisa limpar sua honra. Eu ainda trouxe a carta que Lady Catherine nos enviou fazendo questão de nossa presença na festa.

 

- Lidya você tem razão... Lizzy não a nada que a impeça agora.

 

- Lizzy só peço uma coisa, Wickham jamais poderá saber que fui eu quem lhe entregou estas coisas, eu não falei nada com ele, apesar de tudo eu o amo e não quero ficar sem marido.

 

- Não se preocupe minha irmã, ele jamais saberá. E vocês me convenceram, amanhã mesmo vou até a casa do Sr. Bingley e esclarecerei tudo. Lady Catherine e Caroline, provarão de seu próprio veneno.

 

 

Depois do café da manhã Anne convidou Darcy para um passeio, o que deixou Lady Catherine muito feliz, ele aceitou de muito grado, pois amava a prima, não com um amor carnal, mas sim um amor fraternal, sentia vontade de protegê-la, de tudo principalmente da autoridade e rigidez de sua tia. Os dois seguiram caminhando, Anne estava bem mais alegre e Darcy não pode deixar de elogiar a prima.

 

- Anne você está com uma aparência muito mais saudável.

 

- Estou muito feliz por estar aqui, deve ser por isso. Minha casa parece uma prisão.

 

- Fico feliz, você sabe que o que mais desejo é sua felicidade.

 

- Claro que sei. Eu também quero que você seja muito feliz, apesar de ver em seus olhos uma profunda tristeza, desde seu rompimento com a Senhorita Bennet.

 

- Eu não quero mais falar sobre isto.

 

- Apesar do seu orgulho, eu conheço bem você, e sei que você está sofrendo muito. Você ainda a ama.

 

- É você me conhece, eu a amo, mas que a mim mesmo, mas isso não adianta muito, não é mesmo? O importante é que estou aqui com você.

 

- Eu gostaria de falar com você justamente sobre isto, bem é que eu, é...

 

- Pode falar, do que se trata?

 

- É que eu não quero me casar com você, eu não o amo, não quero levar uma vida infeliz estando ao seu lado e amando outra pessoa.

 

Darcy parou surpreso, não esperava isso de Anne, ele sempre imaginara que ela assim como sua mãe também desejasse este casamento. E surpreso também com esta revelação.

 

- Achei que você também desejasse se casar comigo.

 

- Não, isso nunca foi o desejo do meu coração, aceitei isto apenas pela opressão de minha mãe, gosto de você, mas como um irmão.

 

- Fico aliviado, pois também gosto de você como uma irmã muito querida, e se você não quer este casamento, não vejo o porquê dele acontecer.

 

- Oh Darcy eu sabia que você iria entender, sabia que não me amava, seriamos tão infelizes, sempre quis falar sobre este assunto com você, mas nunca tivemos a oportunidade de estarmos sozinhos.

 

- Agora me fale quem é o sortudo, que tem seu coração?

 

- Ele ainda não sabe, quer dizer acho que ele já percebeu, e acho que ele também gosta de mim.

 

- Estou muito curioso, me fale quem é.

 

- É nosso primo o Coronel Fitzwilliam. Aí meu Deus! Não sei como pude contar isso a você. Agora me diga, você acha que ele gosta de mim?

 

- Anne, estou muito surpreso, nunca percebi nada. Mas acho que sim, ele sempre a elogiou muito e sempre ressaltou a minha sorte em tê-la como esposa. Fico muito feliz por saber disso e garanto que os ajudarei no que for possível.

 

- Obrigada Darcy, sei que posso contar com você. Mas como vamos contar isso a minha mãe? Ela não vai concordar.

 

- Isso você pode deixar comigo, eu falo com ela. Agora é melhor irmos.

 

Os dois seguiram o passeio que se seguiu muito animado, ambos estavam felizes e leves por não terem mais que viverem um casamento de aparências.

 

 

Lizzy se arrumou com capricho, queria estar bela na hora em que fizesse cair as mascaras de Lady Catherine e Caroline Bingley, Jane se ofereceu para ir com ela, mas ela recusou, achou melhor não envolver a irmã nisso, afinal poderia prejudicar o seu casamento, mas Jane se preocupou em deixar a irmã ir sozinha, então resolveu procurar Ian e pedir para que ele a acompanhasse. Ao saber disso Lizzy recusou, mas com os argumentos de Jane, acabou cedendo. Os dois partiram antes da hora do almoço, pois Lizzy queria chegar cedo e de preferência quando todos estivessem reunidos. No caminho Ian não conseguiu se conter:

 

- Senhorita Elizabeth, perdoe minha indiscrição, sou um cavalheiro acredite, mas meu coração apaixonado não me permite deixar de perguntar qual o motivo de nossa visita.

 

- Ian, sabe que não posso lhe dar esperanças, não seria justa com você.

 

- Então isso quer dizer que a Senhorita pretende se reconciliar com o Sr. Darcy?

 

- Eu não falei isso, minha ida até lá é para limpar minha honra, o que farei com um imenso prazer, mas de maneira nenhuma pretendo me reconciliar com o senhor Darcy.

 

- Mas a Senhorita o ama, não é certo?

 

- Não posso enganar a mim mesma, muito menos a você, que tenho profunda admiração. Eu ainda o amo, mas estou muito magoada e meu único propósito hoje é desmascarar aquela gente, e mostrar a ele, quem realmente é Elizabeth Bennet.

 

- Posso ter esperanças em relação à Senhorita então?

 

- Vamos deixar o tempo falar por si, mas de certo este amor que tanto me fez sofrer, demorará a morrer.

 

Os dois seguiram calados enquanto percorriam a estrada. Já havia terminado o almoço e todos estavam reunidos na sala de estar, Darcy estava procurando a melhor oportunidade para conversar com sua tia sobre sua conversa de logo cedo com Anne. De repente a criada anunciou a chegada de Lizzy, o que causou espanto a todos, principalmente em Lady Catherine que ficou indignada.

 

- Mas o que essa mulher veio fazer em nossa casa?

 

- De certo veio nos apresentar seu noivo, tendo em vista que está acompanhada daquele rapaz que estava com ela no baile. – alfinetou Caroline

 

- Mande-a embora, ela não tem nada a fazer aqui, é muito atrevimento, veja o tipo de família que você Charles esta entrando.

 

- Lady Catherine se a Senhorita Elizabeth veio aqui, certamente foi por um bom motivo, faça-os entrar. – retrucou Charles.

 

A criada cumpriu as ordens de Charles e conduziu Lizzy e Ian até a sala de estar, Darcy ao vê-la fez uma menção para se retirar, mas foi interrompido por ela.

 

- Não saia, por favor, Sr. Darcy, o assunto que me trouxe aqui é de seu interesse, fique.

 

- Não vejo o que a Senhorita deseja falar conosco, quero ressaltar que sua presença aqui nesta casa não é bem-vinda. – esbravejou Lady Catherine

 

- Sei que minha presença não é bem-vinda, mas garanto que depois que eu terminar a sua também não será.

 

- Como ousa falar comigo dessa maneira sua insolente? Ponha-se daqui pra fora!

 

- A Senhora pode esbravejar o quanto quiser, mas só sairei daqui quando terminar o que vim fazer.

 

- Deixe-a falar tia, Srta. Elizabeth fique a vontade. – falou Georgiana.

 

- Na noite do baile a Senhora disse ao Sr. Darcy que eu havia convidado o Sr. Wickham, e que fazia questão de sua presença, mas como a Senhora explica esta carta convite, escrita pela Senhora, convidando ele e enfatizando que a presença dele era fundamental para o sucesso da festa?

 

Lizzy caminhou até Darcy e entregou-lhe a carta, ele leu e não conseguia acreditar no que sua tia havia feito. Olhou horrorizado para sua tia que estava visivelmente desconfortável.

 

- O que a Senhora tem a dizer sobre tal acusação tia?

 

- Darcy por Deus, isso não passa de invenção desta mulher, prefere acreditar em uma pessoa que acabou de conhecer ou em sua tia que te conhece desde sempre? Saia daqui sua mentirosa.

 

- Mas esta é sua letra tia, pare de mentiras!

 

- E tem mais, - disse Lizzy – Na festa eu estava procurando o senhor para dizer que eu não havia convidado o Sr. Wickham, e a Senhorita Caroline me disse que o senhor estava me esperando no Jardim, fui até lá e quem estava me esperando? O Sr. Wickham mandado por elas é claro, para que você nos visse juntos, aqui está o bilhete que ela enviou para ele, a Senhora não tem como negar.

 

- Darcy querido eu...

 

- Tia cale-se, quem lhe deu autoridade para manipular minha vida dessa maneira? Não sou uma de suas propriedades, nem muito menos Anne, até quando vai agir desta forma, achando ser dona de tudo e de todos?

 

- Darcy você está me desrespeitando!

 

- E o que a Senhora fez a mim e a Lizzy, será que também não foi desrespeito? A senhora não é Deus, então pare de se sentir como tal.

 

- Eu fiz isso para o seu bem, você estava cego e não via a loucura que estava fazendo.

 

- Por Deus pare de achar que esta acima do bem e do mal. De hoje em diante não permitirei que a Senhora manipule assim minha vida.

 

- O que esta querendo dizer com isto? Meu querido me perdoe.

 

- A partir de hoje a nossa relação será o mais formal possível, não permitirei que se intrometa na minha vida, fui bem claro, e você Caroline será da mesma forma.

 

- Mas Sr. Darcy...

 

- Eu já tomei minha decisão e não volto atrás, a Senhora com sua arrogância me tirou a chance de viver um grande amor, um amor verdadeiro, como fui cego.

 

- Bem desculpem-me, como eu já terminei o que vim fazer, vou embora. – disse Lizzy

 

- Senhorita Elizabeth, não vá, preciso falar com a senhorita.

 

- Não temos nada a conversar Sr. Darcy, tudo já foi tratado nesta sala, agora se me dão licença.

 

Lizzy saiu acompanhado por Ian, Darcy seguiu atrás, ele precisava recuperar seu amor, estava se odiando por ter sido tão idiota, tão cego, não poderia deixar que ela partisse sem falar com ela, se desculpar implorar seu amor, conseguiu alcançá-la na porta segurou em seu braço e suplicantemente pediu:

 

 

- Meu amor, por favor, me ouça, precisamos conversar.

 

- O Senhor me ouviu? Simplesmente me julgou e condenou sem nem ao menos me escutar. Não crie expectativas, meu propósito aqui foi apenas jogar na sua cara que eu era inocente, limpar a honra de minha família.

 

- Srta. Elizabeth eu a compreendo perfeitamente, entendo seu rancor, mas suplico que aceite minhas desculpas.

 

- Aceito sim, não guardo rancor Sr. Darcy, diferente do senhor minha opinião uma vez perdida pode ser recuperada.

 

- Então podemos nos entender.

 

Neste momento Lizzy sentiu que não mais conseguiria segurar as lágrimas, elas teimavam em cair em seu rosto, entre soluços falou:

 

-O Senhor acha mesmo que as coisas funcionam assim? Que pode machucar as pessoas e depois pedir perdão e ficar tudo bem, pois eu lhe digo Sr. Darcy que a realidade é muito diferente. Lembra-se quando eu pedi para me escutar, acreditar em mim? Pois eu não esqueci as suas palavras de ofensa, eu jamais esquecerei.

 

Darcy quis falar lutar por seu amor, mas Charles que se aproximava dele na hora, o impediu, achou que aquele não era o momento oportuno, pois os ânimos estavam exaltados. Lizzy seguiu acompanhada por Ian que todo o tempo permanecera calado, ele não achou certo se intrometer naquele assunto. A carruagem seguiu Ian nada poderia fazer se não apenas consolar Lizzy que chorava compulsivamente.

 

Darcy, aquele homem que parecia tão forte, não conseguiu se conter, chorou, por ter sido tolo ao deixar-se manipular por sua tia, por não ter  acreditado em Lizzy, por ter deixado a sua chance de ser feliz escapar.

 

Os dias seguiram e faltava apenas um dia para o casamento de Jane e Charles, Lizzy tentava se concentrar nos preparativos do casamento, apesar das inúmeras vezes em que Darcy a procurou ela sempre se recusara a atendê-lo, estava magoada e precisava de um tempo. Ela estava pensativa na sala, quando Jane entrou vestida de noiva para lhe mostrar o vestido:

 

- Jane você está muito bonita.

 

- Você acha mesmo Lizzy? Estou tão nervosa, ao mesmo tempo feliz, muito feliz.

 

- Oh querida é claro que está você é a noiva mais linda que eu já vi.

 

- Você também poderia ser se não fosse tão cabeça dura. Lizzy o Sr. Darcy está arrependido, dê uma chance ao amor de vocês, por favor.

 

- Jane, não quero que se preocupe com isso, este é o seu dia o meu ainda virá.

 

- Mas seria maravilhoso se casássemos juntas.

 

- Se ela aceitar meu pedido nos casaremos amanhã mesmo. – Falou Ian entrando na sala.

 

- Seu senso de humor é magnífico Ian. – disse Lizzy

 

- Não estou brincando, a Senhorita sabe que se quiser me caso imediatamente.

 

Ouviu-se um grito da Sra. Bennet chamando por Jane para que ela tirasse o vestido, Jane olhou para Lizzy com um ar de riso e foi cumprir as ordens da mãe. Ian se vendo sozinho com Lizzy aproveitou a chance de tentar mais uma vez.

 

-Eu só preciso de uma chance para fazê-la feliz.

 

- Ian eu gosto muito de você, queria realmente me apaixonar por você, mas não consigo, meu coração está fechado para este sentimento. Você é um homem maravilhoso, certamente tem muitas moças interessadas em você.

 

- Seu coração está fechado ou tem lugar apenas para uma pessoa? O Sr. Darcy.

 

- Como eu queria esquecê-lo, apagá-lo do meu coração, mais é mais forte que eu.

 

- E por que vocês não se dão uma chance de serem felizes?

 

- Ian...

 

- Lizzy eu gosto de você, mas sinceramente sei perder, por mais que você se esforce o amor de vocês é maior.

 

- Eu não sei o que dizer, sinto muito mesmo.

 

- Não por isso minha cara, fica nossa amizade, mas se caso mudar de idéia estarei esperando. Agora com sua licença, preciso fazer a minha boa ação do dia.

 

- Ah é mesmo? E aonde você vai?

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