Ao anoitecer Darcy foi com Charles até a casa dos Bennet, ele já não suportava mais a idéia de ficar sem falar com Lizzy, precisava dela como do ar pra respirar, enquanto cavalgava até lá se lembrou de quando a pediu em casamento, como ela estava linda, ele sabia que seu amor era muito grande afinal conseguiu quebrar o seu orgulho, tudo o que ele acreditou a vida inteira, isso já não mais fazia sentido para ele, pois seu amor era maior que tudo isso. Ao chegarem lá foram recebidos pelo Sr. Bennet que como sempre os tratou muito bem, e em seguida mandou que Kitty chamasse Jane e Lizzy.
Ao saber da chegada de Darcy, Lizzy sentiu sentimentos confusos. Um misto de alegria e depois raiva do que havia acontecido no bendito chá, pensou em não descer, mas foi convencida por Jane que queria muito ver o noivo. Ao chegarem a sala, Darcy pediu permissão ao Sr. Bennet para conversar com Lizzy em particular, além de querer esclarecer o mal entendido com ela, também queria se ver livre da Sra. Bennet que lhe atormentava com suas conversas, deixou isso para Charles que era bem mais paciente. Foram até a varanda da casa. Chegando lá Lizzy foi logo falando:
- Se veio até aqui para me dizer que estou errada, fantasiando coisas, quero avisar que perdeu seu tempo.
- Quero falar sobre isto também. Lizzy entenda não foi intenção de minha tia e de Caroline ofendê-las, inclusive minha tia se ofereceu para cuidar pessoalmente dos preparativos do noivado e do casamento e... - Lizzy nem esperou ele terminar, explodiu.
- E o senhor certamente concordou sem nem ao menos me comunicar.
- Estou lhe comunicando agora e achei melhor, afinal será uma festa para muitos convidados e creio que será melhor minha tia cuidar disso, não acho adequado deixar tudo nas mãos dos empregados.
- Eu concordo que não podemos deixar por conta dos empregados e que não tenho muita experiência em organizar festas, mas deixar por conta de sua tia e de Caroline, não acho boa idéia elas vão dar um jeito de me ridicularizar e...
Lizzy nem conseguiu terminar, Darcy num impulso quase fatal abraçou-a e fixando seus olhos no olhos de Lizzy, sentindo seu coração acelerando, sua respiração estava ofegante. Lizzy encarava-o com medo, medo do seu desejo e do que ela sabia no que iria resultar aquilo. Não podendo mais se conter Darcy a beijou, foi um beijo terno e longo, que fez com que Lizzy tremesse de alegria, de prazer e de amor. Foi um momento mágico, o primeiro beijo, apenas a lua de testemunha, mas Darcy se deu conta do que estava fazendo, do risco que eles estavam correndo, se separou rispidamente de Lizzy, ela ainda se encontrava com os olhos fechados anestesiada com aquele beijo, meio desconcertado ele falou:
- Me desculpe, eu não deveria, ah! Sinto muito... - Lizzy corou.
- Realmente o senhor não deveria. – Disse Lizzy tentando esconder sua agitação.
- Eu sei, mas a amo, é um amor que toma meu ser, não pude me conter quando a vi brava, perdoe-me dizer, mas a senhorita fica extremamente linda quando brava. – Agora Darcy riu um pouco da situação.
- Mas Sr. Darcy não podemos, e se alguém nos visse o que pensaria de nós?
- Eu sei, perdoe-me não se repetirá, mas só Deus sabe o quanto desejei este beijo.
Ficaram em silêncio, apenas se olhando falando apenas com os olhos, e foi fácil entender o que um queria dizer ao outro, que aquele momento foi mágico e inesquecível, e quanto o amor dos dois era verdadeiro e capaz de superar as diversas barreiras.
- E quanto a minha tia organizar o noivado, o que me diz? Já dei minha palavra, você pode ajudá-la, dar sua opinião, por favor, meu amor. E resolvemos fazer a festa aqui mesmo, pois estaremos perto dos seus amigos.
- Sim, mas quero opinar e, por favor, fique atento nas atitudes dela em relação a mim.
- Claro meu amor eu jamais permitirei que alguém, nem mesmo minha tia a machuque, o que não é o caso.
Lizzy ainda queria relutar, mas depois do beijo ela não poderia recusar mais nada, ainda estava leve.
Darcy e Charles foram embora após as despedidas, no caminho Charles estranhou o sorriso estampado no rosto do amigo, mas permaneceu discreto, assim seguiram sem muitas conversas.
Enquanto isso Lizzy passou um bom tempo observando a lua de seu quarto, apesar das inúmeras perguntas de Jane do que havia acontecido para aquele sorriso estar insistentemente em seu rosto, e as diversas recusas de Lizzy em falar, a noite se seguiu calma e cheia de amor no ar.
Os dias se seguiram, os preparativos para a festa do anúncio do noivado das irmãs Bennet estavam a todo vapor, Lady Catherine e Caroline Bingley cuidavam de tudo sem consultar Jane e nem mesmo Lizzy, apesar da condição dada por Darcy de que ela deveria ser consultada.
Faltando aproximadamente três dias para a festa, Darcy e Charles foram até Pemberley resolver algumas coisas e buscar Georgiana para a festa. Toda a alta sociedade foi convidada por isso Lady Catherine exigia dos criados a perfeição, mas Lizzy sentiu algo estranho, porque tanto empenho da toda poderosa de Bourg em sua festa de noivado? Ela estava aprontando algo, Lizzy em vão por diversas vezes tentou descobrir, mas elas eram muito comedidas.
Darcy voltou de viagem acompanhado de sua irmã, Georgiana, que confirmou a sua simpatia por Lizzy, as duas conversaram durante toda à tarde que se passou tão rápido.
Chegou o grande dia da festa do noivado, A casa dos Bennet estava numa agitação, a Senhora Bennet gritava pela casa ensandecida, fiscalizava de perto para ver se Jane e Lizzy estavam bem vestidas, se Kitty e Mary estavam bem arrumadas para impressionar os oficiais, afinal precisava urgentemente casá-las já estavam ficando solteironas. Vendo toda aquela confusão um pobre Sr. Bennet, observando que Lizzy já não suportava mais tudo aquilo, pegou-a pela mão e a levou até o escritório.
- Você está linda, minha filha e Jane também. – disse com os olhos marejados.
- Oh! Papai, o Senhor também está lindo.
- Ainda não acredito que vou perder minha doce e inteligente Lizzy.
- Não está feliz por mim?
- É claro que sim, alias é o que me conforta, ver que você esta realmente feliz. Apesar que...
- Apesar de que o que, papai? – disse Lizzy tentando esconder a sua preocupação.
- Querida Lizzy, eu a conheço muito bem, ao ponto de saber que algo lhe preocupa.
- É, não consigo enganá-lo mesmo. Não sei explicar papai, mas sinto que algo esta errado, é uma sensação estranha, como se algo ruim fosse atrapalhar minha felicidade.
- Lizzy você não deve se preocupar com isso, tem algo de concreto que a leve a essa conclusão?
- Não, quer dizer... É melhor deixar pra lá, o Senhor tem razão nada pode estragar tanta alegria.
- Então vamos deixar de bobagens, antes que sua mãe nos chame aos gritos...
Antes de terminar a frase ele foi interrompido pela Senhora Bennet que entrou no escritório apressando os dois. Lizzy amava sua família, mas sabia que tirando seu pai e Jane, sua mãe e suas irmãs não tinham um bom comportamento, jamais deixaria de querer que elas fossem a sua festa de noivado, mas temia pelo vexame que elas pudessem causar. Atropelando os pensamentos de Lizzy a senhora Bennet falou:
- Vamos estamos muito atrasados, vocês não querem que os noivos pensem que vocês desistiram? Pelo amor de Deus se isso acontecer meus nervos não vão agüentar.
- Tudo bem mamãe vamos, não queremos prejudicar seus nervos.
- Vamos! Jane, Kitty e Mary já estão na carruagem esperando e acreditem Lidya e o Sr. Wickham vieram em uma carruagem mandada por Lady Catherine, que mulher adorável...
- Lidya veio? – perguntou Lizzy sem acreditar.
- Oh! Sim Lizzy, Lidya me falou que receberam o convite e que junto com ele foi uma carta de Lady Catherine dizendo que a presença dos dois era essencial.
Lizzy sentiu um frio no estômago, como Darcy e Georgiana reagiriam com a presença de Wickham? Darcy não suportava nem ao menos ouvir o nome daquele sujeito que quase arruinou a vida de sua irmã. Agora ela estava começando a entender a sensação estranha, Lady Catherine realmente estava aprontando algo, ela só não estava conseguindo relacionar os fatos, e nem teve tempo, pois sua mãe apressou-a, e todos seguiram para a festa.
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