| A Razão - Parte II |
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| Escrito por Eveline |
| Dom, 15 de Fevereiro de 2009 01:42 |
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William Darcy caminha pelo terminal do aeroporto levando consigo duas malas e um semblante triste. Faz duas semanas que deixou a carta na porta de Lizzie e sequer sabe se foi lida ou não. Nâo que ele espere uma resposta, racionalmente. Mas, lá no fundo, seu coração anseia por um retorno, nem que seja negativo.
- Atenção, senhores passageiros. A British Airways informa que o vôo 0911, com destino a Nova Iorque, sofrerá um atraso de 30 minutos para verificação técnica. Enquanto a mensagem é repetida, Lizzie olha mais uma vez para o papel em suas mãos. Não conseguira entregá-la a tempo e essa é sua última chance. Respira fundo e começa:
“Meu querido e amado Willian, se ainda posso chamá-lo assim, Meus dias tem sido escuridão sem fim desde que decidi que nossas diferenças eram maiores do que nossa capacidade de adaptação e até mesmo do que nosso amor. Sinto-me sem alma, vagando, entorpecida, por lugares frios e inóspitos. Não posso descrever o que senti quando li sua carta mas posso dizer que ela foi um catalisador de tudo o que passei nos últimos meses. Não imagine que não pensei em nós: é só o que tenho feito, a cada dia que passa. Pensando e ponderando sobre tudo o que passamos e, principalmente, sobre o que dissemos um ao outro. Não foram palavras terríveis, mas sei que machucaram a você tanto quanto a mim. Tenho estado entorpecida e meu espírito dorme em algum lugar escuro e assustador, esperando que você venha resgatá-lo e o leve de volta pra casa. Por isso, pode imaginar qual foi a minha alegria ao receber sua carta. No entanto, minha razão, aquela que você tanto insistiu em incutir em mim, me dizia que não poderíamos continuar juntos, que seria impossível a almas tão diferentes permanecerem ligadas. Mas eu acordei! Antes de desistir de tudo, eu acordei! Acordei para o fato de que nos amamos justamente por termos almas tão distintas. Porque, entre todos os homens da terra, você é o único capaz de fazer meu sangue correr mais rápido e meu coração bater mais forte mesmo quando não está perto de mim! Eu tenho vivido uma mentira e estou aqui para acabar com ela. Não posso continuar sem seu toque. Sem seu amor. Eu congelaria por dentro! Não posso acreditar que não pude perceber isso antes, mas você estava lá, na minha mente, embora eu estivesse distante. Decidi abrir meus olhos pra tudo isso e vim aqui hoje pra dizer que te amo e não posso continuar sem você. Mas vim também pra dizer que nosso amor é sim suficiente pra vencermos todos os obstáculos e, se em algum momento, ousarmos fraquejar, lembrarei do dia de hoje e da promessa que fizemos no dia de nosso casamento: “te amarei hoje e sempre, ainda que a morte nos separe”. Suas mãos suavam frio e ela toda tremia de emoção. Não sabia de onde tirara coragem pra fazer aquilo e, conhecendo o caráter reservado de Willian, só podia esperar que ele ainda a amasse muito. Só com muito amor ele poderia superar aquele momento constrangedor. A locutora ao seu lado tinha os olhos marejados e remexeu-se em sua cadeira, olhando para a porta. Elizabeth virou-se também e qual foi sua surpresa ao vê-lo ali, também com os olhos marejados, a mão pousada no trinco. Não sabia se ria ou se chorava, tamanha era sua emoção. Como pudera, um dia, pensar em deixar aquele homem? Em lhe recomendar que encontrasse uma outra mulher e tentasse ser feliz com ela? Como pudera dizer que eles não “serviam” um para o outro e que seu amor deveria ser apenas uma boa lembrança a ser guardada na memória? Estivera fora de si, com certeza! E ele estava ali, agora, pra ela... Aproximou-se vagarosamente, observando o nó da gravata meio desfeito, o cabelo bagunçado, a mecha teimosa caindo na testa. Sentiu um impulso de acariciar seu rosto mas sua mão parou a meio caminho. Deixou o braço cair novamente ao longo do corpo, apenas esperando. Ele tinha os olhos úmidos mas ela não tinha certeza do que isso queria dizer. O conhecia tão bem mas, as vezes, até para ela mesma ele era ilegível. William admirou o rosto belo e o sorriso hesitante, quase envergonhado. As lágrimas haviam deixado um caminho molhado nas bochechas dela e os olhos estavam brilhantes. Viu o movimento da mão e seu coração deu um salto quando o braço caiu novamente ao lado do corpo. Não sabia o que pensar mas ,depois de tudo o que tinha feito, não ia deixar aquele momento passar. Estendeu a mão, lentamente, e secou o restante de lágrimas que o rosto ainda conservava. Enquanto fazia isso ela fechou os olhos, como se estivesse apreciando o momento e colocou a própria mão sobre a dele, apenas sentindo. Darcy não resistiu e a puxou para um beijo apaixonado. As bocas moviam-se em sintonia, como se nunca tivessem ficado distantes nem dito coisas desagradáveis. As mãos de Lizzie buscavam ávidas pela sua nuca e costas e ela era toda suspiros. Ele deslizava as mãos pelos seus cabelos, entrelaçando dedos nos fios sedosos. Abraçou-a mais fortemente, para não deixá-la fugir nunca mais. Afundou o rosto em seu pescoço, aspirando o cheiro de que sentira tantas saudades. Aproveitou o momento e sussurrou no ouvido de Lizzie: “te amarei hoje e sempre, ainda que a morte nos separe”.
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