Londres, 01 de novembro de 18**.
Não imagina as saudades que sinto de você e de sua alegria e sorrisos. Por isso mesmo nem imaginar consigo as saudades que papai deve sentir de ti, agora sozinho naquela casa com mamãe e nossas irmãs. Espero logo poder convidá-lo para uma temporada, mas não antes de você, eu acho.
A propósito, recebi uma carta dele a alguns dias. Reclama que já te escreveu duas vezes e ainda não obteve resposta. Lizzie, Lizzie. O que andas a fazer que não consigas escrever ao menos umas breves linhas ao teu pai? De qualquer forma, lembro-te apenas para que fique prevenida pois, se ele chegar a te enviar mais algumas letras, será para repreender-te!
Quanto ao motivo para tanta demora, só posso pensar que ainda está em lua de mel, o que não se constitui em justificativa tendo em vista que eu mesma acabei de me casar e no mesmo dia em que você! Logo, só posso deduzir que o Sr. Darcy é ainda mais gentil e atencioso do que me descreveste anteriormente.
Por favor, Lizzie! Não me deixe nessa agonia de não saber como você está. E nem a papai é claro. Sabe como ele te quer bem, mais do que às outras eu penso. Não faça isso conosco, ou em meu primeiro baile não a chamarei para estar comigo.
PS. Será que o teu nome de casada ficou tão lindo quanto o meu?
Derbyshire, 05 de novembro de 18**.
Primeiramente, peço desculpas pela demora em responder suas cartas. Sei que te preocupas comigo e Jane e imagino como deve ser difícil estar separado de nós, assim como me é difícil estar longe de ti.
Mas o que eu poderia dizer meu pai? Que estou feliz como jamais imaginei ficar um dia? Que William Darcy é o homem mais íntegro, amável, honesto e leal que eu poderia desejar ou esperar encontrar um dia? Tenho certeza de que tudo o que escrevo aqui já é de seu conhecimento, pois, do contrário, não teria me acompanhado ao altar e me entregue a esse homem que tudo faz para me ver feliz.
Quanto às suas preocupações em relação ao meu bem estar, creio já ter respondido satisfatoriamente em minhas linhas anteriores. A minha preocupação, agora, é contigo, meu pai. Desejo ver-te feliz por mim e não apreensivo em relação ao meu futuro ou ao de Jane. Não poderíamos ter melhores expectativas do que as atuais e espero que te dediques, agora, à educação de Kitty e Mary. Nisso, no que me for possível, irei ajudá-lo.
Por isso, lhe peço que me envie as duas, para que possam passar as festividades do nascimento de Cristo e a passagem de ano em Pemberley. Teremos uma festa aqui e creio ser interessante a participação delas, para que possam conhecer um pouco mais sobre como se comportar na sociedade.
Espero ter-lhe minorado as preocupações e também espero vê-lo em breve, tamanha é a minha saudade. Mande meus beijos e abraços de saudade à mamãe e também a Kitty e Mary.
Derbyshire, 06 de novembro de 18**.
Por conta de sua preocupação com nosso pai atrasei sua correspondência em pelo menos um dia, dada a urgência que me fizestes ter em relação a ele. Assim, espero que tanto você como ele se acalmem. Sendo você a filha mais velha, creio ser seu direito, também, o de ter nossos pais em sua casa primeiro. Para que tudo seja mais tranqüilo, escrevi ontem a papai pedindo que me envie Kitty e Mary para as festividades de dezembro. Assim, apenas ele e mamãe estariam contigo para o fim de ano.
Eu adoraria tê-la comigo já em dezembro mas, ao que parece, nossos maridos acertaram que nos encontraremos apenas para a temporada em Londres. Sei que, em parte, isso se deve aos negócios de William no Derbyshire, mas sei também que meu marido tem outros motivos sobre os quais não posso lhe falar a não ser pessoalmente.
Por enquanto, minha vida tem sido apenas felicidade. Pemberley é linda e tem recantos maravilhosos, que satisfazem até o menor dos passeios. Um pouco de apreensão vem somente com o jantar de natal, para o qual Willian convidou boa parte de seus familiares e no qual serei a anfitriã, oficialmente, pela primeira vez. É claro que já organizamos pequenos saraus e almoços, com poucos convidados, mas nada se compara ao que ele pretende agora.
Serão cerca de 50 convidados, dos quais a maioria eu provavelmente não conheço e que estarão aqui apenas para julgar como me saio como a Sra. Darcy. Serei como um animal numa jaula de zoológico, sendo observada por todos. Espero que não me joguem bananas ou algo pior!
Mas.... já falei muito de mim e não perguntei nada de ti. Como você está minha querida? Já se tornou amiga de todos os empregados, e conselheira de todas as camareiras? Se ainda não fez isto, não te reconheço! E Charles? Conte-me mais sobre ele. Será ele tão gentil e amável quanto o amigo?
Jane, não leve tão a sério minhas palavras. Se brinco, é por saudades de ti. Faço votos de que nos encontremos em breve, apesar das determinações de nossos amados esposos. Que eles sintam tanta saudade um do outro como eu sinto agora de ti.
PS. Ambos os nomes de casada são lindos, mas aqueles que os compartilharam conosco são ainda mais maravilhosos.
Londres, 16 de novembro de 18**.
Recebi sua correspondência apenas ontem e já despachei uma outra a nosso pai convidando-o para o fim de ano. Espero que tenhas pensado muito bem sobre o que será ter Kitty e Mary contigo, quando terá tantas responsabilidades pela frente. Conforto-me ao saber que Mrs. Reynolds é uma ótima governanta e tenho certeza que a ajudará o que lhe for possível.
Se precisar de alguma ajuda, não hesite em me chamar, embora eu pense que William e Charles não ficariam nada contentes com isso.
Já tens a lista definitiva dos convidados? É bom que saibas com certa antecedência para fazer a marcação dos lugares e definir os pratos a serem servidos. E a decoração? Como será? Já começou a enfeitar Pemberley? Ficará linda!
Não se preocupe tanto em relação aos convidados! Sei que será uma anfitriã exemplar e deixará Darcy orgulhoso de te ter por esposa.
Fui obrigada a deixar sua carta de lado pois recebi um bilhete de Charles, avisando que Caroline e seu noivo virão para o natal. Terei agora minha cunhada e nossos pais. O que acha disso? Será que Caroline se entenderá com nossa mãe?
Espero que sim! Caroline tem sido muito boa para mim desde o casamento. Creio que finalmente percebeu que Charles e eu realmente nos amamos.
Sei o que está pensando agora Lizzie! Que Caroline finge. Mas acredito que tenha mudado após o noivado. Keith é um nobre e faz tudo o que ela quer. Está irremediavelmente apaixonado e espero que ela retribua esse sentimento.
Enfim, espero que tudo corra da melhor forma possível tanto para mim quanto para você. Charles manda um abraço a você e a William.
Muitos beijos pra você, irmã querida!
Jane.
Longbourn, 16 de novembro de 18**.
Muito me alegrou receber sua carta quando já estava prestes a sair de minha confortável biblioteca e abalar-me até o Derbyshire somente para conferir como estavas. Levando em consideração o que escreveste, meu espírito já está calmo pois sei que serias incapaz de mentir para seu pai, ainda que através das letras.
Sim, sou muito feliz por ti minha filha. Tenho certeza que terás a felicidade que merece e mais ainda do que apenas isso, ouso dizer.
Agradeço o convite a suas irmãs e informo que as enviarei no dia 1º de dezembro próximo. Aviso de antemão que ambas estão em polvorosa com a possibilidade de finalmente conhecer Pemberley. Espero que tenhas uma programação bem cansativa para elas. Assim, a noite, não terás grandes preocupações.
Sua mãe reclamou demais, como sempre, mas logo se conformou e, ao que parece, gastará todas as nossas economias para pô-las bonitas em sua casa e, quem sabe, angariar um bom partido durante a estadia no Derbyshire. Sendo assim, minha querida, prepara-te e convida os mais belos homens que estiverem disponíveis, de preferência com uma bela fortuna, pois só assim satisfará as necessidades de sua mãe.
Deixo-te agora com essas palavras pois ainda tenho que atender à tua mãe, que não para de me rondar e também escrever a sua irmã Jane.
Seu pai, Eicket Bennet.
Longbourn, 16 de novembro de 18**.
Muito me alegrou receber sua carta e seu convite. Se antes eu tinha sua mãe e suas irmãs em polvorosa pelo convite de Elizabeth, agora as tenho também em polvorosa pelo teu convite! Mas não me leve a mal, minha querida. Nada me dá mais prazer do que estar contigo e seu esposo, a quem já estimo como a um filho.
Estou muito feliz com a tua felicidade e tenho certeza que você será ainda muito mais feliz do que isso. Você é doce e amorosa e a vida não poderia lhe proporcionar nada menos do que isso.
Peço desculpas pela brevidade de minha carta mas tenho a meu favor o forte argumento de que tua mãe e tuas irmãs tem milhares de coisas a ajeitar antes de partir e não me deixarão em paz se eu não ajudá-las. Nem minha biblioteca me salvaria disso.
Iremos até Elizabeth e, após deixá-las em Pemberley, rumaremos para sua casa, portanto devemos chegar em sua casa por volta do dia dois de dezembro.
Derbyshire, 25 de novembro de 18**.
Acredite-me, não pensei mal de Caroline. Não nos primeiros segundos, claro! Sabe muito bem o que penso de sua cunhada mas, se ela está feliz e te deixa ser feliz, só a congratulo por dedicar-se à própria vida. Espero que esse nobre Keith saiba lidar com ela da maneira mais adequada e, se está apaixonado, tanto melhor. Talvez assim Caroline encontre dentro de si o verdadeiro amor e possa, enfim, saber o que eu e você sentimos por nossos maridos.
Pemberley está linda! Gostaria muito que estivesse aqui para vê-la nessa época! Temos uma árvore lindamente decorada no hall principal e outras menores nas demais salas. As lareiras estão enfeitadas e todos os criados usam uniformes especiais. Isso foi, claro, idéia minha. Cansa-me vê-los de preto e branco todos os dias, então aproveitei a data para alegrar tudo a minha volta.
Meu próprio quarto está maravilhoso. Decorei-o pessoalmente nos últimos dias. Coloquei cortinas brancas nas janelas, com brocado vermelho por cima, que deixo quase sempre aberto. Minha cama está com forro vermelho e almofadas brancas, assim como os detalhes de meu toucador. No quarto de banho pus toalhas brancas e pétalas de rosas para aromatizar a água.
Como nossa família deve chegar na próxima semana e passar aqui pelo menos um dia, separei um quarto especialmente para nossos pais e outros dois para Kitty e Mary. O de Kitty é todo cor-de-rosa e florido. O de Mary é azul e tem muitas partituras a disposição dela. Espero que possa treinar mais durante sua estada pois pretendo contratar-lhe um professor a partir de janeiro.
Oh, Jane! Estou muito ansiosa com tudo o que está por vir! Mas já segui seu conselho e estou estudando sobre todos os nossos convidados. Faço William falar-me deles quase todas as noites. Tenho todo o cardápio já elaborado e Mrs. Reynolds já começou a providenciar os itens não perecíveis que iremos precisar. William está escolhendo todas as bebidas adequadas ao que elaborei. Enfim, creio que será um bom natal. Apenas não será perfeito por tua ausência, o que compensaremos no próximo ano, tenho certeza.
Conte-me de seus preparativos e convidados. Depois veremos quem de nós será mais avaliada ou receberá mais críticas. Mas já lhe informo que está em desvantagem, pois Lady Catherine de Bourg também virá me fazer companhia! Nem Caroline faria melhor do que ela.
Londres, 02 de dezembro de 18**.
Enquanto escrevo esta carta provavelmente nossos pais ainda estão em sua casa. Estou muito ansiosa para recebê-los aqui.
Sinto que Lady Catherine seja tão crítica na maior parte do tempo mas sei que você saberá lidar com isso muito bem e sei também que Darcy irá apoiá-la totalmente. Procure apenas não ficar muito tempo perto dela, a não ser que seja extremamente necessário. Coloque-a perto dos convidados mais importantes e tenho certeza que ela ficará satisfeita boa parte da noite.
Não imagina como estou ansiosa por receber tantos convidados em minha casa também. Além de Caroline e o noivo virão também os tios de Charles, nossos pais, claro e também duas ou três das primas da família. Caroline, claro, já tem um quarto seu em minha casa mas para os demais ainda estou preparando tudo. Eles devem chegar na próxima semana e ficar até o ano novo. Contratei mais duas empregadas pois Mr. e Mrs. Smith ficariam sobrecarregados por agora.
Minha casa está linda mas, por ser menor do que Netherfield, não pude fazer tudo o que gostaria. Afinal, tenho que deixar espaço para os convidados se sentarem e circularem. Também já estou com o cardápio e a carta de vinhos pronta, só restando alguns retoques finais e a confirmação de todas as pessoas que Charles chamou.
Imagine que Caroline chegou ontem e já está ansiosa pela chegada do noivo? Keith chegará apenas no dia 15, pois tem negócios a tratar em Leeds e não quer deixar nada pendente antes do casamento que, pasmem, já está marcado para a segunda semana de janeiro. Não se surpreenda se te chegar um convite nos próximos dias!
E Georgiana, como está? Estive tão distraída ao te perguntar dos preparativos que me esqueci de lhe perguntar dela!
Derbyshire, 10 de dezembro de 18**.
Nossos pais já devem estar contigo por agora e espero que tudo esteja caminhando bem. Mary e Kitty estão bem animadas mas assim que mamãe e papai saíram para sua casa fiz questão de ter uma conversa séria com as duas. Mary entendeu um pouco melhor o que pedi e conformou-se em tocar piano apenas na saleta íntima. Já Kitty reclamou um pouco mais mas depois de ver o próprio quarto mudou completamente de idéia e está disposta a acatar minha orientações. Claro que elas fazem tudo isso porque querem ficar um tempo maior em Pemberley mas se ajudá-las a amadurecer um pouco mais dou-me por satisfeita.
Lady Catherine chegou no dia de ontem, acompanhada de sua filha Anne que me parece cada vez mais doente. Estou planejando separá-las um pouco e incentivar as meninas a dar alguns passeios com a pobre moça. Espero que dê certo já que Lady Catherine, como sempre, já encontrou defeitos em toda a minha casa. Felizmente Mrs. Reynolds tem a mão forte e sempre que minha estimada tia quer lhe impor alguma opinião ela consegue se sair admiravelmente bem, afirmando que acata somente as ordens da senhora da casa. Temo que a Lady não seja tão Lady nesses momentos mas ainda não se dirigiu diretamente a mim sobre esse assunto.
Temos a previsão de que o Coronel Fitzwilliam chegue amanhã pela manhã mas não há nada certo ainda. Pode ser que qualquer coisa o tenha atrasado no caminho. Georgiana também está vindo, voltando de seu último ano no colégio interno. Será apresentada à sociedade na próxima temporada e a previsão é de muitos bons partidos para ela. Veremos como se sairá e quem tentará passar por Darcy, que a protege como se fosse um bebê indefeso!
Despeço-me agora visto que tenho visitas chegando e espero ter novidades mais interessantes para você na próxima carta. Você ficará tão surpresa minha querida!!! Mil beijos, irmã adorada!
Londres, 15 de dezembro de 18**.
Deixaste-me tão curiosa que não pude esperar um minuto após ler sua carta para começar a te responder! Que novidades são essas? Por favor, não deixe de me contar na próxima correspondência! Sabes como fico impaciente, ainda mais estando longe de ti. Não abuse, pois faço Charles ir até sua casa lhe arrancar essa novidade. Sabe como Londres é entediante nessa época do ano. Não sou Lydia mas também preciso de distração!
Charles está ao meu lado, querendo saber o que me leva a te responder tão rapidamente. Nem ouso contar-lhe. Poderá achar futilidade.
Tenho certa estima pelo Coronel Fitzwilliam. Pelo pouco que conheci dele em nosso casamento creio ser um homem de bem.
Sei que não sou uma velhota casamenteira mas sabe o que me ocorreu agora? Anne e o Coronel fariam um belo casal, não acha? Ele tão alegre e sempre bem disposto! Daria um novo sopro de ar à vida de Anne. E creio que Lady Catherine não se oporia a uma união entre os dois.
O que pensa Lizzie? Estou delirando ou acha isso possível? Não te custa dar uma espiada não é mesmo?
Sinto-me como Charlotte agora, mais observadora do que o meu normal.
Keith, meu futuro cunhado, chega hoje, ao final da tarde. Caroline está extremamente ansiosa, arrumando tudo o que vê pela frente. Juro que nunca pensei vê-la assim, mas fico feliz por ela.
Infelizmente, tenho que me despedir agora. Faremos um jantar de recepção para ele e ainda tenho que verificar algumas coisas na cozinha.
Mande abraços meus e de Charles a William e também à Lady Catherine. Espero ter notícias suas ainda antes do natal sim?
Derbyshire, 26 de dezembro de 18**.
Que imaginação fértil a sua! E talvez bem colocada, embora em relação à pessoa errada, eu temo dizer. Vejamos se, com o pouco tempo que tenho de privacidade, consigo lhe dizer tudo o que aconteceu por aqui.
Georgiana está uma linda moça e talvez eu deva dizer uma linda mulher, embora William discorde de mim. Pobre William. Logo terá de concordar comigo, contra sua própria vontade.
Apesar de meus receios a recepção foi um sucesso. Até mesmo Lady Catherine esteve menos ferina que de hábito. Nossos vizinhos Darkstones compareceram e Lady Giulliana foi especialmente agradável com ela. Imagine que Giulliana não a deixou chegar perto de mim a noite toda? Embora mais nova do que eu ela tem sido uma boa amiga desde que cheguei à Pemberley e os bosques de Darkwood, a propriedade da família, são especialmente agradáveis nos dias ensolarados.
Georgiana tocou belas músicas para nós e até mesmo Mary se arriscou em uma melodia na qual, felizmente, agradou a todos. Anne, que eu pensava não saber tocar, também se apresentou em duas canções e foi bastante admirada por todos os convidados.
Ela, após estes dias por aqui, me parece outra pessoa. Está mais corada e comunicativa e caminha diariamente na companhia de Georgiana e do Coronel Fitzwilliam. E a primeira novidade que tenho a te contar refere-se às estes dois últimos. Deram-me um belo presente de natal! Mais cedo no dia de ontem, antes do almoço, o Coronel solicitou uma audiência reservada com William e conversaram a portas fechadas por cerca de uma hora. A princípio estranhei a impaciência e relativa palidez de Georgiana mas, preocupada que estava com o almoço, não me detive muito no assunto.
Qual não foi minha surpresa ao almoço quando William levanta-se, todo sorridente, e anuncia a todos o noivado de Georgiana com seu primo, o Coronel? Até mesmo eu, que sempre estive atenta aos dois, não pude evitar ficar boquiaberta. Mas via-se pelo semblante de ambos que a união não será apenas conveniência. No entanto, para certificar-me disso, conversei seriamente com Georgiana, embora não deseje assumir o papel de sua mãe.
Que doce menina ela é! Mas mostrou-me também a mulher forte e decidida em que se tornou. Está apaixonada sim pelo Coronel e ele corresponde aos seus sentimentos. Por isso levavam sempre Anne em seus passeios. Após a experiência traumática com George Wickham, ambos queriam ter a certeza de fazer tudo corretamente, no que os apóio incondicionalmente.
Infelizmente, tenho que deixar-te neste momento, querida Jane. O dever me chama, segundo Mrs. Reynolds. Algum problema que só a Mrs. Darcy pode resolver! Não ria de mim por favor.
Londres, 31 de dezembro de 18**.
Por acaso a senhora Darcy quer deixar sua irmã mais velha doida ou desesperada? Abri ansiosamente sua carta, ansiando por saber as novidades tão anunciadas e eis que me anuncias apenas um casamento? E os presentes? O que deste para seu marido? E o que ganhou dele? Mrs. Reynolds poderia ter esperado pelo menos mais uma hora, não acha?
Que felicidade sinto por Georgiana, minha irmã! Embora eu tenha pensado inicialmente em Anne, vejo felicidade da mesma forma. E continuo desejando que Anne encontre alguém. Tenho certeza de que acontecerá, cedo ou tarde.
E Lady Giulliana! Que bom saber que já tens encontrado alguém para chamar de amiga. Sinto falta disso aqui em Londres, onde todos são mais distantes e frios do que o normal.
Minha recepção foi tão bem sucedida quanto a sua. Caroline não largou do noivo um só minuto e, para espanto de todos, anunciou o casamento para fevereiro, no dia 5. Espero que você já saiba disso. Ela me disse que enviaria o convite a vocês no dia 26 pela manhã.
Charles me deu de presente um lindo colar de pérolas e, adivinhe só, preparou meu o café e o levou no quarto para mim na manhã de natal. Lizzie, a cada dia que passa percebo que meu amor por ele só aumenta.
Presenteei Caroline com um lindo enxoval de banho, que bordei com as iniciais dela e do noivo. Para Charles consegui que Keith me ajudasse a comprar-lhe um cão de caça, que ficará em Netherfield House. Charles adorou e deu-lhe o nome de Tom. Para as primas dele e de Caroline comprei outros presentes dos quais não me recordo agora pois meu marido tem muitas primas!
Querida irmã, desejo-te muitas felicidades para o ano que se aproxima. Que seu casamento seja ainda mais feliz e que possa produzir muitos frutos. Sabe que eu te amo como a mim mesma. Embora muitas vezes você pareça ser a mais velha, ainda é a minha irmãzinha, que sempre olha por mim e por toda nossa família. Lizzie, muito obrigada por sua dedicação. Te amo muito!
Beijos e abraços e sorrisos, que Charles também te envia.
Derbyshire, 05 de janeiro de 18**.
Sinto não ter escrito tudo o que desejava na última carta mas conheces Lady Catherine. Põe-me maluca a todo o tempo. Mas informo que já recebi, sim, o convite de Caroline. Espero e desejo, sinceramente, que ela seja feliz.
Darcy presenteou-me com algo que eu sempre desejei fazer! Uma viagem pelos lagos, no próximo verão, apenas nós dois. Fiquei tão feliz que ele até se surpreendeu e ameaçou guardar o segundo presente que havia me comprado: um lindo colar com pingente de coração acompanhado de brincos semelhantes. Lindos!
Para Georgiana comprei novas partituras e também um lindo vestido azul claro, bordado com predarias. Minha intenção era que ela o usasse em sua apresentação à sociedade, mas agora que já está noiva ela me confidenciou que o usará na festa do anúncio oficial de seu noivado. Sinto-me imensamente lisonjeada e feliz por isso.
Mary e Kitty também ganharam vestidos e, além deles, partituras para Mary e livros para Kitty. Ela tem demonstrado um gosto tão incomum pela leitura que não perderei a chance de incentivá-la. Também pudera! Nossa biblioteca é invejável e, se não fossem minhas responsabilidades em relação à Pemberley, passaria boa parte de meu dia lá.
Para o Coronel Fitzwilliam deixei que Darcy se encarregasse do presente assim como o de sua tia, pois os conhece muito melhor do que eu. Meu presente para Anne foi convidá-la para uma temporada em minha casa. Embora sua mãe se mostrasse contrariada, ela saiu-se muito bem em convencê-la, mostrando uma força de caráter desconhecida para mim. Lady Giulliana tem um irmão e tenho a impressão de que muito dessa força ela tirou do fato de que ele também ficará na região durante o inverno, hospedado na propriedade Darkwood. Farei o que puder para ajudá-los a se entender.
Agora todos já foram embora com exceção de nossas irmãs, claro, e de Anne também. Hoje mesmo os Darkstone deverão jantar conosco e ela está muito animada, procurando ajudar em tudo o que pode.
Falando em Darkstones, Giulliana trouxe-me hoje pela manhã um lindo presente: uma caixa de música com bailarina que é a coisa mais linda que já vi em artesanato. Estou encantada!
Mas o mais importante, que desejei te contar já da última vez se trata de meu presente para Darcy. Antes de descermos para nossa festa de natal, chamei-o até meu quarto de vestir. Ele estava tão lindo em seu smoking, e tão sério também.
Tenho certeza de que nem imaginava o que estava esperando por ele. Beijei-o e disse que queria lhe dar o presente antes de qualquer outro, pois o dele era o mais especial para mim. Foi nesse momento que ele começou a olhar em volta, procurando por algum embrulho. Vi sua cara de dúvida, ao me olhar de volta. Ele estava bem perdido e eu não resisti a rir dele. Não sei se ele ficou muito feliz com minha atitude mas quando o beijei novamente e, durante o beijo, levei sua mão até minha barriga senti automaticamente sua mudança.
Ele ficou tão quieto que até tive medo de que não houvesse entendido o que quis dizer mas quando levantei meu rosto encontrei o sorriso mais lindo que já o vi dar! Ele me abraçou e rodopiou comigo pelo quarto, Jane, rindo e dizendo não acreditar em tanta felicidade mas eu é que não acredito em tamanha felicidade pra mim!
Pode imaginar minha irmã? Eu estou grávida! Grávida! Estou tão feliz, mas tão feliz que quase não sei o que fazer com tamanha felicidade a não ser irradiar por toda a Pemberley como estou feliz!
Te desejo, neste ano que se inicia, toda a felicidade que sinto neste momento. Que o ano que se inicia traga ainda mais alegria! Que nossas famílias sejam abençoadas por Deus e que Ele esteja presente sempre em nossas vidas, nos guardando e nos protegendo. Que nossos amigos sejam tão abençoados quanto nós somos e que, se nossa história for escrita e talvez lida, daqui a muitos anos, aqueles que a lerem possam saber que a felicidade é sim possível apesar dos maus momentos que possamos enfrentar.
E, se um dia, o Natal e a passagem de ano se tornarem banais e pouco valorizadas, eles possam nos ler e ver que sempre pode haver um motivo pra começar ou recomeçar, pra tentar mais uma vez ou apenas para continuar e seguir em frente, apesar de tudo!
Eu te amo, minha irmã, e espero que possamos ser muito mais felizes ainda!
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