Citações

Sua arrogância e pretensão me fazem pensar que você seria o último homem no mundo com quem eu me casaria. (Jane Austen)

Entre o Céu e a Terra - Capítulo XIII

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Capítulo 13

 

Na antevéspera do Natal, eu e Charlotte voltamos para Londres acompanhada por Collins, que solicitamente insistira em nos levar. Eu observava minha sensata amiga se desmanchando em sorrisos, estranhamente atraída por alguém tão diferente dela, enquanto Collins tecia longos comentários no qual eu não conseguia fixar minha atenção e acabei adormecendo durante a maior parte da viagem.

 

Foi o Natal mais solitário que passei, mesmo estando cercada por tantas pessoas. Os pacientes que adentraram a emergência precisavam de toda atenção possível e o conforto de alguém para tentar amenizar sua dor, e eu não devia ser egoísta em pensar em meus problemas pessoais, que só o tempo poderia resolver. Mas a lembrança de William me apertava o coração, mesmo que eu me esforçasse em ocupar minha mente com outros assuntos. Onde e como ele estaria? Estaria com alguém ao seu lado? Uma outra mulher? Jane já conseguira uma colocação em outra instituição e talvez fosse melhor eu fazer o mesmo para continuar a minha residência.  William retornaria apenas depois das festividades de fim de ano, e se eu conseguisse outro hospital antes disso, não nos veríamos mais.

 

Profissionalmente eu tinha uma justificativa concreta para sair do Remembrance: partiria em busca de um lugar onde houvesse mais campo para a neurocirurgia, especialidade que de fato eu desejava seguir.  Eu tinha que dar outro rumo em minha vida e também prometera a mim mesma que não me envolveria novamente com nenhum outro médico com quem trabalhasse.  Mas a verdade era que eu não estava certa de que não quisesse mais rever William, ainda que estar perto dele me causasse dor.

 

A semana entre o Natal e Ano Novo passou numa velocidade impressionante, e estando livre dos plantões, eu já estava pronta para viajar a Rosings Park com Charlotte, enquanto Jane, que retornara após o Natal, se preparava para voltar a Longbourn para o fim do ano.  Eu me sentia um pouco culpada em não passar estes dias com minha família depois de trabalhar durante o Natal, e pensei em acertar com Charlotte para que ela fosse sem mim, mas me senti na obrigação de apoiá-la, entendendo que ela ficaria constrangida com a situação por conhecer meu primo Collins há pouco tempo.

Quando Jane e eu estávamos deixando o apartamento para viajar, nos surpreendemos ao encontrar Charles Bingley.   Os cabelos desalinhados e o rosto abatido o faziam parecer uma outra pessoa, muito diferente do homem que antes conhecíamos, e mesmo aborrecida com ele pelo que fizera a Jane, não consegui deixar de sentir um pouco de compaixão pelo seu estado.  Seu olhar encontrou o de Jane e eu fiz menção de me afastar para que pudessem conversar mais à vontade, mas ela segurou meu braço para que eu não fosse.

 

− Jane... Eu estava esperando por você.  O porteiro disse que ainda não tinha saído.

 

Jane ficou em silêncio, mas eu podia perceber o quanto a presença dele a afetava.

 

− Sei que não tenho o direito de pedir que me perdoe depois de tudo que aconteceu. – Charles prosseguiu ainda mais intimidado. − Mas... não consigo parar de pensar em você.

 

− Então agora está seguro do que sente por mim?

 

Foram poucas as vezes em que vi Jane usar um tom tão cortante com alguém, mas mesmo desejando aplaudir a sua atitude firme diante de Bingley eu sabia que não refletia exatamente o que ela sentia. Charles olhou para nossas malas, parecendo notá-las só naquele instante:

 

− Vão viajar?

 

− Vamos. – Respondeu Jane laconicamente, sem dizer aonde íamos, deixando claro que preferia vê-lo pelas costas o quanto antes.   Eu não queria mesmo estar no lugar de Bingley naquela hora.

 

– Devem estar com pressa...  Não quero retê-las por mais tempo. – Charles parecia desconcertado, considerando provavelmente que não escolhera um bom momento para nos abordar e respirou fundo antes de concluir. – Mas eu soube que está deixando o Remembrance, Jane. Não sei quando vamos nos ver outra vez e queria lhe perguntar se há algo que eu possa fazer para termos outra chance... outra chance juntos...

 

Aquelas palavras pareceram ter sido arrancadas do fundo do coração de Charles tal a dificuldade que ele teve em pronunciá-las.  Dizê-las na minha presença ainda devia tornado tudo mais difícil para ele, levando em conta sua natural timidez.  Embora fosse minha irmã e tudo aquilo fosse real, eu me senti assistindo a uma cena de cinema, curiosa para saber qual seria a reação da protagonista.  Jane não conversara mais comigo sobre Charles desde o rompimento entre os dois e eu havia respeitado sua reserva, mas me perguntava agora o que ela ainda sentiria por ele:

 

− Não há nada que possa fazer, Charles.  Sinto muito.

 

Jane agora não se mostrara sarcástica, apenas fria, muito fria, e isto deveria estar doendo muito mais em Bingley do que o sarcasmo a que ela recorrera antes.  Ele acusou o golpe, embora provavelmente não pudesse esperar nenhum resposta muito diferente daquela depois do que fizera.

 

− Precisamos ir agora. Meu trem parte às dez horas. – Jane concluiu despedindo-se.

 

− Eu posso levá-las. – Respondeu Charles ainda desnorteado pelo diálogo malsucedido, porém tentando ser cavalheiro.

 

Não seria muito fácil conseguir um táxi naquela rua movimentada de Londres às vésperas do Ano Novo, e troquei um olhar com Jane indicando que ela deveria abrir mão de seus sentimentos por algum tempo para que conseguíssemos chegar à tempo na estação.  Percebi que ela não aprovava minha ideia, mas como não disse nada, fui eu a responder:

 

- Vamos aceitar sua gentileza, Charles.  Já estávamos atrasadas.

 

Eu me sentei no banco da frente para evitar mais constrangimentos entre ele e Jane.  Felizmente o trânsito estava bom e chegamos rapidamente à Estação de St. Pancras.

 

http://history-of-architecture-frank.wiki.uml.edu/file/view/StPancras_ext.gif/226789610/StPancras_ext.gif

 

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a1/Image-The_Arcade_at_St_Pancras_railway_station_2.JPG/800px-Image-The_Arcade_at_St_Pancras_railway_station_2.JPG

 

Eu me despedi de Jane, observada de longe por Charles que nos ajudara a levar as malas às pressas dentro da estação, a despeito da expressão de contrariedade de minha irmã, que partiu sem que pudéssemos conversar sobre o ocorrido em particular.  Meu trem ainda demoraria algum tempo e eu ficaria à espera de Charlotte.  Assim que o trem de Jane partiu, Bingley se aproximou de mim:

 

− Não quero incomodá-la, Elizabeth.  Teria algum tempo para conversarmos?

 

O que ele iria me dizer? Talvez desejasse que eu interferisse em seu favor, mas além de Jane não parecer aberta a nenhum tipo de comentário que eu pudesse fazer, eu também não me sentia muito favorável á sua causa, a despeito da piedade que sua aparência inicialmente havia me inspirado.

 

− É sobre William.  – Ele completou, como se lesse meus pensamentos. – Eu sei que pensa que ele foi o responsável por eu ter rompido com Jane.  Mas não o culpe, Elizabeth. Ou pelo menos não o culpe mais do que a mim, que sou o verdadeiro culpado.  Tenho um histórico antigo de relacionamentos infelizes que Darcy conhece bem.  As coisas quase sempre deram errado por eu ser muito impulsivo...  William imaginou que isto fosse acontecer outra vez, embora estivesse errado sobre Jane.  Mas preciso ser sincero com você, Elizabeth, ele não estava errado sobre mim ...

 

− O que quer dizer, Charles? – Perguntei-lhe intrigada com sua última frase.

 

− Era eu quem não estava seguro sobre o que sentia... Por mais que dissesse a mim mesmo, que havia encontrado a mulher da minha vida, eu não tinha certeza, Elizabeth. Por isso bastou um comentário, uma suspeita de que eu pudesse estar errado sobre os sentimentos de Jane por mim para que eu fraquejasse ...

 

Ele estava sendo corajoso ao se abrir comigo daquela maneira, pois certamente isso não o ajudaria em nada com Jane.  Mas contava a seu favor que ele estivesse sendo honesto.

 

− Se eu então tivesse consciência de que a amava de verdade, não teria agido daquela forma.  Ironicamente, só depois de tudo percebi o quanto estava errado ... Fui um tolo. Sou o verdadeiro e único culpado e infelizmente parece que não há mais conserto.

 

Ainda que merecida, percebi o quanto a sua dor era profunda e contra a minha vontade senti empatia em relação aos sentimentos dele, por saber como era terrível aquela sensação de irremediabilidade do próprio erro.

 

− William me contou que tudo ia bem entre vocês, até que soube de mim e Jane.  E me pediu desculpas pelo que me disse, Elizabeth, e deve saber que para Darcy isto é muito difícil.  Não acha que pode dar uma nova oportunidade a ele?  Espero que ao menos alguém mais possa ser feliz ...

 

Charles estendeu sua mão para apertar a minha e partiu.  Eu fiquei digerindo suas palavras, concluindo que se fosse encarar todo aquele contexto racionalmente, não se tratava de apagar erros, mas de perdoá-los, tanto para mim como para Jane.  Mas quem disse que era fácil perdoar?

 

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Trilha Sonora:

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Love Story - Taylor Swift

 

Charlotte chegou em cima da hora, mas ainda conseguimos pegar o trem para Rosings a tempo.  Quando chegamos, um sorridente Collins nos esperava na estação para fazer o restante do trajeto conosco até a residência de Lady Catherine de Bourgh.  A mansão era bastante imponente, embora nem tanto como Pemberley, pensei lembrando-me do impacto que sentira ao ver pela primeira vez a propriedade dos Darcy. Depois que nos acomodamos, Collins cerimoniosamente nos informou que Lady Catherine estava pronta a nos receber e nós caminhamos do pitoresco cottage onde ele residia enquanto fazia suas pesquisas para a casa principal.

 

Havia um luxo austero e intimidador por toda a parte e ao conhecer a dona da casa compreendi a razão. Era fácil perceber apenas pelo olhar o quanto Lady Catherine de Bourgh era autoritária, embora ao seu próprio modo parecesse querer o melhor para todos, desde que isso também fosse o que ela achasse melhor.  Collins nos apresentou à já idosa senhora, embora ainda bela como uma das damas dos quadros de seus antepassados.  Eu fiz uma pequena mesura antes de apertar sua mão e a de sua filha, Anne, um pouco mais velha do que eu, mas com uma aparência frágil se comparada à força que emanava da mãe. Nos sentamos em uma ampla sala, aguardando que o jantar fosse servido.  Charlotte parecia apreciar tudo com gosto, mas eu não podia reprimir uma insatisfação anterior por estar sendo examinada por Lady Catherine, que antes havia esquadrinhado e aprovado Charlotte cuidadosamente.  A dona da mansão ao olhar para mim não pareceu gostar muito do que via.

 

− Eu soube que tem cinco irmãs, Drª. Elizabeth Benett. – Disse Lady Catherine finalizando sua inspeção pessoal.

 

− Sim senhora, somos cinco.

 

− Não deve ter sido fácil para seus pais cuidarem de tantos filhos. Não é comum hoje em dia.

 

Seu tom parecia reprovar o fato de que meus pais tivessem colocado tantas crianças no mundo.

 

− De fato, Lady Catherine, mas nunca nos faltou o que era verdadeiramente necessário: o amor e carinho.

 

− Eu só tive Anne. – Ela pareceu nem ouvir minha resposta. − Deus me incumbiu ainda de cuidar de William e Georgiana, e tentei fazer o melhor que pude, apesar de nem sempre eu ser ouvida por meus sobrinhos e por minha filha...

 

Ela parecia não propriamente decepcionada, mas indignada pelo fato de que sua opinião nem sempre tivesse o apreço que ela achasse merecido.  Neste momento se aproximaram dois homens, que não pude distinguir com clareza a distância.  Quando estavam mais perto percebi que o primeiro tinha cabelos louros bem escuros, barba e olhos azuis.  E o segundo... era William Darcy!  Claro, ele havia mencionado que fora criado por uma tia, longe de Pemberley, mas os nomes não haviam se fixado em minha memória... Então Lady Catherine era tia de William, e sua influência sobre ele explicava facilmente o seu temperamento forte...  Sentimentos desencontrados agitavam meu coração quando ele me cumprimentou, não parecendo surpreso ao me ver, o que foi percebido por Lady Catherine.

 

− William, já conhecia Elizabeth Benett?

 

− Sim.  Trabalhamos juntos.

 

Os olhos perspicazes dela pareceram adivinhar que havia mais do que isso entre nós, mas ela nada comentou.  A expressão de William era de expectativa e eu detectei uma ansiedade incomum no normalmente controlado Dr. Darcy. E quanto a mim eu não sabia bem o que fazer nem o que pensar, mas não conseguia reprimir um sentimento de felicidade inconsequente por ele estar tão perto de mim outra vez.  Jantamos, sendo servidos por criados à francesa, e eu pensei que era bem melhor viver em um ambiente mais simples como era nossa casa em Longbourn.  Não devia ter sido fácil para crianças crescerem nesta mansão.

 

− Sua família está bem? – Perguntou-me Darcy, sentado ao meu lado, parecendo um pouco constrangido pelo ambiente onde estávamos.

 

− Sim. Estão todos bem.

 

Exceto Jane, pensei.  Eu havia ligado para ela depois que Charles fora embora da estação e ela disse que se sentira aliviada por ter reagido a ele daquela forma, mas que ainda o amava, ainda que não pudesse aceitá-lo de volta sem mais nem menos.  Se ele a amasse de verdade, disse Jane, lutaria por ela, o que significava que Charles ainda tinha alguma chance de reconquistá-la.

 

− E sua viagem, como foi? – Perguntei eu a Darcy, na falta de outro assunto que não fosse pessoal para conversarmos na frente de todos.

 

− Foi muito... solitária.  Não é fácil para mim conversar com pessoas que acabo de conhecer.  – Ele sorriu e parecia bem mais jovem outra vez, quase um menino.

 

Durante o jantar, Lady Catherine discorreu sobre as qualidades de sua filha Anne e de seus sobrinhos e sobre a história secular dos de Bourgh e dos Darcy. Pelo tom de admiração com que se referia ao sobrinho médico, imaginei que teria sonhado com um casamento entre William e Anne, ainda que fossem primos em segundo grau.  Mas a filha trocava olhares com Fitzwilliam que não deixavam dúvida de que eles compartilhavam mais do que o mero parentesco. Mais tarde eu soube que eles se amavam, mas que Lady Catherine relutava em concordar com o casamento, alegando que Anne se afastaria para sempre de Rosings quando isso acontecesse.

 

− Voltei a tempo de passar o Natal com Georgiana. Estávamos aqui.  – Darcy passou a falar comigo em um tom mais baixo. − Estava decidido a procurá-la em Londres, mas depois soube que viria para Rosings, decidi esperar por você. Durante estes dias pude pensar bastante, Lizzie, e ainda temos muito que conversar. Não pretendo deixá-la se afastar de mim.

 

Então não era mesmo uma coincidência que ele estivesse em Rosings.   A simplicidade e o calor em sua voz quando pronunciou aquelas últimas palavras lançaram por terra toda a racionalidade que tentasse manter.  Naqueles instantes, Jane, Charles, minha família, o trabalho, meu temperamento e o de William, nossa discussão... Tudo parecia tão distante!  Entrei num turbilhão de emoções, meu desejo era abraçá-lo ali mesmo e dizer o quanto o amava, e que nada e ninguém poderia nos separar.  Mas tudo que pude fazer foi concordar com o que ele dizia com um gesto, porque éramos mais uma vez observados atentamente por Lady Catherine naquele momento.

 

Depois do jantar passamos a um outro aposento diferente decorado com móveis clássicos e mais pinturas antigas nas paredes para tomarmos chá,. Estava muito frio, embora não nevasse, e passaríamos a meia-noite dentro das paredes de Rosings, onde mais tarde seria servida uma ceia.  Esta noite de Ano Novo seria bem diferente das festas em família que tínhamos em Longbourn ou dos encontros com os amigos nos pubs e nas ruas de Londres para ver os fogos de artifício.  Mas a inesperada presença de William, que agora me convidava para conhecer a galeria de arte de Rosings o que aparentemente significava podermos estar sozinhos, era o suficiente para que eu me sentisse feliz.  Quando estávamos fora do alcance da visão de todos, nos beijamos como se estivéssemos afastados há anos e não há apenas semanas.  Depois de relutantemente se afastar, William tomou ares de quem ia contar uma longa história:

 

- Lizzie, quando estava a caminho de Edimburgh fiquei pensando sobre como nossa volta à Londres pode ser tornar um caos, depois de um final de semana tão perfeito.  Voltar ao hospital e estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe de você foi um verdadeiro martírio... Quando fizemos aquele parto no Hospital, foram muitos os sentimentos que passaram em minha cabeça. Lembrei-me de minha irmã em meu colo, ainda um bebê e do momento em que a tirei do carro quando nossos pais morreram. Lembrei-me de sua voz quando sofri aquele acidente. Também imaginei que um dia poderia ser pai de uma linda criança como aquela, e que desejava que você fosse a mãe de meu filho.

 

As palavras fluíam tão rapidamente de seus lábios que não havia tempo para eu responder mesmo quando ele interrompeu o que dizia para me beijar outra vez.

 

− Eu queria beijá-la deste jeito, com todo o desejo que estava reprimido em meu peito, desde que nos desentendemos. – Ele continuou assim que nos afastamos. − Mas o máximo que consegui naquela hora foi responder que só seria pai de um filho concebido com a mulher que amo, esperando que você compreendesse que eu falava de você, Elizabeth...  Fui injusto com sua irmã e preciso pedir que me perdoe por ter interferido no relacionamento entre ela e Charles.  Mas eu preciso tê-la de volta ao meu lado!

 

− William, eu ...

 

Parecia um sonho ouvir William dizendo aquelas palavras e eu desejava esquecer tudo o que havia acontecido, mas sabia que as coisas não eram tão simples assim.  Mas naquela noite de um novo ano que se iniciava eu escolhi não pensar no futuro.  Nós nos beijamos mais uma vez e William compreendeu, sem que eu precisasse dizer em palavras, que eu o amava e que teríamos uma nova chance para recomeçarmos...

 

Não faltava muito para a meia-noite e nós regressamos para a ceia e para brindarmos.  Depois disso Fitzwilliam e Anne ficaram na mansão enquanto Darcy se ofereceu para nos acompanhar ao sairmos.  Os jardins que cercavam o palácio e ladeavam o caminho eram extensos ainda que bem iluminados, mas não demoramos a chegar à entrada do cottage de Collins.  Ao chegar à porta, William, tomou meu braço e se despediu de Collins e Charlotte com um boa noite, deixando claro que eu iria com ele.  Charlotte e Collins ficaram um tanto surpresos, e eu pensei que isto também seria bem conveniente para minha amiga ficar a sós com ele, uma vez que o envolvimento entre os dois não era mais segredo nem mesmo para Lady Catherine, que fora informada por Collins do assunto antes mesmo daquela visita. Assim que nos afastamos eu perguntei curiosa :

 

- Aonde nós vamos?

 

- A um lugar onde não seremos incomodados.

 

- Sua tia sentirá sua falta...

 

- Acho que já cresci bastante para não precisar avisar minha tia quando não vou dormir em casa. – Ele sorriu, parecendo achar graça em minha preocupação. − E além do mais, ela já deve ter se recolhido.

 

Chegamos a um outro cottage, um pouco mais distante que o de Collins, que estava vazio, porém imaculadamente limpo. William me disse que sua tia fazia questão de que os empregados os mantivessem assim, caso precisasse instalar alguém inesperadamente.  Entramos e o espaço decorado no estilo campestre era bem aconchegante. William acendeu a lareira, pois o frio estava nos congelando. Nos acomodamos diante do fogo que começava a aquecer todo o ambiente e sem pronunciarmos nenhuma palavra, começamos de onde havíamos parado na galeria da casa principal.

 

O desejo contido por todas as situações passadas aflorou em poucos minutos com a proximidade em que nos encontrávamos. O crepitar das chamas na lareira parecia prever o que aconteceria com nossos corpos que se tocaram em sintonia.    Nos amamos, mas não como em nossa primeira vez em Pemberley, agora havia urgência em cada movimento como se houvessem arrancado de nós horas preciosas de nossas vidas que tentávamos recuperar. Depois adormecemos saciados pelo prazer.

 

 

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