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A vaidade ao trabalhar em uma mente fraca é a fonte de todo tipo de discórdia. (Jane Austen)

Entre o Céu e a Terra - Capítulo VI

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Just like Heaven - The Cure

 

Capítulo 6

Era Elizabeth Bennet!  E estava na minha frente. Embora eu pudesse ser para ela um verdadeiro desconhecido, ela não era desconhecida para mim, ou ao menos em meus sonhos éramos muito mais do que simples conhecidos...

 

Meu coração disparou à medida que o medo foi me dominando. Na verdade, era mais do que medo o que eu sentia: eu estava em pânico!  Será que ela se lembraria de mim?   Em questão de segundos estes pensamentos confusos perpassaram minha mente e eu fiquei um pouco tonto, levando a mão ao rosto para tentar me recompor, fazendo um esforço extremo para que minha expressão não demonstrasse o turbilhão que me agitava por dentro.

 

O agente administrativo pediu licença se afastando e Charles estava um pouco longe, embevecido com Jane e não percebia nada. Não sei por quanto tempo fiquei parado olhando para ela como se estivesse vendo um fantasma, mas quando dei por mim, ela estendia sua mão para me cumprimentar.

 

- É um prazer conhecê-lo, Dr. Darcy.

 

Ela apertou minha mão com firmeza, e seus dedos esguios pareceram transmitir correntes elétricas aos meus. Mas embora seu sorriso encantador fosse o mesmo de sempre no rosto, sua expressão era de quem me via pela primeira vez.  Claro, eram apenas sonhos, William!

 

- O pra... prazer é meu, Dra.Elizabeth. – Respondi quase sussurrando. Ainda fiquei algum tempo segurando sua mão, porém quando percebi que já estava sendo indiscreto, tratei de soltá-la e dizer algo para tentar contornar a situação -… Então você é ... cirurgiã? – Esta foi a pergunta estúpida em que consegui pensar para não ficar em silêncio.

 

- Sim.  Mas ainda pretendo me especializar em neurocirurgia.  Como meu tio...

- Seu tio também é médico?

 

- Sim, o senhor deve conhecê-lo, é o Dr. Gardiner.

 

- Dr. Gardiner? Claro, ele foi meu professor e cuidou de mim depois que... – Por um momento alimentei a esperança de que se ela soubesse de meu acidente, talvez se recordasse de algo... – sofri um acidente. – Para minha decepção a expressão atenciosa e um pouco distante dela se manteve inalterada. – Então é sobrinha dele? – Eu a procurei tão longe e ela estava em Londres, tão perto de mim agora.

 

Ela concordou e inclinou-se com um gesto em direção a Charles e Jane.

 

- E Jane é minha irmã. É um mundo pequeno, não?  – Ela concluiu com simplicidade, sorrindo mais uma vez.

 

Jane Bennet!  Era o nome da irmã da Elizabeth Bennet que procurei em Longbourn!

 

Eu ainda estava atordoado demais em vê-la em carne e osso e fiquei mais algum tempo incrédulo olhando para ela.  Ela retribuiu meu olhar com firmeza, embora já constrangida e talvez por isso não estivesse sorrindo mais. Percebendo que não poderia ficar assim e que não conseguiria continuar conversando com ela, decidi apresentá-la ao restante da equipe para ganhar tempo.

 

Quando a toquei, indicando que fôssemos na direção de sua irmã, meus dedos pareceram queimar ao tocar seu antebraço, e eu senti o impulso de dizer a ela que já a conhecia e amava e abraçá-la ali mesmo, na frente de todos, mas precisaria me controlar,  exatamente para evitar que ela pensasse que eu era louco.

 

Comecei apresentando-a a Bingley que apertou a sua mão com a afabilidade que lhe era característica, sem nada estranhar.  Eu tentei chamar a atenção dele revirando os olhos e inclinando a cabeça com discrição na direção dela. Ele não teria prestado atenção ao sobrenome?  Alheio à minha tentativa de comunicação não-verbal, Charles voltava a sorrir encantado diante de algum comentário da irmã de Elizabeth.  Deduzi que estando perto de Jane ele não prestaria atenção em mais nada e seria inútil tentar conversar com ele agora.

 

Continuei a apresentando a mais alguns membros da equipe até que o horário de nosso turno se aproximou e pedi a alguém que a encaminhasse ao vestiário e nos despedimos.  Eu respirei aliviado quando ela se afastou e Charles, que agora estava sozinho, percebeu minha estranha reação e se aproximou

 

- William, o que houve?

 

- Charles... – Eu sentia vontade de sacudi-lo pelos ombros. – não prestou atenção ao sobrenome dela? O mesmo de sua apaixonada Jane?  Bennet!  Ela é a Elizabeth Bennet! – Eu falei baixo, mas pronunciei cuidadosamente cada sílaba do nome dela.

 

 

- Não me diga que é a mulher com quem você tinha todos aqueles sonhos loucos?

 

- Sim é ela. Os mesmos olhos, os mesmos cabelos, a mesma voz ... – Não pude deixar olhar na direção por onde ela havia partido, desejando tde ê-la ao meu lado outra vez.

 

- Agora estou entendendo...  Ah, Will, você precisava ver seu rosto...  Eu achei que você estava irritado por ter que apresentá-la a todos e você estava nervoso .por encontrá-la.

 

- Charles, é sério! Não estou brincando. Eu disse que ela existia.

 

- William, o que posso fazer?  Acredito que os outros não tenham entendido sua reação, mas você ficou paralisado, não conseguia mover um músculo.

 

Então ele havia prestado atenção em como reagi ao conhecê-la e estava se divertindo com isso.

 

- Eu sei!  Sei muito bem como fiquei. – Retruquei aborrecido.

 

- Agora, meu amigo, vou lhe dar um conselho: vá com calma, muita calma... Caso contrário pode assustá-la com toda esta estória...

 

- Charles, é claro que não vou dizer nada a ela!  - Só pensar em tocar no assunto com ela  já me deixava nervoso o suficiente...

 

- Agora é melhor ir para a emergência, o turno começa daqui a cinco minutos.- Ele apontou para o relógio. - Bom trabalho! Pense que terá algumas horas para começar a conhecê-la “realmente”. – Bingley deu mais uma risada que me irritou.  Ele não estava mesmo me levando a sério... -  Mais tarde conversamos, e eu quero saber de tudo que aconteceu -  Ele deu dois tapinhas em meu ombro e saiu, continuando a sorrir sozinho...

 

Pensei no que Charles havia me dito. Agora que a encontrei estava ainda mais confuso sobre tudo que vivi. Mas de algo eu tinha certeza: ela era real e eu estava apaixonado! Mas não poderia ficar muito tempo pensando no assunto, o turno me esperava. Fui para a emergência com medo de que qualquer palavra ou gesto meu denunciasse o que sentia, por isso decidi ser o mais impessoal e profissional possível quando precisássemos ter contato.

 

Ela ficou ao meu lado quando passei a visita inicial pelos pacientes da ala e talvez tenha se assustado com minha habitual franqueza com os pacientes, mas não disse nada, apenas fazendo algumas perguntas sobre cada caso.  Percebi por seus comentários que embora ela não tivesse ainda muita experiência como residente, era muito inteligente.  O turno transcorreu normalmente, com uma ou outra situação mais complicada para lidar, mas nada que a equipe não pudesse resolver, embora uma cirurgia de emergência houvesse aparecido.

 

Como todos os outros da equipe estivessem bem mais ocupados, precisei recrutá-la para me auxiliar no centro cirúrgico. Confesso que foi mais complicado não deixar de olhar para ela do que fazer o primeiro corte com o bisturi. Precisei de todo meu autocontrole para me concentrar no paciente, pois toda vez que nossos olhares se encontravam, seus olhos profundos descobertos pela máscara cirúrgica me hipnotizavam.

 

Isso para não dizer o que sentia quando ouvia aquela voz suave que eu já conhecia tão bem e  que me inebriava a alma. Foi a cirurgia mais difícil de minha vida como médico, tal era a minha situação emocional tendo que conviver com ela assim tão próxima a mim.

 

Apesar de toda a minha tensão a cirurgia transcorreu bem e pude resolver o problema sem muitos contratempos, embora tenha demorado mais do que o normal para concluirmos e encaminharmos o paciente para o pós-operatório.

 

Quando saí do centro cirúrgico estava  esgotado e como tinha prometido a Georgiana, não estava disposto a ficar mais dobrando turnos. Fui tomar banho e me vestir para ir embora quando encontrei Charles no caminho.

 

- E então, como foram as coisas? – O seu olhar era sugestivo.

 

- Tudo bem, apesar do último atendimento, uma cirurgia um pouco mais complicada. – Enxuguei o suor frio que ainda corria de minha testa.

 

- Você sabe que não estou falando disso.  Eu me refiro a sua nova colega de trabalho.

 

- Ela será uma boa profissional, se continuar a demonstrar a mesma dedicação.

 

- Só tem isso para dizer?

 

- O que mais quer que eu fale? – Perguntei exasperado.

 

- Quero que me explique como se sentiu ao lado da  Elizabeth Bennet “real”...  Ela também é muito bonita, devo reconhecer.

 

- Ela é razoavelmente bonita, mas será tratada apenas como mais uma colega de trabalho, ao menos por enquanto... -  Eu havia pensado no assunto e decidido que não continuaria a falar de meus sentimentos a Charles, para que ele não se preocupasse comigo achando que não estava bem por causa do acidente.

 

- Will... - Charles me chamou com o intuito de que eu parasse de falar pois havia percebido que ela se aproximava.

 

Elizabeth passou por nós e cumprimentou-nos sem sorrir, dirigindo-se para o vestiário feminino. Não sei se foi apenas imaginação, mas seus olhos pareceram nos examinar com ironia.

 

- Será que ela escutou nossa conversa? - Charles perguntou embaraçado quando ela se afastou.

 

- Não acredito - Eu respondi mais para despreocupá-lo do que tendo certeza. Porém eu estava enganado, ela  havia escutado o suficiente para deixá-la incomodada com o meu comentário.

 

Charles se foi e era minha vez de me trocar para ir embora.  No caminho, ouvi a voz de Elizabeth através das divisórias do vestiário conversando com alguém. Encostei-me à parede mais próxima fingindo usar o celular para que ninguém estranhasse me ver parado ali, mas na verdade queria tentar escutar o que ela dizia.

 

- Heather... – Ela se digiria à enfermeira-chefe da Emergência. – Não quero parecer inconveniente, mas o Dr. Darcy é sempre assim?

 

- Assim como? – A idosa enfermeira replicou com sua voz naturalmente alta, embora já soubesse do que ela estava falando.  Meu temperamento forte era bem conhecido de todos.

 

- Frio e distante... E ao mesmo tempo de uma sinceridade brutal em seu trabalho.  Eu nunca falaria do jeito que ele fala com alguém.

 

- Elizabeth, não estranhe.  Ele costuma ser mesmo muito direto ao dar um diagnóstico, seja um resfriado seja um câncer terminal. E alguns diriam que ele é arrogante, por sempre parecer ter certeza de tudo. Mas saiba que também é um dos melhores e mais dedicados profissionais que já conheci. E não conheci poucos.  – Heather fez uma pequena pausa antes de prosseguir, e eu fiquei feliz em ouvir a opinião dela sobre mim. - Sabia que ele está retornando após ter saído de um coma há alguns meses atrás?.- Ela prosseguiu.

 

- Eu soube... Por isso deram a festa de boas-vindas.

 

Depois disso não ouvi mais nada.  No corredor eu disfarçava dando alguns passos e fingindo digitar algum recado ao celular.

 

“- Sou razoavelmente bonita, Dr. William Darcy?  Vou me lembrar do que disse.” Lizzie devia estar dizendo isto para si mesma em pensamentos... No futuro, talvez ela perdoasse  minha vaidade se eu não houvesse ferido a sua.  Não estávamos começando bem

 

Heather saiu do vestiário e me cumprimentou sorridente, talvez se recordando do que dissera logo antes.  O silêncio que prosseguiu foi quebrado pelo som refrescante da água que caía de um chuveiro, indicando que Elizabeth agora devia estar tomando banho.

 

Não pude deixar de imaginar a água tocando os contornos de seu corpo sem o uniforme hospitalar, e pensar nos seu cabelos castanhos molhados. Eu não era mais eu mesmo desde que Lizzie começara a aparecer em meus sonhos, mas com ela trabalhando comigo, as coisas ficariam ainda mais difíceis. Meu corpo respondeu imediatamente ao desejo que senti por ela, porém lembrei-me  da expressão dura de seus olhos quando ela passou por nós, como se faiscassem de raiva ao olhar em minha direção. Eu havia cometido um erro fatal, um comentário inapropriado e teria que pagar por meus pecados.

 

Faria o possível e o impossível para que ela me visse como de fato eu era, e não apenas enxergasse o estereótipo conhecido de todos que morrera há alguns meses atrás em um acidente de carro. Fui embora antes que ela saísse do vestiário e desconfiasse que eu estivesse espionando.

 

Ainda estava envolvido por estes pensamentos quando Georgiana me viu chegar em casa distraído.

 

- Will, Will, meu reino por seus pensamentos... Onde estava sua mente?

 

- Acho que ainda estava no trabalho... – Respondi sorrindo e beijando sua testa. - Estava ansioso para voltar.  Não imagina quanta adrenalina circula em meu corpo quando estou em um ambiente hospitalar. – Eu estava sendo um pouco irônico, mas aquilo também era verdade.

 

- Quem o vê assim, não imagina o que passou e o susto que nos deu.

 

Estendi a mão para que ela ficasse perto de mim.

 

- Desculpe-me. – Respondi com sinceridade abraçando-a.  - Prometo que não vou mais trabalhar tanto de agora em diante. Não quero que sofra novamente.  E mais do que nunca eu preciso estar bem vivo.

 

-  Alguma razão especial para este comentário?

 

Eu apenas sorri e não disse nada.  Não poderia falar sobre o assunto “Elizabeth Bennet” com Georgiana ou ela se preocuparia também.

 

-  Aliás, por falar em estar bem vivo, Caroline ligou várias vezes para mim enquanto você estava viajando. Precisa conversar com ela de uma vez por todas, William, ela o ama, enquanto você...

 

- Ela sempre soube que nosso relacionamento era apenas uma questão de conveniência de ambas as  partes, e...

-  Nós todos sabemos que ela sempre esperou por mais do que isso ...

 

Georgiana tinha razão, eu tinha que dar um fim nesta situação com Caroline de uma vez por todas. Além do mais precisava estar livre de qualquer situação constrangedora para poder me aproximar mais de Lizzie.

 

As semanas seguintes foram, talvez até tranquilas demais para o tipo de rotina que eu tinha anteriormente. Minha equipe estranhou um pouco meu comportamento no que dizia respeito ao trabalho, pois agora permitia que eles ficassem mais independentes para tomar as decisões.

 

Além de alternar os plantões, duas ou três vezes na semana eu ainda ficava um pouco mais além do meu horário para poder verificar como a equipe que assumia o próximo plantão estava trabalhando.   Foi em uma destas oportunidades que fiquei muito perto de Elizabeth outra vez.  Naturalmente eu a vira durante a semana em seus dias de turno, mas conseguira mantê-la junto a outros médicos, caso contrário eu não trabalharia direito.  Ao mesmo tempo em que a observava sempre que podia e ansiava estar ao lado dela, precisava me acostumar com a ideia de tê-la ao meu lado aos poucos para não ficar tão perturbado com sua simples presença como acontecia naquele momento em que estávamos sozinhos no elevador.

 

- Como vai indo, Drª Elizabeth? – Eu precisava dizer alguma coisa para quebrar o silêncio constrangedor que havia se instalado entre nós.

 

- O senhor é quem poderá me dizer, Dr. Darcy. - Ela parecia aborrecida comigo. -  Não sei qual é a avaliação que faz de meu trabalho, mas tenho a impressão de que prefere que eu não faça parte de sua equipe.

 

A franqueza abrupta dela me surpreendeu.  Ela devia estar pensando assim porque de fato eu procurava mantê-la afastada de mim, mas não em função de seu trabalho.

 

- Sinto muito se teve esta impressão, Drª Elizabeth.  Mas saiba que isto não é verdade. Pelo que já vi de sua atuação, sei que posso confiar em sua competência profissional.

 

- Então porque só os outros dois residentes participam como assistentes de suas cirurgias?  É porque sou uma mulher?  E apenas “razoavelmente bonita”?– Ela retrucou teimosamente. Seu rosto ficava ainda mais bonito quando estava zangada.

 

Eu me senti envergonhado por ela estar me julgando desta forma e citado aquele comentário infeliz, mas não podia explicar que não conseguia trabalhar direito com ela tão perto de mim.

 

- Não se trata de nada pessoal. Devem ter sido apenas coincidências.  Além disso  também tenho operado menos do que costumava. - Eu respondi inseguro. -  Mas vou pedir que seja escalada com mais frequência em minha equipe, se assim o deseja.  – As palavras saíram dos meus lábios com dificuldade, embora eu tentasse manter o tom profissional.

 

Era melhor esperar que não surgisse algo mais sério enquanto ela estivesse na equipe ao meu lado. Por outro lado eu sabia que precisava parar com aquele comportamento infantil e encarar de frente a situação.  Havia procurado por aquela mulher por todo o país, e agora fugia dela! Decididamente, eu não era mais o mesmo, pensei quando saíamos do elevador.

 

-   Está bem, Dr. Darcy.  Até amanhã...

 

Ela também tinha a personalidade forte, pensei com admiração por sua coragem em me enfrentar tão abertamente.

 

- Está de carro? Se quiser posso levá-la para casa...

 

Nem eu acreditei que tive coragem de lhe oferecer carona.

 

- Não, obrigada.  Tenho um compromisso.

 

Fiquei imaginando se haveria alguém na vida dela.  A ideia simplesmente nunca me passara pela cabeça desde que a conhecera e só agora eu me dava conta de que ela poderia ter algum relacionamento mais sério com alguém.

 

- Um... compromisso. –Repliquei desejando saber se o que pensara era verdade. Ela estava muito bem arrumada, como quem tem um encontro com alguém do sexo oposto.

 

- Sim.  Estou esperando por Jane.

 

Eu tentei disfarçar, mas suspirei aliviado, embora isso não provasse que ela era livre. A irmã dela chegou acompanhada por Charles.  A coisa entre eles parecia estar ficando mais séria e aparentemente pretendiam sair juntos mais uma vez.

 

- Por que não vem conosco, William?  Precisa sair um pouco de casa...- Convidou Charles.  -  Vamos nós quatro, eu, Jane, você e Elizabeth.

 

Era sexta-feira e Charles tinha razão, eu precisava sair um pouco para relaxar, embora isso fosse pouco provável estando ao lado de Elizabeth, devido à intensidade de sentimentos que me envolviam quando estava perto dela.  E o olhar dela não demonstrava muita receptividade à ideia de sair comigo naquela noite, ainda mais depois de nosso diálogo áspero há poucos minutos atrás.

 

- Eu não quero atrapalhar... – Objetei hesitante.

 

- Não vai atrapalhar nada, não é mesmo, Elizabeth? – Desta vez foi Jane quem falou, olhando para a irmã, que a encarou com ar de poucos amigos diante de seu comentário, mas preferiu disfarçar seu mal-estar. Será que Charles havia contado a Jane algo a respeito do que eu sentia por sua irmã?

 

- Não, não vai atrapalhar. – Lizzie apenas repetiu reticente o que a irmã dizia, os olhos escuros me observando com profundidade.

 

E foi desta estranha forma que começou nosso primeiro encontro, eu constrangido e ela contrariada.  Não estávamos mesmo começando bem.

 

 

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