Citações

Ter uma boa renda é a melhor receita para a felicidade de que já ouvi falar. (Jane Austen)

AMOR - Um Ingrediente Secreto Capítulo VII

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail

Capítulo VII

 

Lizzy acordou, como sempre, às 4:00. E já não sentia tanto ao ter que acordar naquele horário para fazer as compras do mercado. Pegou mais uma vez o carro de Charlotte e seguiu em direção ao seu afazer matinal. Estacionou e foi em direção à barraca de café para aguardar sua abertura. Sentou-se na cadeira que de certa forma já lhe era cativa. Porém estranhou não ver Darcy já a aguardando. Pensou até em ligar para o seu celular, mas desistiu da idéia.

 

Assim que o mercado abriu, começou as compras de costume; sua técnica na escolha dos mesmos já estava bem melhor. Porém, sentiu-se preocupada por ter que escolher também os peixes e crustáceos que ele não confiava a ninguém escolhê-los.

 

Foi até o setor determinado e começou a escolher ela própria. Flagrou-se fazendo da mesma forma que ele, negociando e vencendo esta negociação.

 

- Vejo que Darcy a ensinou muito bem. Quase me leva à falência! – o velho e simpático vendedor falou enquanto colocava os crustáceos nas sacolas.

 

- Obrigada, eu acho. – sorriu.

 

- Onde ele está? Está doente?

 

- Não sei, ele não me falou que não viria hoje. Ele costuma vir sempre?

 

- Todos os dias nos últimos cinco anos. Talvez tenha ficado doente.

 

- É, talvez. Obrigada.

 

Colocou tudo no carro e seguiu em direção ao restaurante. Entrou meio apreensiva, não pelo fato do horário ou do silêncio; mas porque tudo naquele restaurante fazia-a se lembrar da noite anterior, em que, tomada pelo desejo, quase deixou-se dominar, rompendo todas as resistências. Cada bancada, cada canto daquela cozinha lembrava os momentos nos quais ela e Darcy deixaram-se levar pelos impulsos de seus sentimentos reprimidos.

 

Guardou as compras em seus devidos lugares e saiu apressada de lá. Queria tentar esquecer o que aqueles utensílios e sua memória haviam presenciado.

 

Chegou em casa bufando, entretanto. Como ele poderia ter se esquecido de ir ao mercado com ela?

 

Jogou as chaves do carro de Charlotte na escrivaninha e foi dormir. Estava tão cansada... Dormiu como se não dormisse há séculos, até que de repente abriu os olhos e viu que estava atrasada.

 

- Droga! Por que Charlotte não me chamou? – levantou-se, vestindo a primeira roupa pela frente, e mal comeu.

 

A casa estava vazia e ela pegou a bicicleta nos fundos e pedalou rapidamente até o restaurante.

 

Quando chegou, o lugar parecia estranho, já que era para ter mais pessoas trabalhando; porém, o estabelecimento encontrava-se completamente vazio. Odiou Darcy profundamente, pois com certeza dera folga para os outros e não teve a capacidade de avisá-la.

 

Antes de dar meia volta e ir embora, ouviu um barulho. Paralisou. Ouviu de novo e resolveu entrar na cozinha, pois o som vinha de lá.

 

Colocou sua bolsa no balcão e foi seguindo o barulho. Só faltava ser um bicho, gato ou coisa assim, que havia invadido a cozinha e estava mexendo nas coisas.

 

Assim que chegou, foi surpreendida por uma mão grande e macia tampando os seus olhos. Sentiu a respiração forte no seu ouvido, deixando seus pêlos da nuca eriçados.

 

- Está pronta para aprender a receita, srta. Bennet? – a voz de Darcy estava baixa e grave, e ele falava sensualmente ao ouvido de Lizzy, que já não conseguia mais se sustentar em pé.

 

Lizzy gemeu quando ele colou os lábios em seu pescoço. Ele começou uma trilha de beijos, passando pelo lóbulo da orelha, deixando-a sem ar. Lizzy virou-se ao se livrar das mãos dele e respirou mais fundo ao encontrar seu chefe apenas de cueca, mostrando-lhe seu tórax perfeito, suas pernas bem torneadas e seus músculos evidentes.

 

Praticamente se jogou nos braços dele, beijando-o de forma desmedida e profunda, como se tudo ali fosse mera ilusão e só existissem os dois, se tocando, se conhecendo. Sim, ele era perfeito e tinha uma pegada que a fazia virar os olhos.

 

Os toques começaram a ficar mais ousados e Lizzy já havia enlaçado as pernas ao redor da cintura de Darcy, enquanto ele a colocava na bancada.

 

Até que um pensamento louco veio à mente de Lizzy. Primeiro o achou bizarro, mas resolveu arriscar. Quem sabe isso deixasse a situação mais caliente...

 

- Sr. Darcy, hoje faremos um prato diferente. – avistou o spray de chantilly próximo a ela. – E o prato principal é você! – falou sedutoramente.

 

- E qual é o nome desse prato? – ele indagou enquanto passava suas mãos firmes nas pernas dela.

 

- Chantilly sabor Darcy. – ela abriu o frasco e passou por todo o peito dele.

 

- Que pena... só você vai provar desse sabor. – falou malicioso, enquanto ela sugava os vestígios de chantilly misturado ao gosto dele.

 

- Hum... Hum... Hum... AI! – Lizzy sentia uma dor aguda na cabeça.

 

Quando abriu os olhos, viu que estava no chão. Havia sonhado o sonho mais estranho da sua vida, e, para fechar com chave de ouro, caiu da cama e bateu a cabeça. Massageando onde doía, levantou-se do chão, desligou o som do despertador e foi até o banheiro.

 

O almoço entre elas aconteceu de forma amena. A amiga ficou preocupada por Elizabeth ter batido a cabeça, mas Lizzy lhe garantiu que se sentia bem; ocultando, é claro, o sonho. Sendo assim, resolveram ir para o restaurante.

 

Enquanto iam para o restaurante, Lizzy não parava de pensar no sonho. Como, mas como sua mente fértil criara uma cena tão inusitada? Realmente, era melhor esquecer mais um sonho maluco de vez. Seus sonhos, fora cientificamente provado, eram completamente distintos da realidade. O sonho com o suflê era uma prova.

 

- Ainda não me contou como foi o encontro de ontem com o francês. – Charlotte quebrou o silêncio.

 

- Foi bom. – se limitou a responder.

 

- Ok. Alguma coisa está errada. Ninguém sai com um homem daquele e simplesmente diz que foi bom. Quer falar sobre isso?

 

- Thierry é maravilhoso e bebemos um pouco, caminhamos às margens do Sena e depois ele me trouxe pra casa.

 

- Teve beijo?

 

- Teve.

 

- E foi tão ruim assim?

 

- Não! Ao contrário, foi ótimo. Ele é ótimo. Só que acho que eu sou o problema.

 

- Preciso de uma explicação bem melhor DO que essa.

 

- Char, vou te contar uma coisa e preciso que me prometa não contar a ninguém, tudo bem?

 

- Claro, prometo.

 

Lizzy passou a narrar tudo o que acontecera na noite anterior: o fato dele ter sido gentil e compartilhado com ela sua vida pessoal, e o quase beijo.

 

- Eu sabia! – Charlotte gritou. – Sabia que tinha algo entre vocês.

 

- Não, não tinha. Ao menos não até ontem. Foi tudo uma grande loucura e...

 

- E o que vai fazer?

 

- Ainda não sei. Ele não apareceu no mercado esta manhã; acho que está me evitando.

 

- Pode ser. Mas vai falar com ele?

 

- Não faz pergunta difícil, Char.

 

- E você sente alguma coisa por ele?

 

- Não! – enfatizou. – Nossa relação é puramente profissional, e ontem certamente foi um grande mal entendido que pretendo resolver e esquecer.

 

- E por que está tão perturbada com o assunto?

 

- Eu não estou perturbada! E quer saber? Assunto encerrado. – encerrou a conversa ligando o som do carro.

 

Ao entrar no restaurante, Lizzy cumprimentou todos os funcionários e em seguida entrou na cozinha. Ficou constrangida ao vê-lo perto do fogão, não sabia como agir depois da noite anterior; muito menos sabia como ele agiria.

 

- Ah, srta. Bennet. Chegou bem na hora. – falou sem encará-la.

 

- Oi. – respondeu surpresa ao perceber que ele agia normalmente e estava ainda mais carrancudo.

 

- Aqui está a lista do que você fará hoje.

 

Lizzy pegou a lista um pouco desanimada, mas arregalou os olhos ao ver o primeiro item da lista: Mousse de Limão com Chantilly.

 

- Comece logo a fazer! Quero isto para ontem! – Ordenou com bastante grosseria, deixando-a estarrecida.

 

Quase uma hora depois, apesar de se sentir meio atordoada, até que tudo estava indo muito bem. No entanto, ao toque final, onde tinha que colocar o chantilly, suas mãos começaram a ficar trêmulas e não conseguia posicionar o spray. Foi surpreendida ao sentir o frasco ser arrancado de suas mãos.

 

- Será que eu vou ter que ensiná-la isto também? – encarou-a irritado.

 

Apertou o spray e tudo espirrou para o seu rosto, sujando seu nariz e lábios.

 

- Droga! – praguejou enquanto tirava o chantilly do nariz e da boca com papel toalha.

 

Lizzy olhava-o embasbacada. Isso realmente era muita falta de sorte para ela.

 

- Isso é culpa sua, por me dar o spray virado para cima. – vociferou mais uma vez, ignorando a expressão de Lizzy.

 

- Ah, é? Então a culpa é minha? – falou irritada. – A verdade é que quem me atrapalhou foi o senhor. – tirou o frasco de chantilly das aos dele e passou a enfeitar o mouse. – Eu sei muito bem fazer meu serviço, não preciso de professor.

 

- Olhe aqui, se você acha que pode ter liberdade comigo está muito enganada. Você pode estar deixando seu emprego por um fio.

 

Lizzy o encarou surpresa, estava perplexa. Sentiu seus olhos arderem devido às lágrimas. Depois do que acontecera ontem - sim, porque algo realmente aconteceu e ela sabia disso - sabia que o clima seria estranho, mas não ao ponto deele agir daquela forma.

 

- Desculpe-me, sr. Darcy, mas como um bom chef, odeio ser atrapalhada enquanto preparo o meu prato. – falou em um tom mais baixo, mas sem abandonar o olhar desafiador. – Agora, se me der licença, preciso voltar a trabalhar.

 

Deixou-o completamente sem palavras. Se ele queria indiferença e patadas, era isso que teria de agora em diante.

 

- Continue o seu serviço, então. – Darcy respondeu, saindo de perto dela o mais rápido possível.

 

Atravessou a cozinha apressadamente indo trancar-se na pequena sala. Sentou-se na cadeira, tirando seu chapéu e respirando fundo. O que aquela moça estava fazendo com ele? Toda aquela teimosia, ao invés de irritá-lo, o atraía. A briga na cozinha passou-se novamente por sua cabeça em forma de flashback.

 

Ah, os olhos... o que eram aqueles lindos olhos castanhos? Expressivos, brilhantes, grandes e atraentes. Darcy concluiu que sentia alguma atração por Lizzy. Demorou a admitir, mas o ciúme que tinha ao vê-la com Thierry era a prova de que isto acontecia há algum tempo; pouco, mas que ele sentia alguma coisa por ela, sentia.

 

O fato de no dia anterior quase ter perdido a cabeça o fez decidir se afastar. E quando a viu entrando no carro daquele francesinho, sentiu raiva, ciúmes e se odiou por isso. Pensou em ser apenas indiferente, mas ela tinha o dom de irritá-lo.

 

Não queria sentir aquilo novamente. Prometera a si mesmo que nunca mais sentiria e não seria Elizabeth que iria fazê-lo mudar de opinião. Ajeitou o chapéu e saiu da sala. A hora do rush iria recomeçar.

 

************************************************

 

No dia seguinte, novamente ele não apareceu no mercado. E estranhamente ela sentiu falta dele, falta da companhia e das conversas. Durante a manhã recebeu a ligação de Thierry, que marcava outro encontro, e, após pensar um pouco, resolveu aceitar. Ele era bonito, gentil, não lhe tratava mal nem oscilava de humor; e, principalmente, gostava dela e não escondia isso. Iria investir nesta relação.

 

Mais animada, o restante da manhã seguiu tranquila. Ao chegar ao restaurante, recebeu o recado de que Darcy precisara resolver alguns problemas pessoais e só chegaria ao restaurante no começo da noite, e que ela deveria adiantar todo o trabalho.

 

Estava checando o cardápio no salão quase vazio quando avistou Julius entrando no restaurante. Ele a viu e caminhou sorridente em sua direção.

 

- Julius! Que surpresa! – falou ao cumprimentá-lo.

 

- Como vai, srta. Bennet?

 

- Estou ótima. E é Elizabeth.

 

- Tudo bem, Elizabeth. – sorriu.

 

- E como está Adelé?

 

- Ela está no hospital.

 

- Mas então ela...

 

- Não! Ela está bem. Os resultados dos exames saíram e o irmão dela é compatível, então a cirurgia será esta noite mesmo.

 

- Nossa! Mas isso é ótimo. – falou com sinceridade.

 

- É sim. Por isso vim falar com William, queria que ele soubesse.

 

- Ele ainda não chegou. Precisou resolver alguns problemas, mas já deve estar voltando.

 

- Ah, que pena.

 

- Quer tomar alguma coisa enquanto espera? Um café? Posso te fazer companhia?

 

- Aceito tudo. – respondeu sorridente e logo Lizzy pediu ao Collins que providenciasse café para eles. – Então, como está sendo trabalhar com meu irmão? – Julius perguntou divertido.

 

- Bom, você é irmão dele e não posso te contar a verdade. – brincou.

 

- Sei que ele pode ser bem difícil às vezes. – diante do olhar dela, Julius se corrigiu. – Na maioria das vezes, aliás. Sempre. Mas ele é um cara legal, acredite.

 

- Eu sei que é. Quer dizer, às vezes ele deixa cair a máscara do senhor gelo e age como um ser humano.

 

- Sabe, lembro do meu pai em seu leito de morte dizendo ao Will que ele agora era o homem da casa e que tinha que cuidar de mim e da mamãe. E ele tinha só dez anos.

 

- Sinto muito.

 

- Não, tudo bem. Desde esse dia ele passou a agir como o homem da casa. Quando nossa mãe adoeceu, ele aprendeu na marra a cozinhar. E que ele não me ouça, mas cozinhava muito mal. – riram.

 

- Prometo que não direi uma só palavra. – Lizzy brincou enquanto cruzava os dedos na boca em sinal de promessa. Neste momento Collins chegou com os cafés.

 

- Acho que foi aí que ele realmente se tornou o homem da casa. Ele era e se sentia responsável por mim. Foi meu pai, meu irmão, meu amigo e minha mãe; sempre fomos nós dois contra o mundo, como ele costuma dizer.

 

- Deve ter sido difícil.

 

- Não foi muito fácil, mas tínhamos um ao outro. Sei que muita gente diz que ele é arrogante, antipático, esnobe e meio bravo...

 

- Acho que ‘grosseiro’ seria a palavra ideal.

 

- Grosseiro, é. A palavra se encaixa melhor mesmo. – riram novamente. – Mas a verdade é que ninguém o conhece como eu conheço. Sei quem é o verdadeiro William Darcy, quem é o cara que me defendia dos meninos maiores que queriam me bater; que me dava metade de seu salário para sair com as namoradinhas do colegial; que segurou a barra quando eu desabei na morte da nossa mãe, e, principalmente, que está ao meu lado nos momentos que mais preciso.

 

- A relação de vocês é muito bonita, Julius. Ele tem muita sorte de ter um irmão como você.

– falou emocionada.

 

- Eu é que tenho sorte de tê-lo como irmão. Eu o amo muito. – falou pensativo. – A vida não foi muito fácil nem justa com ele, teve que lidar com traições grandes e desilusões que arrasam uma pessoa boa como ele. Por isso toda esta resistência, este muro de proteção que ele ergueu em sua vida.

 

- Julius, entendo tudo o que está dizendo, mas por que está me contando tudo isso?

 

- Não sei... Acho que confio em você para cuidar dele, já que nem sempre poderei estar por perto.

 

- Como assim?

 

- Quando Adelé se recuperar vamos nos casar e nos mudar para a Suíça. Estou sendo transferido para lá.

 

- Ah! E como ele está reagindo com tudo isso?

 

- Se fazendo de forte. Mas sei que não vai ser fácil para ele, já que nunca nos separamos. Quando ele perdeu seu resta... – de repente ele se deu conta de que falava demais e se calou, baixando os olhos para a xícara enquanto tomava um gole do café, para só então continuar. – Quando ele saiu de Londres e veio para Paris, me trouxe junto e moramos um tempo no mesmo apartamento, até eu arrumar um emprego e me mudar. Mas sempre estivemos juntos, entende?

 

- Entendo sim. Eu e minha irmã temos uma relação parecida.

 

- Promete que cuidará dele quando me mudar?

 

- Julius... Não acho que ele precise de mim para cuidar dele.

 

- Ele precisa de você mais do que consegue admitir...

 

Surpresa por aquelas palavras, Lizzy se preparava para perguntar o motivo dele dizer aquilo quando Darcy entrou no restaurante, indo até a mesa em que eles estavam.

 

- Julius! – abraçou o irmão. – O que faz aqui?

 

- Vim te trazer boas notícias. Mas como você não estava, Elizabeth me fez companhia.

 

- Hum. – olhou-a de soslaio, ignorando-a novamente. - Então vamos à minha sala.

 

- Claro. – Julius percebeu o clima entre eles, mas preferiu não se meter. Por enquanto. – Foi muito bom te ver novamente, Elizabeth.

 

- Foi ótimo te ver também, Julius. E por favor, mande muitos beijos meus para Adelé. Diga que estarei orando para que tudo ocorra bem.

 

- Direi sim, obrigado. Mas tenho certeza de que ela ficará muito feliz se for vê-la no hospital.

 

- Claro! Irei assim que possível. E se não for pedir muito, gostaria de ter notícias da cirurgia.

 

- Pedirei ao Will para te dizer como foi tudo.

 

Despediram-se com um abraço e logo Darcy o encaminhou até sua sala.

 

- Isso sim é uma excelente notícia. – Darcy abraçou o irmão após saber do transplante de Adelé.

 

- Nem acredito que esse pesadelo está prestes a acabar.

 

- E vai correr tudo bem, tenho certeza.

 

- Também sei que vai. – Julius ficou um tempo pensativo enquanto Darcy analisava os cardápios que Lizzy havia deixado em sua mesa. – Gosto da Elizabeth. – falou de repente, chamando a atenção do irmão.

 

- É uma excelente profissional. – falou tentando mostrar indiferença.

 

- Não duvido. Mas acho-a uma garota incrível, além de muito bonita. Não acha?

 

- Pode ser. Não observei nada de especial.

 

- Até parece. Está apaixonado por ela? – Julius resolveu ser direto.

 

- Está ficando maluco? É claro que não estou apaixonado por ela.

 

- Não? E por que está ignorando-a? – diante do olhar surpreso do irmão, Julius teve certeza.

– Sei que sempre fui muito desligado e até mimado por você, mas ainda tenho percepção e pude ver que a tratou friamente lá fora, muito diferente da cumplicidade da noite do jantar.

 

- Você fantasia demais, Julius. Vê amor em tudo!

 

- Tudo bem, fique se enganando se quiser. Só não espere até que seja tarde, porque uma mulher como Elizabeth não ficará sozinha por muito tempo.

 

- Por mim ela pode se casar amanhã mesmo. Nosso relacionamento é meramente profissional.

 

- Do contrário você teria que demiti-la, não é? E entre a profissional e a mulher da sua vida, mais uma vez põe o trabalho em primeiro lugar. Will, Will, a vida passa rápido demais e quando você perceber o que perdeu pode ser tarde demais.

 

- Desde quando você é filosofo? – ironizou sorrindo. – Cai fora daqui, tenho que trabalhar.

 

- Sempre fugindo... Tenho mesmo que voltar para o hospital.

 

- Passarei por lá quando fecharmos, mas me deixe a par de tudo.

 

- Pode deixar. E não se esqueça de avisar a Elizabeth quando eu te ligar.

 

- Ela agora faz parte da família, esqueci.

 

- Mais do que você imagina. – sorriu antes de sair.

 

Darcy sabia que Julius tinha razão, estava apaixonado. Mas ainda era dono de seus sentimentos e tudo estava sobre controle. Ao menos por enquanto.

LAST_UPDATED2

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje57
Neste mês951
Desde Março de 200976130
Brazil flag 63%Brazil (41265)
United States flag 6%United States (4098)
Portugal flag 5%Portugal (3215)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1337)
Ukraine flag <1%Ukraine (395)
France flag <1%France (297)
Netherlands flag <1%Netherlands (291)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (274)
Germany flag <1%Germany (269)
Latvia flag <1%Latvia (149)