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Dinheiro não pode comprar felicidade. Acima do necessário, não traz satisfação verdadeira.(Jane Austen)

AMOR - Um Ingrediente Secreto Capítulo I

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AMOR – UM INGREDIENTE SECRETO

 

Capítulo I

 

- E agora o suflê a La Bennet, prato criado pela nossa concorrente de Londres, srta. Elizabeth Bennet.

 

O apresentador anunciou, pomposo, enquanto os holofotes recaíam sobre o rosto assustado de Lizzy. Quando a platéia começou a aplaudir com um barulho ensurdecedor ela conseguiu sorrir timidamente enquanto agradecia a atenção de todos.

 

- Muito bem, srta. Bennet. Conte para nós o segredo do seu suflê e porque o considera melhor do que os pratos de seus adversários. – o apresentador fez a pergunta sem desmanchar o sorriso de comercial de creme dental que exibia a todo instante.

 

- Bem... – ela começou a falar cortando as palavras, tamanho seu nervosismo. Afinal de contas, enfrentar um concurso de culinária na TV e ao vivo não era fácil. – É um segredo de família, Tom. Se contar terei que matar a todos. – brincou, arrancando gargalhadas de todos.

 

- Boa resposta, srta. Bennet. Mas por que acha que merece ganhar este concurso?

 

- Mereço ganhar porque cozinhar é minha vida. Sei que não vai contar pontos para mim, mas renunciei a minha vida social nos últimos cinco anos para me dedicar à culinária.

 

- Já que tocou no assunto, srta. Bennet, nossa produção levantou a informação de que não namora há exatos quatro anos e está sem sexo há quase um. É verdade?

 

- O quê?! – perguntou, sentindo que se transformava em um tomate, de tão vermelha e constrangida.

 

- Diante desse nervosismo podemos acreditar que é verdade, pessoal! – o apresentador incitou a platéia, que, em coro, começou a pressioná-la.

 

- Fala! Fala! Fala! Fala!

 

Lizzy não estava acreditando no que estava acontecendo; como sua vida pessoal estava sendo exposta em rede nacional daquela forma?!

 

- Vamos lá, srta. Bennet! É apenas uma simples pergunta! É verdade ou não?

 

- Sim. – respondeu constrangida.

 

Os aplausos e gritinhos vindos da platéia só aumentaram ainda mais sua vergonha.

 

- Depois dessa revelação bombástica, vamos chamar agora nosso jurado especial. O maravilhoso, talentoso, três vezes vencedor da colher de ouro como o melhor chef de cozinha do mundo: Sr. Williaaaaaaaaam Darcy!

 

Quase toda a platéia feminina veio abaixo quando apenas o nome dele foi anunciado. Dançarinas vestidas com colantes brilhantes começaram a dançar no palco enquanto uma música começou a tocar. Efeitos de fumaça e jogos de luzes deram um efeito necessário para que ele pudesse entrar sorridente e lindo no palco. Após quase quatro minutos de aplausos e gritinhos de lindo, tesão, bonito e gostosão, finalmente o apresentador retomou a palavra.

 

- Mas que sucesso, Darcy. – falou para ele enquanto o cumprimentava.

 

- Fazer o quê, Tony? Sei que sou um sucesso! – respondeu enquanto passava as mãos pelos cabelos e exibia um sorriso esnobe e cheio de si, tirando a camisa semi-aberta.

 

- Pronto para provar o suflê da candidata de Londres, a srta. Bennet?

 

- Assinei um contrato, então tenho que fazer este grande sacrifício, Tony. – brincou fazendo todos gargalharem; menos Lizzy, que permanecia séria e agora com vontade de dar um soco naquele esnobe.

 

-Então vamos até o balcão! – o apresentador gritou enquanto mais música e mais mulheres seminuas dançavam ao redor dele e agora de Lizzy. – Muito bem, srta. Bennet, agora passe a explicar seu prato para o Sr. Darcy e boaaaaaaaaaaaaa sorteeeeeeeeeeeeeeeee!

 

Lizzy congelou quando se viu de frente para o grande William Darcy. Ele era o Elvis Presley da cozinha, o Michael Jackson das panelas, o Pelé dos temperos; ou seja, “O cara”.

 

- Srta. Bennet? – ele a tirou de seu transe.

 

- Perdoe-me. – pediu constrangida. – Bem, o suflê tem como ingrediente principal a cenoura misturada com cogumelos e temperos importados da Índia e do Brasil e...

 

- Vamos acabar logo com isso e prová-lo de uma vez. – ele sibilou baixinho entre o sorriso de fachada, o que a silenciou de imediato.

 

Sem reação, ela passou a abrir o pequeno forno que estava ao seu lado, retirando o suflê quente que soltava uma fina linha de fumaça. Todos aplaudiram mais uma vez enquanto, nervosa, ela colocou a travessa em cima do balcão.

 

Uma pessoa da produção apareceu com um prato e talheres e entregou-os a Darcy, que analisava o suflê igual a um médico examinando um paciente. Lizzy estava nervosa, ganhar aquele concurso seria sua chance de assumir a cozinha de algum importante restaurante.

 

De repente e para a surpresa de todos, o suflê começou a inchar rapidamente.

 

- Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! – a platéia exclamou assustada enquanto Lizzy e Darcy se afastavam devagar do balcão. Mas o suflê crescia cada vez mais, formando uma grande bolha laranja.

 

- Vai explodir! – alguém gritou da platéia e Lizzy olhou assustada para Darcy, que parecia ainda mais assustado; e pior, zangado.

 

- Corram! – o apresentador gritou e em menos de um segundo depois a bolha laranja explodiu, espirrando o creme todo em Darcy e deixando-o completamente sujo e muito, mas muito irritado.

 

- Céus! Me... Me perdoe! – Lizzy começou a pedir enquanto tentava se aproximar, mas o olhar fulminante que recebeu a fez ficar paralisada.

 

- Srta. Bennet. – ele começou a falar com a voz pesada e os olhos cintilando de raiva. – A senhorita é um fiasco da cozinha e nunca - eu disse nunca! - irá trabalhar comigo ou com qualquer outro chef. Seu destino é fazer sanduíches em lanchonetes de beira de estrada para o resto da sua vida.

 

- Não! – Lizzy começou a se desesperar enquanto a imagem dela suja de ketchup virando hambúrgueres na chapa apareceu em sua frente.

 

- Nãooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!

 

Completamente suada e com a respiração ofegante, olhou para todo o quarto, respirando aliviada por tudo ter sido apenas um pesadelo, um grande pesadelo. Sentada na cama, esperou sua respiração se acalmar para só então levantar e tomar um longo banho; havia programado o despertador para as sete da manhã, mas depois desse pesadelo não conseguiria mais dormir, mesmo às cinco e meia da manhã.

 

Banho tomado, escolheu sua roupa e checou pela milésima vez sua pasta com tudo o que precisava para cozinhar - fora um presente de seu avô, um italiano e cozinheiro de mão cheia. Comeu alguma coisa e em seguida resolveu ligar para sua irmã Jane, a única que a entendia e sempre lhe dava forças quando se sentia insegura.

 

- Jane? – falou quando o telefone foi atendido.

 

- Não, sou eu, cunhadinha. – reconheceu a voz de Charles, marido de Jane.

 

- Charles! Desculpe ter te acordado.

 

- Tudo bem, Lizzy. – respondeu animado. – Como estão indo as coisas aí?

 

- Estão péssimas. Tenho um teste hoje e este será o ultimo que faço. Caso não passe, volto pra casa amanhã mesmo, isso se meu cartão de crédito tiver limite para comprar a passagem.

 

- Essa não é minha cunhada! Não estou reconhecendo a Lizzy guerreira e forte de antes.

 

- Ah! Ela está cheia de dívidas para pagar, mora em um quartinho vagabundo de um dormitório ainda mais vagabundo e ainda precisa dividi-lo com as baratas. – usou seu humor negro. – Estou cansada, Charles. Só isso.

 

- Olha, te desejo muita sorte e depois nos falamos mais, pois Jane me mata se não passar o telefone pra ela agora. Bei...

 

- Lizzy? – Nem ouviu o final das palavras do cunhado e sua irmã já estava ao telefone. – Que negócio é esse de vir embora? Está ficando louca?

 

- Jane, não posso mais. Estou aqui há quase dez meses e tudo o que consegui foi trabalhar naquela maldita lanchonete aqui do bairro. Meus cabelos estão cheios de gorduras e eu estou fedendo a óleo! Talvez eu não seja tão boa cozinheira assim.

 

- Nem ouse repetir um absurdo desses! Você é uma excelente chef! Só não está tendo muita sorte, só isso. E o teste de hoje? Animada?

 

- Até ontem eu estava, mas tive um sonho tão aterrorizante que já estou esperando um grande desastre e mais outro ‘NÃO’.

 

- Foi só um pesadelo devido à ansiedade, Lizzy. Algo me diz que esse emprego vai ser seu.

 

- Ah, claro! Estamos falando apenas do restaurante mais requintado e caro de toda a França! Aliás, por que não dizer do mundo todo? Fora que é para trabalhar na cozinha de ninguém mais, ninguém menos, que William Darcy.

 

- E daí? Vai lá e arrasa, minha irmã. Tenho certeza de que o suflê dos Bennet será um grande sucesso.

 

- Não me fale em suflê pelo amor de Deus! Não quero que ele exploda novamente.

 

- O quê? Mas do que é que você está falando?

 

- Nada, nada. Deixa pra lá. Olha, preciso desligar, não quero chegar atrasada.

 

- Claro. Boa sorte, Lizzy. Estarei esperando sua ligação dizendo que conseguiu a vaga.

 

- Você é tão irritantemente otimista, Jane.

 

- E você não sabe o talento que é. Beijos.

 

Após se despedir da irmã, correu para o quarto para se arrumar. Vestiu algo confortável, simples, porém apresentável. Olhando o terninho básico Armani que lhe custara mais do que poderia pagar, sentiu-se satisfeita com o que viu.

 

O restaurante ficava a poucas quadras, vinte minutos de carro, mas sair uma hora e dez minutos de antecedência era fundamental para mantê-la calma. Pegou um táxi e como o trânsito estava bom, logo estava em frente ao imponente L´Ambroisie.

 

Após se identificar na entrada, pegou seu crachá e logo foi encaminhada para a sala de espera onde várias pessoas já esperavam o inicio do teste. Sentindo-se deslocada, sentou em um sofá onde uma loira linda de dois metros de altura estava sentada com rodelas de pepino sobre os olhos e do outro lado uma morena de aparência comum lia um livro. Sentou entre as duas, chamando a atenção da loira.

 

- Menos uma concorrente. – a loira falou com um sorriso vitorioso enquanto retirava um pepino e olhava Lizzy por inteiro.

 

- Desculpe? – Lizzy não entendeu o comentário.

 

- Ela quis dizer menos uma concorrente no quesito beleza. – a morena ao lado lhe informou sorridente. – Charlotte Lucas, americana de Nova York. – estendeu a mão para Lizzy.

 

- Elizabeth Bennet, de Londres. – retribuiu o aperto de mão já simpatizando com Charlotte. – Ela acaso acha que isso aqui é um teste para modelos? – cochichou para Charlotte.

 

- Acho que sim. E se for, sei que estou perdida. – brincou fazendo as duas rirem. – Nervosa?

 

- Muito! – admitiu em meio a um suspiro. – E você?

 

- Dá uma olhada nas minhas meias. – respondeu levantando a calça branca e deixando à mostra o par de meias de cores diferentes; uma azul e outra rosa. – Mal dormi esta noite.

 

- Nem eu. Tive um sonho tão estranho que me tirou o sono...

 

- Trabalhar na cozinha do L´Ambroisie é o sonho de qualquer um.

 

- Nem me fale, fora que é um ponto muito importante para incluir no currículo.

 

- E ainda trabalhar com William Darcy.

 

- Você duas querem fazer silêncio?! – a loira bradou sem retirar os pepinos dos olhos. – Preciso me concentrar para estar pronta para o teste.

 

- E o que vai cozinhar? – Charlotte a provocou, zombeteira.

 

- E o que importa isso? – respondeu agora sem os pepinos. – O que realmente importa está aqui, meu bem. – apontou para seu rosto e em seguida seu corpo. – Cozinhar é o de menos, acreditem. Afinal, estamos falando de William Darcy.

 

- Mas poderia me dar o prazer de dizer o que vai cozinhar para o teste dos pratos? – Charlotte insistiu, deixando Lizzy sem entender o motivo de tanta insistência.

 

- Ainda não sei, mas acho que vou fritar um ovo. – a loira respondeu empolgada, arrancando gargalhadas de Lizzy e Charlotte.

 

Enfurecida, a loira levantou e saiu marchando para o outro lado da sala.

 

- Não acredito que ouvi isso. – Lizzy falou quando se recuperou.

 

- Sou sua testemunha. – Charlotte completou ainda sorrindo.

 

Os testes começaram por grupos de cinco de cada vez. Charlotte e Lizzy ficaram em grupos diferentes. Lizzy estava tão nervosa que depois do sonho desistiu do suflê e optou por fazer um risoto à base de camarão e outros crustáceos.

 

Uma hora após o teste de cozinha ter sido encerrado, uma assistente do restaurante foi até a sala e anunciou que dos trinta candidatos apenas cinco haviam sido escolhidos para a entrevista com o chef William Darcy. Foi com grande alegria que Lizzy e Charlotte ouviram seus nomes entre os cinco finalistas.

 

- Ainda nem acredito que cheguei tão longe! – Charlotte comentou enquanto elas almoçavam antes da entrevista que ficara marcada para a tarde.

 

- Nem eu! – Lizzy concordou. – Viu a cara que a assadeira de ovos fez quando nós ficamos e ela não? – riram.

 

- Confesso que estou com medo dessa entrevista. – Charlotte falou séria. – Ficar cara a cara com ele me faz tremer nas bases.

 

- Nem me fale. Será que ele é o que todos dizem?

 

- Carrasco, bruto e lindo? Não sei, mas vamos logo descobrir.

 

- Pena que só tem uma vaga. Adoraria trabalhar com você, Charlotte.

 

- Eu também, Lizzy. Mas é a vida, uma eterna competição. Então, como você veio parar aqui em Paris?

 

- Bom, eu sempre gostei de cozinhar quando era pequena e quando chegou a hora de escolher um curso na faculdade não tive dúvidas, optei por gastronomia. É claro que minha mãe quase enlouqueceu, afinal ela queria que eu fosse médica como minha irmã, ou advogada como meu pai.

 

- Sei como é isso, comigo foi igualzinho.

 

- Mas cozinhar é minha vida. Então há quase um ano, quando acabei a faculdade, vendi meu carro velho e vim para Paris me especializar e arrumar emprego em um bom restaurante.

 

- E teve sucesso?

 

- Se preparar sanduíches no subúrbio de Paris é sucesso, pode crer, eu consegui.

 

- Melhor que eu, que consegui emprego apenas como lavadora de pratos e descascadora de batatas em um restaurante.

 

- Somos o fiasco do mundo gastronômico. Um brinde a nós. – Lizzy propôs enquanto riam.

 

- Um brinde a uma nova fase da nossa vida e ao começo de uma bela amizade.

 

Pontualmente às catorze horas elas estavam de volta ao restaurante. Por sorteio, elas seriam as últimas entrevistadas, com Lizzy sendo a quinta. Sentadas na ante-sala do escritório da gerência, esperavam ansiosas sua vez.

 

Os dois primeiros candidatos saíram arrasados da sala, pegando suas coisas e indo embora sem falar com ninguém. A terceira entrevistada saiu chorando, e ao passar correndo pelas meninas ainda conseguiu dizer:

 

- Ele é um monstro!

 

- Srta. Lucas.

 

Ao ouvir seu nome ser chamado, Charlotte estremeceu, recebendo um abraço carinhoso de Lizzy.

 

Aquela demora já estava matando Elizabeth. Charlotte estava dentro da sala há quase uma hora e quando finalmente saiu sua expressão era uma incógnita; nem feliz e muito menos triste. Não tiveram tempo para conversar, pois a assistente já a encaminhava para a sala.

 

Quando a porta foi fechada olhou para a mesa à sua frente se deparando com as cadeiras vazias; analisou todo o luxuoso cômodo, mas ele parecia vazio. Sem saber o que fazer, caminhou até a mesa, sentando-se na cadeira logo após.

 

- Srta. Bennet? – ouviu a voz vinda de uma porta, que pensou ser o banheiro. E então se deparou com o belo homem encostado na parede com as mãos no bolso.

 

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Ele era ainda mais bonito pessoalmente, pensou. Fez menção em levantar para cumprimentá-lo, mas ele a interrompeu e em seguida caminhou até a mesa, sentando-se e pegando o currículo dela nas mãos.

 

- Então é formada em culinária? – perguntou sem encará-la.

 

- Sim. – respondeu tentando se manter calma.

 

- Cursos de especialização em pratos refinados e exóticos. Gosta de ousar, não é, srta. Bennet?

 

- Cozinhar é isso, Sr. Darcy. Sempre reinventando os pratos para chegarmos a grandes pratos.

 

- Visão interessante. – falou baixando o currículo e encarando-a firmemente. – Não vi muita experiência profissional.

 

- Bom, trabalhei no restaurante da minha família em Londres antes de vir para Paris. Fiz estágio também durante a especialização em alguns restaurantes aqui de Paris.

 

- Resumindo: nada concreto. Nenhuma experiência de fato?

 

- Se vê desta forma, senhor. – respondeu firme, para não mostrar sua ansiedade.

 

- Seu risoto tinha um sabor diferente, algum ingrediente que o tornou mais forte e ao mesmo tempo delicioso.

 

- Usei o cominho no tempero do camarão, uma iguaria do Brasil.

 

- O toque de mestre. – ele falou em meio a uma risada.

 

- Não sei se foi um elogio ou uma crítica. – o afrontou sentindo que ele ria dela.

 

- Respostas afiadas e diretas, srta. Bennet. – respondeu sério, o que a deixou ainda mais nervosa. – Mais uma pergunta antes de acabarmos com isso. O que faria se eu a beijasse agora?

 

- O... O quê? – se indignou ao ser pega de surpresa.

 

- Perguntei o que faria se eu levantasse desta cadeira agora e a beijasse. – repetiu sério.

 

- Quebraria sua cara. – respondeu sem pensar, se arrependendo em seguida.

 

“E lá se foi minha grande chance!” – pensou.

 

- E por quê? – ele insistiu, agora olhando fixamente nos olhos dela.

 

- Olha, sr. Darcy. – falou nervosa, já levantando e pegando suas coisas. – Não sei que tipo de assistente o senhor quer na sua cozinha, mas essa não sou eu. – completou indignada. – Tenha um bom dia. – caminhou apressada até a porta.

 

- Srta. Bennet! – a chamou com a voz firme, fazendo-a parar e encará-lo. – Ainda não acabamos.

 

- Acabamos sim, sr. Darcy. – respondeu decidida.

 

- Sabe quantas assistentes já tive que demitir por estarem mais preocupadas em me levar para a cama do que cozinhar?

 

Esta pergunta a fez parar e acalmar seu coração.

 

- Não estou interessado em namoradas, srta. Bennet, mas em profissionais que vivam e respirem a gastronomia.

 

Ela permaneceu em silêncio, completamente constrangida por sua atitude. Ficou observando-o enquanto ele apertava o botão do telefone e pedia que a srta. Lucas entrasse na sala.

 

Charlotte entrou e logo percebeu o clima estranho. Lizzy permanecia parada junto à porta abraçada à sua pasta e com olhos assustados.

 

- Aproximem-se, por favor. – ele pediu e elas se aproximaram. – Diante do currículo, do prato que fizeram e pela entrevista, já escolhi a assistente de cozinha.

 

As duas se olharam apreensivas, mas Lizzy sabia que não seria ela, não depois da forma como agira há poucos minutos.

 

- Bem vinda ao L´Ambroisie, srta. Lucas. – finalmente anunciou estendendo a mão para uma sorridente Charlotte.

 

Lizzy ficou feliz pela nova amiga, ela merecia tanto quanto ela. Abraçou-a com sinceridade enquanto a felicitava. As duas já se retiravam da sala quando ele falou novamente.

 

- Srta. Bennet, ainda não a dispensei. – falou para a surpresa das duas. – A srta. Lucas é a nova assistente de cozinha e você, srta. Bennet, será minha assistente particular, o que implica em trabalhar comigo aqui no L´Ambroisie e nos eventos em que participar. Será meu braço direito na cozinha, minha sombra.

 

Lizzy mal podia acreditar no que estava ouvindo. Olhava para Charlotte e para William Darcy sem saber se tinha ouvido direito.

 

- Não tenho o dia todo, srta. Bennet. Preciso de uma resposta. – ele falou, vestindo seu casaco e se preparando para sair.

 

- Eu... Aceito. – finalmente falou, ainda com a voz trêmula.

 

- Ótimo. Esteja aqui amanhã antes das oito, odeio atrasos. Amanhã lhe explicarei qual será seu trabalho.

 

- Até amanhã, sr. Darcy. – o cumprimentaram, mas ele já saia pela porta sem respondê-las.

 

Após a saída dele as duas ainda se olhavam incrédulas. Depois de alguns segundos de choque finalmente se deram conta do que tinha acontecido.

 

- Ai meu Deus! – gritaram antes de se abraçarem, saltitando pela sala de tanta felicidade.

 

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