Citações

Quando lhe falta o que ambiciona, o verdadeiro filósofo contenta-se com o que tem.(Jane Austen)

O Bilhete - Capítulo 08 (Final)

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Capítulo 8

O dia amanheceu nublado, mesmo assim Lizzy se aventurou em uma passeio matinal pelo parque, como sempre fazia todas as manhas.

Saiu com a companhia de uma empregada dos tios, passou a passear pelas alamedas do parque perdida em seus pensamentos, a certeza de amar Darcy e saber que era amada a deixava muito feliz, a certeza de que ele a pediria em casamento também a alegrava.

Perdida em tais pensamentos, Lizzy só sentiu as grossas gotas de chuva que molhavam seu rosto, quando a empregada a alertou que era melhor correrem. As alamedas do parque já estavam totalmente molhadas, assim como Lizzy. A chuva havia apertado, e agora caia forte, seguida de rajadas de vento. Lizzy tentou correr mais, porém, pisou em falso e acabou por torcer o tornozelo, não conseguindo mais andar. A empregada começou gritar por ajuda, sem esperanças de ser ouvida.

- Volte ate a casa de meus tios, diga para eles o que aconteceu- orientou Lizzy.

A empregada mal havia saído, quando Elizabeth sentiu braços fortes a erguerem.
Assustada ela olhou para a face de quem a carregava, e se deparou com o rosto molhado de Darcy.

Lizzy o fitou com surpresa:
- Mas você não estava viajando? – balbuciou, confusa.
- Não precisei ir muito longe, pois minha prima arrependeu-se e pediu para voltar.

- Ah... Meu pé dói, acho que não consigo apoiá-lo no chão.
- Não se preocupe quanto a isso, é um prazer carregá-la. – sorriu - Ainda bem que eu estou aqui, pois se ficasse por mais tempo na chuva poderia apanhar um resfriado.
- É! Que bom que você está aqui! – Ela sorriu, mas não falava apenas por causa da chuva.

Darcy carregava Elizabeth no colo e era uma longa caminhada. Ambos estavam felizes, entorpecidos pelo contato um do outro, mas não sabiam bem o que falar.
Lizzy rompeu o silêncio:

- Mas tua prima voltou sozinha?
- Não, ela voltou com o Sr. John, e pediu permissão a minha tia para casar-se com ele.
- Sr. John?
- Sim, Srta. Elizabeth. Ele era o antigo jardineiro de Rosings Park.
- Jardineiro? – Ela abafou um sorriso. Achava graça ao imaginar como tal informação devia ter afetado Catherine de Bourgh, tão apegada a aparências e tradições.

Darcy reparou em sua reação, mas não a repreendia. Após o modo que sua tia a tratara, Elizabeth tinha todo o direito de pensar daquela maneira.

- Teu primo, o coronel Fitzwilliam, foi lá em casa ontem.
- É? Fazer o quê? – indagou, levemente desconfiado.
- Entregar-me uma carta.
- Você recebeu minha carta? - perguntou, ansioso por finalmente poder conhecer seus sentimentos. Mas antes que ela pudesse responder, deu-se conta – Mas o que a carta fazia com o primo? E era para ela ter sido entregue no dia anterior, quando você aguardava por mim no parque.

- É? Eu não sei. Mas quer saber o que eu achei a respeito dela? – Estavam quase chegando à casa, e ela queria aproveitar esses últimos minutos a sós.
- Mas é claro! – Ele cessou a caminhada e a fitou com intensidade.
- Eu adorei! - ela deu um sorriso que lhe iluminou a face.

Enquanto ainda estava com bastante coragem, acrescentou- Sr. Darcy, eu sou uma criatura muito egoísta, e para aliviar meus próprios sentimentos, eu me arrisquei a mandar aquela carta. Certas coisas definitivamente precisam ser ditas.
- Muito me chamou a atenção como você defendeu a minha família, mas não me surpreendeu. Eu sabia que agiria desta maneira. Apesar disso, acho que não deve se afastar tanto dos poucos parentes que tem, mesmo que seja em uma defesa justa. Em uma companhia tão agradável e educada, creio que ninguém se importou com o que sua tia disse.Portanto eu sinto muito que tenha se prejudicado com sua tia desta maneira.

Elizabeth pretendia continuar, e por saber que suas próximas palavras mudariam sua vida pausou um instante para se preparar. Sua inteligência não a poupava de palavras, nem sua razão deixava de falar o que seria próprio, mas seu coração tinha outras intenções. Ele batia tão rápido que só era possível admirar o homem que amava, e o único com quem poderia se casar.' Minhas batidas estão tão altas que duvido que ele não possa senti-las'- pensou Elizabeth.

E realmente, Darcy podia senti-las, pois a carregava. Sabia que Elizabeth não era facilmente intimidada por ninguém, ainda que sua tia fosse uma pessoas das mas intimidantes que conhecia. Devia estar nervosa por estar em seus braços. Sim, e seu discurso explicou muito bem o motivo da carta. Não a aborreceria mais após lhe entregar na casa dos Gardiners. Teria de controlar suas emoções, ainda mais quando estava com grandes esperanças após Elizabeth dizer que gostou de sua carta.

Mas tal informação era demais importante para ser esquecida, por isso fitou novamente seu rosto, e o que encontrou lá foi pura adoração.
Foi incapaz de não inquirir:
-Srta. Elizabeth, posso lhe perguntar se este é o motivo que a fez escrever o bilhete? Desconfio que não, pois você é muito justa para brincar comigo. Não posso evitar ter grandes esperanças.
Elizabeth, eu sempre te amarei e me sentiria honrado, e completo, se você aceitasse se casar comigo

Elizabeth sentiu seu coração disparar com aquela declaração. Ela queria responder, queria dizer que também o amava e que casar-se com ele era o seu maior sonho.
Mas nenhum som saiu de sua boca. Ela, então, ergueu seus olhos para fitá-lo e ele entendeu. Palavras não eram necessárias para exprimir o que sentia.
Ele baixou sua cabeça em direção a ela. Seus lábios se aproximavam pouco a pouco até se tocarem. Foi apenas um leve roçar, mas fê-los sentir uma verdadeira descarga de emoções.

Darcy trouxe-a mais para perto de si e comprimiu sua boca contra a dela com mais intensidade. Ela correspondia com a mesma urgência. Não importava que ainda estivessem na rua e pudessem ser vistos. Naquele momento, a felicidade que sentiam era muito maior que qualquer outra coisa. Só sabiam que pertenciam um ao outro e que nada nem ninguém jamais os afastaria novamente.

FIM
 

 

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