Capítulo 7
O sol se mostrava pálido em pleno fim de tarde na capital londrina, e o menino que o empregado da família Darcy pediu para que entregasse o bilhete na casa dos Gardiner decidiu pegar um atalho, já que o caminho entre as duas casas era longo e o clima estava irritantemente abafado.
Andando sozinho e completamente distraído, foi pego de surpresa por um puxão em sua camisa.
Ei garoto, onde você vai?- Perguntou o recém chegado Richard.
- Vou entregar este Bilhete- disse o menino amedrontado- Foi o senhor Darcy quem pediu!- se justificou.
- Bom, Para quem é ?- perguntou Richard curioso.
- É para a Srta. Bennet.
- Bom, se para a senhorita Elizabeth Bennet pode deixar que eu entrego.
- Mas senhor...
- Já disse, sou amigo dela, pode ir agora.
Dito isso, Richard se informou com o garoto onde Elizabeth estava, e seguiu ao seu encontro.
Mas não pôde chegar ao seu destino, pois fui bruscamente interrompido pelo caminho.
- Com licença, Senhor – um menino esbaforido cutucou o seu braço e antes que pudesse prosseguir parou para retomar o fôlego.
- Sua tia Catherine de Bourgh o avistou pela janela e ordenou que eu viesse correndo lhe chamar. Ela disse que o assunto é urgente.
- Urgente? – perguntou, desconcertado. – Bom, todos os assuntos para minha tia são urgentes. – ele resmungou.
- Mas penso que desta vez é mesmo sério, senhor. – o menino se apressou em justificar, agitado.
- Está bem. Então vamos lá. – Guardou a carta de Georgiana no bolso, pois não gostaria que ela percebesse que ele a tinha em sua posse.
Mas assim que fosse possível, pretendia encontrar a Srta Elizabeth Bennet e entregá-la pessoalmente. Não perderia por nada a oportunidade de revê-la.
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Enquanto isso, Elizabeth, cansada de aguardar por Sr. Darcy, retornava à casa de seus tios na companhia de Jane. Tinha lágrimas nos olhos e carregava em seu pensamento a certeza que ele não a amava mais.
Elizabeth, Jane e sua tia estavam conversando sobre os preparativos do casamento de Jane e Charlles quando uma criada anunciava a visita de Srta. Bingley.
Após todos os cumprimentos, a pedido da Sra. Gardiner um chá foi servido. Caroline examinava cada canto da casa e por vezes lançava um olhar de desdém. Todos estavam incomodados com o silêncio que se instalara na sala. Até que Caroline com um sorriso vitorioso nos lábios falou:
- Srta. Elizabeth, ficou sabendo da viagem repentina do Sr. Darcy?
- Não! - Respondeu Lizzy completamente surpresa.
- Soube que ao que parece, ele viajou de repente, como se estivesse fugindo de algo, ou alguém. Não acha estranho Srta.?
- Srta. Bingley, não me vejo no direito ou intimidade de opinar sobre as viagens do Sr. Darcy ou qualquer outro cavalheiro. Acho que a Srta. deveria pensar da mesma forma, já que ficar a par da vida alheia não é educado.
Caroline emudeceu, e com sua arrogância de sempre voltou a tomar seu chá, e em seguida partiu. Após a partida de Caroline Lizzy ficou perdida em seus pensamentos, uma tristeza lhe abateu de repente. Jane percebendo foi até a irmã, e tocando em seu ombro tentou consolá-la.
- Lizzy...
- Jane não se preocupe. Só preciso de um tempo sozinha, e então voltarei a ser a Lizzy de sempre.
Dizendo isso foi até o pequeno jardim que sua tia cultivava no interior da residência. Lágrimas caíram por sua face. Doeu-lhe a alma pensar que o Sr. Darcy fugira por se arrepender de ter dito que a amava, certamente caíra em si e percebeu que não a amava. Sentou em um banco e deixou sua dor e tristeza se esvaírem através de um choro dolorido. Nem percebeu quanto tempo ficou ali, estava tão envolta em sua tristeza que nem percebeu quando Jane se aproximou e disse:
- Lizzy! O Sr. Richard está na sala e deseja vê-la, disse que é importante.
Lizzy, muito surpresa, entrou na sala e cumprimentou o Sr. Richard. Não conseguiu sorrir com a alegria que lhe era peculiar e ele percebeu.
- Bom dia, Srta. Elizabeth. Estou sendo inconveniente em vir sem avisá-la?
- De maneira alguma. Sente-se, por favor. Deseja um chá?
- Não obrigado. Diga-me: o que traz a Srta. e sua irmã a Londres?
- Bem, meus tios nos convidaram. Minha irmã está noiva do Sr. Bingley, e junto com nossa tia estamos realizando os primeiros preparativos para o casamento, comprando as peças do enxoval. E a mudança de ares também nos faz bem.
- Oh, sim, muito bem. Acredito que será um belo casamento. Transmita minhas felicitações.
- E o que o traz a Londres, Coronel?
Lizzy sempre achara o Coronel Fitzwilliam muito agradável e sua visita lhe trouxe uma grande satisfação, mas ela não poderia imaginar que traria tanta.
- Eu vim na esperança de encontrar Darcy, mas infelizmente ele teve que viajar ontem à noite, às pressas. Uma situação de emergência. - O Coronel havia ficado tão encantado com Elizabeth que quase se esqueceu do que fora fazer ali e da gravidade dos acontecimentos da família.
Com um semblante tenso, prosseguiu:
- Na verdade, Srta. Elizabeth, vim aqui lhe trazer uma carta da Srta. Georgiana. Era para lhe ter sido entregue ontem e não o foi por minha culpa. Desculpe-me. Deixarei a Srta. a sós para que possa lê-la. Prometi à Georgiana que retornaria depressa, pois a companhia de Lady Catherine não lhe agrada muito. - ambos riram.
Entregou a carta à Elizabeth e partiu, prometendo retornar em outra ocasião.
Lizzy abriu a carta ansiosa e viu que eram duas folhas, cada uma com uma caligrafia. Ficou estática ao perceber que a segunda folha era assinada por Sr. Darcy, ou melhor, "Seu, F. D.". Não piscou. " Meu Fitzwilliam Darcy?, pensou, incrédula" Teve que se sentar. Seu coração palpitava em um ritmo aceleradíssimo. Respirou fundo.
Jane entrou na sala e perguntou o que Sr. Richard desejava, mas Elizabeth era incapaz de responder qualquer pergunta. Lia a carta mentalmente e ia dizendo, agitada e cada vez mais feliz:
- O Sr. Darcy ia dizer que me ama pessoalmente, Jane! Ainda tem esperanças.
- Oh! “Poder chamar-lhe de minha noiva”? Então ele ia renovar o pedido para se casar comigo! Ele quer se casar comigo, Jane!
- Que imprevistos urgentes são esses a que ele se refere??
E disse baixinho, só para si: “Seu coração está comigo, meu amor. Pode ficar tranqüilo. E o meu coração, corpo e alma também são seus”.
Jane disse:
- Então essa carta é do Sr. Darcy!! Lizzy, não acredito! Viu! Ele não se arrependeu por ontem! Estou tão feliz por você!! Nós podíamos nos casar no mesmo dia!
Lizzy riu. Não se lembrava de um dia ter sentido tanta felicidade! Ele a amava e queria casar com ela. Parecia um sonho! Queria vê-lo o quanto antes.
- Jane, o que será que houve de tão urgente para ele ter que viajar com tanta pressa? Será que ele demora para voltar? O Sr. Richard me pareceu preocupado.
- Deve ser algum problema em Pemberley...
- Não sei... Há algo muito estranho. Mesmo depois de ter sido expulsa, Lady Catherine voltou e está hospedada na casa dele.
Jane ficou espantada com a notícia e foi se sentar junto da irmã. Ao ver que havia outra carta em cima da mesinha, ao lado do sofá, perguntou se a irmã já a tinha lido.
- Não, Jane! Fiquei tão surpresa com a carta do Sr. Darcy que a esqueci. Dê-me, por favor. Deve ser de Georgiana.
Na carta, Georgiana se dirigia a Lizzy de maneira muito afetuosa e explicou-lhe toda a situação de Anne, pedindo-lhe o máximo de discrição quanto ao assunto. Contou-lhe da tristeza do Sr. Darcy ao ter que partir e do receio de que ela não o perdoasse por faltar ao encontro. Neste ponto, Georgiana intercedeu pelo irmão, pedindo a Lizzy que não ficasse brava com ele, pois sendo ele um homem muito bom e justo, não poderia deixar de ajudar Lady Catherine. Disse que gostaria de visitá-la, mas achava que sua tia não permitiria uma visita. Despediu-se carinhosamente.
- É de Georgiana, Jane. Ela explica o que houve e diz que ele deve voltar em dois dias.
Mesmo amando muitíssimo sua irmã e confiando nela plenamente, preferiu ser evasiva sobre o motivo da viagem do Sr. Darcy. Depois lhe contaria, se fosse necessário. Agora ainda estava sob o efeito das notícias e tinha que se preparar para o encontro com Sr. Darcy. Esperava que ele conseguisse encontrar a prima e retornasse o mais rápido possível...














