Citações

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de uma esposa.(Jane Austen)

O Bilhete - Capítulo 05

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Capítulo 5

Da sacada do quarto de Georgiana, Darcy observava enquanto Charles auxiliava Jane e Caroline a entrar na carruagem. Quando chegou a vez de Elizabeth subir, ela elevou seu olhar e encontrou o dele. Por um momento hesitou e permaneceu imóvel, apenas fitando-o, como se o desafiasse a fazer algo para impedi-la de partir.

- Vamos, Lizzy, suba na carruagem. - disse Charles despertando-a

Ela subiu e a carruagem se foi seguida pelo olhar de Darcy.

- O que houve, meu irmão? Aconteceu algo na rua? - Georgiana se aproximava para descobrir o que ele observava. Entendeu quando avistou a carruagem dos Bingley virar na esquina.

- Diga a ela o que sente, Fitzwilliam. - aconselhou-o a irmã segurando sua mão - Pela reação dela após a sua súbita declaração lá na sala, eu acho que você tem grandes chances de obter sucesso.

- Você acha?

- Sim. - ela sorriu - Tenho certeza.

- Com licença, Sr. Darcy, - era a governanta que batia na porta - chegou uma mensagem urgente para o senhor.

Darcy saiu alarmado enquanto Georgiana se perguntava o que poderia ser tão urgente.

Darcy pegou o papel da mão do criado e foi até a biblioteca.

- Não reconheço essa letra.
Ele abriu o papel e começou a ler.

Sr. Darcy,
Desculpe essas mal traçadas linhas, escrevo esse bilhete com muita pressa.
Não posso ficar indiferente a revelação que o senhor fez, a pouco tempo, sobre os sentimentos que nutri pela minha pessoa. Gostaria de conversar com o senhor ainda hoje, peço que esteja no parque dentro de 30 minutos.
Com carinho
Elizabeth.

Darcy terminou de ler os bilhete com um incrível sorriso brincando em seu rosto. Se arrumou com muita pressa e foi para o parque encontrar sua amada.

Uma névoa fina cobria toda a cidade e o jardim dos Gardiners naquela manhã. Mesmo assim Lizzy caminhava por entre os canteiros coloridos, buscando assimilar o aroma variado das flores. Em sua mente a frase era repetida mais uma vez ao som da voz grave: "... insulta a família da mulher que Amo!".

Fora assim durante toda aquela noite - mais uma noite em que mal pregou os olhos. Ansiosa, ela sentiu falta das caminhadas no campo. Levantou com a casa ainda dormindo e foi para o jardim tentar encontrar o sono perdido. Estava agasalhada mas ainda que nao o estivesse o frio não penetraria sua pele, aquecida pelo olhar que Darcy lhe lançara no dia anterior. Entre um e outro passo, um suspiro. Entre uma e outra flor, um pulsar.

Lizzy caminhava distraida em suas lembranças e sonhos até que viu a silhueta de um homem junto ao portão de entrada. Aproximou-se vagarosamente, alarmada porém curiosa. Quem seria àquela hora? Só poderia ser algo urgente. Assustou-se quando o portão abriu e o homem entrou. Ele caminhou em sua direção a passos lentos até que ela o reconheceu. Sem perder seu olhar ele colheu uma rosa branca. Seus olhos azuis a hipnotizavam e iluminavam o percurso entre eles. Ficaram frente a frente em uma batida de coração. Ambos abriram a boca na intenção de dizer algo, mas nada foi dito. Palavras tornaram-se dispensáveis diante do que desvendaram. Suavemente ele acariciou seu rosto e, aproximando-se, tocou seus lábios em um beijo terno, suave e cheio de emoção. Todo o frio desapareceu. O mundo não existia mais para ambos durante aqueles poucos segundos. Ele a abraçou e sussurrou em seu ouvido:

- Meus sentimentos não mudaram. Eu ainda a amo Elizabeth Bennet.

Ela tinha os olhos fechados quando o frio a tomou de forma repentina e cruel. Abriu-os com urgência e encontrou o vazio a sua frente. Acreditou que estivera sonhando e as lágrimas preencheram seus olhos. Percebeu, porém, a rosa branca em sua mão. Uma rosa que ela não havia colhido. Ela não havia sonhado, mas onde estava Darcy?

Aos poucos seus olhos se acostumaram com a escuridão e Lizzy reconheceu que estava no quarto que ocupava com Jane, na casa dos Gardiner. Mas como aquela rosa fora para ali?

- Será que eu sonhei? - Ela questionou mais alto do que deveria.

Jane que tinha o sono leve murmurou:

- Tudo bem Lizzy?

Ela estava sonolenta, Elisabeth não a importunaria com seus pensamentos.

- Nada, é só que tinha uma rosa em minha cama, e eu não me lembrava...

- Ora, você a pegou do vaso da titia. - Explicou Jane mais desperta - Adormeceu na sala, e tirou esta do arranjo enquanto subia sonolenta junto comigo.

- Jura? - Perguntou Lizzy decepcionada.

- Ahan. - Fez Jane enquanto adormecia novamente.

Lizzy cheirou a rosa virou para o lado e tentou dormir de novo, mas lembranças nada agradáveis tomaram conta dela. Agora se lembrava do ocorrido aquela tarde e entendia também o tom preocupado que sua irmã usara ao lhe inquirir se estava bem.

"Lizzy andava de um lado para o outro. Já esperava há mais de uma hora e meia, e ainda por cima ela tinha se atrasado um pouco para encontrar Sr. Darcy, uma figura se aproximou dando-lhe esperanças, mas era Jane que se mantivera longe para dar-lhes privacidade quando Sr. Darcy chegasse.
- Lizzy, eu acho que ele não vem.
- Jane, deve ter havido um problema... - Replicou a outra esperançosa.
- Acho melhor voltarmos.
Lizzy tinha lágrimas nos olhos, não mais se conteve. Foi abraçada por Jane, e juntas retornaram para a casa dos tios."

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