Lizzie entrou apressada no prédio onde ficava o hospital. Perguntou a uma das recepcionistas sobre Jane. Ela disse-lhe que esta estaria no terceiro andar. Imediatamente, Elizabeth andou até o elevador.
Chegando ao andar indicado, encontrou Charlotte em um dos assentos que ficavam no corredor.
A recém-chegada logo se dirigiu à amiga e disse:
- Char, onde está a Jane? Como ela está? – sentando em outro assento, junto à amiga, nervosa.
- Eu não sei, quando liguei para você os médicos já a tinham levado. Não tenho ideia de onde está agora...
Após o pronunciamento dessas palavras, um médico se aproximou das duas e disse:
- A paciente já está no quarto. – apontando a segunda porta à direita naquele corredor.
Elas agradeceram-no e foram até o tal quarto. Bateram à porta e entraram.
Lá dentro estava Jane, deitada na cama, chorando.
- Jane, o que houve, você está bem? – perguntou Lizzie, pegando em uma das mãos de sua irmã.
- Eu estou, Lizzie... mas meu bebê... ele... eu o perdi... – chorando ainda mais, abraçada à irmã e à amiga, que estava agora sem reação. – Eu o perdi... eu sabia que algo ruim aconteceria...
- Como assim, Jane? Já sentia dores ou algum sintoma há algum tempo? – perguntou sua irmã, preocupada.
- Não, na verdade eu tive sonhos muito estranhos... – ela olhava para um ponto qualquer no infinito, como se procurasse lembrar-se dos tais sonhos.
- Explique mais detalhadamente.
- Sempre nesses sonhos eu estava com meu bebê nos braços, e depois tudo se escurecia ou alguém desconhecido, sempre vestido de preto, arrancava a criança de meus braços. Acho que isso era uma espécie de sinal, para me avisar que eu perderia a criança. – calou-se e as lágrimas voltaram a rolar pelo seu rosto.
Lizzie e Charlotte tentavam consolar Jane e elas mesmas quando o mesmo médico que lhes indicara o quarto em que a última estava, dr. Scott Mendel, entrou na sala e disse:
- Alguma de vocês é parente da paciente?
- Eu sou a irmã dela. – respondeu Lizzie, apartando-se do abraço da irmã.
O homem chamou-lhe para fora da sala e começou a explicar a situação de Jane.
- Sua irmã sofreu um aborto espontâneo, ela chegou aqui com muitas dores abdominais e tinha pequenos sangramentos desde ontem. Aqui, tentamos imediatamente ouvir os batimentos do feto e fizemos um exame ginecológico. Infelizmente a pulsação do bebê não foi encontrada e o colo uterino estava dilatado, confirmando a hipótese de aborto. O corpo dela expeliu o bebê aqui mesmo, no hospital, após fazermos os exames.
Lizzie engoliu em seco, com os olhos ainda marejados e o médico continuou:
- Agora ela deve permanecer em observação por pelo menos dois dias aqui no hospital e em repouso por duas a quatro semanas, dependendo de seu estado.
Elizabeth concordou e o doutor ainda lhe deu algumas recomendações acerca da paciente. Depois, ele se foi.
Lizzie voltou para sua irmã, que tinha sido medicada e agora dormia.
Charlotte estava sentada no sofá que ficava num canto do quarto, olhando a irmã Bennet mais velha com piedade.
Lizzie encostou-se à cabeceira da cama da irmã e ficou observando-a.
- Pobre Jane... você não merece sofrer assim. Sempre foi tão boa... e agora sua vida transformou-se num mar de lágrimas... – pensou alto.
- Lizzie, não fique assim. Ela se recuperará e poderá engravidar novamente. São raras as vezes em que a mulher que sofre o aborto não pode mais engravidar.
- Eu sei, e quanto a isso não me preocupo tanto. Mas sim o estado emocional dela, que foi tão sacrificado nos últimos meses. Primeiro Charles, que viajou e não deu mais lembrança alguma. Depois, a notícia da gravidez, que ela teve que enfrentar praticamente sozinha. Agora o aborto. Talvez isso seja demais para o pobre coração da minha irmã... – às últimas palavras da amiga, Charlotte a abraçou.
- Você irá contar aos seus pais o ocorrido? –perguntou, quebrando o silêncio que reinara até aquele momento entre elas.
- Meu Deus! Eu não me lembrava desse “detalhe”... – falou ela, enquanto massageava a testa. – inquieta.
- Fale com seu pai, ele talvez compreenda melhor a situação.
- É, talvez... mas e se ele for procurar o Charles? – sentando-se no sofá onde Charlotte estivera há pouco.
- Procurá-lo não faz mais sentido, já que ela e o Bingley não têm mais ligação, agora que ela não está mais grávida.
- Você tem razão... ligarei para meu pai, ele saberá nos ajudar.
Assim, Lizzie deixou Charlotte e Jane - que ainda dormia - no quarto e saiu, a fim de ligar para o seu pai.
Já do lado de fora, respirou fundo e tentou procurar a coragem que ela sempre achou que tinha. Pensava em uma forma menos dolorosa de transmitir aquela informação e enfim conseguiu discar o número do celular de seu pai. Ele não era um amante da tecnologia, mas em seu trabalho – ele era editor de livros – aquele aparelhinho às vezes se tornava essencial.
Ele atendeu com bom-humor o telefone ao ver que era Elizabeth que estava ligando-lhe:
- Olá, Lizzie! Como vai minha filha querida?
- Oi papai, estou bem.
- Então por que está com essa voz tão abatida?
- É a Jane, pai... ela é que não está bem.
- Oras, o que aconteceu com ela? – levantando-se da poltrona de seu escritório.
- Pai, preciso que o senhor seja compreensivo. Escute tudo o que eu tenho a dizer e não julgue a Jane.
- Tudo bem, Elizabeth. Agora me conte o que está acontecendo, você quer que seu pai sofra dos nervos também? Não acha que sua mãe já é suficiente? – exclamou ele, tentando fazer graça, para descontrair seu próprio nervosismo.
- Vejo que o senhor já está relaxado o suficiente e agora posso lhe contar a história.
Elizabeth relatou tudo ao seu pai. Desde o início do namoro de Charles e Jane até o aborto que acabara de acontecer.
A princípio o ouvinte não emitiu uma palavra sequer, apenas sons de espanto, comoção ou surpresa.
Ao fim da narrativa, ele logo exclamou:
- Mas a Jane está bem? Sua mãe vai ter um ataque quando souber de tudo isso!
- A Jane está dormindo agora, depois de ter chorado muito...
- Coitada! Ela sempre foi tão boa, dócil... seria uma ótima mãe...
- É verdade. E quanto à mamãe... não sei o que fazer. Esperava que o senhor me ajudasse a encontrar uma solução.
- Acho melhor dizê-la o que está se passando. Se a Judith descobrir que escondemos isso dela, o ataque será ainda maior. Mas, pelo menos, ela ficará feliz ao saber que sua irmã conseguiu fisgar um milionário e ainda engravidar dele.
- Papai...! – repreendeu-o.
- Nós temos que ter um bom argumento para acalmá-la, não é?!
- Tudo bem, desta vez vou lhe dar um desconto...
- Cuide da sua irmã que eu darei a informação à sua mãe e viajaremos a Londres hoje mesmo.
- Obrigada, papai.
- Dê um beijo na Jane por mim. E me ligue se precisar de algo.
- Tudo bem. Tchau, pai.
- Até logo, minha Lizzie.
Elizabeth voltou ao quarto da irmã. Esta ainda dormia; e Charlotte lia um livro que carregava sempre na bolsa.
Pensou em como sua vida sofrera reviravoltas nas últimas semanas.
Antes, sentia extrema repulsão por William Darcy, simpatizava muito com George Wickham e se preocupava com a irmã, largada pelo namorado e grávida.
Agora, estava no hospital com Jane, que acabara de sofrer um aborto; sentia uma profunda antipatia por George Wickham, um homem sem escrúpulos e mergulhado em vícios; e havia descoberto William Darcy como um homem gentil e sensível, além de apaixonado por ela.
Lembrou dos beijos que trocara com o último em frente ao hospital. Eles foram uma forma de mostrá-lo que o que ele sentia por ela não era rejeitado, que talvez ela gostasse dele mais do que imaginava, que esse sentimento era forte e só crescia a cada traço de Darcy que Elizabeth conhecia.
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O sr. Bennet agora se encontrava num beco sem saída. Tinha certeza que sua esposa entraria em pânico quando soubesse da situação de uma das suas filhas prediletas. Mas, sabia também que Jane precisava da ajuda dos pais.
Assim, ele saiu de seu escritório e foi em direção à cozinha, de onde emanava um cheiro delicioso de biscoitos de aveia, que estavam sendo preparados pela sra. Judith Bennet.
Entrou no cômodo muito bagunçado, barulhento e que exalava um quente mormaço. O barulho, necessariamente, era o resultado da ajuda que Lydia e Kitty davam à mãe – mas a contragosto.
- Meninas, saiam da cozinha. Preciso conversar com sua mãe a sós.
Elas obedeceram ao pai imediatamente. Não porque eram filhas exemplares, mas porque já ansiavam há muito sair dali.
- Mas Benjamin! Não posso conversar agora. Não vês que estou muito ocupada?! – respondeu a mulher, exasperada.
- É muito importante o que eu tenho a lhe dizer. Ouça-me! – falou o marido, fazendo-a encará-lo.
- Tudo bem, espere um pouco.
Ele sentou-se em um dos banquinhos da copa, que tomava todo o centro a cozinha. Ela, por sua vez, terminou de pôr uma última travessa de biscoitos no forno e sentou ao lado do marido, em outro banquinho.
- A Lizzie acabou de me ligar, para falar sobre a Jane. – começou ele, num tom calmo, para que sua esposa não se afobasse.
- Oh! Eu já sei! Já sei! A minha bela e querida Jane está namorando o sr. Bingley! Mas que notícia esplêndida! Ela tem que fisgá-lo de uma vez e fazê-lo pedir a sua mão em casamento! – disse ela, levantando-se e se livrando do avental, já pronta para espalhar a notícia.
- Sente-se Judith! A Jane estava sim namorando o sr. Bingley, mas agora...
Ela interrompeu-o novamente:
- Agora ele já pediu-a em casamento! Eu sabia que minha Jane não seria tão bonita para nada! Temos que preparar logo o casamento! Os convites, os vestidos, tudo! – exclamou a mulher, transbordando de felicidade e já imaginando como seria esbanjadora a cerimônia de casamento da filha.
- Mulher, por favor! Sente-se e não exprima uma palavra sequer enquanto eu estiver falando! – murmurou ele, aborrecido.
Ela finalmente calou-se e ele narrou-lhe tudo.
A sra. Bennet, ao saber do estado da filha, irrompeu em choro e disse que queria vê-la imediatamente.
Assim, o comando da casa foi passado para Mary e o sr. e a sra. Bennet partiram imediatamente para a capital inglesa.
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Darcy chegara em casa radiante. Até aquele momento, repassava em sua mente os momentos passados com Elizabeth.
Se sábado ele pensava que ela o odiava, agora suas perspectivas quanto à ela mudaram radicalmente. A relação deles começava a engatinhar, pensava ele. Já passaram-se as agonias das noites em claro para a troca de fraldas, naquele momento o bebê precisava de assistência para se desenvolver.
Agora ele estava em sua cozinha, preparando um espaguete com almôndegas. Gostava de cozinhar quando estava de bom humor.
Pronta a sua refeição, sentou-se à mesa e saboreou o jantar, acompanhado por uma taça de vinho. Elizabeth não saía de sua cabeça – e nem ele queria que saísse.
Por fim, ele foi dormir cedo àquela noite. Além de estar cansado da viagem, queria adormecer logo, para sonhar com ela.
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Georgiana acabava de se arrumar. Deu uma olhadela para o espelho para verificar o resultado de seu esmero.
Realmente todo seu empenho fora eficiente. A regata branca decorada com pequenas flores cor-de-rosa, juntamente com o casaco de mesma cor e a calça jeans valorizava seu corpo esbelto e com curvas delicadas, como também seu porte ereto e esguio.
Uma maquiagem bem elaborada, mas sutil, e o cabelo solto completavam o seu visual.
Às oito horas da noite, pontualmente, Edward chegou para buscá-la.
Enquanto encaminhavam-se para o carro, ela cumprimentou-o com um beijo. Um longo e apaixonado beijo, como se as saudades que sentira dele não pudessem nunca ser saciadas.
- Eu já estava morrendo de saudades de você! – balbuciou ele, entre um beijo e outro.
- Eu também. – respondeu ela, sem parar de beijá-lo.
- Você está linda hoje...
- Obrigada. – ela olhou-o e sorriu, apartando-se dos beijos dele. – Você também está lindo. – disse ela, se referindo à camisa verde-musgo que ele usava, que formava uma bela dupla com a calça jeans dele e valorizava os seus olhos.
Eles foram tomados pelo silêncio, enquanto entravam no carro.
- Então, para onde vamos? – perguntou Georgiana, quebrando a quietude estabelecida até aquele momento.
- É surpresa!
- Mas Edward... – ela olhou-o, fazendo biquinho.
- Não adianta fazer chantagem, nem mesmo essa cara de criança desamparada. Você sabe que eu não aguento muito quando você faz essa cara. – depositando um último terno beijo na namorada, antes que ligasse o motor do veículo.
Ela apenas riu.
Vinte minutos depois, ele estacionou em frente a um restaurante.
Ela olhou para a fachada do restaurante, e depois para Edward.
- Mas... – ela ainda olhava para a fachada do lugar, num misto de incredulidade e satisfação. – Foi aqui que...
- Saímos juntos pela primeira vez*!... Eu sei! – sorriu.
Ela ia dizer algo, mas ele a interrompeu:
- Quero que revivamos aquele dia tão especial. Afinal, esse não é nosso primeiro encontro como namorados, senhorita?
Georgiana ainda estava admirada, só conseguiu sorrir-lhe e depositar um beijo apaixonado.
Assim, saíram do carro e entraram no restaurante.
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Elizabeth estava quase dormindo enquanto velava o sono de Jane. Olhou para o relógio, que indicava que era exatamente meia-noite.
Ela deixou escapar um suspiro de cansaço. Há duas horas que Charlotte fora para casa, já que trabalharia no dia seguinte.
Assim, observava a irmã, que acordara duas vezes, perguntando por seu filho e chorando. Outras vezes, a última dizia palavras desconexas, geralmente chamando por Charles.
Num momento em que quase cedia ao sono, ouviu um barulho à porta. Logo depois chegavam ao quarto da filha o sr. e a sra. Bennet.
A última mal olhou para Elizabeth, correu para a cabeceira da cama da outra filha, tomando-lhe a mão.
- Oh, Jane...! Minha bela e querida Jane... – se lamentava a mulher, enquanto acariciava a mão da doente.
O sr. Bennet, por sua vez, olhou para a enferma compadecidamente, mas, ao perceber que ela dormia, dirigiu-se para Lizzie, que já ia ao seu encontro.
- Papai! – falou a última, abraçando-o.
- Minha Lizzie! Como está? E a Jane, dorme há quanto tempo? – disse ele, após retribuir o abraço e beijar-lhe a face.
-Eu estou bem, e a Jane dorme desde a hora em que lhe telefonei. Acordou por duas vezes. Jantou, chorou por um tempo ainda... Porém, o que preocupa é que ela chamou várias vezes o nome de Charles...
- Pobre garota... mas pode ficar tranquila. Se a melhora dela depender de lamentações, sua mãe poderá curá-la daqui a cinco minutos...! Durante toda a viagem ela se lamuriou, estou exausto!
Elizabeth conseguiu apenas soltar um risinho.
- Você também deve estar cansada, se mostra com profundas olheiras. – continuou o pai.
- Realmente estou. Cheguei hoje de uma viagem de negócios e vim direto para o hospital.
- Então vá para casa. Aposto que sua mãe não se importará em ficar com a Jane esta noite.
Assim, ficara combinado que a sra. Bennet permaneceria com a paciente durante a madrugada e o seu marido iria com Lizzie para o apartamento das filhas. Pela manhã, Elizabeth se dirigiria ao trabalho, o sr. Bennet para o hospital, e a sra. Bennet para o apartamento.
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No meio da noite, Jane acordou.
Abriu os olhos devagar, sua cabeça doía muito. Talvez isso se devesse a todo o oceano de lágrimas que derramara naquele dia.
Olhou ao seu redor e se assustou quando viu quem estava ao seu lado.
- Mamãe?! O que está fazendo aqui? – exclamou ela, acordando a sra. Bennet, que cochilava recostava no sofá.
- Minha querida Jane! Finalmente você acordou! Como está se sentindo? Quer que eu chame um médico para lhe examinar? Oh, meu Deus! Você está pálida! Espere que eu vou chamar uma enfermeira.
A mulher já ia berrar por uma enfermeira quando a filha interrompeu:
- Mamãe, isso não é necessário. Estou bem. Só com uma pequena dor de cabeça, mas ela já irá embora.
Ela demorou-se um instante para continuar, como que para adquirir forças:
- Mas... como a senhora soube que eu estava no hospital?
- Minha filha, sou sua mãe! Você não acha que devo saber de tudo que se passa com você?
- Claro, mamãe... entenda-me... eu apenas quero saber como a senhora soube. – falou Jane. Mesmo doente, o seu tom bondoso não se esvaía de seu ser.
- A Lizzie ligou para o seu pai. Ele e eu viemos para cá quase voando!
- E onde eles estão agora? – murmurou, enquanto vasculhava com os olhos o quarto em que estava.
A sra. Bennet explicou tudo para Jane, e esta voltou a dormir algum tempo depois.
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Elizabeth chegava ao seu trabalho à hora habitual.
Saiu do elevador em direção à sua sala e percebeu que William estava no corredor, discutindo algo com Hannah. Ele estava ligeiramente reclinado para poder acompanhar melhor as observações feitas por sua secretária, que não era muito privilegiada em termos de estatura.
Lizzie andou até o lugar onde ele estava.
Antes que chegasse até Darcy, ele ouviu os seus passos e olhou em sua direção para se certificar de quem era.
Percebeu que era Elizabeth e sorriu. Essa era a única ação que ele tinha certeza que faria, já que não sabia como eles se tratariam de agora por diante e nem sabia que tipo de relacionamento era o deles.
A recém-chegada parou junto aos dois, desejou um bom dia para ambos, deu um último sorriso para Darcy e entrou em sua sala.
William seguiu-a com o olhar até que ela fechasse a porta atrás de si.
Hannah percebeu a troca de olhares e a mudança de comportamento dos dois. Antes eles mal se cumprimentavam, muito menos sorriam tão radiantes um para o outro como faziam agora. Havia acontecido algo na viagem para o Derbyshire, ela tinha certeza. Mas não podia afirmar o que fora. Pelo menos se alegrava pelo sr. Darcy, não lembrava a última vez que o vira com um humor tão bom assim.
Não demorou muito até que Darcy se apartasse de Hannah para ir ter com Lizzie na sala desta.
Bateu à porta e entrou. Elizabeth, por instinto ou por alguma ligação misteriosa entre os casais apaixonados, já esperava que fosse ele quem estava à porta. Por isso sua surpresa não foi significativa ao vê-lo entrar em seu escritório com um sorriso arrebatadoramente arrasador, mas sem saber bem o que dizer.
Ela estava sentada em uma poltrona quando ele se aproximou dela. Ficaram separados apenas pela grande mesa de carvalho que ficava na sala dela.
William sentou-se e começou a falar:
- Olá. – disse ele, um tanto confuso. – Espero que sua irmã esteja melhor.
- Ela está se recuperando aos poucos. Terá de passar mais um dia no hospital, em observação, e mais dois meses se recompondo em casa. – respondeu ela, olhando firmemente naqueles olhos azuis.
- Então foi tão grave assim? – exclamou, realmente preocupado.
Lizzie engoliu em seco com essa pergunta. Não era sua intenção mentir para ele ou omitir alguma coisa. Porém, seria necessário. Pela paz da sua irmã.
Darcy era o melhor amigo de Charles, se soubesse da gravidez e do aborto com certeza contataria o amigo, o que só pioraria ainda mais o estado de nervos de Jane.
Enfim, respondeu:
- Um pouco. Mas ela já está melhor. Obrigada. – falou logo, para que ele deixasse de lhe questionar sobre aquele assunto.
Após aquelas palavras dela, uma calmaria pairou pelo ar. Eles ficaram apenas se entreolhando, curtindo cada detalhe do corpo do outro.
Mas Darcy procurou sair rapidamente de seu estado de torpor e disse:
- Gostaria de almoçar comigo hoje?
- Claro. Adoraria. – respondeu ela, deixando que seu coração decidisse o que faria naquele momento.
Percebendo que já havia se demorado demais ali, Darcy se levantou para sair. Ela levantou-se também.
William aproximou-se dela para beijar-lhe a face. Elizabeth, atrapalhada pelo nervosismo que sentia quando estava com ele, virou seu rosto e os lábios deles se encontraram.
Embora tenha sido sutil, o toque dos lábios foi se intensificando a cada instante devido à paixão e ao desejo contido há tanto tempo pelos dois.
Eles já estavam jogados sobre a mesa de carvalho, tomados por uma intensa força interior que atraía um para o outro.
Lizzie se apartou do beijo e das carícias dele e exclamou, ofegante:
- William, é melhor pararmos. Se alguém nos flagrar não será apropriado. – falou, enquanto ajeitava seu cabelo e seu blazer, que estavam em pleno desalinho.
- Desculpe, não consegui resistir... – num tom sedutor, fazendo-a rir.
- Hum... ainda bem que tem senso de humor, sr. Darcy. – quem riu desta vez foi ele, saindo de cima da mesa.
- A senhorita não sabe o quanto... – falou, depositando-lhe um último beijo e saindo da sala, dizendo essas últimas palavras:
- Estarei aqui ao meio-dia e meia.
- Tudo bem, não me atrasarei.
Ele saiu e ela sentou-se e suspirou, voltando ao seu trabalho.
**********************************
À hora marcada, Lizzie saía de sua sala em direção ao corredor.
Olhou para a porta da sala de Darcy e ele saía também.
“Quanta sintonia...” – pensou ela.
- Então, vamos? – perguntou ele, quando chegou a ela.
- Claro.
Eles se despediram de Hannah, que continuava a olhá-los com a mais extrema admiração.
Saíram da empresa conversando animadamente e entraram no carro de Darcy, que o manobrista já havia retirado da garagem.
Alguns minutos depois, chegavam ao restaurante no qual William fizera a reserva.
O lugar era um elegante e refinado restaurante. Frequentado apenas pelas pessoas mais influentes da Inglaterra.
Elizabeth se encantou logo com a decoração do ambiente, que era formada por luminárias brancas e quadradas espalhadas por todo o teto e mesas também quadrangulares, mas de uma cor marrom muito escura.
Andaram até a mesa reservada. Esta ficava em um canto do restaurante, junto à parede e estava separada do jardim que circundava o estabelecimento apenas por um vidro fumê, que servia de parede no restaurante.
Eles sentaram-se e começaram a travar uma conversa muito animada, regada por olhares intensos e descoberta mútua.
A cada novo detalhe dele que conhecia, Elizabeth tinha certeza que gostava dele. Muito. Não sabia quando começara essa admiração, e se repreendia por tê-lo julgado tão mal outrora.
O jeito como ele afastava as mexas de seu cabelo negro, que insistiam em cair sobre sua testa, fascinavam-na; o modo como aqueles olhos azuis a fitavam hipnotizavam-na; e o sorriso... bom, era melhor nem comentar acerca do sorriso. O mais interessante foi descobrir que as preferências deles coincidiam muitas vezes.
William, por sua vez, estava cada vez mais feliz. Realmente havia escolhido certo. A mulher que ele roubara sua atenção era inteligente, bonita, engraçada, elegante... cada palavra que saía da boca dela fazia-o amá-la ainda mais.
Aqueles expressivos olhos castanhos demonstravam toda sua perspicácia e vivacidade. Sua boca bem marcada, em proporções ideais, provocava nele ainda mais vontade de beijá-la, sentir seu sabor e seu calor junto a si.
Formavam um belo casal, apesar de todos os contrastes. Talvez estes os tornavam ainda mais perfeitos juntos.
O desejo deles naquele momento era um só: que seus instantes juntos não acabassem nunca, que durassem por toda a eternidade.
A moment like this
(Kelly Clarkson)
What if I told you
E se eu te dissesse
It was all meant to be
Que tudo estava predestinado?
Would you believe me?
Você acreditaria em mim?
Would you agree?
Você concordaria comigo?
It's almost that feelin
É quase como aquele sentimento
That we've met before
Que nós já nos conhecemos antes
So tell me that you don't think I'm crazy
Então me diga que você não acha que eu sou louca
When I tell you love has come here and now
Quando eu te disser que o amor veio aqui agora
A moment like this
Um momento como este
Some people wait a lifetime
Algumas pessoas esperam uma vida toda
For a moment like this
Por um momento como este
Some people search forever
Algumas pessoas procuram para sempre
For that one special Kiss
Por aquele beijo especial
Oh, I can't believe it's happening to me
Oh, eu não posso acreditar que está acontecendo comigo
Some people wait a lifetime
Algumas pessoas esperam uma vida toda
For a moment like this
Por um momento como este
Everything changes
Tudo muda
But beauty remains
Mas a beleza permanece
Something so tender
Algo tão carinhoso
I can't explain
Que eu não posso explicar
Well, I may be dreaming,
Bem, talvez eu esteja sonhando,
But still lie awake
Mas eu ainda estou acordada
Can we make this dream last forever
Nós podemos fazer esse sonho durar para sempre?
And I'll cherish all the love we share
E eu vou valorizar todo o amor que nós compartilharmos
Could this be the reign of love above?
Poderia esse ser o melhor amor de todos?
I wanna know that you will catch me when I fall
Eu quero saber se você vai me segurar quando eu cair
So let me tell you this
Então me deixe lhe dizer isso
Some people wait a lifetime
Algumas pessoas esperam uma vida toda
For a moment like this
Por um momento como este
Some people spend two lifetimes
Algumas pessoas gastam o tempo de duas vidas
For a moment like this
Por um momento como este
Some people search forever
Algumas pessoas procuram para sempre
For that one special Kiss
Por aquele beijo especial
Oh, I can't believe it's happening to me
Oh, eu não posso acreditar que está acontecendo comigo
Some people wait a lifetime
Algumas pessoas esperam uma vida toda
For a moment like this
Por um momento como este
Oh, like this
Oh, como este
Some people search forever oh yeah
Algumas pessoas procuram para sempre, oh yeah
Some people wait a lifetime
Algumas pessoas esperam a vida toda
For a moment
Por um momento
Like this
Como este
http://www.youtube.com/watch?v=cTsEzGXuNlo
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À noite, quando chegou em casa, Lizzie encontrou uma cena comum, mas que há muito não via.
A sua mãe estava na cozinha, preparando o jantar; seu pai assistia a um canal de esportes, na televisão.
Então, cumprimentou-os com um beijo e perguntou pela irmã:
- Ela está no quarto, descansando. – respondeu a sra. Bennet. – Mas não vá importuná-la, mandei que ela ficasse deitada, imóvel! O médico disse que ela não pode fazer longas caminhadas.
- Mas mamãe! Do quarto dela à sala não são nem trinta passos! – reclamou Lizzie das típicas atenções exageradas da sua mãe.
- Sua irmã ainda está em fase de recuperação! Não pode ficar passeando pela casa! – exclamou a mulher, enquanto enxugava as mãos no avental que usava.
- Tudo bem, mãe... só vou conversar com ela. Isso não vai afetar seu estado de estátua... – falou ela, enquanto entrava no quarto da irmã.
Elizabeth olhou para Jane. Esta estava menos pálida e com uma aparência menos abatida.
- Olá, Jane. Como está se sentindo? – perguntou Lizzie, sentando-se na cama da irmã.
- Estou bem, Lizzie. A mamãe está me enchendo de cuidados e duvido não estar renovada daqui a duas semanas. – sorrindo, mas ainda fraca. – Como foi no trabalho hoje? Vejo que chegou de bom humor.
Elizabeth ficou um pouco encabulada com a pergunta. Não tivera tempo de contar à Jane sobre sua relação com Darcy. Sentia-se, de certa forma, culpada por contar tantas alegrias à sua irmã, que estava passando por um momento extremamente triste e difícil. Mas, enfim, decidiu por dizê-la tudo. De um modo menos entusiástico, mas diria.
- Jane, acho melhor você se segurar aí na cama, porque o que eu tenho para lhe contar vai assustá-la, e muito! – começou Lizzie, dramatizando um pouco.
- Hum... o que você tem a me contar que é tão assustador? – perguntou Jane, entrando no “joguinho” da irmã.
Elizabeth falou tudo a Jane, desde a declaração que William fizera para ela até a hora em que saíra do trabalho àquele dia, quando eles demoraram um pouco mais para se separarem.
Ao término do relato, Jane estava atônita e olhava incrédula para a irmã.
- Sempre achei que sua aversão a ele cheirava a amor contido! – deixou escapar uma pequena risada. – Charles e eu discutimos sobre isso algumas vezes e... – deixou a frase morrer.
- Ai, Jane... não era pra eu ter te contado. Você só vai ficar mais triste. Desculpe-me. – falou Lizzie, abraçando a irmã e acariciando os cabelos louros dela.
- Não tem problema, Lizzie. Eu não estou triste! Estou feliz, porque você está feliz e isso é o que importa!
- Você ligou para a Bingley Publicidade para justificar sua ausência hoje? – perguntou Elizabeth, mudando de assunto.
- Sim, liguei. Mas não disse o motivo da minha falta. Disse que estava de licença médica e que quando retornasse ao trabalho mostraria o atestado do hospital.
- Foi melhor assim, acho que essa não era a melhor hora para você contar sobre o bebê. – Lizzie falou, quase completando: “Um bebê que o pai nem quis saber que existia...” – ao lembrar-se das inúmeras e incontáveis vezes que sua irmã ligara para Charles e ele não atendera.
- Meninas, o jantar está servido. Venha para a mesa, Lizzie. Jane, levo já o seu à sua cama. – gritou a sra. Bennet da cozinha, impedindo que suas filhas prolongassem o diálogo.
************************************
Darcy entrou em seu apartamento e largou seu material de trabalho em um canto da sala.
Deixou que seu corpo se afundasse no sofá, fechou os olhos e repassou em sua mente os momentos que vivera com Elizabeth.
Voltou seus olhos para uma mesinha disposta junto ao sofá da sala, onde ficavam alguns porta-retratos.
O primeiro, da esquerda para a direita, era uma foto antiga: ele ainda era um adolescente e posou para a fotografia junto com seus pais e Georgiana, ainda uma criança; a segunda era da sua irmã; na terceira, ele estava com alguns amigos da faculdade; a quarta era de uma viagem que fizera para a América Central – nesta, ele vestia apenas uma sunga, deixando à mostra seus braços definidos e seu abdome firme, que já não eram mais tão definidos quanto antes; e, na quinta, estavam ele e Charles, sorrindo.
William, então, lembrou-se que há muito tempo não falava com o amigo e resolveu telefoná-lo, para saber como este estava e para contar-lhe sobre sua relação com Elizabeth.
- Alô, Charles?!
- Olá, Darcy! Como vai?
Darcy achou o tom de voz do amigo, estranho. Parecia infeliz e cansado. Perguntou-lhe por que estava daquele jeito.
- Você pode me achar um idiota, mas é que eu estou me sentindo um lixo. Morro de saudades da Jane. Essa distância dela está me matando...
- Mas você não telefona para ela às vezes? A sua viagem é apenas temporária, logo você voltará para os braços dela.
- Esse é o problema, Darcy. Não falo com ela já há bastante tempo... – Charles não sabia qual seria a reação do amigo quando dissesse que não falava com Jane desde que viajara para Escócia. Preferiu deixar subentendido e revelar as coisas aos poucos.
- Então você não deve saber que ela esteve no hospital, não é? – perguntou ele, achando que há apenas alguns dias que seu amigo não se comunicava com a namorada, por escassez de tempo.
- Ela o QUÊ? – quase gritando, Bingley.
- A Lizzie me disse que ela precisou passar dois dias em observação no hospital e passará dois meses em casa.
- Oh meu Deus! O que aconteceu com a Jane? Oh meu Deus! - Exclamou Charles, o nervosismo e a preocupação, misturados a uma extrema culpa inflamavam seu corpo de uma só vez.
O último pensou um pouco e logo falou:
- Preciso desligar, Darcy. Até mais. – encerrando a ligação, sem mais delongas.
* Edward se referiu ao encontro descrito por Georgiana, quando esta estava ao telefone com Charlotte. Foi nesse encontro que eles viram o sol nascer juntos às margens do rio Tâmisa.













