A lua dava lugar ao sol, que agora era quem iluminava o céu do Derbyshire, anunciando a chegada de um novo e belo dia.
Lizzie, que teve um sono perturbado durante toda a noite, acordou-se com o canto de um pássaro. Sorriu. Pensou que talvez aquele dia fosse melhor que o anterior.
Levantou-se e abriu as cortinas de seu quarto, deixando a luz do sol atravessar as portas e janelas e iluminar o cômodo, que até aquele momento estava mergulhado no breu.
Ela foi até o banheiro, lavou o rosto, olhou-se no espelho e encarou as olheiras que reinavam em seu rosto.
Voltou ao quarto. Observou a paisagem à sua frente a partir da janela próxima à porta da varanda. Sentiu o tempo convidativo para uma cavalgada. Assim, foi até o seu armário procurar algo para vestir em sua atividade.
Enquanto escolhia a roupa, foi interrompida por batidas à sua porta. Abriu-a. Era um funcionário do hotel.
- A senhorita tem uma correspondência. – falou ele, enquanto estendia a sua mão, onde estava a carta.
- Obrigada. – respondeu ela, pegando o envelope e fechando a porta.
Olhou o remetente e viu o nome de William Darcy estampado ali.
“Mas o que ele quer?”
Abriu o envelope e viu a letra dele. Esta parecia um pouco rebuscada, apressada, ou até mesmo trêmula. Mas continuava firme, confiante e bem desenhada.
Ela começou a ler:
“Srta. Elizabeth,
Sei que deve estar se perguntando o porquê de estar recebendo esta carta minha, a essa hora da manhã.
Não pretendo discursar aqui sobre os sentimentos que lhe causaram tanta aversão. Mas, se me permitir, me defenderei das acusações que tem contra mim.
Em primeiro lugar, esclareço-lhe que não tive, não tenho e espero nunca ter nenhum relacionamento amoroso com a Caroline.”
Ela interrompeu a leitura da carta e riu. Uma risada gostosa e debochada eclodiu em sua garganta, e ela não pôde conter. Aliás, não quis conter.
Continuou a ler:
“Ela é apenas funcionária da minha empresa e irmã do meu melhor amigo.
Porém, se duvidar de minhas palavras ou achar conveniente, pode perguntar a Georgiana ou a Charles a veracidade de minhas afirmações.”
“Sr. Darcy, quanto a isso pode ficar tranquilo; essas afirmações, as minhas observações e o meu conhecimento sobre o caráter de Caroline Bingley lhe absolveram dessa acusação...” – pensou ela, enquanto continuava a rir, imaginando a cara patética de Caroline quando soubesse que fora desmascarada.
Voltou à leitura:
“Quanto à segunda acusação que me fez, eu não sei o que o sr. Wickham contou sobre nossa relação, mas narrarei a versão verdadeira.
George Wickham e eu crescemos juntos, apesar de ele ser uns anos mais novo. Nossos pais eram muito amigos.
O sr. Nicholas Wickham, pai dele, era um dos acionistas da empresa de meu pai e de outras várias empresas. Era um homem muito bondoso e justo. Mas o seu vício em jogos e em álcool fê-lo perder sua fortuna, sua auto-estima e o respeito alheio. Ele morreu meses depois, suicidou-se. Não agüentava mais viver sob tais circunstâncias.
Ele deixou uma carta, destinando a tutela de George para os meus pais, já que a mãe do garoto morrera na hora do parto.”
“Que tragédia! Pobre sr. Wickham!” – pensou Lizzie, sedenta por ler o resto da carta.
Prosseguiu:
“Assim, passamos a conviver mais tempo um com o outro. Georgiana ainda era muito pequena.
Com o passar dos anos, comecei a conhecer o verdadeiro caráter do sr. Wickham. Como estudávamos na mesma escola, eu me tornava ciente das travessuras e sandices feitas pelo protegido de meu pai. Conversei com o último sobre os atos de George. Na escola, ele teve a confirmação do que eu dissera e deu-lhe castigos.
Eu deveria saber que os cuidados de meu pai não surtiriam o efeito esperado.
Na universidade, eu soube de mais atos de George. Mas, dessa vez, não tive tempo de informar ao meu pai.
No fim de semana seguinte, meus pais morreriam em um acidente de helicóptero.”
Elizabeth levou à boca uma de suas mãos, em sinal de assombro, compaixão.
“Então, eu assumi a presidência da imobiliária, e George, o cargo destinado a ele, uma das consultorias de imóveis. Ambos estávamos sendo supervisionados por um profissional mais experiente, designado por meu pai, até que terminássemos nossa graduação.
Anos mais tarde, quando eu já controlava totalmente a presidência, o sr. Wickham exigiu a herança deixada pelo meu pai para ele.
Eu, apesar de contrariado, cedi-lhe sua parte. Não demorou muito para que ele gastasse tudo e me pressionasse por mais. Dei incontáveis adiantamentos de salário em nome da consideração que meu pai lhe dedicava.
Quando Georgiana ocupou a vice-presidência ele promoveu uma intensa aproximação à minha irmã. Declarou-se apaixonado por ela e transformado por esse amor; conseguiu até arruinar o namoro dela.
Georgiana, tomada pela inocência e cega pelas atenções que ele dedicava a ela, acreditou mesmo no tal sentimento.
Mas tudo fora parte de um jogo. Um jogo preparado por ele para conseguir ainda mais dinheiro.
Algumas semanas depois do começo do relacionamento dos dois, o plano de Wickham foi delatado por um de seus comparsas.
Ele planejava seqüestrar minha irmã, aproveitando-se do conhecimento que tinha de nossa casa e de nós mesmos, a fim de conseguir dinheiro para pagar suas dívidas de jogo e ainda se divertir à vontade com o resto.
A senhorita deve imaginar como Georgiana ficou. Não saiu de casa por dias, não conseguia confiar em mais ninguém além de mim. Foi uma experiência horrível para nós.
Felizmente, ela já se recuperou, quase totalmente.
Desculpe-me por não ter relatado-lhe isso ontem à noite, mas eu não tinha pleno domínio sobre mim na ocasião.
A par de todos os fatos, espero que me absolva das acusações feitas, se assim lhe aprouver. Não pense que, ao escrever-lhe essa carta, espero eu ganhar sua confiança ou simpatia, tento apenas não ser julgado por algo que não fiz.
Agradecido por sua atenção,
Fitzwilliam Darcy.”
Elizabeth agora encontrava-se tonta. Deixou-se cair sobre a enorme cama de casal do seu quarto de hotel e fechou os olhos.
Seria possível aquilo tudo ser verdade? Que Wickham era um monstro, um criminoso, talvez?
As informações contidas na carta reviravam-se em sua cabeça.
Começou a analisar tudo, como se aquele fosse mais um de seus casos, onde um dos dois com certeza estava mentindo e ela teria que descobrir quem era.
George dissera que fora acusado de algo que não fizera para ser demitido; Darcy se beneficiara pela riqueza de detalhes, dera um motivo plausível para a demissão e, além disso, a sua versão justificaria a inicial timidez de Georgiana, tomada como arrogância por Wickham.
Mas este último poderia estar certo sobre os ciúmes que Darcy poderia sentir dele. Afinal, qual criança não ficaria enciumada se seus pais adotassem outra e tratassem-na tão bem quanto a ela própria?
Por outro lado, se os ciúmes fossem reais, William não hesitaria em despedir George por seus sucessivos adiantamentos de salário.
Além do mais, se a versão de Wickham fosse a verdadeira, por que ele iria querer sujar a imagem do filho do homem que acolheu-o em sua casa sem reserva alguma?
Isso não fazia sentido.
Outra coisa que se mostrava como um fato era a intensa admiração que os funcionários da imobiliária dirigiam aos herdeiros Darcy; o que não teria lógica se eles despedissem e/ou julgassem seus subordinados injustamente.
Assim, Lizzie chegou a uma conclusão: as vítimas naquela estória eram Darcy e sua irmã, além dela própria, que acreditara que o Wickham lhe contara poderia ser verdade; e o culpado, George Wickham, não merecera a atenção que ela lhe dera.
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Vencido pelo sono e pelo cansaço, acabou dormindo recostado em sua mesa improvisada.
Foi acordado pelo sol, que lançava seus primeiros raios com vigor e magnitude, já que esquecera as cortinas abertas.
Agora Darcy estava nervoso. Já tentara de todas as formas superar a tensão, mas ela vencera em todos os casos.
Decidiu cavalgar. Afinal, o dia se mostrava belíssimo, e, assim, ele poderia, por um segundo, parar de indagar-se se Elizabeth já teria lido a carta, ou o que ela deveria estar pensando dele naquele momento, se ainda o via com maus olhos.
Vestiu-se logo e saiu para o estábulo. Pediu que selassem para si um cavalo e começou a cavalgar sem direção, apenas para sentir seus cabelos esvoaçarem pelo vento, o sol queimando sua face, a liberdade adentrando em seu peito.
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Lizzie precisava refrescar sua mente, que recebera tantas informações nas últimas horas.
Saiu do hotel e andou pelos seus jardins centrais, sentindo o aroma e a textura das flores, que dançavam com o vento e pareciam dar-lhe as boas vindas.
Depois, se dirigiu ao estábulo e pegou um cavalo selado.
Perguntou ao tratador dos animais, um velho senhor baixinho e com feições bondosas, algumas particularidades do local.
- À leste há um campo aberto, eventualmente encontra-se alguma árvore por lá. Ainda a leste, mas mais longe, há um pequeno riacho, que corre com suas límpidas águas, circundando a propriedade do hotel. À oeste há também um campo aberto, mas, mais ao longe, tem um bosque com belas e grandiosas árvores, algumas muito antigas.
Elizabeth agradeceu a informação do homem e saiu, montada em seu cavalo, ainda sem saber qual caminho tomar. Afinal, o que não faltavam naquele lugar paradisíaco era belas paisagens.
Deixou que seu cavalo lhe guiasse. Ele, por algum motivo, preferiu ir em direção ao leste. Assim, com o roteiro decidido, pôs a graciosa égua negra em que estava montada a correr.
Sentiu que o vento gostava de brincar com seu cabelo, que agora estava totalmente preso no alto da cabeça, deixando as pontas soltas.
Após algum tempo de trajeto, a uma velocidade um tanto elevada, Lizzie percebeu um cavaleiro ao longe. Puxou as rédeas do animal, para que ele se locomovesse mais devagar.
Próxima do cavaleiro desconhecido por poucos metros, pôde reconhecê-lo. Era Darcy.
Sua barriga foi tomada por um frio repentino e incontrolável, sua pulsação acelerou e ela sentiu um queimor subir-lhe à face.
Justificou aquelas reações como sendo apenas vergonha, já que na noite anterior julgara tão mal um homem que lhe declarara o seu amor.
Ela respirou fundo e fez o animal em que estava montada se esgueirar até Darcy, de modo que eles ficassem postados lado a lado.
Estava junto a ele, mas este não percebeu nada, já que estava com os olhos fechados e parecia muito concentrado.
Calmamente, ela falou para não assustá-lo:
- William... – olhando para ele.
Ele abriu os olhos devagar, como para confirmar que estava tendo uma alucinação.
Darcy sentira um movimento diferente ao seu lado, mas achou que fosse mais um produto do vento. Ouviu a voz de Elizabeth. Pensou que aquele só podia ser mais um dos sonhos dele em que ela participava, mesmo quando acordado. Abriu os olhos apenas para ter a certeza de que era um delírio, mas, ao virar-se, viu a silhueta dela ali, próxima a ele, e linda como sempre.
- Elizabeth!... – respondeu ele, um pouco confuso sobre como deveria agir.
Mas, quanto a isso, ele não precisou se preocupar muito. Ela logo pôs a conversa sob seu controle.
- Eu gostaria de pedir-lhe perdão pelas acusações que lhe fiz. Fui muito injusta, espero não tê-lo magoado muito. – com um sorriso tímido, mas muito sincero.
- Não há o que se desculpar, você não teria como adivinhar que o que Wickham lhe contara não era verdade. – com um olhar bondoso. Ele estava feliz por ela não estar mais pensando atrocidades dele.
- Mas eu deveria ter ouvido as duas partes antes de lhe julgar. Me precipitei. Desculpe-me. – Lizzie gostaria realmente de conquistar as desculpas daquele homem. Ele estava com uma feição bastante abatida, parecia ter dormido menos do que ela própria. E Elizabeth não queria ser a culpada por aquele tão intenso sofrimento.
- Não falemos mais nisso. Afinal, já está tudo esclarecido, não está?
Lizzie percebera que a alegria começava a voltar àquele rosto.
- Está. – sorriu para ele.
O diálogo dos dois desfaleceu aqui. Eles voltaram seus olhares para o horizonte e só ouviam o barulho do vento e do barulho da grama, que aquele provocava.
Elizabeth resolveu interromper o silêncio que se apoderara deles.
- Aqui é tudo tão lindo...
- É, você tem toda a razão. Em Londres o sol não brilha tanto.
Ela sorriu com a observação dele, olhando-o nos olhos. Constatou que os olhos azuis dele tinham sua cor ainda mais intensificada àquela hora, contrastando com a simples e opaca camisa pólo branca que ele usava.
- Olhando toda essa natureza presente aqui, lembro-me de minha infância, eu caminhava por entre os campos, cavalgava, lia às margens de um riacho...
- Você deve ter tido uma infância muito feliz... – disse ele, revelando um tom saudosista na voz.
- Eu não tenho do que reclamar. Mas acredito que a sua, se não foi mais feliz, foi bem mais sofisticada.
Ele deixou que uma gargalhada emergisse de sua garganta, cortando o ar sonoramente, o que a fez se encantar e se espantar ao mesmo tempo. Nunca vira-o – nem ouvira-o – sorrir daquele jeito. Apesar de que assim, o rosto dele ficava iluminado, ele deixava à mostra seus dentes perfeitos e muito brancos, e seus olhos pareciam sorrir junto.
Lizzie sentiu-se enrubescer com o gesto dele e voltou seu rosto para outra direção, a fim de que ele não a visse naquele estado.
Ele percebeu a ação dela, mas não o motivo desta. Então disse:
- O sol está a incomodando? Ali,a uns 150 metros daqui há uma árvore. O que acha de descansarmos lá por um instante?
Elizabeth concordou animosamente e ainda sugeriu:
- E o que acha de apostarmos uma corrida até lá? Tem coragem, sr. Darcy? – com seu tom sarcástico habitual e já pondo sua égua a correr.
Ele sorriu, adorava o espírito livre, irrestrito e brincalhão dela. Saiu a galope atrás dela, com seu cavalo branco.
A 50 metros da árvore, William conseguiu ultrapassar sua adversária e lançou-lhe um olhar e um sorriso debochadores. Chegou primeiro do que ela, desmontou de seu cavalo e prendeu as rédeas dele à árvore.
Poucos segundos depois, Lizzie chegou. Desmontou da égua, prendeu-a também e exclamou:
- Eu quero a revanche, sr. Darcy!
Ele apenas sorriu em resposta.
Os dois conversaram, sentados sob a árvore, a manhã inteira. Só perceberam o avanço da hora após notarem que o sol já se situava no centro do céu, indicando que já era meio-dia.
Eles montaram em seus respectivos animais e voltaram ao hotel, apostando corrida também, mas Lizzie não conseguira ganhar novamente.
Elizabeth e Darcy entraram no saguão do hotel juntos, conversavam animadamente ainda. Estavam suados, já que o sol resolvera exibir todo seu brilho e calor naquele dia.
Enquanto entravam pela porta principal, da porta dos fundos vinham Georgiana e Caroline, que acabavam de sair da piscina.
Caroline se acercou logo de Darcy:
- William, querido! Onde esteve a manhã inteira? – olhando reprovadoramente para Lizzie, que estava do lado dele. – Procurei-o por toda a parte para tomarmos um banho de piscina juntos! – exclamou, acariciando maliciosamente o braço esquerdo de seu objeto de atenção.
Ele se esquivou dos carinhos dela e falou sério:
- Onde passo minhas manhãs não é seu assunto, Caroline.
Ela fez cara de ofendida, mas ele não se compadeceu e continuou:
- Outra coisa: não quero que se intrometa em minha vida pessoal, ou que invente boatos sobre minha vida amorosa.
Caroline estava ficando realmente assustada. Darcy nunca lhe tratara daquela maneira. Só podia ser influência daquela maldita Eliza!
- Querido, mas quando eu inventei boatos sobre você? Isso é uma calúnia! – rebateu ela, tentando reverter a situação.
- Não, não é calúnia. É a mais pura verdade. Então nega que disse à Elizabeth que você e eu tínhamos um ‘romance’?
William nem esperou que ela lhe desse alguma resposta. Sabia que ela negaria tudo até a morte ou arranjaria uma desculpa qualquer, se fosse preciso. Deixou-a sozinha e foi cumprimentar sua irmã. Mais tarde, Lizzie também se juntaria à conversa dos dois.
Caroline subiu para o seu quarto sem falar com ninguém, inconformada.
Elizabeth não resistiu e sorriu por dentro com a atitude da outra.
Darcy, Georgiana e Lizzie não dialogaram por muito tempo. Todos se dirigiram aos seus respectivos quartos, não sem antes marcarem de se encontrar para o almoço, no restaurante do hotel.
A Srta. Darcy percebeu que seu irmão e Elizabeth estavam sorridentes e, de alguma forma, mais sintonizados entre si. Ela não sabia o que havia acontecido, mas o que importava era que seu irmão estava feliz. Afinal, ele não sorria tanto daquele jeito há muito tempo.
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Elizabeth fechou atrás de si a porta do seu quarto. Deixou escapar-lhe um suspiro.
Estava feliz e aliviada por ter resolvido tudo com Darcy e por ele não ter ficado magoado com ela.
Permitiu-se pensar nele como um homem. Apenas um homem.
Tinha que admitir que ele era inteligente, gentil, sensível, divertido e às vezes até engraçado, atencioso, um ótimo companheiro, bonito – na verdade MUITO bonito – e ainda era apaixonado por ela. Além de que o jeito meio misterioso dele a atraía.
Perguntou-se o que faltava nele. Não conseguia achar nada, nenhum defeito. Talvez sua mente só conseguisse pensar em um banho naquele momento.
Porém, há muito tempo não encontrava mais de três qualidades em um homem, a não ser seu pai. Enquanto nele conseguia listar sete virtudes e nenhum defeito!
Lembrou do que Charlotte dizia: “Apenas os enamorados não encontram defeitos no objeto amado.” Mas naquele momento a afirmação não fazia sentido. Afinal, ela não estava apaixonada por ele! Não mesmo!
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Darcy andava até o seu quarto com um sorriso brincando em seus lábios.
Era engraçado pensar que até pouquíssimas horas atrás ele estava angustiado pela ação de Elizabeth consigo. Agora se sentia nas nuvens, também por causa dela.
Não, ela não pensava mais que ele era um monstro. Deveria estar achando-o agradável naquele exato momento.
Mas seu sorriso se desfez quando ele viu o que lhe aguardava na porta do seu quarto.
Caroline esperava-o. Chegando junto a ela, restringiu-se a encará-la, até porque ela nunca precisava de incentivos para começar a tagarelar.
- William, perdoe-me. Peço-lhe mil perdões por ter inventado aquela estória. Mas eu fiz tudo por amor! Por amor a você! Você me entende, não é, querido? – acariciando o tórax dele com uma cara tão suplicante que, se Darcy não a conhecesse, acreditaria naqueles argumentos.
- Não, na verdade eu não entendo. – disse ele, com uma expressão dura. – Agora, peço-lhe que me dê licença, quero entrar em meu quarto.
Caroline olhou-o espantada. O que aquela Eliza havia feito com ele? Enfeitiçara-o?
- Querido, entenda...
- Caroline, por favor. – falou Darcy, com um olhar irado, enquanto sua paciência lhe abandonava.
Ela, sem reação, afastou-se da porta, deixando-o passar.
Ele entrou no quarto e ela voltou para o seu, com a fúria reinante em seu corpo.













