Lizzie acordou assustada com o barulho do seu celular, que tocava.
Levantou-se da cama, abriu a sua bolsa de colo e pegou o celular. Olhou para o visor e lá estavam o nome de Jane e uma pequena foto dela ao lado.
- Olá, Jane! Como você está?
- Oi Lizzie, estou bem. E você? Onde está? Já chegaram ao Derbyshire?
- Já chegamos sim. Há algum tempo atrás. Aliás, que horas são? Entrei no meu quarto de hotel e logo adormeci... – falou ela, ainda desnorteada e soltando um bocejo.
- São meio dia e meia.
- Meio dia?! Não acredito que dormi por uma hora e meia!
- Não se afobe, você estava apenas cansada da viagem. – disse Jane, tentando tranquilizar a irmã.
- Ainda bem que não estou atrasada! Marcamos de encontrar a proprietária do local às duas da tarde.
- Então você ainda tem uma hora e meia.
- É, mas tenho que tomar banho, me arrumar e almoçar. – um ronco ressoado por sua barriga lembrou-lhe que não comia desde que saíra de casa. – A Char já chegou?
- Não, ela deve ter aproveitado o final de semana para acordar mais tarde.
- Deve ter sido isso mesmo. Mas agora tenho que desligar, Jane. Um beijo, cuide-se.
- Bom trabalho, mas aproveite bem as horas vagas.
- Obrigada, vou tentar. Tchau.
- Tchau.
Elizabeth desligou o telefone e largou-o na cama. Abriu sua mala e procurou uma roupa confortável e, ao mesmo tempo, própria para a ocasião. Decidiu-se por uma saia lápis e um blazer, ambos do tradicional estilo risca-de-giz e uma blusa branca de lã e gola alta.
Andou até o banheiro e resistiu duramente à banheira tão convidativa situada no fundo do cômodo. Resolveu que a utilizaria mais tarde, quando voltasse de seus compromissos.
Meia hora depois, ela saía do banho quase pronta. Faltavam-lhe apenas os sapatos e a simples maquiagem que costumava usar.
Decidiu pedir que levassem-lhe o almoço ao quarto mesmo. Assim, teria tempo para acabar de se arrumar e para organizar seus pertences no guarda-roupa.
Restando meia hora para o horário marcado, Elizabeth conferiu sua imagem no espelho e gostou muito do que viu.
Pegou sua pastinha de trabalho onde estavam seu notebook, alguns documentos e outros materiais necessários e saiu do quarto.
Notou Darcy no fim do corredor. Assim como ela, ia em direção às escadas.
William olhou-a nos olhos e reparou em como ela estava bonita. Andava com confiança, mas leveza.
Eles chegaram juntos ao topo da escada, ele elogiou sua aparência e ofereceu-lhe o braço.
Ela sorriu e aceitou sua cortesia.
Lá embaixo, esperavam por Darcy – que havia esquecido algo em seu quarto -, Georgiana e Caroline, sentadas em uma espécie de sala de estar no saguão do hotel.
Num determinado momento, Georgiana percebeu que Caroline olhara para as escadas com os olhos arregalados e segurava-se na poltrona em que estava sentada, como para não cair.
A Srta. Darcy seguiu o olhar da outra e percebeu o porquê do ataque dela. William e Elizabeth desciam as escadas de braços dados, conversando e rindo.
Deixou escapar um sorriso de satisfação.
Levantou-se de onde estava e foi ao encontro deles, aos pés da escada. Convidou Caroline para acompanhá-la, mas esta ainda demorou um pouco para atendê-la. Parecia estar reorganizando a mente após aquele tão grande choque.
Assim, todos se encaminharam à entrada do hotel, onde um carro lhes esperava. Não era o mesmo em que viajaram. Este era um pouco menor.
Após quinze minutos percorrendo uma estrada ladeada por imensas árvores e cercada por colinas cobertas de verde, chegaram ao grande portão de ferro que dava acesso à propriedade de Pemberley.
Entraram na propriedade, que era cercada por enormes muros de pedra.
A mansão era vista ao longe, como um pequeno ponto no meio de uma pintura. O caminho que levava a ela era rodeado por pinheiros.
Pararam em frente à enorme casa alguns instantes depois.
Ela era muito grande e bonita. Fora construída no início do século XIX. Tinha as paredes de cor amarela e as janelas muito grandes, ostentando muita beleza.
Elizabeth ficara boquiaberta e enfeitiçada com aquele lugar. Ele parecia conter uma aura mágica, que guiava todos os seres.
Eles desceram do carro e do lado de fora da casa já lhe esperavam a proprietária do local e seu advogado.
A mulher aparentava ter uns 60 anos de idade, não era baixa nem alta, gorda, mas não obesa. Parecia ser orgulhosa e esnobe.
O seu advogado, um homem baixinho, tinha os cabelos religiosamente penteados e parecia guardar muita pompa e confiança em si mesmo naquele corpo diminuto.
Darcy apresentou-se à senhora primeiramente:
- Boa tarde. Eu sou William Darcy. – com um sorriso confiante e convidativo.
- Boa tarde, Catherine de Bourgh. – Apertou a mão dele, mas restringiu-se a olhá-lo. Em seus lábios não se viam nem o esboço de um sorriso.
Darcy apresentou-se ao advogado da mulher, por sua vez:
- Muito prazer, meu nome é John Collins. Estarei aqui para o que precisarem. Desculpem-me por ter marcado a essa hora, em plena tarde, mas é nesse momento do dia em que o sol bate nas janelas em um ângulo de 60°, formando um pequeno jogo de cores nelas, como em um prisma.
Elizabeth, Georgiana e Darcy se espantaram com a tagarelice do homem e Caroline apenas lhe dirigiu um olhar de desprezo.
- E estas são Georgiana Darcy, vice-presidente da empresa e minha irmã; Elizabeth Bennet, nossa consultora jurídica; e Caroline Bingley, consultora de imóveis. – Ao serem citadas, cada uma cumprimentava a senhora e seu advogado.
Enfim, com todas as apresentações feitas, a sra. de Bourgh retomou a palavra e convidou os recém-chegados a entrar e examinar a casa. Subiram as escadas que levavam à sala principal.
Antes desta havia um corredor, com fotos de integrantes de sucessivas gerações da família de Bourgh.
A sra. foi logo explicando:
- E estes são os mais ilustres membros da família de Bourgh, eles que construíram todo esse império. Foram homens poderosos, ricos, de constituição superior e sangue nobre!
- E todos homens de bom coração e espírito nunca avessos à verdadeira humildade e simplicidade. – complementou o sr. Collins.
A sua cliente agradeceu-lhe com um esboço de sorriso vitorioso, já que seu ego acabara de ser massageado.
Os outros apenas observavam as fotografias, em silêncio.
Adentraram à sala principal. Era ampla, ventilada e muito iluminada pelo sol àquela hora.
Acabada a expedição deles pela casa, a partir da qual conheceram todos os cômodos, com a ajuda também da profusão de elogios à família de Bourgh pelo sr. Collins, reuniram-se à mesa da sala de jantar para iniciar a negociação.
- Em primeiro lugar, Lady Catherine, por que a senhora deseja vender esse imóvel? Até onde observei, está tudo em ordem na propriedade.
- Lógico que está tudo na mais plena ordem! - respondeu ela, um pouco sobressaltada. – Mas venderei-a porque meu falecido marido, o sr. Joseph de Bourgh, faleceu há pouco tempo e este lugar traz muitas lembranças...
O sr. Collins entregou-a rapidamente um lenço, para que ela enxugasse uma única lágrima que começava a rolar sobre sua face.
Elizabeth realmente lamentou pela morte do marido daquela senhora. Por mais esnobe que ela parecesse. Mas achava patética a bajulação excessiva que seu advogado lhe dispensava.
O sr. Darcy conversou apenas mais um pouco com a mulher. Mas logo se despediram dela e do sr. Collins.
Saíram de Pemberley quando o sol já havia se despedido do dia e a lua tomara seu lugar, juntamente com milhares de estrelas.
Voltaram ao hotel.
- Eu ouvi dizer que há uns restaurantes no centro da cidade. Dizem que são bem agradáveis. – falou Georgiana, enquanto eles entravam no hotel. – O que acham de irmos jantar lá?
- Acho uma ótima idéia. – respondeu Lizzie.
- Talvez seja mesmo bom, precisamos mesmo de alguma distração. – falou Darcy, começando a gostar da idéia.
Após William confirmar que iria, Caroline decidiu que os acompanharia também.
- Então encontro vocês às oito e meia aqui no saguão, está bem?
Os outros assentiram e cada um migrou para seu quarto.
Lizzie entrou no seu e a imagem do sr. Darcy lhe veio logo à cabeça. Ele parecia muito indiferente com Caroline, se comparado a alguém que tem um relacionamento secreto. Procurou apagar-lhe da mente. Os namoros dele, secretos ou não, não eram da conta dela.
Tomou uma ducha quente rápido, saiu enrolada em um roupão de banho e foi até o guarda-roupa escolher o que usaria àquela noite.
Algum tempo depois, já estava pronta e ia em direção ao lugar marcado por eles, ou seja, o saguão.
Chegando lá, viu que ainda não havia chegado mais ninguém e sentou-se em uma das cadeiras dispostas ali. Olhou para o relógio. Estava adiantada por cinco minutos. Sorriu de satisfação por ter se arrumado em tão pouco tempo e ainda estar relativamente bela.
Relativamente bela no seu ver, já que estava realmente muito bonita àquela noite. Depois de muito escolher a roupa que usaria, se decidiu por um vestido preto* simples, mas muito bonito, acompanhado de um bolero bege, que combinava com a fita do vestido que marcava sua cintura bem delineada.
Exatamente à hora marcada, Darcy descia ao saguão, em sua direção.
Lizzie se repreendeu por tê-lo achado tão atraente, o que ele realmente estava. Vestia uma camisa azul-petróleo de algodão que se estendia até seus pulsos com uma calça preta.
Ele andava, mas não tirava os olhos dela por um segundo sequer. Ela retribuiu-lhe a atenção e ambos ficaram se encarando. O olhar dele era tão penetrante e fixo que Lizzie teve a impressão de que ele poderia, com isso, enxergar sua alma e seus desejos mais profundos. Chegando onde ela estava, cumprimentou-a e sentou-se junto a ela.
- Está muito bonita esta noite, srta. Elizabeth.
- Muito obrigada, sr. Darcy. O sr. também está muito bem.
- A senhorita. sabe que pode me chamar de William.
- E o senhor sabe que pode me chamar de Elizabeth!
Eles riram com os seus comentários.
Foram interrompidos pela chegada de Caroline, que tomava seu assento junto a eles. Lizzie e Darcy nem notaram ela se aproximar, estavam ambos mergulhados um no outro.
A recém-chegada logo começou a discorrer sobre os inconvenientes de se estar no campo:
- William, acredita que quando entrei em meu quarto encontrei um grilo no canto da parede? Tive que chamar um funcionário do hotel para eliminar aquele tão abominável ser de lá! – disse, gesticulando.
Darcy ficou sério, invariável.
Elizabeth não conseguiu conter uma risada com a fala da outra, mas falou:
- Engraçado, lembro-me de uma vez que eu e minhas irmãs levamos um grilinho para casa. Dissemos que ele seria nosso bichinho de estimação. Nossa mãe quase teve um ataque! – ela riu gostosamente ao fim do discurso, o que fez Darcy rir também e ficar ainda mais encantado com o espírito desinibido dela, e Caroline censurá-la impiedosamente:
- É, minha cara Eliza, agora entendo sua falta de classe...
-E eu entendo a sua... exuberância de classe e educação. – falou Lizzie sarcasticamente, o que Caroline não entendeu e tomou a frase como um elogio, mostrando um sorriso triunfante em seu rosto.
Após a resposta que dera a Caroline, Elizabeth levantou-se e andou em direção à Georgiana, que acabara de chegar ali.
Darcy seguiu o seu gesto e deixou Caroline sentada, sozinha. Esta última logo tomou sua posição junto aos outros.
Chegaram ao centro da cidade vinte minutos após saírem do hotel. Este ficava um pouco afastado de toda aquela agitação, já que era procurado geralmente por pessoas que desejavam um lugar tranquilo para passar algum tempo.
No centro havia vários restaurantes, bares, lojas de departamentos, um shopping e até algumas danceterias.
Escolheram, por fim, um restaurante reservado, com música ao vivo e uma pequena pista de dança ao fundo, junto ao pequeno palco.
Do lado direito estava o bar, do esquerdo, as mesas. Ao fundo, os já citados palco e a pista de dança.
Entraram e sentaram-se. Começaram uma conversa sobre economia e política.
Há meia hora os outros conversavam e Caroline já estava aborrecida com aquele diálogo tão sem propósito. Afinal, quem se importa em discutir política em plena noite de sábado?
Para a sua sorte, o jantar chegou logo e a discussão se desfez.
Comeram em silêncio, apenas comentando sobre alguma frivolidade, às vezes.
Acabada a refeição, Darcy chamou Lizzie para dançar. Ela aceitou prontamente e ele guiou-a até lá com a mão direita em suas costas. Inicialmente, sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo, mas, logo após as impressões iniciais, sentiu um imenso conforto, segurança. As mãos dele eram grandes e seguravam-lhe firme.
Chegaram logo à pista, e tiveram que ficar muito próximos, já que a música era lenta.
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Voz Do Coração (Novo Som)
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Preciso te contar Um segredo que é só meu Não dá pra segurar, é mais forte do que eu. Mas, por favor, não liga Se eu não conseguir... Vê se me perdoa! Estou aqui, meu coração chama por você, Oh, baby...
Já não dá mais pra esconder o amor, Calar a voz do coração. Me abraça e diz que vai ficar...
Confesso que tentei Não deixar acontecer Você olhou pra mim E eu não pude evitar Agora eu sei que tudo Estava escrito, enfim Pelas mãos de Deus! Pra que fingir, se em cada flor Sinto seu perfume, oh baby?...
Estou aqui, pra declarar o amor, Soltar a voz do coração Me abraça e diz que vai ficar... |
http://www.youtube.com/watch?v=JzrxPoT-qwo
Elizabeth percebeu o ar sumir-lhe dos pulmões quando sentiu a respiração dele em seu ouvido, quando ele aproximou sua cabeça da dela.
Ele, por sua vez, pensava estar enfeitiçado pelo perfume dela, que se igualava a um imã, não lhe deixando afastar-se dela.
A música acabou. Ele sentiu-se motivado pelo momento e sussurrou no ouvido dela:
- Elizabeth, eu gostaria de conversar a sós com você.
Ela consentiu à proposta dele e ambos saíram por uma porta lateral do restaurante, impedindo que suas acompanhantes percebessem sua ausência.
Do lado de fora, havia uma espécie de varanda, era pequena e cercada por um canteiro de flores.
Ao chegar lá, as forças que Darcy alimentava dentro de si pareceram se esvair. Ele respirou fundo, não sabia por onde começar.
Ela olhou-o com uma expressão interrogativa, como se perguntasse: “Então, o que você ia dizer?”. Estava curiosa, um frio na barriga deixava-lhe nervosa, e a expressão impaciente dele também.
Enfim, ele começou:
- Elizabeth, pedi que viesse até aqui por que preciso lhe confessar algo. – fez uma pausa, ainda pensando em como começaria seu discurso, e continuou: - Em vão tenho lutado contra meus sentimentos nesses últimos meses. Desde que vi a senhorita pela primeira vez, meu coração não quis mais apartar-se de si. Nunca senti isso por outro alguém, todas as vezes em que a vejo, sinto-me impotente, meu amor só cresce a cada instante. Peço-lhe que me ajude a acabar com minha agonia e me dê uma chance para que eu possa mostrar-lhe meu amor.
Lizzie estava perplexa. Não conseguia exprimir uma só palavra. A última coisa que passara em sua mente quando ele convidou-a até ali era que Darcy iria se declarar para ela.
William tomou o silêncio dela como um encorajamento e prosseguiu:
- Sei que há vários obstáculos entre nós, a diferença de classes, o fato da senhorita trabalhar para mim, todas as disparidades entre os costumes de nossas famílias... mas eu estou disposto a relevar tudo isso, apesar de meu bom-senso.
Agora, Elizabeth sentira seu orgulho ser ferido. Como Darcy poderia dizer que o problema do relacionamento deles era só dela? Como ele podia afirmar que todas as divergências entre eles eram motivadas por ela? Assim, respondeu:
- Sr. Darcy, peço-lhe desculpas pelo dano que lhe causei, acredite-me, não foi intencional. – parou de falar.
- Essa é a sua resposta?
- Sim.
- Então está me rejeitando?
- Como o senhor que eu aceite um homem que tem a petulância de dizer que gosta de mim apesar de seu bom-senso? – falou Lizzie, deixando a raiva transparecer em sua voz.
- Não, entenda-me. – tentando contornar a situação, aquilo não estava saindo do jeito que ele esperava.
- Mas eu também tenho outros motivos para não aceitá-lo.
- Que motivos? – perguntou ele, agora exasperado. “Quais razões eram essas?”
- Por exemplo, seu relacionamento secreto com a Caroline...
- Meu o quê? – “De onde ela tirou essa idéia? A Caroline e eu? Bah...” – pensou, enojado.
- Não precisa fingir, sr. Darcy. Eu já sei, sua namoradinha secreta já me contou tudo!
- Namoradinha secreta? Eu não tenho nada com ela!
- E o que me diz sobre o que fez contra o sr. Wickham?
- O sr. Wickham?! – exclamou ele, adiantando-se para aproximar-se dela e fitá-la ainda mais de perto.
- Ele me contou o que o senhor lhe causou!
- O que EU lhe causei? Realmente, eu causei-lhe muitos danos... – com um tom sarcástico regado por ressentimento e raiva.
Ele passou ambas as mãos sobre o cabelo, bagunçando-o e exprimindo sua inquietação.
- E o senhor ainda o trata com sarcasmo?
Ele não aguentou mais alongar aquela conversa. Estava se tornando insuportável ficar ali. Então, resolveu acabar logo com aquele diálogo sem propósitos e falou:
- Se é desse modo que a senhorita me vê, espero fazê-la mudar de opinião em breve.
Ela permaneceu calada, analisando as feições dele.
- Desculpe-me por tomar seu tempo. – falou, saindo abruptamente, depois de lançar-lhe um olhar indecifrável.
Elizabeth ficou lá, sozinha. Sentia o frio da noite envolver-lhe o corpo. Uma angústia inexplicável invadiu o coração.
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Georgiana viu seu irmão passar do lado da mesa delas rápido como um furacão. Ela e Caroline ainda tentaram falar com ele, mas William não lhes deu ouvidos.
Ele andou até a saída do restaurante e lá pegou um táxi para o hotel. Não suportaria passar o resto da noite tendo que olhar para Lizzie, ou suportando os olhares questionadores de sua irmã, e menos ainda as investidas de Caroline.
Elizabeth, por sua vez, ainda ficou naquela varanda por algum tempo, tentando pôr em ordem a sua mente. Depois voltou à mesa. Georgiana perguntou-lhe o que estava acontecendo, mas como percebeu que não obteria resposta, preferiu não interferir mais no assunto.
A Srta. Darcy, percebendo o desconforto de todas as integrantes daquele grupo – inclusive o seu -, decidiu que já era hora de voltarem ao hotel e refrescarem a mente. Assim, sugeriu isso às outras e elas aceitaram.
Chegando lá, Georgiana deixou que Caroline se dirigisse ao corredor em que se situava o seu quarto e falou para Lizzie:
- Elizabeth, se precisar conversar, ou desabafar, qualquer coisa, pode falar comigo.
- Muito obrigada, Georgiana. Boa noite, até amanhã.
- Até amanhã.
Elas se separaram e Elizabeth entrou no seu aposento. Estava completamente confusa. Estava satisfeita por ter extravasado tudo o que achava do sr. Darcy, mas sua consciência pesava ao lembrar-se da expressão triste dele.
Ela tentou se convencer de que era aquilo mesmo que ele merecia, por ser tão arrogante, presunçoso e egoísta. Mas uma parte dela teimava em sentir compaixão dele, insistia em convencê-la de que ela tinha sido muito dura.
No meio de suas divagações, andou até a varanda de seu quarto. Sentiu o vento balançar as mechas de seu cabelo e a lua iluminar-lhe a face. Lembrou da banheira que esperava inaugurar desde a tarde.
Assim, ela tirou os sapatos e pôs a banheira para encher. Retirou seus brincos, seu bolero e a maquiagem durante o tempo em que esperava que ela ficasse completamente cheia.
Alguns minutos depois, Lizzie repassava em sua mente tudo o que acontecera naquele dia, sentada na banheira.
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Darcy já estava em seu quarto há meia hora.
Já tomara banho, na tentativa de esfriar sua mente e esquecer seus sentimentos naquele momento.
Agora estava deitado em sua cama, tentando dormir. Mas não conseguia.
Como Elizabeth podia pensar todas aquelas coisas dele? Com certeza o canalha do Wickham a envenenara contra ele.
Mas ele faria algo para reverter essa situação. Mesmo que ele não fosse capaz de fazê-la gostar de si, mas Darcy achou que poderia pelo menos desfazer a má opinião que ela devotava a ele.
Assim, levantou-se e improvisou uma mesa em seu quarto. Sentou e começou a escrever uma carta para esclarecer toda aquela situação.
*Vestido de Lizzie: http://www.bbride.com/acatalog/ok_bride04-028.jpg (imagine ele preto, até a altura dos joelhos e o bolero da mesma cor da fita).













