Elizabeth não conseguiu dizer nada por um instante. Ela havia ouvido bem? Não podia acreditar.
- Jane, tem certeza?
- Tenho, Lizzie. Ultimamente tenho estado um pouco enjoada também.
- Oh, minha irmã... você podia ter me dito antes. – abraçando-a.
- Eu não queria que se preocupasse.
Continuaram envoltas no abraço, mas ambas estavam caladas.
Nesse instante, Jane pensava se sua irmã estaria censurando-a ou não, o que ela própria deveria fazer nessa situação... então espessas lágrimas começaram a roçar o seu rosto. E ela sentiu o controle de sua vida escorrer por entre seus delicados dedos.
Lizzie, por sua vez, tentava organizar o turbilhão de informações que entravam a cada instante em sua mente. Mas, por fim, conseguiu dizer:
- Jane, não se preocupe. Nós cuidaremos disso, certo? Não chore. – falou, apartando-se um pouco da irmã, e enxugando as lágrimas dela.
- Certo. Mas eu não sei o que farei! E quando minha barriga começar a crescer? Como poderei suportar os comentários das pessoas? E a reação de nossos pais?
- Não se preocupe com isso. Tudo ficará bem. Você não deve se importar com o comentário dos outros, e com nossos pais falo eu.
- Lizzie... muito obrigada por tudo, minha querida irmã. – gaguejou, voltando a abraçá-la.
- De nada, Jane. Pode pedir minha ajuda sempre.
- Mas agora temos que nos preocupar com a saúde do meu sobrinho lindo, que irá nascer! Ou sobrinha... – já livre dos braços da irmã, olhou-a nos olhos e sorriu.
- Claro, apesar de ter sido inesperado, estou muito feliz ao saber que há uma criaturinha crescendo dentro de mim... fruto do meu amor e do Charles...
- Você já pensou como fará para avisá-lo sobre a gravidez?
- Acho que falarei com Caroline. Ela é irmã dele, ela pode dizê-lo que desejo conversar com ele ou informar-lhe sobre a gravidez ela mesma. Além disso, vejo-a todos os dias.
- Não confio muito naquela Caroline. Acho que ela pode ser traiçoeira.
- Traiçoeira? Claro que não, Lizzie! Você diz isso porque não a conhece. Eu convivo com ela bastante, ainda mais agora, e percebi nela muitas qualidades.
- Lá vem você, Jane... vê qualidades em todos!
- Me diz uma única pessoa que você ache que não tem qualidades!
- Todos têm qualidades sim, apesar de você não querer assumir isso. Mas em algumas pessoas, os defeitos prevalecem sobre as virtudes.
- Então na Caroline os defeitos prevalecem, está bem assim?
- Está bem, pense o quiser. Mas irei falar com ela.
- Você dirá algo sobre a gravidez?
- Não sei, gostaria de dizê-lo a ele eu própria.
- Não conte. É melhor você dar a notícia mesmo.
- Certo.
- Meu Deus, já são oito e meia da noite!! Temos que ligar para a Charlotte, para cancelar o cinema.
-Oh, é verdade. Havia me esquecido da nossa saída!
Lizzie apressou-se para telefonar para sua amiga, que já deveria ter chegado ao cinema.
Estava combinado que iriam Charlotte, Lizzie, Jane e Georgiana ao cinema. Geralmente saíam juntas apenas as três primeiras, mas a última ganhou aos poucos a amizade e confiança das outras e, de certa forma, já fazia parte da “turma”.
Assim, Lizzie ligou para Charlotte, deu-lhe uma desculpa qualquer para a amiga e voltou a discutir com Jane as questões sobre a gravidez.
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Naquela noite, chegara à sua casa tarde, como muitas vezes já acontecera.
Andou até a varanda de seu apartamento. Olhou para o céu. Estava coberto por nuvens carregadas e sombrias, que lançavam toda sua fúria em forma de gotas d’água.
Pensou em sua vida. O trabalho e os afazeres diários nunca o deixaram observar cenas como aquela. Talvez o amor estivesse mudando-o. Ou, quem sabe, já fizera essa transformação.
Elizabeth levara consigo o seu bom-senso, e com ele, sua rigidez consigo mesmo.
Talvez por isso ele estivesse admirando aquela cena agora, e não fazendo qualquer outra coisa para esquecer mais um de seus estressantes dias e o seu trabalho.
Pensou no que poderia fazer para conquistá-la, para se aproximar dela. A última saída informal que tivera com ela fora aquela noite, no teatro. E agora, com a viagem de Charles, era quase impossível se encontrar com ela fora do trabalho novamente.
Darcy lembrou-se ainda de que, desde a discussão que tiveram no dia em que ela se atrasou, eles só se falavam polidamente, em horário de trabalho.
Tudo aquilo frustrou-lhe. Passou a mão no cabelo, como fazia quando estava nervoso. Quem sabe que tipo de relação ela mantinha com Wickham agora? Eles dialogaram apenas naquela noite ou tiveram algo mais?
Essas explanações só faziam-no ficar ainda mais preocupado. Ele tinha que fazer algo para conquistá-la. Não desistiria assim tão fácil dela. Afinal, não seria apenas coincidência ela ser a única mulher pela qual ele jamais se apaixonara, por ela ser a única verdadeiramente marcante, instigante, não é? Ou seria?
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Já do lado de dentro do cinema, estavam na fila da lanchonete Charlotte e Georgiana. Aquela acabara de receber uma ligação de Lizzie, informando-a que ela e a irmã não poderiam comparecer ao programa combinado por elas àquela noite.
Ela não entendera muito bem os motivos da ausência das duas, Lizzie falava tão rápido, dizia tantas coisas ao mesmo tempo, que enrolara sua cabeça. Mas Charlotte preferiu não discutir ou pedir que ela repetisse, pois para que as irmãs Bennet cancelassem um programa entre amigas, teriam um motivo muito forte para tal.
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A ferocidade da chuva caiu gradativamente, conforme o passar do tempo.
Lizzie e Jane haviam conversado demais, discutido todas as questões que amedrontavam a última em relação à sua gravidez e já estavam muito cansadas.
Elas resolveram, então, ir dormir.
Mas cada uma estava preocupada demais e só conseguiram dormir após muito tempo.
Jane estava, em parte, feliz por ter podido compartilhar aquilo com alguém; e aflita por não saber se conseguiria mesmo falar com Charles.
“Mas a Caroline é irmã dele, deve saber algum número que eu possa contatá-lo.” – pensou ela.
Lizzie, por sua vez, não conseguia entender como Charles, aquele namorado tão romântico e aparentemente apaixonado pôde viajar e mandar apenas uma mensagem para a namorada. Por outro lado, estava exultante pela notícia da chegada de mais um membro à família Bennet.
Enfim, só restava as duas descansarem e esperar pela chegada do novo dia, que resolveria – ou complicaria ainda mais – tudo.
“Estava sentada em um balanço, fixado sob uma grande e bela árvore, que por sua vez situava-se no meio de uma vastidão verde. Com um vestido muito branco, segurava o seu bebê nos braços.
Podia ver ao longe Charles, que vinha ao seu encontro, alegre. O rosto dele, iluminado pela forte luz do sol, estava resplandecente.
De repente tudo escureceu. O que era dia tornou-se noite, e as coisas à sua frente eram vistas apenas através de uma luz fraca, além do horizonte. Pôde ver que, além de Charles, outra pessoa vinha a ela, vestida de preto. Não conseguia distinguir se tal pessoa era homem ou mulher.
Apenas sentiu um puxão, e esse alguém rapidamente levava seu bebê consigo. Ela ainda tentou protestar, impedi-lo de levar seu filho, mas foi em vão. O sujeito e o bebê desapareceram num piscar de olhos, pela imensidão da noite.”
Assim, Jane acordou num sobressalto. Levantou-se sem fazer barulho algum, foi até a cozinha e bebeu um copo d’água, na tentativa de acalmar-se.
Porém não conseguiu dormir pelo resto da noite.
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Após o final do filme, Georgiana e Charlotte decidiram ir a um barzinho, para comer alguma coisa e conversar, já que ainda estava relativamente cedo.
Fora difícil conseguir uma mesa vazia ali, ainda mais para duas pessoas. Mas, por fim, elas conseguiram uma mesa quase no centro do lugar.
Charlotte sentou-se de frente à porta de entrada, e Georgiana de costas a esta.
Frequentemente Charlotte fazia comentários sobre as pessoas que entravam ou deixavam o local. A outra acompanhava tudo, observando os alvos da língua afiada da amiga, movendo a cabeça no sentido que esta lhe indicava.
Assim iam passando o tempo, entre um assunto e outro, até que chegassem os aperitivos que pediram.
Num desses comentários sobre as outras pessoas, Charlotte falou:
- Georgiana, olhe ali! Bem atrás de você, do lado direito, está entrando um verdadeiro deus grego! Oh, meu Deus... pena que ele não olhou para cá ainda, senão mostraria a ele todo o meu charme... – disse ela, com uma risadinha e fazendo caretas sensuais para o belo desconhecido, que acabava de entrar no bar.
A senhorita Darcy remexeu-se discretamente em sua cadeira, a fim de ver o “deus grego” que a outra dissera.
Olhou para o lugar que ela lhe indicara e empalideceu.
- Não, não pode ser ele... – exclamou, virando-se de costas para a entrada, tentando esconder-se a si mesma.
- O que houve, Georgiana?
- Acabo de ver um ex-namorado meu entrando aqui.
- Qual deles é ele?
- O de camisa branca.
- Ah, não... você namorou AQUELE homem? – disse Charlotte, falando alto o suficiente para as pessoas das mesas próximas ouvissem-na, quase transtornada.
- Sim, namorei. Qual o problema? – perguntou ela, mortificada por ele também estar ali e pela reação da outra.
- Dos dois, quem terminou a relação?
- Eu.
- Você? Georgiana, és maluca? – replicou, gesticulando. – Como pudeste deixar escapar esse moreno, alto, com olhos verdes maravilhosos e músculos encantadores?
Apesar de estar encantada por ele, Charlotte não exagerou tanto na descrição do desconhecido que sacudira o programa delas.
O objeto de atenção das amigas era realmente muito belo. Alto, ele tinha 1,80 de altura; era moreno, quase da cor de canela; possuía belos e penetrantes olhos verdes, que contrastavam com a cor de sua pele e tornavam-lhe ainda mais sensual; e o cabelo castanho-escuro, quase negro e muito liso. Além do fato que a camisa branca que usava realçava os seus músculos definidos.
Ele estava acompanhado por dois amigos e a namorada de um deles, todos conhecidos de Georgiana, com exceção da última.
Georgiana não respondeu. Estava quieta, paralisada.
- Não acredito...
- O que aconteceu agora? – perguntou a herdeira dos Darcy, curiosa e com medo de que fosse algo ruim.
- Ele e os amigos estão vindo para cá.
- Ah, não... – exclamou, pondo uma de suas mãos na face, a fim de que ele não a reconhecesse.
Eles passaram pelas duas e não reconheceram Georgiana. Ela expirou aliviada.
Mas sua alegria durou por pouco tempo.
A mesa onde eles sentaram ficava de frente a ela própria. E antes que “ele” sentasse, reconheceu-a.
Ela paralisou por um instante. O que faria agora? Não sabia, mas o fato de ele vir cumprimentá-la agitou-a.
Ele caminhou até ela, com o sorriso doce e fácil de sempre. Transparecia na face dele a sua admiração por tê-la encontrado.
Enfim, ele chegou à sua mesa.
- Olá, Georgiana. Há quanto tempo não nos falamos! – apesar do tom cordial, era perceptível a mágoa em sua voz.
- Olá, Edward! Há muito tempo que não nos vemos mesmo. Como vai? – respondeu ela, já de pé, apertando a mão dele e dando-lhe um beijo em cada bochecha, num tom tão calmo que espantou até a si própria.
- Vou bem. – O tom ressentido ainda fazia parte da voz dele.
Durante esse instante de diálogo, a troca de olhares era intensa entre os dois. Pensamentos tumultuados viam à tona na cabeça de cada um, lembranças boas de quando estavam juntos e a emoção do reencontro.
O contato visual assumiu o lugar das palavras e ambos ficaram por um instante, apenas se olhando, ainda com as mãos ligadas.
Retornando a si, ela afastou sua mão da dele e apresentou-o a Charlotte.
- Ah, esqueci-me de uma coisa! – sorrindo, disse ela. – Charlotte, - dirigindo-se à amiga. – Esse é Edward Morrison, meu...
- Amigo. – falou ele, sorrindo desconcertado para Georgiana.
- Sim, Edward Morrison, meu amigo. – com um sorriso triste.
- Oi! É um prazer conhecê-lo. Sou Charlotte Lucas.
- O prazer é todo meu. – afirmou ele, com um sorriso sincero, mas com toda sua atenção voltada para a outra.
Após uma pausa, ele perguntou:
- Vocês não gostariam de sentar-se conosco? – apontando para a mesa onde seus amigos estavam. Estes acompanhavam o progresso de Edward disfarçadamente.
Charlotte lançou para amiga uma expressão suplicante, como se dissesse “Vai lá, aproveita essa chance!”. Mas Georgiana logo emendou:
- Na verdade, nós já estávamos indo embora... – desconcertada, tentando pôr no lugar uma mecha do seu cabelo que teimava cair sobre sua face.
Essa última ação dela lembrou-o o que ele próprio fazia enquanto namoravam. Como o cabelo de Georgiana era muito liso, mechas sempre voavam por sobre seu rosto. E ele adorava ajudá-la a “domar” aqueles fios rebeldes, acariciando-os.
Ele olhou-a pensativo enquanto relembrava essas coisas. Ela percebeu no que ele pensava e corou furiosamente.
Charlotte apenas olhava para os dois. Eles pareciam se gostar muito ainda. Mas então por que a relação deles ruiu? Essa era uma questão que ela pretendia saber logo.
- Vamos, Char?
- Oh, claro! Vamos sim!
A outra se levantou, saudou Edward e juntou-se a Georgiana, que após se despedir dele e acenar para os amigos deste que estavam na mesa, foi em direção ao balcão do bar, pagar a conta.
Edward voltou para a mesa onde estavam os seus amigos e um deles disse logo assim que ele sentou:
- Essa garota ainda não saiu da sua cabeça, não é?
- Não. – respondeu ele, afetado e olhando para ela, que saía do estabelecimento. – E talvez não sairá nunca...
Quando saíram do bar, Charlotte apenas conseguiu dizer:
- O que foi aquilo? Ele estava todo romântico contigo e você não aceitou ir sentar à mesa com ele! Por quê? Nós nem estávamos de saída!
Elas entraram no carro de Georgiana e Charlotte disparou mais perguntas:
- Por que você está fugindo dele?
- Essa é uma longa estória, que eu prefiro não contar agora.
E assim, ambas permaneceram caladas por todo o caminho para casa, por mais que Charlotte tivesse mil perguntas pululando em sua mente.
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Os efeitos da chuva do dia anterior se faziam presentes apenas em algumas varandas e em poucas ruas da agitada Londres.
Mas o sol já retomara sua soberania sobre o tempo. Apenas algumas teimosas e passageiras nuvens tentavam esconder sua graça.
Quando Lizzie acordou, Jane já estava pondo a mesa do café-da-manhã.
- Jane, já está acordada?
- Sim, não consegui dormir bem esta noite.
- Por quê?
- Por nada, besteiras...
Lizzie sabia que uma noite de sono não era interrompida assim, por nada. Mas decidiu não perguntar nada a Jane, ela já tinha muitos problemas para preocupá-la e ela não queria perturbar sua irmã ainda mais.
As duas tomaram o café-da-manhã juntas, conversando amenidades. O assunto do momento (gravidez...) não foi mencionado, Lizzie preferiu dar liberdade para Jane refletir mais sobre o assunto.
Meia hora depois, cada uma saía ao encontro de seus afazeres.
Jane chegou logo ao prédio do seu trabalho.
Logo na entrada, a coragem fugiu-lhe.
Sentiu uma tontura e parou de andar por alguns instantes. Fechou os olhos. Tudo à sua volta parecia estar girando...
O porteiro preocupou-se e correu até ela.
- Srta. Bennet? Está tudo bem?
- Oh, sim. Sim. Está tudo bem. – disse ela, abrindo os olhos.
Ainda estava um pouco fraca, mas a tontura já tinha se esvaído.
- Muito obrigada, mas não foi nada. – agradeceu Jane, indo ao elevador.
Chegou logo ao andar que ficava a sua sala.
Diferentemente do dia anterior, Jane não se encontrou com Caroline de início. Mas um incidente acabou provocando o iminente encontro das duas.
Uma nova funcionária havia preparado um outdoor para a campanha visual de uma marca, e mostrara primeiro a Caroline, para obter sua aprovação.
Normalmente, esse trabalho recairia sobre Charles, mas como ele estava ausente, Caroline decidiria se o trabalho estava mesmo bom, para que assim se providenciassem a reunião em que apresentariam à empresa cliente o projeto.
Ao ver o projeto, Caroline reprovou-o a partir das piores maneiras possíveis.
Sentindo um pequeno enjoo, Jane foi até ao banheiro para lavar o rosto e tentar melhorar.
Chegando lá, ouviu um choramingo vindo de uma das seções do banheiro. Reconheceu o som como sendo de Amelie, uma funcionária nova.
- Amelie, o que aconteceu? Está tudo bem com você?
- Não é nada, Jane. Não se preocupe... – respondeu ela, com a voz ainda trêmula.
- Tudo bem, mas se você precisar de mim, pode dizer.
- Posso falar mesmo?
- Claro.
A jovem Amelie viu em Jane uma espécie de salvação. Como a última era a supervisora do setor, poderia convencer Caroline a aceitar o seu projeto.
Amelie saiu da seção que estava e começou:
- Srta. Bennet, lembra do último trabalho que me confiou?
- Sim, lembro-me. O da marca de tênis. O que ele tem a ver com o seu pranto?
- Eu fui mostrá-lo a Srta. Bingley. Ela me disse que... – recomeçando a chorar.
- Acalme-se.
Jane fê-la enxugar as lágrimas e quando a outra já estava mais calma, retornou a falar:
- Ela me disse que aquele não era um trabalho profissional, que mais parecia ter sido feito por um amador e que a empresa Bingley não tolera maus empregados.
- Nossa... ela disse isso?
- Disse. – respondeu a outra, ainda muito nervosa.
Jane estava confusa. Apesar de saber que Caroline tinha a fama de esnobe, ela nunca imaginara que ela poderia humilhar alguém tanto assim.
Assim, Jane foi procurar Caroline em sua sala, para saber qual o motivo de ela ter dito aquilo com Amelie.
Bateu à porta, e ao receber a confirmação de que podia entrar pela própria Caroline, entrou à sala.
- Caroline, está ocupada?
- Não, querida. Pode falar. Sente- se. – com uma expressão desinteressada.
- Eu vim lhe falar sobre o que você disse à Amelie sobre a campanha que ela preparou. – falou Jane, sentando-se em uma poltrona em frente à que Caroline estava.
- Você também não achou que estava muito... não sei... acho que ela precisa se esmerar mais.
- Desculpe-me a impertinência, mas ela fez exatamente o que a empresa pediu. Seguiu todos os padrões sugeridos e ainda deu um belo toque de ousadia. Em minha opinião ficou muito bom.
- Você acha, Jane querida? – disse Caroline, levantando-se de sua cadeira, com um sorriso falso em seus lábios coloridos por um batom vermelho muito intenso.
- Sim, acho.
- Então está bem, diga-lhe que pode marcar a reunião de apresentação... É que você sabe, não é? Publicidade não é a minha área. É a paixão do Charles, não a minha.
Ao ouvir o nome de Charles, Jane sentiu sua face enrubescer e suas pernas fraquejarem. Então se lembrou de aproveitar o momento:
- Caroline, por falar no Charles...
- Sim?
- Eu gostaria de saber se você tem algum telefone, email... alguma coisa com que eu pudesse falar com ele.
- Eu achei que vocês ainda estavam namorando!
- Na verdade, nem eu sei se ainda estamos juntos ou não.
- Oh... o Charles e a sua mania...
- Que mania?
- Jane, me desculpe. Mas eu terei que dizê-la.
- Dizer-me o quê? – Jane estava ficando curiosa e aflita com o suspense de Caroline. Por que ela não dizia logo tudo de uma só vez?
- O Charles não costuma namorar a mesma mulher por muito tempo. Apesar de se declarar o mais apaixonado dos homens, ele não sente mais do que uma mera paixonite por cada uma delas. Eu achei que deveria lhe dizer isso, pois sei que você gosta muito dele e que não merece sofrer. Desculpe-me pelo meu irmão. Mas se eu bem o conheço, já deve estar namorando outra.
Para Jane, o chão podia se abrir naquele instante e tragá-la para o mais profundo infinito que ela não se importaria. Seu mundo acabara de desmoronar totalmente agora e ela não tinha idéia de como se recuperaria daquela queda tão grande que levara.
Ficou com o olhar triste e distante. Aparentemente olhava para o infinito, mas na verdade queria olhar para o passado. Tentava ver se em algum momento percebeu que o sentimento dela por Charles não era tão bem correspondido, mas só conseguiu achar memórias onde ele era perfeito.
Ele SEMPRE fora o namorado perfeito. Sempre. Talvez esse tenha sido o seu defeito.
As lágrimas, companheiras dela por infindáveis dois meses, ameaçavam juntar-se a ela em sua angústia. Mas Jane decidiu não chorar ali. Seria muita humilhação chorar na frente à irmã dele.
- Jane, você está passando bem?
- Eu? Claro. Estou sim. – respondeu, tentando esboçar um sorriso. – Você ainda pode me dar o número de um telefone que eu possa falar com ele?
- Claro, vou pedir à Julie lhe entregar depois.
Ela agradeceu e despediu-se rapidamente de Caroline dando-lhe uma desculpa simples e saiu da sala da outra.
Andou até o banheiro. E foi a sua vez de chorar.













