Darcy entrou às pressas no seu carro. O ódio havia subido à sua face e ele estava vermelho. Parecia que iria explodir se visse aquele canalha novamente.
Quando entrou no carro de seu irmão, Georgiana não pôde mais conter as lágrimas e logo, espessas delas molhavam seu belo rosto e levavam consigo arrependimento, dor e a maquiagem que demorara tanto a ficar pronta.
William não falou nada até estacionar em frente ao prédio onde ficava o apartamento de sua irmã. Sabia que ela precisava refletir e superar sozinha tudo o que passou.
- Obrigada pela carona, William. – falou Georgiana, enxugando as lágrimas.
- De nada, minha querida irmã. Sempre que você precisar, estarei aqui. Sempre.
Abraçaram-se por um longo tempo. Ela, chorando; ele, tentando não fazer o mesmo.
Após isto, eles se despediram e Darcy se dirigiu à sua própria casa.
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Elizabeth ainda ficou conversando com George por alguns minutos depois que William foi embora.
Achara-o muito agradável e comunicativo. Sabia realmente com travar um bom diálogo.
Mas sua animada conversa foi interrompida por Charles, que com a desculpa de ter que acordar cedo no outro dia, dizia que teriam que ir.
Assim, George, sem querer que seu plano fosse arruinado, trocou números de telefone com Elizabeth, para um novo contra-ataque.
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Ao entrar em sua casa, Georgiana deixou-se cair numa poltrona e jogou sua bolsa num canto da sala. Intensas lágrimas ainda regavam seu rosto.
As cores alegres do apartamento e a decoração inovadora constratavam com a amargura que reinava em seu coração.
Ela não saberia descrever o que sentia naquele momento. Se misturavam as sensações de abandono, tristeza e ódio. Talvez fosse muito nova ou muito frágil para sentir tudo aquilo.
Lembrou-se de tudo o que aquele maldito homem fizera em sua vida e, indiretamente, na de seu irmão.
Decidiu tomar uma ducha bem quente para relaxar e espantar o vazio que sentia por dentro.
Ligou o som bem alto e entrou no banheiro.
Uma das suas maneiras de esquecer os problemas – ou amenizá-los – era tomar banho ouvindo música. Era infalível.
Ao fim do banho, estava realmente mais calma. Seu coração não doía tanto quanto antes. Talvez fosse melhor esquecer toda a tragédia causada por aquele patife e seguir a vida.
Afinal, esse tipo de pessoa não merece sequer uma lágrima.
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Abriu os olhos. As persianas de seu quarto deixavam passar um pouco do brilho do sol e isso estava o incomodando.
Dormira pouco àquela noite. Não conseguira deixar de pensar um só instante naquele canalha, conversando tão abertamente com Elizabeth. “Sua” Elizabeth!
Era horrível pensar que ele próprio passara uma noite inteira para travar curtos diálogos com ela, e como em apenas cinco minutos aquele Wickham conseguira desenvolver uma conversa tão animada!
Será que ela gostou dele? Sobre o que conversavam? Ela parecia tão animada...
Essas questões se amontoavam em seus pensamentos, e voltavam sempre nos momentos mais inoportunos... retornavam à sua memória como fantasmas na mente de uma criança.
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Chegou à empresa cedo. Elizabeth ainda não estava lá.
Assim, Darcy entrou em sua sala para tentar resolver todas as questões pendentes da empresa, mas sempre olhava para a entrada da sala de Lizzie, que ficava perpendicular à sua e que era possível ver através do vidro fumê da sala dele, a partir da qual William podia observar o trabalho dos funcionários.
Após cinco minutos de sua chegada, ele percebeu a chegada de outra pessoa que ele esperava. Sua irmã, Georgiana, que acabara de sair do elevador.
Ela parecia relativamente bem. Havia se produzido mais naquela manhã, vestia um conjunto de blazer e calça social azul bebê, e uma blusa branca por baixo. Sapatos e bolsa brancos completavam a produção.
Ela cumprimentou Hannah, bateu à porta da sala de seu irmão e entrou.
-Olá, bom dia!! – disse sorrindo.
- Bom dia. Vejo que já está melhor. – falou, enquanto se levantava para dar-lhe um abraço. – E ainda está muito bonita.
- Ah, obrigada. – ela sentou-se em uma das poltronas em frente à mesa dele, e ele na sua própria poltrona. – Sabe, eu tive bastante tempo pra pensar depois que você me deixou em casa ontem. Refleti bastante e cheguei à seguinte conclusão: eu não ganho nada me lamentando e alimentando ódio por aquele homem. Se eu o fizer, apenas estarei estragando a minha vida. O que eu tenho que fazer é seguir em frente, tentar aproveitar ao máximo e pensar que aquele foi só um dos inúmeros obstáculos que irei enfrentar na minha vida.
Sorriu ao fim de seu discurso.
Darcy sorriu também, admirado com a maturidade que sua irmã adquirira.
- Me orgulho muito de você, sabia?
Ela esboçou um pequeno sorriso envergonhado, deu-lhe um abraço e disse:
- Bom, agora preciso ir. Temos que fazer essa empresa andar!
E saiu, vitoriosa.
Dez minutos depois, era a vez de Lizzie chegar ao trabalho. Estava normal, como em todas as manhãs.
Saudou todos da empresa e entrou em sua sala.
Ele apenas pôde observá-la, enquanto a imagem dela se esvaía de sua mente.
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Aquele dia de trabalho passou rápido. Darcy e Lizzie se cruzaram poucas vezes, e, quando isso acontecia, ele deixava sua face rija e tentava analisá-la, procurando alguma mudança desde a noite anterior.
Quanto à Georgiana, esta tratou Elizabeth normalmente, como se nada tivesse acontecido. Afinal, Lizzie era a pessoa mais inocente naquela estória toda.
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Quando chegou em casa, Lizzie encontrou uma Jane feliz da vida.
- Lizzie, que bom que chegou! Como foi seu dia? – falou Jane, enquanto calçava um par de sapatos.
- Foi normal... e o seu? Noto que está muito feliz!
- O meu foi ótimo, concluí mais um projeto para uma empresa multinacional. Com louvor, aliás.
- Parabéns, Jane! Você merece mesmo!
- Obrigada! Então, vou sair com o Charles para comemorar!
- Hum... e vão para onde?
- Na verdade eu ainda não sei, ele me disse que seria surpresa.
- Nossa... nunca imaginei o Charles misterioso...
- Ele quase me contou, mas para não estragar a surpresa parei de pedir que ele me dissesse.
As duas riram.
- Agora deixe-me ir, porque ele já deve ter chegado para me buscar.
- Tchau, boa noite! Aproveite!
- Boa noite. Obrigada.
Após a saída de Jane, Lizzie tomou um banho e se jogou no sofá.
Pensou um pouco no que pediria para o jantar. Decidiu, enfim, por uma pizza de frango com catupiry.
Quando ia ligar para o disk entrega da pizzaria, seu celular tocou.
Era Wickham.
“George?! Já?!”
- Alô?
- Alô. Oi Elizabeth. Como vai?
- Vou muito bem, e você?
- Estava bem, melhor agora.
Ela reprimiu um risinho com o comentário clichê dele.
- Ah, obrigada.
- O que está fazendo agora?
- Eu ia ligar para a pizzaria agora, para pedir meu jantar.
- O que acha de jantarmos juntos então? Eu também ainda não jantei.
Lizzie calou-se um pouco para pensar. A proposta dele era muito boa. George era um homem agradável, divertido, e, ela tinha que admitir, atraente também. Mas ela achou que era muito cedo para jantar com ele e, por fim, respondeu:
- Acho que o jantar terá que ser adiado para outro dia. Estou muito cansada hoje.
- Tudo bem, então. Mas por que está tão cansada? O trabalho está exigindo muito de você?
- Não muito, amo meu trabalho.
- Você já me disse que é advogada, mas não onde trabalha...
- É verdade... sou consultora jurídica na Darcy Imobiliária.
“Darcy Imobiliária? Ela é funcionária dele! Darcy, não pensei que você jogaria tão baixo...”
- Você gosta de trabalhar lá?
Ele, com essa pergunta, esperava entrar em um assunto de muito interesse para si. Esperava também medir o grau de relacionamento entre ela e Darcy.
- Claro, o ambiente de trabalho é ótimo, a jornada de trabalho não é tão dura e a remuneração é boa.
- Se eu fosse você, teria um certo cuidado com os Darcy. Eles costumam “sacanear” alguns funcionários.
- Como assim? Como você sabe disso?
Agora ela estava intrigada, como ele poderia saber aquilo tudo?
- Eu já trabalhei lá. Era um dos consultores imobiliários. Eu era também um dos melhores funcionários, apesar de ter sido indicado ao cargo pelo pai do Darcy, o senhor Fitzwilliam Darcy, que era muito amigo de meu pai. Darcy, o filho, sempre teve muita inveja de mim, já que o pai dele não gostava dele tanto quanto de mim.
- Nossa...
Lizzie agora estava boquiaberta com aquela estória toda. Agora estava explicado por que o Darcy saía tão apressado ao vê-lo no teatro.
- É, e apesar de tudo o que fiz e o que o próprio pai dele fez por mim, o Darcy forjou uma fraude na empresa e acusou-me de ser o mentor daquilo. E eu, que era apenas um mero empregado, não pude questionar nada. Fui demitido da empresa, sem um tostão no bolso.
- Meu Deus, coitado de você! Eles não podem fazer isso! Você poderia procurar seus direitos! Por que não fez isso?
- Eu não quis manchar a bela estória de amizade entre o sr. Fitzwilliam Darcy e meu pai.
- Mas eles não se importaram com amizade nenhuma! Era pra você ter procurado seus direitos!
Elizabeth passava, naquele momento, de uma sensação para outra. Primeiro estava curiosa, depois boquiaberta, e agora furiosa. Seu senso justiceiro sempre falava mais alto numa hora dessas.
- Confesso que no começo fiquei muito abalado...
- Eu imagino...
- É, fiquei muito mal mesmo. Mas agora já me recuperei. Arranjei aquele trabalho como ator e estou adorando. Não é nada parecido com algo que eu já fiz, mas descobri que posso até ter algum talento.
A sensação que invadia Lizzie dessa vez era a admiração. Só uma pessoa muito bondosa e forte conseguiria passar por tudo aquilo sem sede de vingança.
- Apesar de errado, já que você deveria ter se defendido, foi muito bonito da sua parte tomar essa decisão.
- Obrigado. E como é o seu relacionamento com Georgiana, a irmã do Darcy?
- Ela sempre foi muito simpática comigo. Também é muito madura para sua idade.
- Não se engane com ela. É uma cobra, igual ao irmão. Apesar de parecer simpática, todos sabem que está na vice-presidência apenas de fachada, e que quem faz todo o trabalho dela é o irmão. A única coisa que ela sabe fazer são compras, para gastar todo o dinheiro do falecido pai. Sabia que quando eu trabalhava na empresa ela vivia se insinuando para mim? É, mas eu nunca caí nos seus encantos, já que ela era como minha “patroa”.
Por essa Elizabeth não esperava! Seria aquilo possível?
Eles conversaram mais um bom tempo, mas sobre outros assuntos. Já que agora Wickham plantara sua semente, poderia se “divertir” um pouco.
Após desligar o telefone, Lizzie foi dormir. Depois daquela estória, perdera totalmente a fome.
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Jane chegou à recepção do prédio onde morava e percebeu que Charles já a esperava no carro dele, em frente ao edifício.
Ela entrou no carro, beijou-o em saudação e disse:
- Meu amor, desculpe a demora, mas é que a Lizzie chegou do trabalho há pouco tempo. Nós ficamos conversando e eu acabei perdendo a hora.
- Não tem problema. Eu também acabei de chegar. Pontualidade não é uma das minhas qualidades. – falou ele, rindo.
Ela também riu com o comentário dele e depositou outro beijo em sua boca.
- Então... para onde vamos? – argumentou Jane.
- Eu já disse que é surpresa. Espere e verá.
Ela brincou, fazendo cara de chateada, o que o fez soltar um doce gargalhada.
Assim, Jane não tocou mais no assunto e eles passaram a conversar sobre outros assuntos.
Após quase meia hora de percurso, Charles estacionou seu carro na garagem de um deslumbrante e luxuoso prédio de trinta andares.
Eles entraram no elevador e subiram até o terraço da cobertura.
O terraço era amplo e tinha um caminho ladeado por flores que levavam até uma bela mesa, posta para dois.
De onde estavam, dava para ver uma parte da cidade, que, com todas as luzes iluminando-a, se tornava ainda mais bonita.
Uma atmosfera mágica tomou conta do ambiente. Tudo aquilo parecia um sonho para Jane.
- Charles... é lindo...! – essas foram as únicas palavras que Jane conseguiu pronunciar. Ela estava fascinada com aquele lugar.
Charles acompanhou-a até a mesa e ambos sentaram-se em seus respectivos lugares.
- Ah, antes de tudo, eu sei que jantares românticos geralmente são à luz de velas, mas é que aqui não seria possível elas ficarem acesas. – falou Charles.
- Você arrumou tudo isso hoje?
- Não, na verdade eu já estava planejando isso há alguns dias. A comemoração de hoje foi apenas uma desculpa para concretizar meu plano.
- Espertinho...
Jane apenas riu do senso de humor do seu namorado. Ele era sempre tão... tão ... não saberia descrever.
O jantar todo foi perfeito, repleto de carinho e cuidado mútuo.
Num dado momento, Charles começou:
- Jane, eu sei que estamos juntos há pouco tempo, mas eu já sinto como se namorássemos há anos... estar com você pra mim é ... como vou explicar? – sua expressão e gestos denunciavam que estava nervoso. – Você sabe que eu te amo, repito isso todas as vezes que nos vemos...
Foi interrompido pelo toque do seu celular.
- Oh, meu Deus... por que você só toca nas horas erradas? – falou ele, como se discutisse com o celular. - Com licença, meu amor. – Charles disse, levantando-se para atender ao celular.
Ele estava calmo ao atender o telefone, mas sua face foi mudando gradualmente. Ele passou de um estado de preocupação à impaciência, até chegar ao ponto máximo de irritabilidade.
Jane apenas assistia àquela cena. Ela nunca tinha visto Charles tão alterado. Ele geralmente via o lado otimista das coisas, mas agora deveria ter acontecido alguma coisa muito séria.
Após quase dez minutos de conversa, ou melhor, de quase-discussão, Charles retornou à mesa transtornado.
Percebendo a feição preocupada de Jane, falou:
- Era minha irmã Louisa. Ela me ligou para pedir minha ajuda na administração da filial em Edimburgo, na Escócia. Disse que a empresa estava com um déficit cada vez maior, que mesmo com o corte de gastos, ela não estava dando lucros. Perguntei a ela o porquê. Ela hesitou um pouco para responder. Mas, por fim, disse que o marido dela, John Hurst - que era quem estava administrando a filial –, gastava tudo em frivolidades.
- Meu Deus... o que você irá fazer?
- Irei para lá o quanto antes. Acho que amanhã mesmo terei que embarcar.
Jane sentiu uma dor fina, mas funda, em seu peito. Respirou fundo, tentando fazê-la parar.
Charles, tentando acalmar Jane, e, de certo modo, a si próprio, aproximou sua cadeira à dela e falou:
- Olha, vai ser só por uns tempos, tá? Eu posso vir para cá todos os finais de semana, nós podemos nos comunicar por telefone, existe internet... enfim, há infinitos métodos para não nos separarmos.
Ela apenas envolveu seus braços ao redor do pescoço dele, e ficou ali, sentindo aquele perfume que ela tanto amava e que já estava acostumada a ter por perto. Tentou segurar as lágrimas, mas estas insistiam em rolar pelo seu rosto. Ela o abraçava forte, como que para não deixá-lo ir nunca. Não queria deixá-lo ir. Ela não podia fazer isso. Ele era seu porto seguro, o único homem que já amara realmente. E agora que tinha plena certeza disso, estava perdendo-o... não, isso não poderia acontecer...
- Charles, não quero que se vá... – disse ela, se apartando do abraço.
Ao ver que ela chorava, Charles apenas conseguiu enxugar delicadamente as lágrimas dela com seus próprios dedos.
Ele não conseguia falar nada. Abraçou-a novamente.
A atmosfera mágica do lugar e da ocasião foi expulsa por uma de tristeza e angústia.
Após mais algumas lágrimas e abraços, os dois decidiram que, apesar da separação física que iriam sofrer a algumas horas, queriam que seus últimos momentos juntos fossem perfeitos.
Eles saíram do prédio e Charles parou com o carro em frente a um lindo, mas pequeno parque. Eles entraram nele, caminharam um pouco por entre as árvores , ambos retidos em seu próprio silêncio e devaneios e sentaram-se em um banco que ficava exatamente em frente a um lago.
Ele passou um braço em volta dela, eles continuaram calados.
Então, ele disse:
- Jane, quero que você saiba que, apesar desse tempo que passaremos separados, apesar das minhas brincadeiras e de qualquer coisa que houver, eu sempre vou te amar. Você sempre será a única. Sempre. Te amo. Pra sempre.
Charles retirou seu braço que estava em volta dela e pegou o rosto de Jane com ambas as mãos, como fez na primeira vez que se beijaram, e a beijou suavemente, esperando que aquele momento não findasse nunca.
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Mais um dia tomava forma na capital da Inglaterra.
Mas hoje, o céu estava coberto por grossas e escuras nuvens, que impediam o sol de emitir todo o seu brilho.
Jane acordara melancólica àquele dia. Era horrível saber que quando chegasse ao trabalho ele não estaria lá.
Ela ainda tinha profundas olheiras e seus olhos estavam inchados. Isso fora uma consequência das lágrimas que ainda se fizeram presentes, mesmo depois de ela chegar em casa.
Levantou-se, tomou um banho, se vestiu, pôs maquiagem para disfarçar as olheiras e foi preparar o café-da-manhã.
Lizzie ainda não tinha levantado.
Elizabeth levantou-se apressada, Jane já havia chamado-a para levantar há uns minutos atrás, mas o sono foi mais forte do que ela. Talvez o clima frio tenha ajudado também.
Olhou para o relógio. Já era tarde. Tomou um banho rápido, se vestiu e saiu do quarto.
- Bom dia, dorminhoca.
- Bom dia, Jane. Tenho que ir.
Após dizer essas palavras, Lizzie sorveu um gole de café e saiu em direção à porta.
- Tchau, Jane. Estou indo trabalhar.
- Lizzie! Mas você nem tomou seu café direito!
- Desculpe-me, Jane. Mas eu tenho que chegar cedo à empresa hoje. E pelo visto, já estou atrasada. Beijo, até à noite.
- Beijo. Tenha um bom dia.
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Elizabeth pegou um trânsito congestionado, já estava ficando impaciente; ela tinha uma reunião marcada com os diretores de todos os setores da empresa e já estava vinte minutos atrasada.
Para completar sua situação crítica, não conseguia tirar a estória que Wickham lhe contara da cabeça. Também não sabia como iria encarar Darcy e Georgiana.
Chegou à empresa apressada e encontrou Hannah quando esta se encontrava a caminho da sala de reuniões.
- Hannah, bom dia. A reunião já começou?
- Bom dia, srta. Bennet. A reunião já começou sim, o sr. Darcy achou melhor começá-la sem a senhorita, já que estava atrasada há bastante tempo e ele preza muito pela pontualidade.
“Ah, a famosa pontualidade inglesa... O sr. Darcy não sabe que hoje em dia existe trânsito?”
Elizabeth se despediu de Hannah, bateu à porta e entrou apressada na sala. Seus cabelos estavam um pouco desalinhados e sua roupa amarrotada. Era óbvio que havia corrido para chegar até ali.
- Srta. Bennet, a senhorita sabe, por acaso, que está atrasada há quase meia-hora? – falou Darcy em alto e bom som, com voz autoritária e recriminadora.
- Sei sim, sr. Darcy e peço que me desculpe a demora. Mas é que o trânsito estava muito lento, não deu para eu chegar antes.
- Espero que não aconteça novamente.
- Não irá acontecer.
Elizabeth então sentou-se no lugar destinado para ela e tentou prestar atenção no que se passava na reunião. Mas sua irritação não lhe deixava concentrar. “Como Darcy poderia ter sido tão indelicado? E mal educado?! Não se constrange ninguém assim na frente dos outros! Acho que Wickham estava certo quanto ao caráter do ‘grande’ sr. Darcy”.
Sua raiva se ascendeu e ela olhava fixamente para ele, com uma expressão ameaçadora e enfurecida em seus olhos.
Darcy procurava fingir que não via o semblante daquela mulher que estava sentada bem à sua frente, na outra ponta da mesa retangular que estava repleta de diretores e consultores atentos às palavras de seu chefe.
Georgiana estava sentada ao lado de seu irmão e discorria sobre as últimas conquistas da empresa. Ela, além de Caroline, fora a única a perceber a irritação de Lizzie e não deixava de lançar olhares alentadores a ela.
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Acabada a reunião, Elizabeth foi tirar satisfações com Darcy, que já se dirigia para a porta da sala:
- Sr. Darcy, preciso falar-lhe.
- Tudo bem, pode dizer.
Os dois ficaram ali mesmo, na sala de reuniões, e logo após Darcy fechar a porta, Elizabeth disparou:
- Sr. Darcy, posso saber por que o senhor tão veementemente me humilhou na frente de todos os diretores da empresa?
- Srta. Bennet, a senhorita chega meia-hora atrasada em uma reunião e não quer ser repreendida?
- Mas eu me atrasei por culpa do trânsito!
- Então que a senhorita saia de casa mais cedo para não se atrasar. Não sabe que o trânsito é sempre imprevisível?
- Certo, quanto a isso tudo bem. Sairei de casa mais cedo da próxima vez. Mas precisava falar comigo daquele jeito?
- Falei do modo necessário.
- Necessário? Não sabia que na sua empresa o necessário era humilhar as pessoas.
- Eu não humilhei ninguém, apenas cumpri meu dever, que é educar os meus funcionários. E se a senhorita acha que pode ser melhor do que qualquer um deles e não pode receber nenhuma advertência, pode se retirar da empresa.
Falando essas últimas palavras, ele saiu da sala e a deixou lá, sozinha.
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Chegando à sua sala, Darcy encontrou Georgiana, que já estava à sua espera.
Darcy disse a sua irmã a conversa que teve com Lizzie e:
- E disse que se quisesse sair da empresa, poderia. Eu não faria questão. – falava transtornado, andando de um lado para o outro e passando a mão em seus lisos cabelos negros, deixando-os charmosamente bagunçados.
- E o que ela disse?
- Eu não lhe dei tempo para responder.
- Darcy, você tem que pedir desculpas a ela.
Ele diz que precisa de tempo para pensar e pede que ela o deixe sozinho.
Georgiana atendeu seu pedido, e ele ligou um rádio que havia em sua sala. Geralmente, não usava-o muito. Mas àquela hora necessitava relaxar.
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