Parou um segundo em um dos degraus. Uma visão divina a resgatou de seus devaneios. Ele estava ali, mais atraente do que nunca.
Ela sempre o achara bonito, mas, naquela noite, ele havia superado todas as suas expectativas.
Desde o primeiro dia em que chegara à empresa, para sua entrevista com ele, acabou se encantando com aqueles olhos azuis e aquelas maneiras... mas tudo não passara de pura ilusão. Com o passar dos dias, conhecera-o melhor e vira que ele não passara de um ricaço orgulhoso que sempre procurava defeitos nela.
Depois de vê-lo ali, percebeu que uma moça muito bonita entrava logo após ele e que pegava o braço deste.
Ela era loira, alta e muito bonita. Estava com um vestido azul-claro cintilante, cabelos presos no alto da cabeça, mas que deixava mexas ligeiramente soltas na testa e na nuca.
Olhando mais atenciosamente para a moça, percebeu que era Georgiana.
Assim, Lizzie continuou sua caminhada até o fim da escada para cumprimentá-los.
- Lizzie, como vai? Você está tão bonita!
- Oh, Georgiana... obrigada. Mas você também está linda. Quase não a reconheci!
- Ora, não exagere!
Elas riram.
- Lizzie, vou ali falar com alguns amigos. Com licença.
Georgiana saiu e deixou os dois ali, parados, um de frente pro outro. Darcy, que até aquele momento permanecia calado – e de certa forma deslocado - olhou para Elizabeth e disse:
- Srta. Elizabeth. Boa noite. Como vai?
- Muito bem, sr. Darcy. Obrigada.
Um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente e ambos ficaram calados, se encarando.
- Bem, bela festa, não acha?
- Com certeza.
Mais uma vez, o silêncio pairou pelo ar.
Um casal entrou no salão e cumprimentou Darcy. Este, por sua vez, falou-lhes com amabilidade. Eles pareciam ser muito íntimos.
Elizabeth ficou apenas observando enquanto eles conversavam e percebeu o quanto Darcy podia ser agradável com pessoas que, na mente dela, ele considerava como seus iguais.
Darcy, percebendo sua indiscrição se desculpou dizendo:
- Desculpem-me, eu esqueci de apresentá-los. Essa é a senhorita Bennet, minha advogada. Srta. Bennet, esses são o sr. e a sra. Norman.
O casal era muito simpático e o diálogo fluiu naturalmente.
A mulher, Kristie Norman, era muito educada, bonita e agradável. Deveria ter uns quarenta anos, mas sua simpatia deixava-a mais jovem.
O marido, sr. Richard Norman, era também muito agradável, além de ser também engraçado.
O casal era dono de uma das mais bem-sucedidas empresas de informática de todo o Reino Unido. Mas, apesar de toda sua fortuna, eram muito humildes e não aparentavam ter todo aquele dinheiro.
Depois de vinte minutos de conversa sobre assuntos, na maioria das vezes, banais, o casal Norman se despediu e foi saudar outros convidados.
Elizabeth e Darcy ficaram mais uma vez a sós, cada qual com seus devaneios. Outra vez foram salvos do constrangimento por outro casal. Agora Charles e Jane.
Dessa vez a discussão foi mais íntima, o casal recém-chegado estava muito animado com a próspera festa que fora organizada por eles.
Ali estavam presentes os mais variados tipos de pessoas. Donos de grandes empresas e grifes, estilistas, modelos, jornalistas, etc.
Após uma rápida conversa, os casais se separaram e Jane e Lizzie foram ao banheiro – o famoso retoque de maquiagem – e Darcy foi ajudar Charles a cumprimentar mais convidados.
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- Lizzie, o Charles e eu achamos tão estranho ver você e o Darcy juntos.
- É que estávamos conversando ele, eu e a Georgiana. Mas ela saiu para falar com uns conhecidos e deixou-nos sozinhos.
- Mas, sabe, Lizzie... apesar de todas as divergências entre vocês, vocês formam um belo casal.
- Jane, não fale isso nem brincando!
- Mas é a mais pura verdade! Aposto que todos os jornalistas estavam se deleitando com a imagem de vocês juntos e já estão inventando uma linda e romântica história de amor.
- Oh, Jane... sério?
- Não, brincadeira. Acho que eles estavam mais interessados mesmo na chegada da Gisele Bündchen.
As duas riram enquanto saíam do banheiro.
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Em um canto do salão estava ele. Já cumprimentara a todos que conhecia ali e apenas observava de longe o desempenho de sua irmã ao conversar com as pessoas. Era engraçado pensar que até uns anos atrás ela era tão tímida... mas agora a lagarta se transformara em borboleta e pôde, enfim, mostrar ao mundo toda sua beleza e graça.
Mudando o foco de seu olhar, pôde fitar Elizabeth, que estava fitando uma das fragrâncias. Estas, por sua vez, ficavam posicionadas em pequenas colunas de gesso talhado e serviam de amostra para qualquer convidado que as quisesse experimentar.
Elizabeth nunca fora muito vaidosa, mas, àquele dia, estava adorando se sentir bela e ainda ter todos aqueles perfumes à mostra! Sua alegria poderia ser maior? Sim, poderia...
Por estar distraída, Lizzie não percebeu quando alguém se aproximou dela por trás e fechou seus olhos com as mãos.
- Adivinha quem é... – disse alguém, tentando disfarçar a voz para não ser reconhecida facilmente.
- Ãhn... somente uma pessoa faz isso comigo... Charlotte! Acertei?
- Por que será que você sempre acerta?
As duas se abraçaram por um instante e ficaram conversando animadamente.
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Ele continuava olhando-a. Agora estava curioso para saber quem era aquela mulher desconhecida que acabara de se aproximar dela.
A mulher parecia ser muito simpática. Mas não conseguia ser tão bonita quanto Elizabeth ou Jane. Ela estava com um vestido rosa-claro, com alças constituídas por pequenas pérolas e os cabelos, que só chegavam até a nuca, soltos.
Perdido em seus pensamentos e observações, não percebeu a chegada de outra mulher. Mas esta vinha em direção a ele.
- Querido William! Eu já sabia que você ficava lindo de smoking, mas hoje você se superou...
Ele olhou surpreso para aquela figura feminina, tão esquisita a princípio, e que o encarava com olhos devoradores.
Ela trajava um estranho e chamativo vestido laranja cintilante.
Retornando de seu transe, ele finalmente respondeu. Ou melhor, tentou responder...
- Obrigado, Caroline. Você também está muito elegante com esse vestido tão... laranja!
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No meio de sua conversa com a amiga Charlotte, Lizzie virou-se e viu Darcy e Caroline conversando.
“Hum... o casal fofura ataca novamente...”













