| O Fruto da Honestidade - Capítulo 12 |
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| Escrito por Eduarda Sobral |
| Sáb, 22 de Agosto de 2009 17:26 |
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O dia amanheceu claro na agitada capital da Inglaterra. O sol invadia as portas e janelas dos edifícios, dando ares alegres à tão cinzenta cidade.
A sra. Bennet acordara cedo naquela manhã, contagiada pela vibrante animação que o dia emanava. Ela levantou-se, foi até a varanda de seu quarto e olhou toda a agitação que já acontecia lá embaixo. Pessoas indo para o trabalho, outras voltando deste ou de festas, turistas à procura de diversão e descobertas novas na tão fascinante Londres...
Ela acordou seu marido, telefonou para o quarto de suas filhas e, quando todos já estavam prontos, se reuniram no restaurante do hotel para combinar todo o itinerário.
O entusiasmo era geral entre todos os membros daquela família. Eles já haviam visitado Londres várias vezes, mas em nenhuma vez puderam passar tanto tempo “turistando” por lá.
- Mamãe, estamos tão ansiosas pelo nosso passeio! Não é, Kitty? – disse Lydia inquieta em sua cadeira, enquanto comia um pãozinho. - Aonde iremos primeiro?
- Nós também. Não é verdade, meu querido? – disse a mãe, por sua vez, ao seu marido. Este apenas meneou a cabeça afirmativamente sem muito ânimo (ele odiava ser incomodado durante as refeições). – Que lugar você sugere para irmos primeiro? – disse a mesma, agora falando com sua filha, já que fora ignorada pelo sr. Bennet.
- Estávamos pensando, Kitty e eu, em ir ao Piccadilly Circus*, que é próximo daqui do hotel, fazer algumas compras lá, observar o movimento; até porque lá é muito movimentado!!! Centenas de pessoas passam por lá todos os dias! Isso não é emocionante?
- Sem sombra de dúvidas... - disse o sr. Bennet, sem entusiasmo algum.
"Meu Deus, o que eu fiz pra merecer filhas tão tolas?"
- Sr. Bennet!! Não fale assim com suas filhas! Deixe-as aproveitar sua juventude! - falou a mulher, em tom repreensivo. - Sim, minhas pequenas, é realmente muito emocionante! Todas aquelas pessoas, passando de um lado a outro, além das inúmeras atrações que há no Piccadilly. Teatros, bares, lojas...
- Espere um minuto, mamãe. Nós não vamos com elas, vamos? - perguntou Mary, aflita. Não queria passar todas as suas férias fazendo compras e "olhando o movimento"! Isso era totalmente ridículo!
- Não seria uma má idéia, seria?
- Seria uma péssima idéia! - respondeu Mary, veementemente.
- Minha flor, acho melhor você adiar suas compras para outro dia. O que acha? Podes ir no sábado, e convidar Jane para ir convosco. - tentou contornar a situação o marido.
- Oh, é verdade!! Minha bela Jane adora fazer compras!!
- Então fica combinado. Kitty e Lydia irão ao Piccadilly hoje e eu, você e Mary vamos ao London Eye* e depois ao Museu de História Natural*. O que acha? Podemos tirar inúmeras fotos lá. - disse ele, dando uma pequena piscadela para a filha Mary.
*1 - Piccadilly Circus:http://en.wikipedia.org/wiki/Piccadilly_Circus
*2 - London Eye:http://pt.wikipedia.org/wiki/London_Eye
*3 – Museu de História Natural:http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_de_Hist%C3%B3ria_Natural_de_Londres
- Bom dia, Jane!
- Bom dia, Lizzie!
- Como foi o passeio com o Charles ontem?
- Foi ótimo. Ele é...
- Perfeito. Eu sei que você iria dizer isso. - sorriu. - Sempre que fala dele ou com ele seus olhos brilham! Mas o que ele achou de nossa família?
- Ele disse que amou a todos, achou a mamãe e nossas irmãs muito simpáticas e alegres e o papai muito culto.
- Ele disse isso? Agora tenho certeza de que ele é mesmo perfeito! - exclamou, rindo.
- Lizzie! Você sabe que eu não gosto desse seu tom zombeteiro!
- Querida Jane, se ele não percebeu as atitudes por vezes impróprias de nossa família, ele não tem defeito algum!!
- Certo, tudo bem. Concordo com você que a atitude deles é meio imprópria às vezes, mas eles ainda são nossa família que nos ama muito.
- Entendo, Jane. Não sou insensível, por mais que você pense o contrário. Amo nossa família tanto quanto você.
- Eu sei. Mas, mudando de assunto, o Darcy comentou algo com você sobre a nossa família?
- Não, mas pela cara carrancuda e pelos olhares que ele me lançava ontem, tenho certeza que ele achou todos impróprios e sem educação. Mas eu não me importo com a opinião dele!
Assim, elas continuaram a conversa e mais tarde partiram para seus respectivos empregos.
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Darcy tinha passado uma noite tranquila, tivera um sono profundo. Só acordara pela manhã. A noite passada com sua irmã lhe fez muito bem. Aliás, a sua irmã lhe fazia muito bem.
Assim, de humor restaurado, recomeçou seus afazeres diários.
Chegou à sua empresa cedo. Lá, tudo parecia estar em plena ordem. Mas, assim que chegou, uma figura que ultimamente tirava-lhe do sério apareceu. Mais linda do que nunca.
Ela estava sutilmente recostada à mesa de Hannah, a secretária de Darcy, e lhe mostrava alguns papéis.
“Ah, não... como alguém pode ficar tão bem com uma simples saia vermelha e uma blusa branca de gola alta?”
Ele parou inconscientemente onde estava e ficou a olhá-la. Fitou-a insistente.
- Olá, bom dia sr. Darcy. – disse-lhe Lizzie, percebendo sua presença e seu olhar sobre si, o que deixou-a aborrecida. O que ele pretendia olhando-a daquela maneira?
- Ãhn... bom dia. – respondeu, saindo de seu transe.
- Bom dia, sr. Darcy. Como passou a noite? – falou Hannah. Ela já trabalhava lá tempo suficiente para fazer-lhe este tipo de pergunta.
- Bom dia, Hannah. Passei muito bem, obrigado. Venha até minha sala, quero saber meus compromissos de hoje.
Assim, ele saiu. Sem olhar para Elizabeth.
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- Oh, Kitty! Nem acredito que estamos em Londres! Aqui há tantas coisas a ver, pessoas a conhecer! Isso não é emocionante? – falou Lydia, entusiasmada enquanto saíam do hotel, à pé, em direção ao Piccadilly Circus.
- É verdade. Olhe quantas lojas, carros... tudo isso não tem no Hertfordshire!!
As duas riram do exagero da última.
Andando pelas ruas de Londres, era possível que cruzassem pelo seu caminho diferentes coisas. Havia lojas, teatros, cinemas, praças, além dos mais variados tipos de pessoas.
Era possível para elas identificar crianças indo à escola com seus pais; um casal enamorado caminhando juntos; avós levando seus pequeninos netos para passear; pessoas ocupadas demais para pensar nos outros ou até em si mesmas...
LDN (Londres)
(Lily Allen)
Riding through the city on my bike all day
Andando na minha bike pela cidade o dia inteiro
Cause the filth took away my licence
Porque os corruptos tiraram minha carta
It doesn't get me down and I feel ok
Isso não me afeta e eu me sinto bem
Cause the sights that I'm seeing are priceless
Pois os sinais que eu vejo não tem preço
Everything seems to look as it should
Tudo parece estar como deveria ser
But I wonder what goes on behind doors
Mas me pergunto o que acontece atrás das portas
A fella looking dapper, but he's sittin with a slapper
Um cara muito estiloso, mas ele está sentado com uma baranga
Then I see it's a pimp and his crack whore
Quando vejo que é um cafetão com sua prostituta drogada
You might laugh you might frown
Talvez você de risada e talvez você desaprove
Walkin' round London town
Andando por Londres
Chorus
Refrão
Sun is in the sky oh why oh why ?
O sol está no céu oh por que oh por que?
Would I wanna be anywhere else
Eu iria querer estar em outro lugar
Sun is in the sky oh why oh why ?
O sol está no céu oh por que oh por que?
Would I wanna be anywhere else
Eu iria querer estar em outro lugar
When you look with your eyes
Quando você olha com seus olhos
Everything seems nice
Tudo parece bonito
But if you look twice
Mas se você olha de novo
You can see it's all lies
Você pode ver que é tudo mentira
There was a little old lady, who was walkin down the road
Alí tinha uma velhinha, que andava pela rua
She was struggling with bags from Tesco
Ela estava carregando sacolas da Tesco
There were people from the city havin lunch in the park
Haviam pessoas da cidade tomando lanche no parque
I believe that it's called al fresco
Creio que aquilo se chama Al Fresco (nudismo)
Then a kid came along to offer a hand
Depois uma criança veio e ofereceu uma ajuda
But before she had time to accept it
Mas antes que ela tivesse tempo de aceitar
Hits her over the head, doesn't care if she's dead
Bateu na cabeça dela,não importa se ela morreu
Cause he's got all her jewellery and wallet
Pois agora ele tem todas suas jóias e carteira
You might laugh you might frown
Talvez você de risada e talvez você desaprove
Walkin round London town
Andando por Londres
Chorus
Refrão
Sun is in the sky oh why oh why ?
O sol está no céu oh por que oh por que?
Would I wanna be anywhere else
Eu iria querer estar em outro lugar
Sun is in the sky oh why oh why ?
O sol está no céu oh por que oh por que?
Would I wanna be anywhere else
Eu iria querer estar em outro lugar
When you look with your eyes
Quando você olha com seus olhos
Everything seems nice
Tudo parece bonito
But if you look twice
Mas se você olha de novo
You can see it's all lies
Você pode ver que é tudo mentira
Life, that's city life, yeah that's city life, that's city life
Vida, essa é a vida na cidade, sim essa é a vida na cidade, essa é a vida na cidade
Life, that's city life, yeah that's city life, that's city life
Vida, essa é a vida na cidade, sim essa é a vida na cidade, essa é a vida na cidade
Chorus
Refrão
Sun is in the sky oh why oh why ?
O sol está no céu oh por que oh por que?
Would I wanna be anywhere else
Eu iria querer estar em outro lugar
Sun is in the sky oh why oh why ?
O sol está no céu oh por que oh por que?
Would I wanna be anywhere else
Eu iria querer estar em outro lugar
Enfim, continuaram caminhando e encontraram uma loja de departamentos em liquidação, o que representou para elas um belo presente, enquanto sua “aventura de férias” estava apenas começando.
- Oh, não acredito! Kitty, olhe! 50% de desconto em todos os produtos!!! – exclamou Lydia, numa voz que exalava uma sensação muito além da felicidade e extremo prazer.
- Não é maravilhoso? Vamos entrar!
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Em um outro lugar da cidade, não muito longe dali...
- Meu Deus... Tem certeza de que não irei cair?
- Claro que não, minha querida. Você sabe que aqui, por mais alto que esteja, é muito seguro.
- Oh, e meus nervos? Será que irão aguentar?
- Acho que os meus nervos é que não irão aguentar... – disse o sr. Bennet já transtornado com tantas perguntas que sua esposa estava lhe fazendo.
- Sr. Bennet, não troce de mim nem de meus nervos desse jeito!
- Papai, não se preocupe. – disse Mary em tom conciliador. Após a saída de suas irmãs mais velhas de casa, ela havia se tornado a fiel “escudeira” de seu pai e tentava sempre amenizar as pequenas discussões de seus pais. – Mamãe, está tudo bem, certo? A senhora não irá cair e seus nervos suportarão muito bem. – continuou.
Mais calma, a sra. Bennet aceitou, enfim, adentrar em uma das cabines da London Eye.
A 160 metros do chão e olhando toda aquela imensidão que se perdia no horizonte, Mary pôde refletir sobre tudo o que tinha aprendido nos livros. Nada se comparava àquilo. À sensação de liberdade.
Ela foi interrompida por uma demonstração de afeto entre seus pais. Abraçado à sua esposa, o sr. Bennet mostrava os principais pontos da cidade que poderiam ser vistos a partir dali:
- Olhe, ali é o Big Ben, a Abadia de Westminster, o Palácio de Buckingham, o Hyde Park, a Catedral de São Paulo e a Tower Bridge.
Parecia engraçado perceber que, mesmo com as discussõezinhas que ocupavam quase todo o tempo deles, eles ainda se amavam. Mesmo após quase 30 anos de casamento.
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Mas, como nem tudo eram flores para todo mundo, após o término de uma exaustiva reunião sobre onde a empresa deveria comprar e/ou construir seus imóveis, Elizabeth saiu da sala de reuniões.
Mas seu objetivo de comer uma enorme barra de chocolates para restaurar seu ânimo e atenuar os efeitos de uma TPM que lhe atormentava há dias foi interrompido por uma mão leve, mas firme, que segurou-lhe o braço e disse:
- Querida Eliza... por que ia sair assim, tão apressada? Algum problema?
Lizzie virou-se para olhar bem nos olhos daquela pessoa que lhe incomodava.
Girou sobre si e viu quem era. Seus ouvidos não lhe enganaram. Aquela voz mansa e suave cheia de veneno era inconfundível.
- Caroline... Não, comigo não há problema algum. Saí da sala porque a reunião já acabou. Assim, não há mais motivos para continuar lá. – respondeu-lhe duma só vez, para que a outra não prolongasse mais a conversa.
- Charles me contou que sua família veio passar as férias em Londres. Ele também disse que conheceu a todos.
- Ah, ele disse?... – respondeu ela, sem muito interesse.
- Será que eles são o motivo desse seu... como posso dizer... transtorno? – disse isso mais como uma afirmação do que como uma pergunta.
-Não, eles não são incômodo algum. E como já lhe disse, não estou transtornada. Com licença. – assim, Lizzie saiu, deixando a outra perplexa com sua atitude, mas com uma sensação de vitória.
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Suas mãos pequenas e delicadas, produto de quem está prestes a sair da adolescência, saíram abarrotadas de sacolas de compras. Elas não podiam se conter de tanta felicidade.
Haviam comprado as mais variadas coisas: de roupas e sapatos até produtos eletrônicos.
- Lydia, será que o papai não irá arreliar conosco quando souber que estouramos o limite do meu cartão de crédito e do seu? Além de que gastamos quase metade de nossas mesadas?
- Kitty, apenas curta o momento! Quando em nossas vidas íamos comprar tantas coisas? Não se importe se ele brigar conosco, ele sempre reclama de tudo que fazemos!
- Certo, tudo bem... Mas podemos lanchar agora? Estou morrendo de fome!
- Vamos sim. Olhe, ali tem uma lanchonete. Vamos lá.
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Atarefada, Jane não estava conseguindo parar quieta em seu escritório. Ia de sala em sala supervisionando cada etapa da campanha que iria ser lançada daqui a quatro dias, ou seja, no sábado.
No meio de suas andanças, entre uma sala e outra, ela acabou surpreendida por uma pessoa que lhe puxara para si e lhe carregava para trás de uma planta que servia de ornamentação no fim do corredor.
Era Bingley.
- Bingley, o que está fazendo? Estamos no trabalho, por favor se contenha... – disse ela, um pouco envergonhada e com medo que alguém lhes pegasse em flagrante.
- Não se preocupe, minha linda. Onde estamos é escondido e ninguém nos verá. Eu só queria lhe perguntar uma coisa.
Ela apenas inquiriu-lhe com os olhos e esperou que ele falasse.
- Por que não me apresentou como seu namorado para seus pais?
Surpreendida com a pergunta, ela ficou momentaneamente sem palavras. Mas após alguns segundos de silêncio, disse:
- Por que eu ainda acho nosso namoro muito recente para apresentá-lo para meus pais. Além de recear sua reação e a reação da minha mãe, quando ela ficasse sabendo.
- Hum... certo. Mas quero que você saiba que mesmo não estejamos juntos há muito tempo, eu a amo mais profundamente do que uma pessoa poderia amar outra em anos.
Fê-la sorrir e corar. Quase chorar.
- E eu adoraria que você me apresentasse aos seus pais e não me importaria com a reação da sua mãe, seja ela qual fosse. Porque eu a amo, e nada pode mudar isso. – continuou ele, com um lindo brilho no olhar.
- Charles, eu também o amo tanto...
Abraçaram-se por um longo tempo, ambos com olhos marejados.
Dessa vez o beijo teve gosto não apenas de desejo ou paixão, mas de amor, um amor profundo e sincero. Ele representou uma entrega total de ambos, eles doaram seu coração e agora não tinha mais volta. Aliás, eles não pretendiam mais voltar.
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