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Se eu a amasse menos, seria capaz de falar mais sobre o que eu sinto. (Jane Austen)

O Fruto da Honestidade - Capítulo 10

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A família Bennet estava bastante animada quanto à sua estadia em Londres. Chegou ao restaurante antes de suas filhas mais velhas e o sr. Bennet, que estava particularmente exausto, pediu logo o almoço para todos eles.
 
Por pura coincidência ou obra do destino, Jane e Lizzie chegaram ao restaurante à mesma hora e assim puderam conversar antes de entrar.
 
- Jane, querida. Quando você me falou eu não pude crer. Aliás, até agora eu não acreditei.
 
- Eu também não acreditei. Mas apesar do susto, é bom vê-los de novo. Olhe, eles não são uma gracinha? – disse isso sorrindo e olhando para sua família através do vidro do qual o restaurante era rodeado. – Lydia e Kitty sempre rindo com tudo o que veem, a Mary calada ou dando suas opiniões cultas, o papai sempre sisudo, mas com um coração enorme e a mamãe sempre espevitada e preocupada com todos nós.
 
- É verdade. Mas acho que está faltando uma parte. Quero dizer, duas. – riu, deu o braço à sua irmã e ambas entraram.
 
Ao vê-las entrar, a sra. Bennet ficou extasiada de alegria e correu para abraçar as suas queridas filhas, que para ela ainda eram bebês.
 
- Minhas queridas meninas! – disse a mãe abraçando as duas filhas de uma só vez. – quanta saudade de vocês!
 
- Nós também estávamos com muitas saudades de todos vocês. – Jane falou alegremente com sua mãe, enquanto retribuía o seu abraço.
 
Lizzie correspondeu ao abraço, mas logo se apartou deste; estava constrangida com a cena que sua mãe estava fazendo no restaurante.
 
Após desvencilhar-se de sua mãe, Elizabeth olhou para a mesa onde estavam os outros e viu ali o seu pai, olhando para ela com aquele seu olhar terno e cúmplice de sempre. Ele levantou-se e a abraçou apertado.
 
- Minha pequena Lizzie! Como está linda!
 
- Ora, papai! Para você eu estou sempre linda...!
 
Os dois riram e Lizzie foi falar com suas irmãs mais novas.
 
No decorrer de uma animada conversa entre a família Bennet, Jane foi surpreendida com uma presença inesperada. Seu namorado e o amigo deste entravam naquele exato momento no restaurante onde estava e se dirigia para ela.
 
- Olá. – disse Charles a todos, mas sorrindo especialmente para Jane.
 
Elizabeth, que estava sentada de costas para a entrada, se assustou ao ouvir a voz de Charles. E ao olhar para ele, ela viu Darcy, que o acompanhava e olhava insistentemente para ela. Lizzie, então, cumprimentou os dois timidamente, o que Jane já havia feito.
 
A sra. Bennet, percebendo o jogo de olhares entre eles, disse:
 
- Jane, Lizzie! Não vão nos apresentar os moços?
 
- Oh, desculpem-me... – disse ela embaraçada. – Pessoal, esses são Charles Bingley, meu... o dono da empresa onde trabalho e William Darcy, seu amigo e dono da empresa onde Lizzie trabalha.
 
- Que coincidência maravilhosa! Senhores, muito prazer em conhecê-los! Não querem sentar-se conosco? – disse a sra. Bennet eufórica. – Sr. Bennet, cumprimente os moços!
 
- Eu ia fazê-lo, minha flor. Mas a senhora não estava deixando. – falou o sr. Bennet, zombeteiro.
 
Enquanto a sra. e o sr. Bennet tinham essa pequena discussão, os outros presentes eram atormentados pelos mais variados sentimentos.
 
Lydia e Kitty cochichavam e riam enquanto olhavam para os senhores recém-chegados; Mary analisou os dois e já tinha uma opinião formada sobre ambos: Charles era um tanto tolo e com certeza estava apaixonado por Jane, Darcy parecia muito chato e carrancudo e olhava demais para Elizabeth e toda sua família; Darcy estava boquiaberto com toda aquela cena e não acreditava no que via, para ele todos eram muito mal-educados e espalhafatosos; Charles estava achando a família Bennet muito divertida, e apesar da sua “pequena indiscrição”, ele ficou realmente com muita vontade de um dia pertencer àquela família, já que nunca teve tanta proximidade com seus pais. Eles eram sempre tão ocupados... e, além disso, ele nunca teve laços muito fortes com suas irmãs Caroline e Louisa.
 
Enfim, após algum tempo de cumprimentos, os amigos Darcy e Bingley perceberam que seria impossível recusar o convite de sentar à mesa que a sra. Bennet havia feito.
 
Todos se puseram em seus devidos lugares e o almoço foi servido. Durante toda a refeição a sra. Bennet fez milhares de perguntas a Bingley e Darcy, mas ela simpatizara principalmente com o primeiro, o qual achara animado e respondia com bom-humor a todas as suas perguntas.
 
Terminado o almoço:
 
- Sr. Bingley, foi um prazer imenso conhecê-lo! – disse a sra. Bennet num tom que misturava atenção e a euforia.
 
- Igualmente, minha senhora. – respondeu-lhe.
 
- Sr. Darcy... bem, também foi um prazer conhecê-lo. – disse a senhora, bem menos empolgada que no primeiro cumprimento.
 
- Também foi um prazer conhecê-la, madame. – disse ele. – A senhorita quer carona até o trabalho? – dessa vez se dirigindo à Elizabeth.
 
- Não, obrigada.
 
Após a resposta seca de Lizzie, Darcy saudou os outros, saiu do restaurante e ficou esperando por Bingley do lado de fora.
 
Bingley, percebendo a impaciência de seu amigo, cumprimentou a todos rapidamente, pediu desculpas pela pressa de Darcy, e, jogando um olhar mais profundo e um sorriso tímido à Jane, foi embora.
 
Quando encontrou o amigo do lado de fora disse:
 
- Darcy, que atitude foi essa? Sair assim, apressado. Parecia que era um fugitivo!
 
- Eu estava mesmo fugindo. Fugindo da voz aguda e irritante da sra. Bennet! Nunca vi uma mulher falar tanto!
 
Bingley riu com a aflição do seu amigo.
 
- Darcy, eu sei que ela exagerou um pouco, mas...
 
- Um pouco? Ela falava pelos cotovelos! – falou Darcy, quase gritando, o que fez Charles rir mais ainda.
 
- Darcy, se acalme. Ela só estava um pouco empolgada... por ver suas filhas de novo, por estar curtindo umas férias em Londres, por estar travando novas amizades...
 
- Certo, certo. Ela tem realmente milhares motivos para estar feliz, mas não precisava falar tanto assim!
 
- Tudo bem, Darcy. Esqueça isso. Mas você não achou todos muito animados?
 
- Até demais. Eles, definitivamente, não sabem se comportar. À exceção da Jane, é claro.
 
- E da Elizabeth também. – Charles mencionou Lizzie sabendo que atingiria Darcy com essas palavras.
 
Confirmando as expectativas de Charles, Darcy calou-se por um instante.
 
- Mas você também não se comportou exemplarmente, viu, sr. Darcy?! Sabia que é muito feio ficar mudo em uma ocasião onde se conhece novas pessoas? Ainda mais ficar carrancudo do jeito que você ficou?!
 
- Foi justamente por isso que fiquei calado! Não tenho o dom de conversar com pessoas que não conheço, ainda mais com pessoas com tão pouca educação...
 
Charles e Bingley tiveram de encerrar sua conversa, já que cada um tinha seus respectivos compromissos. Despediram-se e foram cada um pro seu lado.
 
**********************************
 
A família Bennet pediu a conta após a saída dos convidados e, apesar de veemente oposição da sra. Bennet, ficou combinado que os recém-chegados ficariam em um hotel, já que o apartamento de Jane e Lizzie não comportaria tanta gente.
 
Assim, Jane e Lizzie foram até seus carros, e, enquanto não os alcançavam, conversavam sobre o almoço.
 
- É engraçado como nossa família nunca muda...
 
- É verdade, Lizzie... Mas você acha que nossos pais gostaram do Charles?
 
- Acho que o papai simpatizou muito com ele, e a mamãe... bem, preciso dizer que a mamãe o amou?
 
Jane riu.
 
- Que bom, fiquei tensa quando vi Charles e Darcy chegarem. E por falar em Darcy, você viu como ele ficou calado? Totalmente introspectivo...
 
- É, eu vi. Ele estava tão diferente, não agiu como na festa de Georgiana... Lá ele pelo menos tentou ser simpático, tentou conversar com todos. Mas hoje ele se fechou completamente... – falou Lizzie pensativa, como se quisesse reproduzir as ações em sua mente.
 
- Talvez ele estivesse se sentindo deslocado, já que não conhecia quase ninguém ali.
 
- Conhecia sim, Jane. Não queira defendê-lo. Ele conhece a mim, a você e ao Charles. Isso não é um bom começo?
 
- Tudo bem, você tem um pouco de razão...
 
- Eu tenho toda a razão, Jane! Eu particularmente acho que ele não gostou de nossa família. Deve ter achado todos mal-educados e inferiores demais para ele...
 
- Lizzie, acho que o Darcy não seria capaz de pensar isso de ninguém!
 
- Nem todos se parecem com você, Jane.
 
Assim, cada irmã seguiu seu caminho e foram a encontro de seus compromissos.
 
*************************
 
- Sr. Bennet, não sei por que não quis que ficássemos na casa de nossas filhas! Poderíamos muito bem nos arranjar por lá.
 
- Minha cara sra. Bennet, nossas filhas trabalham o dia todo. E além do mais, nós curtimos melhor nossas férias num hotel, o que acha? Todas aquelas camareiras para servir somente à senhora...
 
A sra. Bennet sorriu só de imaginar a possibilidade de ter todos ao seu dispor e passou a ver sua estadia no hotel com bons olhos.
 
- E o que o senhor achou dos senhores que conhecemos?
 
- Eu gostei dos dois, mas acho que a Lizzie terá que ter muito cuidado ao lidar com o sr. Darcy, achei-o muito arrogante. Já o sr. Bingley pareceu-me muito simpático.
 
- Além disso, demonstrou gostar muito da Jane, não parou de olhar para ela um segundo sequer!
 
- Oh, minha cara sra. Bennet... não vá me dizer que já quer casar nossa filha com o tal sr. Bingley...!
 
- Sr. Bennet, fique sabendo que achei o sr. Bingley o par perfeito para a nossa Jane, além de ser muito bonito e rico, principalmente! Eu sabia que nossa filha não seria tão bonita à toa!
 
Os Bennet finalmente encontraram o hotel carinhosamente indicado por suas filhas mais velhas e foram obrigados a interromper sua discussão sobre a vida das filhas.
 

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