O resto da semana passou rápido. Lizzie havia conversado com Jane sobre a festa de boas-vindas de Georgiana e elas acabaram concordando em jantar no tal restaurante chinês como tinham combinado antes, e depois ir à festa.
Enfim, chegou o tão esperado sábado.
À tardezinha, quase ao pôr do sol, o avião no qual Georgiana estava chegaria ao aeroporto. Darcy, que sentia muito a falta de sua irmã, foi buscá-la. O reencontro dos dois foi emocionante. Apesar de serem comuns as viagens a negócios prolongadas, eles nunca se acostumaram a ficar muito tempo longe um do outro.
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Os preparativos estavam a mil na boate onde seria realizada a festa de Georgiana. Darcy tinha feito alguns ajustes durante o dia inteiro, e, enquanto foi buscar sua irmã no aeroporto, deixou Bingley em seu lugar, cuidando dos últimos preparativos.
Charles amava muito a Georgiana, considerava-a como mais uma de suas irmãs. Mas ele não estava conseguindo se concentrar em nada ultimamente, só conseguia pensar em Jane. Ela não saía de sua cabeça desde o primeiro dia em que a vira. “Gostaria tanto que ela viesse à festa...”
Mal sabia ele que o destino iria lhe dar uma “forcinha” naquela noite.
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À noite, as irmãs Bennet desfrutavam de seu jantar. O restaurante era aconchegante e sua decoração exalava alegria e beleza. E a felicidade da qual usufruíam era intensificada pela deliciosa comida e pela agradável conversa que mantinham.
Basicamente, o centro do seu diálogo era Bingley. Jane não se cansava de elogiá-lo para sua irmã, de dizer o quanto ele era sensível e amável, de enumerar todas as qualidades dele.
Por seu lado, Lizzie não conseguia parar de pensar na festa que teriam de ir depois dali. A história que Caroline lhe contara seria mesmo verdade? Ela não sabia, mas poderia descobrir aquela noite, na tal festa. Estudando as atitudes de Darcy – o que ela, diga-se de passagem, adorava fazer -, seria possível saber se era tudo verdade ou mentira.
Terminado o jantar, Elizabeth e sua irmã se dirigiram ao local da comemoração.
A boate escolhida por Darcy para comemorar o retorno de sua irmã era ampla, uma das mais badaladas da cidade, e fora reservada exclusivamente para a festa, que seria uma surpresa para a srta. Darcy. Ao entrar, Lizzie e sua irmã puderam perceber a grandiosidade e beleza com que o lugar havia sido decorado.
Distraída pelo que via, Elizabeth não percebeu que estava sendo observada. Darcy já a esperava chegar há algum tempo. Naquele momento, estava à beira da impaciência. Ao vê-la, seu coração entrou num compasso acelerado, quase pulando de seu peito; suas pernas fraquejaram ao contemplar aquela criatura, que parecia ter acabado de sair do céu.
Elizabeth encontrava-se realmente bela naquela noite. Com um vestido de seda preto que tinha um decote profundo em “V” em suas costas e que se ajustava perfeitamente ao seu corpo, além do cabelo preso em um pequeno coque que deixava algumas mechas soltas em seu cabelo.
Darcy não pode deixar de reparar na irmã de Lizzie. Era incrivelmente bela, estava com um vestido cor de pérolas e seu curto cabelo loiro estava livre para dançar com o vento.
Como era de praxe, ao se chegar a uma festa tinha-se de cumprimentar os anfitriões. Assim, Elizabeth e sua irmã partiram em direção a Darcy para saudá-lo pela festa e conhecer sua irmã.
Darcy, que já ia em direção às duas, falou-lhes com extrema atenção, o que soou muito estranho para Elizabeth. Ele as convidou para sentar a uma mesa na qual estavam sua irmã e dois amigos seus.
Ao chegarem à mesa, sentimentos controversos tomaram conta das irmãs Bennet. Jane, estupidamente alegre por ver que um dos amigos que Darcy falara era Bingley; Lizzie, um tanto frustrada por perceber que Caroline era outra dos amigos. Mas ficou feliz por ele tê-la chamado apenas de amiga.
- Meus amigos, apresento-lhes a srta. Elizabeth Bennet, a nova advogada da empresa, e sua irmã, Jane Bennet – disse Darcy dirigindo-se aos que estavam à mesa. - Senhoritas, esses são Charles Bingley, Caroline Bingley, a irmã deste, e minha irmã, Georgiana. – falando às irmãs Bennet.
- Como vai, srta. Bennet? Está ainda mais linda do que quando lhe falei ontem. – falou Bingley à Jane.
- Vocês já se conhecem? – perguntou-lhes Darcy.
- Sim, a srta. Jane está trabalhando lá na agência.
“Hum... então este é o sr. Bingley. Bom, ele me parece bastante gentil. Além de ser bem bonito.”, pensou Lizzie.
“Esta é a srta. Bennet que Charles me falou. É, tenho que admitir que ela é mesmo bonita como ele havia dito. Engraçado, ela é irmã da Elizabeth. Como não percebi que os sobrenomes eram os mesmos?!”, pensou Darcy.
- Ah, e esta deve ser a srta. Elizabeth Bennet. Darcy me falou muito de você. – falou Bingley ao cumprimentar Elizabeth.
- O senhor foi igualmente comentado. – Lizzie disse, olhando significantemente para sua irmã e dando um olhar curioso à Darcy.
Assim a conversa se seguiu, com os ocupantes da mesa falando sobre assuntos banais.
A irmã de Darcy não era nada parecida com o que Lizzie tinha imaginado. Ela era alta, muito branca, tinha olhos profundamente azuis e um cabelo loiro bastante liso, que caíam-lhe até os ombros. Além de ser admiravelmente bonita, era muito simpática. Recebeu-as com cordialidade e amabilidade.
Após um certo tempo que a conversa tinha se iniciado, Charles e Jane saíram até a pista de dança. A música que começava a ecoar era uma baladinha romântica, que penetrava-lhes a alma e combinava perfeitamente com o momento.
Sonhos
(Edu Ribeiro e Cativeiro)
Suspirei quando te vi
Eu não pude evitar
Só me lembro que sorri
E sonhei contigo estar
Ao te ver tão perto assim
Eu não pude acreditar
Mas desejo não tem fim
Só pra ela vou cantar
Frente a frente, logo ali
Sob a lua, rente ao mar
Brisa leve, noite enfim
Tempo certo pra contar
Que o teu beijo eu sempre quis
Sua voz a sussurrar
Tuas mãos poder sentir
No teu colo descansar
Nos meus sonhos eu te toquei
Tua pele fui provar
Nos teus sonhos hoje eu sou rei
E o meu reino é te encantar
Tais momentos esperei...
Agora com aquela dança eles estavam tão próximos... ele podia sentir sua respiração tão perto de si.
Ele não podia descrever o que sentia. Sabia que estava apaixonado. Aliás, sabia disso desde a primeira vez que a vira. Ele já havia se apaixonado por inúmeras outras garotas. Entretanto, com ela era diferente. Não conseguia passar cinco minutos sem que seus pensamentos se voltassem para ela. Por que ela sempre invadia sua mente? O porquê ele não podia entender. Talvez ela fosse a mulher da sua vida.
- A mulher da sua vida? Bingley, a vida não é um conto de fadas. E você já se apaixonou por outras tantas!
- Eu sei, Darcy. Mas eu não sei por que, mas com ela é diferente.
- Está bem, só espero que você não quebre o coração da moça.
- Isso é o que eu menos quero. Mas, e você? A srta. Elizabeth é realmente muito bonita, além de ser bastante agradável. Por que você não a convida para dançar?
- Charles, você sabe que eu só danço com quem já conheço há algum tempo.
- Vocês já se conhecem há mais de duas semanas! Darcy, faça o que o seu coração manda. Pelo menos uma vez na sua vida.
Os amigos separaram-se. Bingley convidou Jane, que estava no bar, para mais uma dança; enquanto Darcy se dirigiu à mesa onde ainda estavam Lizzie, Georgiana e Caroline. Ele pensou bastante no que Charles lhe dissera e, numa guerra interna entre o coração e a razão, o coração saiu vencedor. Então ele decidiu, por fim, convidá-la para dançar.
Quando chegou onde as moças estavam, foi diretamente à Elizabeth. Falou-lhe com tanta segurança, e aqueles seus profundos olhos azuis pareciam enfeitiçá-la, que ela não pôde recusar aquele pedido.
Ao vê-los juntos indo em direção à pista de dança, Caroline ficou estática. Como Eliza poderia prender tanto a atenção dele, se ela, Caroline, há tanto tempo procurava agradá-lo e naquele dia tinha passado o tempo inteiro no cabeleireiro por ele?! Mas isso não ia ficar assim, Eliza Bennet iria saber o que o coração de Darcy já tinha dona.
Na verdade, Caroline não foi a única a se espantar com o casal que começava a dançar. Todos os convidados se admiraram ao ver aquele homem tão reservado, que quase nunca dançava, dançando com uma até então desconhecida.
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Uma música animada tomava conta da pista enquanto os casais se organizavam. Darcy estava se odiando por ter pedido a Lizzie para dançar; tinha agido por impulso. E justo naquele momento uma música tão agitada começava a invadir o local. Apenas uma coisa o tranquilizava: com aquela dança ele poderia provar a si mesmo que o que sentia por ela era apenas uma atração passageira.
Eles começaram a dançar. Elizabeth, um tanto embaraçada pelo convite e pelo silêncio que havia pairado sobre eles depois, resolveu “quebrar o gelo” e iniciar uma conversa.
- A festa está realmente muito animada, sr. Darcy.
- Que bom que gostou. – ele assumiu para si mesmo que estava um pouco nervoso e ainda procurava as palavras certas para falar com ela.
- A sua irmã é muito simpática!
- A sua também. – falou meio sisudo.
Elizabeth riu e ele tentou esboçar um meio sorriso.
- Caroline parece gostar muito dela. - Elizabeth queria, agora, chegar sutilmente no assunto que lhe interessava. Queria ter certeza que a história contada por Caroline era verdade.
“Não que eu esteja interessada nele. Não, não é isso... eu só acho que Darcy não é o tipo de homem que se apaixona pelo tipo de mulher da Caroline.” – perdeu-se em seus devaneios.
- A Caroline? Ela faz isso só para ser atenciosa comigo...
“Então é mesmo verdade! Caroline já quer fazer papel de boa-moça para conquistar a cunhada. Espero que a Georgiana seja tão esperta quanto eu tive a impressão fosse e não se deixe levar pelos paparicos dela; não confio nessa patricinha branquela. Será que o casalzinho já deu a bela notícia a ela?” – pensava Lizzie, enquanto dançava desenvolta na pista com a nervosa, mas intensa, atenção de Darcy sobre si.
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A luz da lua cheia adentrava pomposamente à ventilada e reservada varanda da boate em que situavam-se Bingley e Jane. Eles estavam ali desde que sua dança acabara, e conversavam animadamente sobre trivialidades. Mas, num dado momento da conversa, Bingley não conseguiu mais segurar sua apreensão e sentimentos e falou:
- Jane, sei que tudo isso é muito impróprio, sei que você trabalha na minha empresa, mas é que eu não consegui resistir. Eu...eu...eu estou apaixonado por você. É isso. Te amei desde a primeira vez que te vi. Mas acredite, isso nunca me aconteceu antes.
Jane ouvia cada uma de suas palavras atentamente com uma indiscutível expressão de surpresa.
- Desculpe, sr. Bingley, mas eu não sei o que lhe dizer...
- Eu sabia que estava sendo precipitado... me desculpe. – disse essas últimas palavras se levantando para sair dali e voltar ao salão, esfregando o rosto frustrado.
- Não, sr. Bingley. Não foi isso o que eu quis dizer. – Ela se levantou e pegou-o pelo pulso.
Ao perceber aquele toque tão suave, mas ao mesmo tempo firme, ele virou-se para ela e olhou fixamente em seus olhos.
- Confesso que eu não esperava essa sua declaração, mas a verdade é que eu também estou apaixonada por você. Concordo que isso tudo é muito impróprio...
Jane foi silenciada por Bingley, que num impulso pegou-lhe o rosto com as mãos e a beijou profundamente.
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Georgiana, apesar de ser a peça principal da comemoração, conversou com todos os convidados mas se limitou a dançar apenas com pessoas mais íntimas suas. Apesar de ter conhecido Elizabeth há pouquíssimo tempo, Darcy já havia lhe dito que ela era uma pessoa de confiança. E como Darcy era a pessoa que sua irmã mais confiava no mundo, esta procurou ser o mais simpática possível com Lizzie e as duas simpatizaram muito uma com a outra.
No intervalo entre uma dança e outra, elas começaram a conversar. Caroline acabara de sair, fora dançar com Darcy; insistira tanto, lançou tantas diretas e indiretas, que ele acabou aceitando dançar para que ela lhe desse algum momento de paz. Lizzie, então, resolveu comentar o assunto:
- Ela parece gostar muito de seu irmão.
- Caroline? É, há muito tempo ela gosta dele.
- Ela também parece gostar muito de você.
- É, ela tenta nos agradar. Mas às vezes ela exagera, sabe?
- Sei...
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O resto da noite passou-se rápido para a maioria dos convidados da festa. Lizzie e Georgiana gostaram muito uma da outra e conversaram bastante; Caroline passou a noite inteira tentando paparicar Georgiana e ganhar alguma atenção de Darcy, ou quem sabe, mais alguma dança; Darcy conversou com alguns conhecidos durante a noite e tentou, sem sucesso, decifrar os olhares misteriosos que Elizabeth lhe lançava; Charles e Jane só se largaram na hora de ir embora.













