O sol reluzia por entre as portas e janelas do prédio da Bingley Publicidade iluminando-o com intensidade e graça, como se quisesse dar boas-vindas à nova integrante do lugar.
Jane Bennet chegava à empresa tensa, mas feliz. E ao entrar no hall de entrada do prédio, surpreendeu e foi surpreendida pela visão que teve. Um homem especialmente belo, que parecia ser encantadoramente simpático e sensível estava à espera do elevador. Ele a olhou com curiosidade e interesse, se perguntando como nunca tinha visto ali aquela criatura, que mais parecia um anjo com seus cabelos loiros, olhos claros e expressão serena.
Ela parou ao seu lado para esperar a chegada do elevador. O homem ao seu lado cumprimentou-lhe, e, não contendo mais sua curiosidade, começou a travar um diálogo consigo:
- Desculpe-me a indelicadeza, mas eu não me lembro de já tê-la visto aqui, senhorita.
- É que eu sou nova contratada. Fui admitida ontem e vou começar a trabalhar aqui hoje.
- Ah, então a senhorita deve ser a srta. Bennet, a nova supervisora de produção.
- Sim. O senhor, quem é?
- Sou o sr. Bingley, diretor da empresa.
- Oh, sr. Bingley. Muito prazer em conhecê-lo.
- O prazer é todo meu, srta. Bennet. - disse galantemente, beijando sua mão.
Ao desligarem-se as mãos, o elevador chegou. Eles adentraram nele e continuaram sua amigável conversa durante o percurso do elevador.
Após a conversa, ambos tiveram a incrível sensação de que já se conheciam há bastante tempo e estavam com as melhores impressões em relação ao outro. Jane achara Bingley muito simpático, galante, bem-humorado, bonito...
“Ele é exatamente como um rapaz deve ser – pensou ela -, sensato, bem disposto e animado. E que modos os seus! Tão simples e revelando uma boa educação a toda a prova.”
Por seu lado, Bingley achara Jane a criatura mais bela que jamais vira. Além de ser educada, meiga, delicada...
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Enquanto isso, em outra empresa londrina, Darcy e Elizabeth falavam somente o necessário um com o outro. Eles ainda estavam magoados e confusos pela cena acontecida no dia anterior. E Caroline, que já havia percebido o “clima” entre eles, percebeu também que Lizzie havia presenciado o seu inesperado beijo em Darcy e resolveu provocá-la.
À hora do almoço, esperou Lizzie sair e forjou um encontro casual. Procurando entrar no mesmo elevador que ela e assim “destilar seu veneno” sem que ninguém pudesse presenciar sua conversa e contradizê-la. E assim o foi.
- Querida Eliza! Também está saindo para o almoço? - falou Caroline com seu sorriso falso de sempre.
- Sim, querida Caroline. - disse Elizabeth sarcasticamente, enfatizando a palavra “querida”.
- Vai almoçar sozinha?
- Não, vou almoçar com minha irmã.
- Hoje vou ter que almoçar sozinha. Darcy me convidou para ir com ele, mas eu tenho uma hora marcada no cabeleireiro logo após o almoço. E como ele não gosta de comer rápido, diz que deve-se que saborear a comida e não devorá-la, eu tive de vir sozinha.
- Quanto a isso concordo com ele. Mas realmente, não se pode perder tempo em um almoço quando se tem cabeleireiro marcado. - Lizzie continuou com seu tom sarcástico.
- Oh, querida! Finalmente alguém nessa empresa me entende! Não gostaria de ir comigo, Eliza? - falou, mas sem esquecer o seu plano.
“Não acredito que ela caiu nessa...!”, pensou Elizabeth.
- Não, Caroline, não posso. Ainda tenho muitas coisas pendentes para resolver hoje. - respondendo à pergunta.
- Que pena. Mas como eu vinha dizendo, não estou acostumada a almoçar sozinha. Meu querido Darcy - enfatizando essas últimas palavras – sempre almoça comigo. Aliás, ele nunca desgruda de mim. Faz dois meses que estamos juntos, mas não conte a ninguém, cara Eliza. Ninguém sabe ainda sobre nosso romance.
- Pode deixar, eu não vou contar a ninguém. - falou Elizabeth tentando disfarçar sua agonia, esperando que o elevador chegasse logo ao seu destino, para que se livrasse de Caroline.
Enfim, o desejo de Lizzie se tornou realidade, e o elevador finalmente chegou ao seu destino. As duas separaram-se e cada uma seguiu seu caminho.
“Quem ela pensa que é pra me dizer essas coisas? Por certo é para me envenenar contra Darcy. Mas, pensando melhor... o que ela diz pode ser mesmo verdade. O beijo pode provar tudo. Mas eu não tenho nada a ver com isso. Ele pode namorar quem quiser! Até com aquela magricela fútil, que não tem uma curva sequer...”, pensou Elizabeth, se dirigindo ao seu carro, morrendo de ciúmes.
Enquanto isso, Caroline, que também ia ao encontro de seu carro, se vangloriava pela sua bela representação frente à Elizabeth e por ela ter acreditado em tudo. “A Eliza não perde por esperar. Ela não devia ter atravessado meu caminho, nem do MEU lindo Darcy. Duvido que agora ela alimente alguma esperança em relação a ele.”, pensou em tom ameaçador.
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Jane fora mais feliz que Elizabeth em sua saída do trabalho. Havia se encontrado com Bingley – outra vez no elevador – e ele, que estava totalmente enfeitiçado por ela, a convidou para almoçar.
- Desculpe, sr. Bingley, mas hoje não será possível. Eu já tenho companhia para o almoço. - respondeu ruborizada, já que também havia se encantado com ele e, como era muito modesta, não estava esperando o convite.
- Ah, seu namorado a espera para almoçar...
- Não, na verdade eu não tenho namorado. - Bingley parecia uma criança que acabara de ganhar doces ao ouvir essa resposta. Seus olhos brilhavam.
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Com o humor restaurado, Elizabeth voltou de seu almoço com Jane. Lizzie não conseguia ficar triste ao lado de sua tão amada irmã – ainda mais hoje, que Jane estava tão feliz ao falar do sr. Bingley. Elizabeth torceu, sinceramente, para que o sr. Bingley fosse tudo aquilo que sua irmã dissera e que, se um dia eles viessem a ficar juntos, ele a fizesse feliz.
Ao entrar em sua sala, Elizabeth encontra Darcy sentado em sua cadeira, à sua espera.
Ele havia lutado contra sua própria razão, que dizia que ele não deveria estar ali. Mas o coração acabou falando mais alto.
Seus olhares se cruzaram, e eles se encararam por um momento.
“O que esse senhor está fazendo aqui? E quem deu a ele o direito de sentar-se assim, na minha cadeira?”
- Srta. Bennet, desculpe-me a intromissão em sua sala, mas eu precisava falar-lhe. – disse Darcy levantando-se.
- Não há o que se desculpar, não se preocupe. Mas o que o senhor deseja falar comigo? Não está gostando de meus serviços? – falou irritada pela invasão em sua sala e por tudo o que Caroline havia lhe dito antes do almoço.
- Não, não é nada disso. Seus serviços são excelentes. Eu vim convidar-lhe para uma festa de boas-vindas que está sendo preparada para minha irmã Georgiana. Eu gostaria que a conhecesse.
- Oh, sim. E quando será a festa? – falou ela em um tom desinteressado.
- Será no sábado, às dez horas da noite, na boate Psychos.
- Sinto muito, sr. Darcy. Mas no sábado eu já tenho um compromisso. Marquei de sair com minha irmã, para comemorarmos o seu novo emprego.
- Ah, mas se a senhorita quiser pode levá-la consigo.
- Certo, eu vou falar com ela.
- Ótimo. Então com licença, srta. Bennet. – falou Darcy saindo da sala de Lizzie, com um profundo olhar. Tal olhar se tornou enigmático para ela, mas para ele era um olhar de alegria, de triunfo.













