Citações

Porque eu não adotarei este mesquinho e desastrado hábito, que têm os autores de romances, de depreciar, para descrédito do gênero, toda uma categoria de obras das quais eles mesmos têm aumentado o número. (Jane Austen)

O Fruto da Honestidade - Capítulo 4

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O dia amanheceu, e com ele raios de sol que traziam calor e alegria. Darcy e Elizabeth acordaram-se incrivelmente dispostos, sem marca alguma de cansaço e com um bom-humor impecável.
 
O dia no escritório será longo, pensou, com razão, Elizabeth. Apesar de não ligar tanto para a aparência, ela tinha caprichado um pouco mais na sua produção. Estava se achando muito estranha. Havia pensado em Darcy o dia inteiro, tinha até sonhado com ele! “Deve ser apenas expectativa para essa nova fase de minha vida.”, pensou ela.
 
Quando chegou à empresa e já estava arrumando suas coisas na nova sala, Darcy entrou para lhe dar as boas vindas.
 
- Bom dia, srta. Bennet. Posso entrar?
 
- Oh, sim. Bom dia, sr. Darcy.
 
Aquela sensação que tiveram na manhã do dia anterior, quando se encontraram, estava se repetindo. Ambos sentiram suas pernas fraquejarem, um enorme frio na barriga... até a voz falhou desta vez. “O que está acontecendo comigo? Estou louca?”, ela pensou.
 
- Vim aqui para lhe dar as boas vindas e ver se a srta. precisa de alguma coisa.
 
- Muito obrigada, mas não preciso de nada. Está tudo bem.
 
- Então estou indo para minha sala. Às nove temos uma reunião para solucionarmos tudo para a compra daqueles imóveis que lhe falei. Menos o de Brighton, ainda não consegui falar novamente com o proprietário.
 
- Certo, estarei lá à hora marcada.
 
- Até logo.
 
- Até.
 
A reunião foi um sucesso, apesar de Darcy ter se mostrado um tanto arrogante, diferente do modo como ele havia tratado Elizabeth anteriormente na sala desta. Essa sua ação fez Lizzie pensar no que Charlotte havia lhe dito, e achar que talvez ela tivesse razão quanto aos defeitos de seu novo chefe.
 
Elizabeth foi apresentada à maioria dos funcionários da empresa e já havia ganhado a simpatia e carinho de todos, menos a de uma pessoa: Caroline Bingley.
 
Caroline era a consultora de imóveis responsável pela compra e venda de qualquer imóvel da empresa, mas suas decisões tinham que obter o aval de Darcy, obviamente. Ela era irmã do melhor amigo de Darcy, Charles Bingley, e apaixonada pelo primeiro desde que o conhecera, apesar de ele nunca ter lhe dado nenhuma amostra de sentimentos além de respeito e polidez, já que ela era irmã de seu melhor amigo e funcionária de sua empresa.
 
Ela não gostou de Elizabeth desde que pôs seus olhos nela. Achou-a simpática demais, prestativa demais, bonita demais... enfim, tudo o que ela não era.
 
Darcy achou, com razão, que tinha feito um belo negócio ao contratar Elizabeth; ela era uma advogada muito profissional e dedicada. Só havia uma coisa em toda essa história que ele não estava gostando: ela não saía hora nenhuma de seus pensamentos.
 
Elizabeth também não sabia o que estava sentindo. Desde que vira Darcy tinha estado mais pensativa, alegre, até. Não sabia o que estava acontecendo com ela.
 
À hora do almoço, Darcy e Lizzie se encontraram inesperadamente no elevador.
 
- Olá, srta. Bennet. O que está achando de seu novo emprego?
 
- Estou gostando muito, sr. Darcy.
 
- Fico feliz por isso.
 
Por um momento, um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente. Por sorte, o elevador estava próximo ao seu destino.
 
- Tenha um bom almoço, srta. Bennet. - despediu-se dela.
 
- Obrigada. Bom almoço para o senhor também. - disse separando-se dele.
 
- Obrigado.
 
Elizabeth havia marcado de se encontrar com Jane em um restaurante. Chegando lá, Jane já a esperava na mesa.
 
- Jane! Que saudades!
 
- Oh, minha irmã! Eu também estava com muitas saudades de você!, disse Jane enquanto as duas irmãs se envolviam em um longo e amoroso abraço.
 
Elas sentaram-se e começaram a travar uma conversa:
 
- Como foi o seu primeiro dia de trabalho? - Jane perguntou à sua irmã, a qual achava que estava bem mais bonita do que na última vez que a vira.
 
- Na verdade, primeiro turno de trabalho. Eu ainda vou voltar para a imobiliária depois do nosso almoço. Mas é todo mundo muito simpático na empresa. Só não fui muito com a cara da consultora de imóveis, ela foi a única que não me tratou bem.
 
- Mas esse não é um motivo para você não gostar dela. Ela poderia estar apenas um pouco estressada.
 
- Jane, mas ninguém parece mau aos seus olhos!
 
- Não é isso, Lizzie! É que nem sempre as pessoas são o que parecem ser!
 
- Certo, não vou discutir com você. Vamos almoçar, porque eu estou faminta!
 
O almoço das irmãs Bennet esteve repleto de felicidade por parte das duas, que aproveitaram para pôr toda a conversa em dia.
 
Mas, em outro restaurante da cidade, bem mais luxuoso e requintado do que o que as irmãs Bennet almoçavam, Darcy almoçava com seu amigo Charles Bingley.
 
Darcy e Bingley eram amigos desde a faculdade. Apesar de eles não terem feito o mesmo curso - Darcy fez administração de empresas e Bingley, publicidade e propaganda -, eles ficaram amigos na biblioteca do campus, já que Darcy nunca foi dado a festas, e Bingley, apesar de não ser muito estudioso, sempre procurava obter boas notas.
 
Apesar de todas as suas diferenças, eles conseguiram construir uma sólida amizade, em que as qualidades de um complementavam as do outro, tornando sua relação equilibrada. Os amigos sempre se encontravam, eram como verdadeiros irmãos.
 
Apesar de se mostrar introspectivo em público, Darcy era comunicativo e amoroso com quem tinha intimidade. Assim, seus encontros com Bingley sempre eram bastante animados.
 
Nessa ocasião, porém, Darcy estava pensativo; e Bingley, que o conhecia mais do que qualquer outra pessoa, percebeu.
 
- Darcy, o que está havendo com você? Está tão pensativo hoje.
 
- Impressão sua, Charles.
 
- Não é impressão. Eu te conheço muito bem, esqueceu?
 
- Não, não esqueci.
 
- Então acho melhor você me contar o que está acontecendo.
 
- Não é nada importante, só estou me perguntando se fiz um bom negócio ao contratar a srta. Bennet para ser a advogada da empresa.
 
- Por quê? Pelo que ouvi falar ela tem um ótimo currículo e é bastante competente.
 
- Quanto a isso não há problema...
 
- Qual o problema, então?
 
- Esquece, não há problema algum. Eu é que me preocupo demais.
 
- Certo. - disse Bingley ainda desconfiado, mas resignado a mudar de assunto, porque sabia que Darcy dificilmente desabafava com alguém.
 
No decorrer do almoço, tudo correu bem. E William tentou disfarçar ao máximo o que sentia.
 
Seu coração estava cheio de dúvidas, ele sentia uma sensação que nunca sentira antes. Elizabeth mexia com ele e ele sabia disso, mas não queria admiti-lo a si mesmo. Atribuía a sua admiração por ela à sua solidão e carência amorosa. Mas Lizzie tinha todas as qualidades que ele idealizara em uma mulher, além de ser impetuosa e divertida, o que a deixava ainda mais irresistível.
 
Por seu lado, Elizabeth tinha achado seu chefe um tanto autoritário e arrogante, mas havia algo nele que a atraía. Seu olhar tão expressivo, sua voz...
 

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