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Não é uma incivilidade generalizada a verdadeira essência do amor? (Jane Austen)

A força de Lizzy - Capítulo XIII ( FINAL )

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Capítulo 13

 

 

Ivan chegou em casa apressado e tomou uma ducha rápida. Colocou sua melhor calça jeans e borrifou seu perfume favorito. Chegou à sala segurando duas camisas de cores diferentes:

- Qual fica melhor, mãe? – indagou inseguro.

- A azul clara. – olhou-o desconfiada - Ivan, você não vai jantar em casa?

- Não. – ele voltou ao quarto e ela o seguiu.

- Mas o Richard vem aqui com a Cíntia ! – ela o recriminou - Você devia ter avisado antes!

- Surgiu um compromisso de última hora. – ele respondeu fechando os últimos botões da camisa em frente ao espelho.

- Você não pode resolver não aparecer e não avisar!

Ivan achou graça, sua mãe ainda o tratava como se ele fosse uma criança.

- Mãe – ele deu um beijo estalado em sua bochecha, rindo – Você vai ter que se acostumar a viver sem mim. – afirmou misterioso. – Pelo menos não o tempo todo.

- Ah é? – arqueou as sobrancelhas – E por quê?

- Por que logo eu pretendo casar e sair de casa.

- Você não pode! – sua resposta foi automática.

- Por que não?

- Você não pode se casar com a Glória, ainda nem viu a Lizzy! Isso será um erro!

- Mãe? – ele começou a revirar as gavetas do armário – Me ajuda a achar minha aliança? Eu não sei aonde a coloquei.

- Tua aliança? – um lampejo surgiu em sua mente, clareando-a. – Tua aliança com Lizzy?

- Hum rum.

- Vai pedir a Glória em casamento usando a aliança da Lizzy? – Suzana, perplexa, tentava assimilar.

- Claro que não, né! Vou pedir a Lizzy em casamento usando a aliança.

- Ah! – ela sorriu – Você a viu?

- Hum rum. – ele continua revirando o armário em busca do anel perdido. Fazia uma bagunça, jogando tudo ao chão sem a menor paciência.

- Quando?

- Hoje ela foi ao hospital. A Lídia caiu de uma árvore e se machucou, torcendo o tornozelo.

- Oh, coitadinha!

- Mas está tudo bem com ela, não foi nada grave.

- E o que você achou da Lizzy?

Ele parou o que fazer e olhou para mãe por alguns segundos, mas não disse nada, apenas sorriu.

- Ela está linda, não está?

- Muito! – e então voltou à atenção ao armário, começando a revirar agora as prateleiras – Por favor, mãe! Me ajuda! Eu preciso dessa aliança! – Já começava a entrar em pânico. E se não a achasse? O que Lizzy pensaria? Será que o aceitaria igual?

- Ah! – Suzana lembrou-se. Fazia três anos que Ivan a tirara - Eu a guardei na minha caixa de jóias. Sabia que você precisaria dela um dia.

Ivan a seguiu até o quarto. Então o discurso mudou.

- Não se preocupa com o jantar, filho. O Richard entenderá. A Cíntia  também entenderá. Ninguém irá se importar, pois é por um bom motivo. Oh! – ela estava visivelmente emocionada e deu um grito de alívio quando afinal encontrou o anel dourado - Posso contar a eles sobre o teu noivado? – entregou o anel ao Ivan, que o colocou em seu dedo, de onde nunca deveria ter saído.

- Ainda não, mãe. Lizzy pode não aceitar.

- Tá bom. – ela fingiu concordar. Porém, em sua cabeça, Suzana já bolava mil planos para o casório. Estavam em janeiro, e maio era um mês ideal para a festa: o tradicional mês das noivas. Discutiria as idéias na janta com Cíntia e sua filha. Sua mente já estava repleta de vestidos brancos, rosas e lírios e já imaginava seus netinhos correndo pelo quintal.

- Só preciso do endereço dela – só na hora de sair, segurando a chave do carro e um radinho de pilhas (imprescindível para seus planos) é que Ivan percebeu que não fazia idéia de onde ela morava. Suzana lhe deu as indicações.

Quando Ivan pegou o carro, sua mãe lhe abanou da porta com um olhar esperançoso. “Tudo dará certo”- ela repetiu com segurança, apertando seus braços sobre o peito.

 

Ivan tocou a campainha e ninguém atendeu. Tornou a apertar o botão sem perder a calma. Lídia abriu a porta, pulando em um pé só.

- Oi! – sorriu para ele, arregalando os grandes olhos amendoados. – Não está mais doendo! – exclamou faceira, apontando para o pé.

- Quem é filha? – Paulo indagou de seu escritório.

- O meu médico!

- Quem? – Paulo chegou à porta, curioso. Analisou Ivan de cima a baixo, demorando a reconhecê-lo. – Ivan? – franziu o cenho.

- Hum rum. Tudo bem Sr. Bennet?

- Só Paulo, por favor. – afirmou com simpatia, apertando sua mão.

- Ah, claro. – ele sorriu e retribuiu o cumprimento.

- Quer entrar? Lizzy não está, mas deve voltar em breve.

- Sim, obrigado.

Lídia puxou-o pelo braço, forçando-o a sentar em frente à mesa de centro da sala. Em cima, um monte de peças de quebra-cabeças. Poucas encaixadas.

- É de 500 peças, me ajuda?

- Não é um pouco difícil para você? – Ivan enrugou a testa, intrigado.

- Claro que não! – ela retrucou, como que desafiada.

- Ih! Essa aí já montou até um de mil peças. Demorou uma semana – Lídia olhou para o pai e sorriu, achando graça – mas fez tudo sozinha.

- Sim, tudo sozinha. – ela repetiu.

- Ela nunca deixa ninguém ajudar. – Paulo afirmou.

- Ah, é? E eu posso? – Ivan concluiu espantado.

- Sim! Você pode, cuidou do meu pé. Olha – ela esticou a perna para cima, mostrando o tornozelo enfaixado - Não está mais doendo. – repetiu.

Ivan sentou então com Lídia em volta da mesa, concentrando-se na tarefa de encaixar as diminutas peças. Sentia-se como se fosse um convidado de honra.

- Bom, vou preparar o jantar. – Paulo levantou - Você janta com a gente, Ivan?

- Janta, vai? – Lídia suplicou.

- E a Lizzy? – perguntou ao Paulo. Considerando o modo que ela saiu correndo, ele podia não ser bem vindo.

- Já deve estar de volta, ela nunca se atrasa para a janta.

Ivan pensou. Resolveu arriscar.

- Está bem. – aceitou o convite.

- Você colocou a aliança – Lídia reparou em seu dedo quando ele a ajudava a montar o telhado da casa, se guiando pela fotografia na tampa da caixa. – Vai casar com a Lizzy?

- Se ela quiser.

- Ah! Então espera. – Lídia levantou, dispensando sua ajuda. Andou pela casa pulando num pé só sem se cansar, era muito ativa e serelepe. Rapidamente, voltou. – Toma. Lizzy tirou a dela. – entregou-lhe o anel - Disse que você tinha namorada e tirou, mas você não tem, não é?

- Não. – não entraria em detalhes com ela.

- Ah, eu sabia! – ela sorriu. Então novamente ficaram em silêncio, concentrados no quebra-cabeças.

- Coloquei duas pizzas no forno. – Paulo voltou à sala, sentou próximo a Ivan e ofereceu a ele um copo de cerveja gelada.

- Ah, obrigado. – Ivan aceitou com prontidão. Estava nervoso, uma bebida cairia bem. Lizzy havia tirado sua aliança e ainda por cima estava demorando. Eles perderiam a hora. Seus planos não dariam certo. Respirou fundo, tentando se acalmar.

Domingo era dia de pizza na residência da família Bennet. O único momento em que Paulo cozinhava. Comprava uma massa pronta e preparava o recheio, levando-a ao forno.

- Como está a tua mãe? – Paulo indagou.

- Bem – ele se surpreendeu com a pergunta.

- Na próxima vez, a convide para vir também.

- Tá bom.

Lídia levantou a cabeça e deu uma risadinha marota, olhando para Ivan.

- Meu pai acha a tua mãe bonita. – cochichou em seu ouvido.

- Ah é? – Ivan achou graça.

- O que você disse, Lídia?

- Nada, Pai. – voltou a baixar a cabeça, fingindo ser obediente e bem comportada. – Olha, consegui! Acabei o telhado! Agora vamos montar os cavalos?

- Hum rum.

Quando Lizzy finalmente chegou, o cheiro da pizza já se espalhava pela casa, Ivan já estava no segundo copo de cerveja e se divertia com Lídia e seu pai, que também acabou sendo convidado para montar o quebra-cabeças, apesar da resistência inicial de Lídia.

Ivan rapidamente se colocou em pé, para cumprimentá-la.

- Você estava caminhando? – olhou para as vestimentas dela: um par de tênis, bermuda e camiseta e o cabelo preso num firme rabo de cavalo.

- Hum Rum. – Lizzy estava nervosa, e resolveu se exercitar para espairecer.

- A essa hora? Está de noite, Lizzy, pode ser perigoso.

Ela achou graça. Ele continuava preocupado como antigamente. Esperançosa, olhou para ele e não pôde evitar um sorriso.

- Você vai jantar com a gente? – ela questionou, sem deixar de sorrir. Estavam parados em frente à porta.

- Bom, eu fui convidado... Você quer que eu jante?

- Quero. Me espera tomar banho?

- Claro, a... Lizzy – por um lapso, quase a chamou de amor, mas se corrigiu a tempo.

- Você... – Lizzy abriu a boca, espantada – Você... – sua garganta secou, seus olhos umedeceram e sua atenção se fixou na mão de Ivan. – A aliança! – conseguiu dizer.

- Hum rum. – ele balançou a cabeça.

- Isso quer dizer? – ela mordeu os lábios.

- Quer dizer que você tem que tomar um banho rápido, para gente jantar e sair logo daqui. Antes das nove, se for possível, por que eu tenho algo para te mostrar.

- São sete e meia. – ela constatou.

- Sim.

- Vou me arrumar então.

- Ainda não. – ele a puxou e ambos saíram para a frente da casa, para ficarem a sós. Ivan prensou Lizzy contra a parede, em um lugar em que não se via nada da rua. Tirou do bolso a aliança e entregou a ela. – Coloca isso, amor. Depois a gente conversa melhor, mas eu não suporto te ver sem isso.

- Tá bom.

Ele levantou o queixo dela, se abaixou e depositou gentilmente um selinho em seus lábios.

- Agora vai te arrumar. – ele sussurrou em seu ouvido – Não podemos nos atrasar. Tem um lugar que possamos ficar a sós? Antes das nove?

- Minha loja.

- Fica perto daqui?

- Muito perto.

- Tá bom. – ele sorriu e a olhou com ternura – Então vai te arrumar.

- Tá.

 

- É aqui. Pode estacionar.

Ivan olhou para o relógio agoniado. Dez para as nove. Lizzy percebeu e agilizou a abertura da porta de ferro, mesmo sem ter a menor noção do que ele pretendia. Caminharam a passos rápidos pela loja, acendendo poucas luzes pelo caminho para não perderem tempo. Chegaram logo ao segundo andar e entraram na sala de Lizzy.

- O que você está aprontando? – ela inquiriu achando graça.

- Hum. – ele colocou o pequeno rádio de pilhas sobre a mesa e o ligou. – Quase na hora. – observou de novo os ponteiros do relógio de pulso, impaciente. - O locutor disse que seria pontual.

Curiosa, ela o encarou, arqueando levemente as sobrancelhas. Ivan a observou, apoiando a mão sobre queixo.

 

John Lennon-Stand By Me

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- Lembra, amor, quando a gente se conheceu? Você estava com um vestido rosa da mesma cor do que esse. – ele constatou, se aproximando e colocando as duas mãos em sua cintura, como se fossem dançar.

- É, seu sei. – afirmou marota. – Escolhi esse de propósito.

- E você lembra que naquela noite você me negou uma dança?

- Hum? – ela elevou a cabeça e olhou no fundo dos olhos de Ivan, mordendo os lábios. – Lembro.

- Você ainda me deve um dança e hoje eu pretendo cobrar.

- Ah é? – ela sorriu, piscando os olhos.

- A música que você deveria ter dançado comigo era uma dos Beatles. Lembra disso?

Lizzy franziu a testa, refletindo.

- Não.

Ele sorriu, e ainda com as mãos em sua cintura, puxou-a para mais perto, grudando seus corpos.

- Está na hora. – ele sussurrou e o som que tocava no rádio cessou, dando lugar a voz rouca do locutor:

- E agora um pedido muito especial. Para selar um reencontro após dez anos, Ivan dedica essa música para Lizzy.

Surpresa e emocionada, Lizzy elevou a cabeça para fitá-lo.

- Que música?

- Dos Beatles. Não a mesma da festa, mas uma que eu escolhi para a gente.

E a música lentamente começou e ainda nos primeiros acordes, Lizzy reconheceu a melodia.

- Stand By me – ela murmurou enquanto dançavam. Ivan a conduzia com os braços em sua cintura e Lizzy colocou os dela no pescoço de Ivan. Seus rostos estavam colados.

- Fica comigo, Lizzy. Eu te amo.

- Eu também te amo. – disse baixinho, sem desgrudar seu rosto do dele.

Continuaram dançando. Ivan cantava em seu ouvido.

- No I Won’t be afraid, just as long as you stand by me – Eu não vou ter medo enquanto você ficar comigo.

E ela sorria, e apertava ainda mais seu corpo ao dele. Os braços de Lizzy desceram para a cintura de Ivan e de lá deslizaram para o bumbum.

- Eu sempre quis fazer isso. – ela murmurou ao apertar a bunda dele pela primeira vez. – Não mais da cintura para cima. – se afastou para observá-lo. Ele sorria e seus olhos faiscavam de desejo. Mas não a beijou. Ao invés disso, a apertou novamente em seus braços e continuou dançando.

Os dedos de Ivan se uniram nas costas de Lizzy enquanto dançavam, desatando o nó da faixa rosa que definia a cintura do vestido. Suavemente, a removeu. Suas mãos se uniram em torno do primeiro botão do vestido, próximo ao pescoço dela. Sem pressa, acompanhando o ritmo da música, foi soltando casa por casa. Lizzy fez o mesmo com a camisa dele. Já na metade da música, o vestido e a camisa caíram juntos ao chão.

Ivan encaixou seus dedos na nuca de Lizzy e a puxou para um ardente beijo. Mas não pararam de dançar. Movimentaram seus corpos em sincronia, dançando com as bocas coladas e esfregando seus peitos agora desnudos – exceto pelo sutian de Lizzy.

- Você me deve uma dança – ele murmurou em meio ao beijo – E eu não quero mais nada pela metade. Quero ir até o fim.

- Eu também.

Ivan soltou o sutian de Lizzy e em seguida desceu pela primeira vez seus braços para baixo da cintura.

- Casa comigo, Lizzy? – ele indagou em meio ao beijo, ao afundar suas mãos em seu traseiro, comprimindo seu corpo contra o dela.

- Ivan. – ela o chamou. Tenso, ele a soltou e a encarou.

- Você não quer? – ele ofegou, sentindo o ar faltar. Sentindo o peso do mundo sobre seus ombros. Seu rosto endureceu. Nem perceberam que a música acabou, mas logo começou outra, igualmente lenta e romântica.

- Claro que eu quero. – ela sorriu para ele – Mas eu tenho que te dizer que eu não sou mais virgem.

- Ah! É isso! – aliviado, ele a puxou novamente e recomeçaram a dança ao som da nova música – Eu não espero que seja, Lizzy. Dez anos é muito tempo. Eu também não sou mais.

- Você também era virgem? – perplexa, ela o encarou.

- Eu só tinha 18 anos. – ele explicou.

- Oh! – ela abriu a boca em choque, seus olhos umedeceram – Teria sido tão lindo!

- Ainda será lindo.

- Mas não é mais a primeira vez... – ela estava decepcionada e arrependida. Esse era o maior arrependimento de sua vida: não ter transado com Ivan há dez anos. Ele devia ter sido o primeiro... - Não é a mesma coisa... – cobriu o rosto com as mãos.

- Lizzy. É a primeira vez sim. – ele tirou as mãos do rosto dela - Para mim é. E vai ser lindo.

Ela respirou fundo, melancólica, franziu a testa e o encarou sem dizer nada.

- Você quer esperar? Deixar para a Lua de Mel? – ele questionou amoroso.

- Não!

Ivan arrependeu-se imediatamente após fazer a proposta e suspirou aliviado ao ouvir sua resposta, incapaz de disfarçar.

- Eu também cansei de esperar, amor. – com as pupilas dos olhos amendoados dilatadas, Lizzy se aproximou e buscou novamente seus lábios. Decidida, seus dedos se moveram para a braguilha de Ivan, abrindo-a e invadindo o espaço para senti-lo pela primeira vez. Ele arfou e aproveitou para remover a última peça de roupa de Lizzy.

- Você é linda. – ele sussurrou. – E é toda minha. – tocou em sua parte intima também pela primeira fez.

- Só tua. – ela ofegou, apertando suas pernas sobre as mãos dele em resposta. Sua respiração se acelerou enquanto ele a acariciava. Ela gemeu. Ele diminuiu o ritmo e ela retomou um pouco o controle. As mãos de Lizzy agarraram o membro rígido de Ivan escondido sob a cueca preta e, em seguida, fez a cueca ir ao chão junto com a calça e se afastou um pouco para contemplá-lo. – Você é lindo.

- E sou todo teu. – ele a puxou novamente e a beijou com ardor. – Com camisinha ou sem?

- Sem. Eu quero tudo, Ivan.

- Eu também quero tudo, Lizzy. E nunca mais quero passar nenhum dia longe de você.

Rapidamente, ele a pegou e a colocou sobre a mesa, se encaixando entre suas pernas. Ficou indeciso quanto ao que fazer. Sentiu-se num dilema: precisava tê-la imediatamente ou enlouqueceria, mas também queria acariciá-la sem pressa, sentindo cada detalhe, cada curva de seu corpo. Queria as partes que já conhecia e as partes que ainda não tivera o prazer de conhecer. Enquanto pensava, agarrou-lhe um dos seios.

- Ivan? – ela franziu a testa e olhou para ele, um olhar suplicante, agoniado. Colocou suas pernas ao redor do corpo dele, convidando-o para entrar. – Por favor?

Ela acabou com todas as dúvidas. Teriam a vida inteira pela frente, ele poderia acariciá-la sem pressa depois. Ou não. Por que imaginava que sempre sentiria urgência de tê-la.

Colocou as mãos sobre os joelhos de Lizzy, afastando suas pernas e então a penetrou. Nossa! Nunca tinha sido assim! Inexplicável. Podia ter um orgasmo só pelo fato de estar dentro dela. Concentrou-se para prolongar o prazer de Lizzy. Mas eram dez anos de espera, sabia que não demoraria muito...

- Eu te amo! – Lizzy gritou e cravou as unhas em suas costas. Pela primeira vez na vida, ela tinha um orgasmo. Então era assim? Nossa!  A respiração se acelerou. O coração bombeou o sangue numa velocidade espantosa. E o que sentiu... Nossa! Muito, mas muito intenso. E em seguida, Ivan a acompanhou, se contraindo dentro dela.

O cheiro de sexo se misturou aos risos de deleite e prazer. Cansados e saciados, Ivan e Lizzy deitaram abraçados no sofá cama.

- Você devia ter me procurado antes. – ela resmungou, aconchegada em seus braços.

- Você devia ter me dito antes que era minha noiva e não do Charles.

- Pensei que você soubesse.

- Acho que no fundo eu sabia, só tinha medo de admitir e depois me decepcionar.

- Quero que o Richard e a Cíntia  sejam nossos padrinhos de casamento.

- E a Lídia? Ela merece um prêmio extra por ter caído da árvore.

- Lídia será a Aia e carregará as alianças. E depois ela será a madrinha do nosso primeiro filho.

- Primeiro? Quantos você quer?

- Hmmmm. Três ou quatro está bom para você?

- Está ótimo. – ele acariciou os cabelos castanhos de Lizzy. – Você sabia, amor, que teu pai acha minha mãe bonita?

- Sabia. – ela riu.

- E o que você acha da gente contratar Lídia para juntar os dois também?

- Há há há. Acho uma ótima idéia.

- Nessa semana eu marquei um jantar com a Cíntia e o Richard. Eu ainda não a conheço.

- Eu sei. A Cíntia  me contou. Mas você ia com a tua namorada.

- É.

- Você terminou com ela?

- Sim.

- Coitada.

- Eu sempre soube, Lizzy, que no momento que eu te visse não iria querer saber de mais ninguém. E ela também sabia disso, por que éramos amigos antes de nos envolvermos. Ela sempre soube tudo sobre você e mesmo assim quis correr o risco de ficar comigo. Até o último ano da faculdade, eu ainda usava a aliança. Só tirei há três anos.

- Por quê? Eu não tirei a minha.

- Por que cansei de responder perguntas sobre o anel, quando todos sempre me viam sozinho. Era chato.

- É. Era mesmo chato. Eu só dizia que meu noivo estava me esperando no Brasil, sem entrar em detalhes.

- E eu estava mesmo.

- Mas cansou de esperar, por que tirou a aliança.

- Não. Nunca cansei. Nunca deixei de te amar.

- Tudo bem – ela o encarou e caprichou no sorriso - Isso agora não tem importância.

- É. – ele a beijou de leve e quando ia aprofundar o beijo, lembrou - Os bebês da Georgi nascerão no fim do mês. Eles se chamarão Eduardo e Flávio.

- É. Eu sei.

- Richard já tem dois filhos.

- É.

- Vamos fazer um para nós também?

Lizzy achou graça e alargou o sorriso.

- Agora?

- Sim, agora. Nesse sofá.

- Não quero casar barriguda, Ivan.

- Tenho uma solução brilhante para isso: vamos casar amanhã?

- Há há há. Apressadinho.

- Apressado não que eu esperei dez anos!

- A gente pode casar mês que vem. Não faço questão de um festão, só quero estar com você.

- Vamos pensar nisso depois, meu amor. Agora eu ainda tenho que matar a saudade. – Ivan rolou no sofá, ficando por cima de Lizzy, se apoiou sobre os braços e então buscou seus lábios novamente. Pela saudade que sentia, provavelmente só se saciaria após uns mil beijos. Ou não.

 

 FIM

 

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