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Metade do mundo não consegue compreender os prazeres da outra metade.(Jane Austen)

Por Uma Noite Apenas - Capítulo XIII

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CAPÍTULO 13

Elizabeth abriu os olhos, sonolenta. Ao seu lado, a cama estava vazia. Não havia sinal de William no quarto. Lentamente, ela rolou na cama até a extremidade, contorcendo-se preguiçosamente entre os lençóis. O quarto estava quase completamente escuro, exceto por um raio de luz que penetrava pela fresta entre as cortinas da porta da varanda. 
Por aquela pequena claridade, ela deduziu que deveria ter passado metade da manhã na cama. Isto não a incomodou, já que era adepta a uma ociosidade quando tinha a oportunidade de ter algum descanso.
Abraçou o travesseiro dele e sentiu o perfume masculino amadeirado misturado ao seu próprio cheiro de homem, e suspirou contente, permitindo um sorriso lento se apossar de sua boca. Sentiu-se um tanto quanto boba naquele momento. Mas não se importou tanto assim. Estava feliz!
Se alguém houvesse lhe dito, três semanas atrás, que hoje estaria deitada na cama dele, na casa dele, estando noiva dele – com data de casamento marcado e tudo – teria rido desta pessoa, chamando-a de louca. Como poderia ter previsto isto? Imaginado que um dia estaria tão ligada a ele que se julgaria incapaz de imaginar um futuro em que ele não estivesse presente? Pior, um futuro em que ele não fizesse um papel fundamental em sua vida!
Três semanas! Certamente, havia sido há mais tempo, não? Fora apenas três semanas atrás que recusara o seu pedido de casamento? Havia sido há três semanas que tentara bater a porta na cara dele e ele conseguira invadir o seu apartamento, implantando em sua mente e em seu coração a sementinha da dúvida? Fazendo-a pensar se seria uma loucura assim tão grande se casar com ele?
“Quantas coisas podem acontecer em três semanas?”, Elizabeth podia perguntar a si mesma e, com a maior inocência, responder: “Não muitas coisas, é claro. Afinal, são apenas três semanas.”. Mas ela estava errada. Muitas coisas poderiam acontecer em três semanas. E ele não perdeu tempo em provar isto a ela. 
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Na verdade, William Darcy não era o tipo de cara que perdia tempo com nada. Na manhã seguinte ao ter o seu pedido de casamento aceito, Darcy começou a fazer planos e tomar diversas decisões que Elizabeth sequer podia imaginar. E na seguinte noite pôs a primeira delas em prática, ao levá-la para jantar em sua casa e conhecer a sua irmã. 
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Quando Darcy lhe disse que iriam jantar em sua casa, Elizabeth ficara ansiosa. Imaginando como seria estar em seu domínio pela primeira vez. Ela nunca estivera em sua casa e imaginara tratar-se de alguma cobertura em algum exclusivo apart-hotel elegantíssimo. Mas sentiu que o ar escapava de seus pulmões quando Darcy adentrou os portões pesados de ferro de uma grande casa senhorial de arquitetura vitoriana, no bairro mais conservador e luxuoso de Londres..O hall de entrada, tão espaçoso quanto à sala de estar do seu apartamento, tinha suas paredes com detalhes em mármore branco, com o teto totalmente coberto por um mural no estilo barroco que fez com que Elizabeth pensasse no teto da Capela Sistina. Seu piso era preto e branco, como se fosse um grande tabuleiro de xadrez, e uma majestosa escada surgia a sua frente, com longos corrimões que a fez imaginar-se deslizando sobre eles como uma criança sapeca. 
Após o primeiro impacto, ao absorver tudo o que via, Elizabeth não pôde evitar a sensação que se apoderou dela. Sentia-se tão pequena e insignificante diante de tudo aquilo. Fazendo-a sentir-se deslocada e tentada a cancelar o jantar por completo. Afinal, se o hall de entrada da casa era tudo isso, imagine o restante!
Estar na casa dele apenas a fez comprovar o quanto desigual uma relação entre eles realmente era. Perguntou-se o que William Darcy poderia querer com ela. Afinal, não havia nada que pudesse lhe oferecer que ele já não possuísse.Ele não pareceu notar a sua insegurança, no entanto. Pois a conduziu por aquela mesma escada e pelos demais cômodos da casa, cada um mais rico e elegantemente decorado que o outro. Elizabeth se sentiu dentro de um filme de época em que os sets de filmagens são repletos por mansões palacianas e surreais. Certamente uma casa como aquela devia ser tombada e declarada patrimônio cultural da sociedade. Era praticamente um museu, repleto de esculturas e quadros de artistas famosos – clássicos e atuais.Sem falar nos empregados – uniformizados e completamente formais em seu tratamento. Havia um mordomo, a governanta e várias criadas que circulavam pela casa em seus afazeres, servindo bebidas e cuidando para atender qualquer desejo do patrão e seus convidados.E, então, havia a irmã dele. Uma jovem mulher de, no máximo, vinte três anos. Cabelos longos e loiros, olhos tão azuis quanto os de Darcy. Uma compleição frágil e tímida. Ela fazia Elizabeth pensar em Jane, só que ainda uma figura mais doce e inocente. O que despertou em Elizabeth uma sensação de reconhecimento e simpatia instantânea.
O que Georgiana Darcy pensava dela, no entanto, permaneceu um mistério por boa parte do jantar. Já que a jovem quase não disse uma palavra espontaneamente. Elizabeth fez-lhe inúmeras perguntas e arrancou-lhe quase sempre monossílabos. Foi pior que o irmão, quando se encontraram a primeira vez no pub e foram apresentados através de Charles. Àquela ocasião, Darcy tinha, ao menos, declarado o seu desgosto por estar ali sempre que lhe era dado à oportunidade..Darcy precisou falar sobre o seu livro para que a irmã dele finalmente começasse a se abrir com Elizabeth. Ele não havia mentido quando disse que lhe dera um livro “Bewitched, Amaldiçoada” e que a sua irmã adorara. Porque a própria Georgiana o confirmou, não medindo palavras ao elogiar o enredo e os personagens. .Então, quando deixaram a sala de jantar e seguiram para outra sala, Elizabeth já havia descoberto algumas coisas a respeito de Georgiana. Onde ela estudava, que curso fazia e onde morava – já que, descobrira, Georgiana não morava com Darcy e sim em um apartamento próximo ao campus universitário. .
- Vocês já marcaram a data do casamento? – Georgiana inquiriu-lhe.

 .- Ainda não... – Elizabeth dizia, mas Darcy a interrompeu ao afirmar..
- Daqui a dois meses. .Fazendo o pescoço de Elizabeth estalar quando ela virou o rosto na direção dele, com os olhos arregalados.

- O que? – Ela demandou.

- Você ouviu. – Ele disse, solene.- Dois meses?

Por que a pressa? – Elizabeth questionou.

 - Por que esperar? – Ele rebateu.

 - Você pode não saber, sr. Darcy, mas demora para organizar um casamento. – Elizabeth contestou, com o seu costumeiro sarcasmo sobressaindo em seu tom.

 - Para isso existem organizadores profissionais de eventos, Srta. Bennet. – Darcy respondeu na mesma moeda, só que com condescendência na voz. – Você terá apenas que escolher o vestido de noiva.

 - Ora, como você é generoso. – Elizabeth ironizou, espantando-o.

 Darcy suspirou, antes de inquirir.- Qual é o problema?Ambos esquecidos da irmã dele, que assistia a discussão com um mudo silêncio. Não estava acostumada a ver ninguém contrariando as vontades de Darcy.

 - Eu não quero um grupo de estranhos determinando como deve ser a cerimonia e a recepção do meu casamento. – Elizabeth argumentou. – O casamento de uma pessoa é um dos eventos mais particulares e íntimos que existe na vida. A cerimônia deve ser correspondente aos gostos do casal e não padronizada conforme o conceito de bom gosto de um completo desconhecido.
Este argumento ganhou um momento de pausa e ponderação por parte dele, o que assombrou ainda mais a sua irmã. Quem estivera esperando que ele apenas estipulasse o que queria e encerrasse a discussão. 

- E só para você ter uma idéia, teremos que escolher a igreja em que iremos nos casar. Decidir onde vamos fazer a recepção, escolher a decoração dos dois ambientes. Escolher o Buffet, o bolo, o convite, as flores, os padrinhos...

 - Tudo bem. – Ele concedeu, contrariado. – Eu pensei que o vestido fosse o mais importante. – Ele disse como justificativa. – Afinal, não é com isso que vocês, mulheres, geralmente se preocupam? Com o que vão vestir?Elizabeth riu. Ele parecia tão desconcertado ao discutir aquele assunto. Como se aquele tema estivesse totalmente fora da sua ossada. Afinal, Elizabeth duvidava que ele houvesse passado mais que um segundo pensando em como deveria ser a cerimônia do próprio casamento em todos os seus anos de vida. Contato que houvesse um padre, uma igreja e a noiva, estaria bom para ele. 

 - Minha mãe organiza eventos e festas. E ela é muito boa. – Georgiana sugeriu, tímida. – E ela não é uma total estranha. ...Sem falar que ela sempre tenta dar ao cliente aquilo que ele quer. Então, ela não decidiria nada sem consultar você, Elizabeth. Ou o meu irmão.
 Elizabeth hesitou em lhe dar uma resposta. Ela não conhecia a mãe de Georgiana. E, além disso, ficou com a impressão de que Darcy não tinha gostado da ideia, embora não soubesse como pronunciar-se contra a sugestão da irmã. Parecia não querer ofendê-la. Ele apenas mencionou que pedira a Sra. Hill para fazer uma lista das melhores organizadoras de eventos, para que ele pudesse escolher uma para ser responsável pela festa.No final, ficou acertado que Georgiana pediria para a mãe dela entrar em contato com Elizabeth a respeito da cerimônia.

Elizabeth ficou pensando sobre isso agora, deitada na cama. Não sabia muito, mas tinha a impressão que a relação entre Darcy e a mãe de Georgiana não era uma das melhores. Mas não sabia dizer por que, já que, quando tentara inquirir Darcy a este respeito, ele desconversara. 
Na verdade, havia muito que Elizabeth se perguntava porque Darcy quase nunca falava de sua família. Dos seus pais e irmãos. Tampouco gostava de responder perguntas a este respeito. Todas as vezes que Elizabeth mencionava qualquer um deles, recebia respostas evasivas e superficiais, para logo em seguida ter a conversa desviada para outro assunto.
Até hoje a única coisa que ela sabia era que os seus pais se separaram quando ele ainda era criança e casaram-se logo em seguida com outras pessoas, vindo a ter filhos nos novos casamentos. Ambos os pais de Darcy estavam mortos, mas a mãe de Georgiana ainda estava viva. 
Quanto ao pai de George Wickham, Elizabeth não saberia dizer. Porque Darcy pareceu genuinamente contrariado quando ela mencionou o seu outro meio-irmão. Dizendo-lhe:
- O único contato que eu tenho com George é na Editora e é assim que eu quero que permaneça. O que só serviu para despertar ainda mais o interesse de Elizabeth a este respeito. Já que Georgiana era sua meia-irmã e isso não impedia Darcy de se derreter de amores e elogios a ela.
Elizabeth havia dormido a primeira vez em sua casa aquela mesma noite. E acordado sozinha na cama, muito parecido com esta manhã. Ao ir a sua procura naquela ocasião, encontrara a governanta, a sra. Reynolds. Elizabeth não sabia dizer exatamente o que era, mas tinha a impressão que aquela senhora de meia idade, mas com aspecto vigoroso, não gostava muito dela. Sempre que a encontrava, a sra. Reynolds lhe dirigia um olhar desconfiado e analítico. 
- A senhorita está procurando o sr. Darcy? – A governanta lhe perguntara ao encontrá-la vagando pelos corredores, perdida. - Sim.
- Ele está na piscina. A srta. Georgiana está tomando o seu desjejum com ele. – A sra. Reynolds esclareceu.

– A senhorita deseja juntar-se a eles, ou prefere ser servida à mesa de jantar?
- Tomarei café com eles, obrigada. – Elizabeth respondeu; sorrindo-lhe em vão, porque a mulher não correspondeu.
– Se a senhora puder me indicar o caminho, eu...Nem precisou terminar, a sra. Reynolds já estava dizendo.
- Por aqui. – Dando-lhe as costas. Elizabeth descobriu que existia uma piscina dentro da casa nesta mesma ocasião. E não uma piscina qualquer. Era uma piscina olímpica. A sra. Reynolds a deixara em uma mesa a beira da piscina na companhia Georgiana. A mesa estava repleta de delicias e Georgiana tomava o seu café da manhã ao mesmo tempo em que checava os seus e-mails em um laptop.

Ao vê-la, Georgiana lhe informou que enviara um e-mail para a sua mãe na noite passada e ela já o respondera, fazendo as suas primeiras sugestões. As duas passaram a conversar a este respeito enquanto tomavam café. 

Elizabeth de vez em quando perdia alguns comentários de Georgiana, pois estava admirando a disposição de Darcy na piscina. Como ele ia de uma borda a outra, com braçadas vigorosas, incansáveis. E a sua cunhada a arrancava de seus devaneios com risinhos ou cutucões. Deixando-a ruborizada, mas contente. Por sentir que Georgiana já estava muito mais a vontade em sua presença, até mesmo para fazer leves gracinhas a este respeito. Quando Darcy finalmente saiu da piscina, Elizabeth demorou-se admirando-o. Fora a primeira vez que reparara que Darcy tinha o porte físico de um nadador e não de um homem que costuma ir à academia. As pernas longas e fortes, barriga dura, mas não definida a ponto de formar aqueles gominhos severamente separados; as costas largas em V e os braços musculosos. Todos, resultados da atividade que passara os últimos minutos observando-o fazer, e não de puxar pesos e fazer incansáveis abdominais.Ele notou que ela o observava e, ao vestir o roupão, se aproximou dela. Dando-lhe um demorado beijo, molhando-a um pouco no processo. Elizabeth não protestou, no entanto. E quando ele se sentou ao seu lado, começando a tomar o seu próprio café, Elizabeth voltara a sua atenção a Georgiana – que ficara estranhamente calada – e encontrou a menina a observá-los, sorrindo. 
- O que? – Elizabeth perguntou.
- Nada. – Georgiana replicou, risonha; abaixando a cabeça em seguida e dando sua atenção ao laptop, vindo a retomar a conversa que estavam tendo antes. Enumerando os nomes de hotéis e espaços para eventos que a sua mãe lhe enviara no e-mail como sugestão de lugares para a recepção do casamento.

- The Royal Horseguards Hotel. – Darcy disse, interrompendo a irmã.

- Não está na lista, mas posso perguntar a minha mãe se é um bom lugar para fazer a recepção.– Georgiana prontificou-se, digitando no laptop.
- A recepção será lá, Georgie. – Darcy afirmou, decidido.Fazendo com que Georgiana parasse de digitar e elevasse o olhar para ele. Unicamente, para pegá-lo fitando Elizabeth. Enquanto o objeto de sua observação corava sob o seu olhar.
- Posso perguntar por quê? Há algum motivo especial nesta escolha? – Georgiana sondou, curiosa. – Ou você não pode me dizer, porque é particular?
- Você acertou aí, maninha. – Darcy declarou, simplesmente.Elizabeth escondeu o sorriso atrás da sua xícara de café.
O Royal Horseguards Hotel foi o lugar onde os dois tinham passado a primeira noite juntos e Elizabeth estava certa que Darcy não tinha a intenção de esclarecer isto a sua irmãzinha. Desde esta manhã, Elizabeth já respondera a diversos e-mails da mãe de Georgiana, a srta. Claire Devine, assim como a e-mails da própria Georgiana e inúmeros telefonemas de sua própria mãe. Fora a algumas lojas de vestidos de noiva na companhia de Jane, Charlotte e Georgiana, mas sem ainda encontrar o vestido – aquele com que desejava se casar.
Além de tomar milhares de outras pequenas decisões e fazer centenas de outras escolhas relacionadas ao casamento – que seria dentro dos tais dois meses estipulados por Darcy. Elizabeth, por fim, cedeu neste ponto, depois de ele gastar bastante tempo persuadindo-a. 
Sem falar na correria da semana da Bienal do Livro, a qual sobrecarregou Elizabeth de tarefas na Editora Gardiner e Darcy, na Editora Darcy. Mas todo aquele esforço lhe pareceu valer a pena quando o evento finalmente ocorreu na noite passada. Tudo deu certo no stand de exibição das obras literárias publicadas pela Editora Gardiner. Assim como lhe pareceu estar dando certo no stand da Editora Darcy.
Seu livro havia sido selecionado para aparecer no stand da Bienal do Livro. Era um lançamento recente e estava tendo uma boa demanda nas livrarias. A Editora Gardiner decidira que seria bom dar mais esta publicidade a nova obra, para aumentar as suas vendas.Elizabeth cuidava dos seus afazeres com tranqüilidade, arrumando os volumes nas prateleiras sempre que eles iam desaparecendo, à medida que os visitantes faziam suas compras. De vez em quando, Elizabeth conseguia ouvir alguns comentários elogiosos dos visitantes a respeito do seu livro. Na maioria, mulheres jovens e adolescentes. E se sentiu bastante orgulhosa de si mesma.Estava distraída, quando sentiu uma mão acariciar o seu ombro.
 - Corujando o seu bebê? – George Wickham perguntou, sapecando-lhe um beijo no canto da boca quando Elizabeth voltou o rosto na sua direção. Elizabeth, imediatamente, passou a mão sobre a barriga, surpresa com o seu comentário. Não tinha certeza de quantas pessoas sabiam a respeito do bebê.

- Seu livro está fazendo sucesso, hem? – Ele continuou, distraído, remexendo em alguns volumes do stand. 

- Sim. – Elizabeth replicou, sorrindo, e abaixou a mão.
– Eu acho. – Corrigiu-se.
- Você sabe. – Ele riu-se dela, divertido.
– Ei. – Ele disse, voltando de frente para ela. E lançando um olhar a sua volta, como se para se certificar que ninguém estava ouvindo, disse. – Eu queria te perguntar uma coisa.
- Vá enfrente. – Elizabeth o encorajou.
- Você vai mesmo se casar com William? – Soando extremamente sério.
- Sim. – Elizabeth respondeu, sorrindo.
- Tem certeza? – George insistiu. – É isso mesmo o que você quer?
- Por que você está me perguntando isso? – Elizabeth inquiriu, estranhando o teor daquela conversa, deixando de sorrir.
- Porque eu não acho que você deveria. – George não pestanejou ao responder. – Você vai cometer um grande erro se se casar com ele.
- Como você pode dizer isso? – Elizabeth perguntou, diminuindo a voz e olhando a sua volta também; não querendo que alguém ouvisse aquela conversa. – Ele é seu irmão.
- Meio-irmão. – Ele corrigiu. – E é por isso mesmo que estou dizendo. Conheço William e conheço você. E vocês dois simplesmente não combinam. – Argumentou, fitando-a seriamente nos olhos. – William é sério, frio, distante, orgulhoso e egoísta. Enquanto que você é maravilhosa, alegre, divertida, espontânea... Tudo o que ele não é. Ele deu um passo na direção dela e diminuiu o sua voz para quase um murmúrio, forçando-a a se aproximar para ouvi-lo.
- Eu temo... Temo que ele irá destruir este fogo que tanto amo em você, Lizzie. – Disse, carinhoso, ao erguer a mão e afastar uns fios de cabelo de seu rosto; colocando-os atrás de sua orelha e permitindo que seus dedos escorregassem para o seu pescoço.

Quando Elizabeth percebeu que aquele gesto amistoso estava virando algo mais intimo e perigoso, ao sentir os dedos dele se aproximarem da sua nuca, apressou-se a segurar o seu pulso e detê-lo. Dando vários passos para trás e pondo um espaço apropriado entre seus corpos.
- Você está errado, George. – Foi tudo o que conseguiu dizer.
Ele pareceu ficar constrangido e procurar algo na estante de livros do stand. Enquanto Elizabeth se perguntava se aquilo tinha realmente acontecido. George sempre flertara com ela, mas nada que indicasse algo mais que simples atração física. E Elizabeth sempre rebatera seus avanços com piadinhas, porque nunca pensara nele como sério candidato a seu coração desde que se permitira envolver com o seu irmão mais velho. Seria uma loucura fazer este tipo de jogo entre irmãos e ela não gostaria de magoar ninguém – especialmente a si mesma.Estava procurando algo com que si ocupar, quando capturou de relance a visão de Darcy no stand da Editora Darcy. Fixou seu olhar nele e percebeu que ele estivera a observá-la. Sentiu desconforto e um pouco de culpa, perguntando-se há quanto tempo ele estaria a observá-la e se teria visto a sua interação com George. Mas decidiu que não fizera nada de errado e por isso não tinha motivos para si sentir culpada. Permitindo que um genuíno sorriso de satisfação brotasse em seus lábios, acenou discretamente para ele. Darcy inclinou a cabeça em cumprimento, mas não sorriu em resposta.
George voltou a chamar a sua atenção, solicitando que ela o apresentasse a sua colega de trabalho. E Elizabeth não perdeu tempo em chamar Eleonora Wilkins e apresentá-los.
Ao fim da noite, Elizabeth despedira-se de Eleonora e seguira em direção ao stand da Editora Darcy. William estava conversando com o organizador do evento, então Elizabeth preferiu se manter a distancia. Até que ele a viu e se despediu do senhor, vindo em sua direção. - Pronta para ir? – Foi a sua única pergunta. - Sim.Ele ficou calado o percurso todo até sua casa, apenas dando alguns grunhidos para indicar que estivera ouvindo os comentários dela a respeito da Bienal. E, eventualmente, Elizabeth se cansou de conversar sozinha, calando-se também.Ao chegarem a casa dele, onde Elizabeth passava algumas noites desde que viera jantar em sua casa pela primeira vez, Darcy lhe informou que precisava fazer algumas coisas no escritório e pediu para que ela fosse para o quarto sem ele, que ele iria ao seu encontro depois.Elizabeth foi para o quarto e tomou o seu banho sozinha, vestindo a camisola que trouxera para a casa dele com algumas roupas suas e depois se deitou na cama. Tentou esperar por ele, mas acabou adormecendo.Acordou de madrugada quando sentiu ele deitando ao seu lado, a cama cedendo com o peso de seu corpo. Instantaneamente, voltou-se na sua direção e colou o seu corpo ao dele. Teria voltado a dormir imediatamente se não houvesse reparado na tensão dos músculos do corpo dele ou no fato de que Darcy não rodeara o seu corpo com os braços, como geralmente o fazia.

- Qual o problema, William? – Questionou-o, com a voz sonolenta.

- Problema? Nenhum. – Darcy respondeu, soando indiferente.
– Volte a dormir. – Sugeriu.
- Há sim. – Elizabeth contestou, desencostando a cabeça de seu ombro e tentando fitá-lo nos olhos na penumbra do quarto. – Aconteceu alguma coisa na Bienal?
- Não. – Ele replicou, frio. – Vamos dormir. – Aconselhou, finalmente passando o braço envolta de sua cintura e puxando-a de encontro ao seu corpo.
Elizabeth ponderou se devia insistir agora. Mas optou por perguntar de novo pela manhã, quando os dois estivessem mais descansados. Voltou a deitar a cabeça em seu ombro e enroscou-se melhor no corpo dele. Quando passou a perna por sobre o seu corpo, sentiu-o enrijecer-se ainda mais e uma parte significativa de sua anatomia demonstrou estar totalmente desperta. Elizabeth finalmente compreendeu a situação, segurando-se para não rir diante de sua descoberta. 
- William? – Elizabeth murmurou de encontro ao seu pescoço.
- Hum? – Ele resmungou.- Você está com tesão, é isso?
- Elizabeth! – Seu tom foi de aviso. – A noite foi longa, nós dois estamos cansados, é o meio da madrugada e você está grávida, precisa descansar. – Argumentou, impaciente. – Vamos dormir
.- Eu estou completamente desperta agora. – Elizabeth contestou, maliciosa.
- Meu Deus! – Darcy reclamou, exasperado, arrancando uma gargalhada baixa dela. – Você sabe que estou tentando fazer a coisa certa aqui, não é?
- Veja as coisas por este lado. – Elizabeth argumentou. – Nós vamos demorar muito mais para pegar no sono se estivermos com desejo e insatisfeitos. E iremos dormir muito melhor e mais rápido se o desejo for saciado. – Completou seu argumento com uma pequena demonstração, ao esfregar a perna sobre a excitação dele e morder lhe o pescoço.

Darcy grunhiu ao rolar com ela nos braços e posicionar o seu corpo debaixo do dele. Sustentando o peso do próprio corpo com os braços, fitou o seu rosto com atenção. Encontrando-a a sorri-lhe maliciosamente, satisfeita consigo mesma.

- Você sabe o que está fazendo comigo? – Demandou, soando um pouco furioso. Elizabeth riu. – Você está me enlouquecendo! – Resmungou.Mas, ao se apossar de seus lábios, não impôs qualquer tipo de violência. Parecia até hesitante ao deitar o peso do seu corpo sobre o dela e aproximar os seus rostos. Elizabeth entreabriu a boca, sentindo o seu hálito quente sobre os lábios. E gemeu quando Darcy finalmente os tomou, beijando-a com paixão.Fazer amor desta vez foi um ato ardente, abrasador. E ela estava certa. Ambos sentiram-se mais sonolentos uma vez que o desejo fora saciado.
- William? – Elizabeth chamou por ele, novamente com a voz sonolenta; acomodada em seus braços, com as costas colada no peito dele e com os braços dele lhe rodeando a cintura.
- Hum? – Darcy respondeu da mesma forma sonolenta.- Você se sente sozinho aqui? – Ela perguntou.
- Como assim? Sozinho? – Ele questionou de volta, não entendendo o sentido da sua pergunta.
- Nesta casa enorme. Morando aqui, sozinho. – Ela explicou. – Não se sente solitário?

- Já estou acostumado. – Ele respondeu, com o tom de voz duro, frio, distante. – Vivi assim praticamente minha vida inteira. – Acrescentou.

O tom de sua voz frio não foi o suficiente para disfarçar a amargura daquela simples constatação da verdade. E Elizabeth sentiu seu coração se contrair por ele. Quando tentou voltar-se de frente para Darcy, ele a deteve.
- Will... – Ela tentou protestar, mas ele não cedeu.
- Vá dormir, Lizzie. – Disse, carinhoso; beijando-a no ombro e abraçando-a apertado. Elizabeth desceu o braço sobre o dele e puxou-o para mais perto de si. Pensando que assim que se casassem, estaria morando ali também e ele não estaria mais tão sozinho.
- Boa noite, Will.- Boa noite, Lizzie.
 #
Darcy entrou no quarto e ouviu um suspiro. Olhou para um montinho que era Elizabeth na sua cama e sorriu, contornando a cama e puxando a cortina da porta da varanda para que a claridade invadisse o quarto. Ao fitá-la novamente, encontrou Elizabeth de olhos fechados. Sentando-se na beirada da cama ao seu lado, estendeu a sua mão até ela. Afastou os fios de cabelo do seu pescoço e, dobrando-se sobre ela, beijou-lhe demoradamente o ponto atrás da orelha que a enlouquecia.
- Pare de fingir que está dormindo, preguiçosa. – Murmurou ao seu ouvido, mordendo o seu lóbulo. – Sei que está acordada. Ouvi você ronronando quando entrei no quarto.
Ronronando? – Ela questionou, com a voz rouca de desejo. 
- Sim, como uma gatinha manhosa. – Darcy afirmou, afastando-se para fitar o seu rosto. 
Os olhos dela estavam abertos e vivos, e ela tinha um sorriso no rosto. Exatamente como ele imaginou que seria.
Elizabeth se remexeu na cama e estendeu a mão para o seu peito, afastando a borda do roupão que ele usava para o lado.
- Vejo que esteve nadando. – Comentou.
- Alguém precisa fazer exercícios regulares aqui. – Darcy alfinetou.
- Mais exercícios que eu fiz ontem à noite? – Elizabeth contestou, com um olhar malicioso; inserido os dedos por baixo da borda do roupão e arrastando-os pelo peitoral de Darcy, colhendo algumas gotículas de água remanescentes. 
- Outro tipo de exercício. – Darcy rebateu, com um tom severo na voz, mas com um brilho divertido nos olhos. – Você não está planejando passar o dia inteiro na cama, está? – Questionou-a, após uma breve pausa em que ficou a observá-la observando-o, enquanto acariciava o seu peitoral. 
- E se estiver? – Ela replicou. – Você exauriu todas as minhas energias, sabe disso. – pontuou, provocante.
- Pois saiba disso: se vamos passar o dia na cama, não tenha esperanças de que irá dormir muito. – Declarou, solene.
- William! – Elizabeth exclamou, fingindo ultraje.
- Não se faça de inocente para mim, Elizabeth. Nós dois sabemos que você não é. – Ele disse, pondo-se de pé. 
Darcy pegou a borda do cobertor dela e puxou-o para longe de seu corpo. Encontrando-a completamente nua por debaixo dos lençóis, exatamente como ele a deixara.
- O que está fazendo? – Elizabeth inquiriu, quando Darcy se inclinou em sua direção e a ergueu da cama, carregando-a na direção do banheiro. 
- Eu vou tomar banho e estou levando-a comigo. – Afirmou, simplesmente. – Depois vamos comer alguma coisa e decidir o que vamos fazer o resto do nosso dia.
- E de onde você tirou que gatos gostam de banho? – Elizabeth perguntou, rindo-se quando ele virou de lado para poder passar com ela nos braços pela porta do banheiro.
- Você vai gostar deste banho, eu garanto, minha gatinha. – Ele prometeu, com a voz rouca em seu ouvido; ao manobrar pelo banheiro com ela nos braços e abrir a porta do box, adentrando-o e ligando o chuveiro.
Entrou debaixo d’água, deixou-a escorregar por entre os seus braços lentamente e colocar os pés no chão. Enquanto a água escorria por seus corpos, Elizabeth ajudou-o a se livrar do roupão e da sunga, trocando longos e apaixonantes beijos e caricias.

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