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Sua arrogância e pretensão me fazem pensar que você seria o último homem no mundo com quem eu me casaria. (Jane Austen)

Por Uma Noite Apenas - Capítulo XII

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CAPÍTULO 12
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Elizabeth mal podia acreditar. Àquela semana o seu livro finalmente chegara às livrarias. Como ainda era uma novata nesta área de publicações, não teria a sua própria noite de lançamento – com direito a noite de autógrafos e coquetel. Mas, para comemorar, esta noite iria
jantar com sua irmã, cunhado e alguns amigos mais chegados em um restaurante transado, de ambiente informal e moderno, que estivera recebendo uma boa crítica gastronômica.
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Saiu do banho secando os cabelos na toalha e foi escolher o que vestir no armário de roupas. Selecionando uma blusa tomara-que-caia com duas camadas – uma de tecido suave e gostoso na cor de pele, e a outra sobreposta de rendas branca.
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(Imaginem apenas a parte de cima como a blusa)
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Pegou uma saia tulipa azul royal. 
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(Imaginem a saia azul royal)
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Completou o look com uma bota de salto alto fino, na altura dos tornozelos, preta.
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Vestiu uma calcinha preta de rendas e selecionou uma meia calça cor café, vestiu a blusa e contorceu-se um pouco para fechar o zíper lateral, sentindo a falta de Jane para assessorá-la. Vestiu a saia e foi se admirar no espelho. A blusa tomara-que-caia tinha ondulações em renda formando o decote e os seus seios mais cheios por causa da gravidez ficaram ainda mais sensuais do que se lembrava ao ter comprado aquela blusa. 
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Passando as mãos entorno da cintura, ajeitando a saia, ponderou que fazia bem em usá-la de uma vez. Sabia que em breve não teria condições físicas para usar nada que delineasse a sua cintura – afinal, não teria uma cintura para exibir por muito mais tempo. Calçou as botas, ciente de que teria de abrir mão do salto alto também, entre tantas outras coisas.
Foi para o banheiro pentear o cabelo. Deixou-os levemente presos, com alguns fios soltos envolta do rosto e recaindo em cachos longos pelas costas. E passou a se maquiar. Em seguida, retornou para o quarto, selecionou brincos de ouro branco com minúsculos diamantes e um relógio de pulso com pulseira prateada.
Passou o perfume e pegou a bolsa no formato carteira preta com detalhes em pedrinhas pretas brilhantes, arrumando seus documentos, dinheiro, batom, chaves e celular dentro dela. Pegou o seu sobretudo e saiu do quarto.
Ao surgir à sala, decidiu ligar para Jane e descobrir se ela ainda demoraria muito. Jane lhe disse que Charles já viera apanhá-la e que eles já estavam fechando a floricultura. Logo estariam em casa para que Jane se arrumasse e pudessem sair.
Elizabeth decidiu ligar para Charlotte e lhe informar que iriam se atrasar. Quando ouviu a campainha do seu apartamento soar. Imaginando quem poderia estar a sua porta, foi abri-la. Deparando-se com Darcy, vestido casualmente e, ainda assim, elegantíssimo – com uma calça social preta, uma blusa de botões vinho, sem gravata e com o colarinho aberto, e um blazer esporte também preto. 
- Boa noite. – Darcy disse, fitando-a dos pés a cabeça, deixando um sorriso aprovativo surgir em seus lábios. 
- Eu não sei o que você veio fazer aqui,... – Elizabeth disse, irritada consigo mesma por sentir o seu coração acelerar só de olhar para ele. - ...mas eu estou de saída. Então,...
- Eu sei disso. Eu vim aqui te buscar para o jantar. – Darcy respondeu.
- Quem te disse sobre o jant...? – Elizabeth começou a perguntar, mas adivinhou a resposta. – Charles?
Darcy confirmou com um aceno de cabeça. 
- Podemos ir? – Questionou, convidando-a a sair do apartamento.
- Eu não vou com você. – Elizabeth apressou-se a negar. – Vou esperar a minha irmã e Charles. 
- Tudo bem. – Darcy não discutiu, apenas entrou no apartamento, fazendo Elizabeth andar para trás para se afastar, e fechou a porta. – Charles se atrasou? Típico. – Darcy comentou, sem desviar o seu olhar dela. – Melhor assim. Eu queria te dar uma coisa.
Elizabeth observou-o, apreensiva. Se ele desse mais um passo em sua direção, se afastaria. Não permitiria ser pega de surpresa com mais um de seus beijos roubados.
Darcy alcançou uma caixa de veludo dentro do bolso interno do blazer e se aproximou mais de Elizabeth – lutando contra a própria razão, Elizabeth não se afastou como inicialmente se prometera. Estava curiosa, embora um alarme já soasse em sua mente, alertando-a para o conteúdo daquela caixa de jóias.
A um passo de distancia, Darcy abriu a caixa de veludo e a voltou de frente para Elizabeth, permitindo que ela vislumbrasse o conjunto de colar, brincos e anel de ouro branco, diamantes e pedra preciosa âmbar.
- Por que você está me dando isso? – Questionou-o, desconfiada. – Eu não posso aceitar.
- Por que não? – Ele inquiriu. – Não precisa se preocupar. Não se trata de um anel de noivado. – Assegurou-a. – Eu comprei para você há algum tempo. Pensei em lhe dar de presente de aniversário, mas não o fiz. Agora eu tenho a chance de finalmente dá-lo a você. 
Ele colocou a caixa de veludo nas suas mãos e Elizabeth fitou as jóias ainda mais apreensiva.
- São muito bonitas. – Comentou, admirando as pedras âmbar que tinham todo um brilho próprio.
- Combinam com seus olhos. – Darcy pontuou.
Elizabeth ergueu o olhar para ele, surpresa.
- Coloque. Eu quero vê-las em você. – Ele pediu.
Notando sua hesitação, Darcy alcançou o anel dentro da caixa e segurou uma de suas mãos, colocando o anel em seu dedo. Elizabeth observou-o com cuidado, em silêncio, consciente dos dedos longos e da mão quente dele manuseando a sua. Percebendo como aquele ato lhe pareceu muito mais que um simples gesto. 
Apesar de suas palavras, ela sentiu como se ele estivesse colocando um anel de noivado em seu dedo. E ao olhá-lo, notou que para Darcy aquele anel tinha mais significados do que ele deixara transparecer com suas palavras.
Elizabeth recolheu a mão, constrangida. Decidindo terminar de colocar os brincos e o colar ela mesma, antes que ele se oferecesse a fazê-lo por ela. 
Caminhou para longe dele, indo depositar a caixa sobre a mesinha de centro. Retirou os brincos que usava e colocou os que Darcy lhe deu. Quando ia pegar o colar, viu a mão de Darcy alcançá-lo primeiro. Voltou-se de frente para ele, achando-o, mais uma vez, a um passo de distancia.
- Eu te ajudo. – Ele ofereceu.
- Não precisa. – Apressou-se a negar.
- Faço questão. – Darcy insistiu. – Vire-se. – Pediu.
Elizabeth mordeu a própria língua para não rebater aquele pedido. Sabia exatamente o que ele estava tentando fazer. Seduzi-la.
- Eu não vou te morder, Elizabeth. – Darcy prometeu, fazendo-a enrubescer. – Vire-se.
Não querendo parecer covarde, voltou às costas para ele. Prometendo-se não se deixar envolver. Mostraria a ele que não cederia assim tão facilmente.
Mas quando sentiu os dedos dele em sua nuca, afastando os cabelos, não conseguiu evitar que um tremor percorresse o seu corpo ou que os pelos de sua nuca se arrepiassem, ao sentir a respiração quente dele em seu pescoço. 
Darcy passou o colar por sobre a sua cabeça, Elizabeth sentiu a pedra fria pousar sobre o decote da blusa, realçando ainda mais o seu busto. Soube que ele já prendera o feixe da corrente quando sentiu o colar pender livre em seu pescoço e os dedos de Darcy deslizarem na direção dos ombros, em um toque lento e suave.
Sentiu os lábios quentes dele pressionar um beijo em sua nuca, enquanto os dedos desciam lentamente pelos seus braços e as mãos dele alcançaram a sua cintura. Darcy acariciou o volume quase imperceptível em sua barriga, fazendo com que Elizabeth fechasse os olhos e se deliciasse com aquele toque. Era difícil não se deixar abalar por um carinho que, para ela, era feito a seu filho.
Então, ele a virou de frente para si. Elizabeth encontrou o seu olhar ardendo de paixão e automaticamente levou as mãos até os braços dele, incerta se numa tentativa de detê-lo ou apressá-lo, para que a beijasse logo de uma vez. E, por isso, não fez nem um nem o outro.
Darcy inclinou a cabeça em sua direção e capturou a sua boca em um leve roçar de lábios, afastando-se alguns centímetros em seguida e fitando-a, esperando... 
Elizabeth circundou o seu pescoço com os braços, erguendo-se na ponta dos pés e o beijou. Vibrando de satisfação quando Darcy, com um gemido, tomou a oportunidade e aprofundou o beijo, comprimindo o seu corpo de encontro ao dele. Intensificando o beijo progressivamente, enquanto as suas mãos acariciavam as costas dela. Deliciando-se com o carinho que os dedos dela faziam ao percorrer o seu cabelo, em sua nuca.
Ao final do beijo, nenhum dos dois disse nada. Permaneceram nos braços um do outro, olhando-se em silêncio, com as respirações entrecortadas e os corações batendo no mesmo compasso acelerado. 
- Hum-hum... – Um pigarro rouco fez o casal virar as cabeças na direção da porta, encontrando Jane e Charles bem ali, parados enfrente a porta aberta, assistindo-os. – Boa noite. – Charles os cumprimentou, sorridente.
Elizabeth apressou-se a sair dos braços de Darcy diante daquela plateia inesperada. Viu que a irmã também sorria e já imaginava o que Jane devia estar pensando que aquele beijo significava. Jane era a favor que Elizabeth desse uma chance a William. 
- Eu vou tomar banho e me arrumar. Não devo demorar muito. – Jane apressou-se a dizer, notando o constrangimento da irmã ao ser flagrada nos braços de Darcy.
- Se vocês quiserem ir à frente, Jane e eu os encontramos no restaurante. – Charles propôs.
- Boa idéia. – Darcy concordou.
- Eu prefiro esperar vocês. – Elizabeth afirmou.
- Lizzie, isso não faz sentido. – Jane ponderou. – Pense em Charlotte. Ela já deve estar lá, nos esperando. 
Elizabeth lançou um olhar contrariado à irmã, mas não discutiu. Sabia que ela devia estar certa. Jane aceitou o seu silêncio como concordância e seguiu para o próprio quarto.
Ao invés de seguir Darcy à saída do apartamento, Elizabeth preferiu seguir a irmã até o seu quarto. Atravessando a porta no instante em que Jane depositava o vestido que ia usar aquela noite sobre a cama.
- Você e Charles combinaram tudo com ele, não foi? – Elizabeth a acusou.
- Não. – Jane negou, sincera. – Charles só me disse que contara a William a respeito do jantar a caminho daqui. E ele não sabia que William estaria aqui quando chegássemos. Se soubéssemos, teríamos demorando mais um pouquinho. – Jane concluiu, risonha.
- Jane! – Elizabeth protestou.
- O que? Vocês pareciam estar se entendendo bem. – Comentou, maliciosa.
- Eu não sei o que estou fazendo. – Elizabeth lamuriou-se, cobrindo o rosto com as duas mãos.
- A pedra em seu dedo me diz algo diferente. – Jane apontou, notando a joia pela primeira vez. 
Fazendo Elizabeth descobrir o rosto e fitá-la, ao esclarecer.
- Não é um anel de noivado. – E levando a mão até o pingente do colar, esclareceu. – Ele me deu... Um presente atrasado de aniversário. 
Lembrando-se disso, Elizabeth passou a se perguntar: se ele pretendia lhe dar aquelas jóias de aniversário, por que não o fizera? Afinal, ele esteve presente em sua festa.
- São lindas. – Jane elogiou, admirando-as. – Ele já pediu sua resposta?
- Não. 
- Você sabe que ele não vai desistir até você aceitar, não sabe?
- Eu sei. – Elizabeth respondeu, temerosa. 
- É melhor você ir... – Jane a aconselhou. – Lembre-se: Charlotte espera. – Enxotou a irmã de seu quarto.
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Darcy abriu a porta do carro e Elizabeth entrou. Quando ele se sentou atrás do volante, ela disse.
- Eu quero esclarecer uma coisa. – Fazendo-o desistir de ligar o carro e concentrar sua atenção nela. – Eu não quero que você me dê mais nenhum outro presente.
- Por que não? – Darcy estranhou.
- Porque eu não estou à venda. – Elizabeth replicou, azeda. – Você não vai conseguir me influenciar a aceitar o seu pedido me dando jóias ou tentando me seduzir com seus beijos.
- Você não me deixa muitos meios de persuasão desta forma. – Ele pontuou.
- Ah, então você admite que está tentando me comprar com presentes? – Ela se exaltou.
- Eu não estava me referindo às jóias, Elizabeth. – Darcy argumentou, calmo. 
O longo olhar que ele lançou na direção de suas pernas desnudas e subiu lentamente para o decote de sua blusa, finalmente detendo-se em seu rosto apagou qualquer dúvida que ela pudesse ter quanto ao que ele se referia. Deixando Elizabeth corada.
- Se você insiste, eu prometo não lhe dar mais presentes. Por enquanto. – Darcy a assegurou. – Só não prometo deixar de tentar te seduzir, porque eu estaria mentindo se o fizesse.
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O olhar que manteve sobre a sua figura estava sobrecarregado de paixão. E Darcy reconheceu aquela velha conhecida veia pulsando errática no pescoço de Elizabeth. 
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Satisfeito, voltou a sua atenção à direção e ligou o carro. Retirando-o da vaga enfrente ao prédio de Elizabeth e levando-os até o restaurante. Galvin at Windows fica situado no coração de Mayfair, ao 28º andar do The Hilton, com uma vista panorâmica do Hyde Park.
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Ao serem escoltados pela hostess até a mesa, encontraram não apenas Charlotte Lucas a esperá-los. Mas sr. Collins sentado ao seu lado, falando ininterruptamente sobre a sua opinião a respeito do restaurante. E Caroline Bingley sentada a uma cadeira do lado oposto ao deles, tomando um coquetel de fruta; parecendo estar não apenas entediada, mas sinceramente desejando estar em qualquer outro lugar.
Darcy olhou para Elizabeth e percebeu que ela estava surpresa com a presença dos dois ali. Ele sabia que Elizabeth não gostava muito do seu antigo supervisor. Não só porque o homem possuía uma personalidade intratável, como também criticara cruelmente a sua primeira tentativa como escritora. E agora tinha a audácia de comparecer ao jantar de comemoração da publicação do seu livro.
Quanto a Caroline, sabia que as duas não tinham qualquer tipo de intimidade. Caroline nunca lhe dirigira qualquer tipo de atenção especial, reservando-a o mesmo tipo de tratamento indiferente que dava a suas colegas de trabalho. Nem mesmo o relacionamento do seu irmão com Jane e os ocasionais encontros fora do ambiente de trabalho que este envolvimento proporcionava foi capaz de estreitar a relação entre elas.
Darcy conhecia muito bem o súbito interesse de Caroline em Elizabeth agora. E estava completamente relacionado a ele. Desde a última visita que Elizabeth fizera a Editora Darcy, um burburinho a respeito do seu envolvimento e surpreendente noivado se alastrou pela Editora como fogo em rastro de pólvora. E Caroline não perdera tempo em questionar o irmão sobre a veracidade dos fatos.
Charles lhe contara que Caroline estava furiosa com ele, alegando que o irmão lhe escondera o envolvimento de Darcy com Elizabeth. E não importava quantas vezes Charles afirmasse que não sabia nada a respeito sobre o relacionamento deles e alegasse tomar conhecimento a respeito do noivado pela primeira vez através dela, sua irmã não acreditava. Argumentando que Darcy não esconderia um relacionamento de tamanha repercussão e importância de seu melhor amigo, ainda mais se tratando da irmã da namorada de Charles.
Darcy cumprimentou-os cordialmente, enquanto Elizabeth lançava um sorriso incomum a Charlotte e as duas trocavam um olhar cheio de entendimento particular. Darcy puxou uma cadeira para Elizabeth, ignorando a forma ávida como Caroline estudava cada um dos seus movimentos. 
Elizabeth estava se acomodando a cadeira, quando uma voz masculina conhecida a deteve de pé.
- Boa noite, minha linda. – O seu meio-irmão se aproximou deles, lançando um dos seus melhores sorrisos a Elizabeth. – Eu a vi chegando e decide vir logo parabenizá-la.
Ignorando a presença de Darcy ao seu lado, enlaçou Elizabeth pela cintura e beijou-lhe o rosto demoradamente. Dizendo-lhe qualquer coisa mais íntima ao ouvido, fazendo Elizabeth rir baixinho.
- Obrigada. – Ela disse em resposta ao seu comentário. – E onde você estava? Eu não o vi quando chegamos. – Elizabeth pontuou, tranquila. 
- No bar. – George esclareceu, olhando pela primeira vez para Darcy, constatando a sua expressão assassina, e apenas inclinando levemente a cabeça a guisa de cumprimento. 
Elizabeth direcionou seu olhar ao bar e viu uma linda mulher os assistindo com interesse. 
- Já vi o porquê. – Comentou, divertida, lançando a George um olhar matreiro. 
Darcy seguiu o seu olhar até o bar e também notou a mulher. Voltou a prestar atenção a Elizabeth quando ela finalmente se sentou a cadeira. Ele, enfim, ocupou a cadeira ao seu lado. 
Eles foram servidos por um garçom. Darcy satisfeito em tomar um copo de uísque antes do jantar e Elizabeth preferiu um coquetel de frutas virgem, já que não podia tomar nada alcoólico.
Aos poucos outros convidados do jantar começaram a chegar e completar os lugares vagos à mesa. Alguns colegas antigos de Elizabeth da Editora Darcy, poucos novos da Editara Gardiner, as duas mulheres que Darcy reconheceu como sendo as vizinhas de Elizabeth – Lydia Schmith e Catherine Pike; e, por fim, Jane e Charles. 
Eles jantaram e conversaram alegremente. Era um grupo relativamente grande e divertido. A maioria dos amigos de Elizabeth fez questão de brindá-la por sua vitória ao publicar o primeiro livro. Até o momento em que o sr. Collins se pronunciou.
- É surpreendente que você tenha conseguido publicar o livro na sua primeira tentativa de ser escritora. Afinal, você é totalmente inexperiente no ramo, embora trabalhasse na área literária há algum tempo. 
- Não é surpreendente de forma alguma. É uma questão de talento. – Darcy contradisse, silenciando o homem. – Você por acaso leu o livro?
- Você leu? – Elizabeth o interrogou, surpresa com a sua defesa; interrompendo a resposta de Collins. 
- Li. – Darcy respondeu. – Comprei o livro assim que chegou às livrarias.
- E? – Ela insistiu. Queria saber a sua opinião.
O livro era a respeito de uma jovem universitária que se julgava amaldiçoada por um ex-namorado de colegial que fora doentiamente apaixonado por ela e, ao si ver dispensado, disse-lhe que seus futuros relacionamentos estavam fadados ao fracasso. Que ela se arrependeria de tê-lo dispensado.
E, desde então, todos os seus novos relacionamentos não duravam mais de um mês. Sempre acabando de uma forma traumática, que fazia com que os seus “namorados” a odiassem no final. 
A trama ficava mais interessante quando a protagonista se apaixonava perdidamente por um amigo e decidia não namorá-lo, embora ele demonstrasse mais de uma forma seu interesse por ela. Isto porque ela temia o fim trágico do relacionamento e da amizade, graças à praga que julgava estar ligada.
- É uma leitura leve, despretensiosa e divertida. – Darcy afirmou, sincero. – Eu dei um a minha irmã e Georgiana me disse que leu em uma noite. Que era uma narrativa viciante, com um enredo contagiante e sem outra pretensão que não fosse divertir e sonhar. Ela amou a história e está louca para te conhecer.
Elizabeth não poderia ficar mais ruborizada ou envaidecida do que naquele momento. Qualquer elogio que ele fizesse a sua pessoa, por mais que fosse sincero, poderia estar eivado de segundas intenções. Mas aquela crítica honesta ao seu trabalho, apoiada pela opinião de sua própria irmã, sustentou a honestidade de suas palavras. E, por ele ser dono de uma Editora, acostumado a lidar com publicações de livros e famoso por escolher a dedo as publicações de sucesso, a sua opinião a respeito da sua obra tinha grande valia a Elizabeth. 
Além de que, saber que ele falou a seu respeito para a sua irmã também a agradou, embora ela preferisse ignorar este fato no presente momento. 
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Ao fim do jantar, o grupo se despediu. Jane informou à irmã que iria dormir no apartamento de Charles, indo embora com o namorado em seguida. Lydia e Catherine se despediram dela juntamente com George, alegando que pretendiam esticar a noitada em um clube noturno. Elizabeth assistiu, assombrada, Charlotte ir embora acompanhada por Collins. Por fim, restaram apenas Darcy, ela e Caroline Bingley. 
Seguiram os três à saída do The Hilton Hotel, terminando de se despedir no estacionamento.
- Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade de congratulá-los pelo noivado. Só agora percebi que não o tinha feito ainda. – Caroline disse, extremamente educada, com um sorrindo calculista nos lábios. – Meus parabéns, Elizabeth. William.
- Eu não est... – Elizabeth começou a dizer, mas Darcy a interrompeu.
- Obrigado, Caroline. – Sobrepondo a sua voz com a própria, mais grossa. 
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Elizabeth lançou lhe um olhar de esguelha, mas decidiu não contradizê-lo. Notara como Caroline olhava para ele e não gostava das atenções daquela mulher nem um pouquinho.
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- Tenha uma boa noite, Caroline. – Despediu-se da mulher e começou a se afastar. 
Não se surpreendeu quando Darcy imitou o seu gesto e a acompanhou até o carro.
Darcy a levou para casa e desceu do carro, acompanhando-a até a porta de seu apartamento.
- É um serviço de porta a porta. – Alegara, quando Elizabeth tentara impedi-lo. 
Agora estavam ali, no corredor do andar de seu apartamento. Elizabeth hesitava em abrir a porta, porque sabia o que aconteceria se ele conseguisse se insinuar para dentro do apartamento. 
- Pronto. Já estou entregue. – Disse-lhe, com a chave da porta em mãos.
- Não irá me convidar a entrar e tomar uma xícara de café? – Darcy inquiriu, encostando o ombro na parede. 
- Não. Já está tarde. Não faz sentido tomar café há esta hora. – Elizabeth respondeu, racional. 
Darcy riu e Elizabeth sorriu em resposta, gostando do som da sua risada.
- Por acaso, eu tenho direito a um beijo de boa noite? – Solicitou, aproximando-se e a envolvendo pela cintura. 
- Não, William. – Elizabeth protestou, levando as mãos ao seu peitoral e, desta vez, o detendo. 
- Por que não? Apenas um beijo de despedida. – Murmurou, comprimindo o seu corpo de encontro ao dele. 
- ... – Quando ela abriu a boca para negá-lo mais uma vez, Darcy se aproveitou e a beijou com ardor. 
Pressionou-a contra a parede, beijando-lhe o queixo e o pescoço, enquanto uma das mãos invadia o sobretudo e contornava um seio, ousada, acariciando-o.
- Deixe-me entrar. – Murmurou ao seu ouvido, mordendo o seu lóbulo. – Peça-me para ficar. 
- Eu não posso... – Elizabeth arfou a palavra. – William, eu não tenho certeza... se quero...
Ele parou de beijar o seu pescoço e fitou-a nos olhos. Elizabeth pôde ver em seus olhos que ele estava decepcionado. 
- Você quer. – Disse, sério. 
E, beijando-a de leve na testa, soltou-a e se afastou. Fechando as mãos em punhos, as colocou nos bolsos da calça à medida que dava dois passos para trás.
- Abra a porta e entre. – Ordenou, com o mesmo tom sério.
- William... – Elizabeth ia protestar, mas ele a interrompeu.
- Irei embora assim que você entrar. – Prometeu-lhe, solene.
Desconfiada, Elizabeth abriu a porta. Ele não tentou ludibriá-la por uma passagem. Permaneceu imóvel. 
- Boa noite. – Ela disse, começando a fechar a porta.
- Boa noite. – Ele respondeu, depois se voltou na direção do elevador e começou a se afastar.
“Ele foi embora.”, garantiu a si mesma, encostada a porta. “Era o que eu queria. O que pedi.”. Sentindo o pingente do colar frio contra a sua pele bem próximo ao seu coração batendo acelerado, levou a mão até ele e o segurou, pensativa. “Era a coisa certa a se fazer.”, tentou convencer-se.Soltando o colar e virando a mão, para poder olhar o anel, repetiu. “A coisa certa”. Mas teimava em se perguntar por que não estava feliz por ele ter ido embora.
Suspirando, deitou a mão na barriga e fez um carinho no filho, lembrando-se quando Darcy fizera o mesmo. E, com um sobressalto, se desencostou da porta e a abriu, saindo no corredor.
Ao voltar-se da direção do elevador, encontrou-o começando a fechar suas portas. Darcy estava dentro dele, encostado a sua parede, as mãos ainda dentro do bolso da calça e com a cabeça baixa.
- William!
Darcy ergueu a cabeça, olhando para ela, surpreso. Então, desencostou-se da parede do elevador e apressou-se a apertar o botão que impediria a sua porta de se fechar. Saindo logo em seguida.
Cada passo que ele dava em sua direção, sustentando o seu olhar, fazia o coração de Elizabeth se acelerar ainda mais. Ele parou diante dela e perguntou.
- Tem certeza? 
Elizabeth negou, com um aceno nervoso de cabeça.
Ele respirou fundo, inclinou a cabeça para o lado e, fitando-a com atenção, disse.
- Peça-me.
Elizabeth mordeu o lábio, sentindo-se tímida de repente. 
- Eu quero... – A sua voz quase não saiu. Respirou fundo e disse. – Quero que você faça amor comigo. 
Não queria sexo, como ele declarara ter sido a primeira noite que passaram juntos. Ela queria amor. E disse isto a ele. Estendeu-lhe a mão, aguardando o seu veredicto.
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Darcy não hesitou. Escutara exatamente aquilo que queria ouvir. Tomou-lhe a mão que ela oferecia e se deixou guiar para dentro do apartamento, até o seu quarto.
Era um cômodo com uma decoração alegre, colorida. Mas foi a cama que atraiu a atenção de Darcy. Era uma cama de solteiro box. Grande para uma pessoa, mas pouco confortável para um casal.
Lembrou-se da promessa que se fizera de levar Elizabeth para a sua própria casa e desejou tê-lo feito. Mas agora estavam ali e não adiaria este momento por nada. 
Olhar aquela cama também lhe fez pensar em Elizabeth com George. Teria seu meio-irmão conseguido passar a noite inteira ali, dormindo abraçadinho a Elizabeth? Ou teria se levantado e ido embora assim que consumira as suas energias?
- O que foi? – Elizabeth questionou-o, notando a sua expressão assassina. 
Olhando-a nos olhos, Darcy decidiu varrer aqueles pensamentos da cabeça. Não poderia fazer amor com ela tendo estes tipos de pensamentos na cabeça.
Ergueu uma mão e acariciou a maçã de seu rosto, prometendo-se fazer com que ela esquecesse a existência de qualquer outro homem esta noite. Faria com que ela percebesse que seria dele, e apenas dele, para sempre. 
Assistiu-a retirar os sapatos e despir o sobretudo. Deixou que ela retirasse o relógio, mas não permitiu que ela tirasse as jóias que lhe dera. Soltou-lhe o cabelo, passando os dedos por entre os cachos. 
Quando Elizabeth tentou ajudá-lo a tirar suas roupas, deteve-a.
- Não. Eu quero fazer isso. – Disse-lhe. – E poder olhar para você ao mesmo tempo, desta vez. 
Despiu a sua blusa, a saia e deitou-a na cama. Absorvendo a sua visão, deitada sobre os lençóis, usando um par de meia-calça cor de café e uma calcinha de rendinhas preta. Sentando-se a beirada do colchão, enroscou os dedos na borda da meia-calça na altura das coxas dela e começou a enrolá-las para baixo, despindo uma perna e depois a outra.
Com calma, deixou as mãos passearem pelas suas pernas desnudas, acariciando-a e arrancando suspiros de Elizabeth – quem fechara os olhos e deixara-se a mercê de suas caricias. 
Darcy alcançou a calcinha, enroscando os dedos na lateral, retirou-a de Elizabeth. Deixando-a nua sob o seu olhar guloso, com as pedras âmbar como seu único adorno. 
Pondo-se de pé, começou a se despir sem pressa. Ao juntar-se a ela na cama mais uma vez, não perdeu tempo em deixar que suas mãos a acariciassem lentamente. Seguindo os contornos de suas formas, delineando-a com os dedos em toques suaves.
Ao acariciar a pequena protuberância em sua barriga, suspirou. “Meu filho.” E, inclinando-se sobre ela, beijou-lhe a barriga com ternura. Ao sentir os dedos de Elizabeth em seu cabelo, ergueu a cabeça e a fitou. Os olhos dela estavam marejados por lágrimas, que escorreram lentamente. 
Darcy colheu as lágrimas salgadas com a boca, beijando-a nos lábios em seguida. Elizabeth abraçou-o apertado de encontro ao peito, consciente de estar aceitando selar o seu destino ao dele.
Darcy a penetrou com lentidão. Venerando o seu corpo com as mãos e os lábios não só com paixão e ardor, mas com ternura. Derrubando qualquer barreira que Elizabeth pudesse ter erguido entre os dois.
Ao sentir que ela se aproximava do ápice, separou seus lábios, deixando sua boca pairar sobre a dela e sussurrou.
- Case-se comigo. – Investindo uma última vez.
Elizabeth fechou os olhos e se deixou tomar pelo prazer, esquecendo-se de tudo, do mundo. Menos de se segurar a ele, para nunca mais soltar.
Quando recuperou a consciência, sentiu a respiração dele em seu pescoço e o seu coração batendo acelerado. Passando os dedos por seu cabelo, virou o rosto de lado. Levando a boca até o seu ouvido, sussurrou.
- Eu me caso com você.
Darcy afastou o rosto de seu pescoço e olhou para ela.
- Eu me caso com você. – Elizabeth repetiu, num murmúrio emocionado.
E ele a beijou. 
Eu sei que você não se decidiu ainda
 Mas eu nunca te faria nada de errado
 Eu soube, desde o momento
 Que nos conhecemos.
 Não há dúvida na minha mente
 Aonde você pertence...
 Eu poderia fazer você feliz
 Fazer os seus sonhos se tornarem reais
 Não há nada que eu não faria
 Vou ao fim da Terra por você
 Para fazer você sentir o meu amor

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