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Não é uma incivilidade generalizada a verdadeira essência do amor? (Jane Austen)

Por Uma Noite Apenas - Capítulo XI

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CAPÍTULO 11

Darcy tinha um plano. Um bom plano, diga-se de passagem. E era por causa deste plano que ele se encontrava em Eastbourne no meio daquela manhã em um dia de trabalho ao invés de estar em sua sala na Editora, em Londres.
Pelo menos, lhe parecia um bom plano quando deixara a sua casa muito cedo naquela manhã, entrara em seu carro e percorrera os 104 km de Londres a Eastbourne em uma hora e meia. O tempo todo se perguntando qual seria o grau de dificuldade em encontrar um Ethan Bennet numa cidade litorânea na Costa Sul da Inglaterra. Para um cara como ele? Nenhuma, certo? Errado!
Ele se perdeu. Mesmo com o endereço em mãos passou meia hora perdido. Até decidir pedir informação em uma banca de revista. Mas justificou esta pequena falha sua, argumentando consigo mesmo que o endereço que anotara não estava completo. Culpa de Charles Bingley, é claro. Já que fora ele a sua fonte de informações.
Darcy tinha convidado o seu amigo para uns drinques na noite anterior. E, após alguns copos de uísque, Charles lhe deu todas as informações de que precisava sem desconfiar de nada. Tudo o que Darcy precisou fazer foi mencionar Jane Bennet algumas vezes na conversa e seu amigo desatou a falar tudo o que sabia ao seu respeito – inclusive onde seus pais moravam. E Darcy duvidava que Charles viesse a se lembrar da metade das coisas que lhe disse.
Agora, ali estava ele, estacionando o carro enfrente à casa dos pais de Elizabeth. Um pouco apreensivo, admitia. Estava ali apostando alto, correndo um grande risco. A sua tática de jogo podia muito bem se virar contra ele. Mas não tinha tempo a perder com proposições. Ele sabia o que queria e estava disposto a tudo para consegui-lo. Até mesmo dar um tiro no escuro.Desceu do carro e encaminhou-se até a porta. Tocou a campainha antes que se deixasse abater por dúvidas. Só precisou esperar alguns minutos para a porta ser aberta por uma senhora de rosto amigável e olhar curioso, quem Darcy deduziu tratar-se da empregada da casa. Já que a senhora estava um tanto descabelada, usava um avental preso à cintura e secava as mãos em um pano de prato. 
- Pois não? – Ela disse, jogando o pano de prato sobre o ombro.
- Eu estou procurando por Ethan Bennet. – Darcy se pronunciou.
- E você é? – A senhora lhe inquiriu.
- Eu sou William Darcy. Noivo da filha dele, Elizabeth. – Darcy afirmou, conciso.
- No-noivo?! – A mulher balbuciou, aparvalhada. – Minha Lizzie está noiva?!
- Voc... A senhora é a mãe de Elizabeth? – Darcy questionou, surpreso.
- Ethan! – Mas a senhora o ignorou, dando-lhe as costas e saindo da frente da porta. – Ethan! Venha cá, imediatamente! – Ouviu-a gritar, escandalosa.
- O que é, mulher? – Uma voz masculina e profunda respondeu, um tanto irritada.
- Venha aqui, agora!
Um senhor de cabeleira espessa e branca, com olhar astuto, surgiu à sala e foi arrastado pela senhora até a porta.
- Ele... – Ela exclamou, exagerada, indicando Darcy. – Noivo da nossa filha. – Pontuou.
- Que loucura é esta, mulher? Ele não pode ser noivo da nossa filha. – O sr. Bennet contestou. – Jane está namorando Charles Bingley. E você o conheceu. Lembra-se? – Argumentou. – E este aí não é Charles Bingley. – Concluiu, olhando para Darcy.
William ia explicar, mas foi interrompido pela voz estridente da sra. Bennet.
- E Jane é sua única filha, homem? – Interrogando o marido exasperadamente.
O sr. Bennet fixou o olhar em Darcy, mudo.
- Eu sou William Darcy, noivo de Elizabeth. – William anunciou. 
Ninguém disse mais nada pelo minuto seguinte. Darcy tinha até dúvidas de que os pais de Elizabeth estavam respirando. 
- Posso entrar? – Darcy perguntou. 
- Mas é claro. – A sra. Bennet estendeu a mão para ele e o puxou para dentro, fechando a porta. – Por favor, sente-se. – Indicou o sofá. – Desculpe a bagunça. Não estávamos esperando visitas. – Declarou, apressando-se a recolher os jornais e revistas que estavam espalhados na mesinha de centro da sala e pelo sofá. 
Ela desapareceu com a montanha de revistas e jornais nos braços. Darcy se sentou, permitindo que o seu olhar percorresse o ambiente modesto a sua volta. Consciente de estar sendo estudado com bastante afinco pelo sr. Bennet.
- Posso lhe servir alguma coisa? – A sra. Bennet retornou, sem o pano de prato e sem o avental, arrumando os cabelos em um coque desleixado. – Um cafezinho ou chá?
- Um copo de água seria o suficiente. – Darcy respondeu e ela voltou a desaparecer, retornando com um copo de água para ele. 
- Você diz ser noivo de Elizabeth. – O sr. Bennet disse, desconfiado, indo ocupar a poltrona que ficava a frente do sofá. – Mas a minha filha nunca nos falou ao seu respeito. 
- Você sabe como a nossa filha é. Sempre guardando segredos de nós. – A sra. Bennet contestou o comentário do marido; recebeu de volta o copo de Darcy, após ele ter consumido o seu conteúdo. – Principalmente, quando o assunto é a sua vida amorosa. 
- Mas eu tenho certeza que a minha Lizzie me contaria se estivesse noiva de alguém, mulher. – O sr. Bennet contrapôs, lançando um olhar levemente irritado a sua esposa.
- Bem, o nosso noivado é bastante recente. E eu sei que ela queria lhes contar a novidade pessoalmente. – Darcy justificou, ganhando a total atenção de ambos. – Na verdade, ela não sabe que estou aqui. Eu vim a Eastbourne a trabalho. Pareceu-me errado estar aqui tão perto e não vim conhecê-los. Acho que estou tão acostumado a fazer tudo do meu jeito que me deixei levar... 
- Nós entendemos, querido. Não se preocupe. – A sra. Bennet disse, amável, sentando-se ao seu lado no sofá e fitando-o com grande expectativa.
- O seu sobrenome é Darcy? Você tem alguma relação com a Editora Darcy, por acaso? – O sr. Bennet o interrogou, bastante sério.
- Sim. Eu sou o dono e CEO da Editora Darcy. – William respondeu.
- Você é o patrão da minha filha? – A sra. Bennet se assombrou com a revelação.
- Ex-patrão, senhora. – Darcy explicou. – Elizabeth não trabalha mais para mim. 
-Agora eu entendo a mudança repentina de emprego. Especialmente um emprego que ela parecia adorar. – O sr. Bennet pontuou. – Foi por sua causa, não foi?
- Ela afirma que não, mas eu acredito que sim. – Darcy respondeu. – A sua filha é uma mulher cheia de princípios e ética. Creio que ela preferiu não misturar a relação de trabalho com a nossa relação amorosa. – Enquanto as palavras saiam de sua boca como mágica, Darcy começou a perceber que não estava mentindo. Apenas reafirmando em voz alta aquilo em que acreditava em seu íntimo. – Preferiu trocar de emprego antes que algo mais significativo acontecesse entre nós.
- Então a relação de vocês tem pouco tempo. – O sr. Bennet afirmou. – Faz pouco mais de um mês que Elizabeth está trabalhando na Editora Gardiner. 
- A relação, em si, pode ter pouco tempo. – Darcy argumentou. – Mas o nosso interesse mútuo veio amadurecendo com o convívio diário na Editora. 
- Ainda assim, é cedo para um noivado. Não concorda? – O sr. Bennet contestou.
- Ethan! – A sra. Bennet o censurou.
- Nós não estávamos planejando nos casar agora. Mas as circunstancias mudaram. – Foi a resposta de Darcy. 
- Quais circunstancias? – O sr. Bennet perguntou.
- Elizabeth está grávida. – Darcy respondeu, silenciando-os novamente.
Darcy temeu que o sr. Bennet fosse ter um colapso ali, porque o seu rosto ficou mais branco que os próprios fios de seu cabelo. Mas o sr. Bennet conseguiu se conter e permanecer racional, enquanto a sra. Bennet se descontrolava pelos dois. 
Quando Darcy deixou a residência dos pais de Elizabeth ao fim daquela manhã, após conseguir escapar do almoço com os sogros alegando compromissos pendentes em Londres, estava se sentindo confiante de ter conseguido dois aliados naquela batalha. Explicara aos pais de Elizabeth todos os seus planos para o futuro desta nova família que estariam formando e seus sogros concordaram com tudo que ouviram.
Agora só restava Elizabeth.
Darcy sabia que assim que ela tomasse conhecimento desta visita, viria confrontá-lo. E era exatamente isto o que ele queria, que ela parasse de evitá-lo e ignorar as suas ligações. Ele precisava convencê-la a se casar com ele e só conseguiria isto se ela aceitasse conversar com ele. 
#
Elizabeth olhou o display do celular, onde estava registrado o nome “Casa”. A sua mãe estava ligando para o seu celular de novo. Elizabeth acionou o dispositivo de “ignorar” e voltou a sua atenção ao seu trabalho. Mas o seu celular voltou a vibrar sobre a sua mesa. Sua mãe de novo. 
Elizabeth ponderou se devia ou não atender desta vez. Normalmente, a sua mãe só ligava para informar que lhe arranjou um “ótimo pretendente”. Desejando marcar um encontro entre a sua filha e este “excelente partido” para o mais cedo possível. E, uma vez que Elizabeth atendia ao telefone, não conseguia se esquivar das armações de sua mãe. Por isso, preferia evitar atender ao telefone quando ela ligava.
Geralmente, quando isto acontecia, a sra. Bennet persistia com os telefonemas por apenas três vezes. Se Elizabeth não atendesse, ela desistia por ora. Voltando a ligar outro dia. 
Mas hoje ela já havia ligado sete vezes consecutivas. E mesmo após Elizabeth ignorar cada uma das ligações, ela continuava a ligar de volta.
“Talvez tenha acontecido alguma coisa!”, Elizabeth pensou, pronta para atender ao telefone. Mas ponderou: “Se tivesse acontecido, Jane já saberia e ligaria para mim.”, e apertou de novo o botão de “ignorar”. Ficou observando o celular por um minuto, esperando que vibrasse de novo. Tomou um susto quando o telefone em sua mesa tocou ao invés do celular. Sua mãe sabia que não devia ligar para o telefone de seu trabalho, a não ser que algo grave houvesse acontecido. Acalmando-se, ao dizer a si mesma que não havia como ela ter certeza de ser a sua mãe ligando, estendeu a mão para o telefone. Atendendo à ligação.- Editora Gardiner, boa tarde. Como posso ajudar?- Elizabeth, menina, eu estou ligando para o seu celular há mais de meia hora! – Ouviu a voz estridente de sua mãe reclamar.
- Mamãe, qual é o problema? – Perguntou, angustiada. – Aconteceu alguma coisa com papai?
- Não. Mas podia ter acontecido, não é? Seu pai já não é nenhum jovenzinho para ficar levando estes sustos, sabia? – A sra. Bennet retorquiu.
- Mamãe, do que a senhora está falando? – Elizabeth indagou, sentindo um mau pressentimento. 
- Das suas surpresinhas cabeludas, de quê mais? – A sra. Bennet replicou, irônica. – Como você foi capaz de manter segredo de um assunto tão importante como este, menina?
Elizabeth suou frio, já adivinhando sobre o que ela estava falando. 
- Como a senhora descobriu? – Inquiriu. Sabia que Jane nunca revelaria o seu segredo.
- Ele veio aqui nos conhecer e nos contou tudo, não? – A sra. Bennet informou. – Pelo menos, um de vocês sabe ser responsável! – Reclamou. – Por quanto tempo mais você pretendia guardar segredo?
- Quem esteve aí e lhes contou tudo? – Elizabeth indagou, sem entender mais sobre o que sua mãe estava falando.
- O seu noivo, menina. Quem mais? – A sra. Bennet exclamou.
- Meu noivo? – Elizabeth disse, mas sua voz falhou. 
- Um homem muito bonito e distinto. – Sua mãe não ouviu e continuando a falar. – Você é mesmo uma caixinha de surpresas. Não só manteve em segredo o seu envolvimento com o seu patrão... ex-patrão – Se corrigiu. – Como também, o noivado e a gravidez. 
Elizabeth estava muda. Não acreditava no que estava ouvindo.
- Pois fique sabendo que você quase causou um ataque de coração ao seu pai. Precisava ter visto como ele ficou branco ao ouvir do seu noivo que você está grávida, quando ele esteve aqui esta manhã.
- William Darcy esteve aí? – Elizabeth perguntou. Estava sonhando. Pior, tendo um pesadelo!
- É claro, menina. Ou você está escondendo mais de um noivo? – Sua mãe respondeu, impaciente.
-Mamãe, eu tenho que desligar. – Elizabeth avisou, olhando a sua volta para se certificar que nenhum dos seus colegas de trabalho estava prestando atenção à sua ligação. 
- Mas o seu pai quer falar com você, menina. E nós ainda nem discutimos o seu casamento. Temos muito que conversar... com a cerimônia estando assim tão perto! – A sra. Bennet protestou.
- Não vai haver casamento algum, mãe. – Elizabeth resmungou.
- Como não vai haver casamento? – Sra. Bennet repetiu.
- Eu preciso desligar. A gente conversa mais tarde. – Elizabeth apressou-se a dizer e a desligar o telefone antes que sua mãe pudesse responder.
Ela ficou sentada, paralisada, tentando processar tudo o que ouvira.
“Eu não acredito que ele fez isso!”Determinada, ergueu-se de sua cadeira, pegou a sua bolsa e se dirigiu até a mesa da secretária do sr. Gardiner – que era a sua própria esposa, a sra. Gardiner. Informou-lhe que precisava sair do trabalho mais cedo para resolver um problema de família. Recebendo a sua permissão, rumou para a saída da Editora.
#
A sua assistente entrou em sua sala, anunciando que estavam apenas o aguardando para começar a reunião. Darcy ergueu-se de sua cadeira e contornou a sua mesa, seguindo a sra. Hill até a sala de reuniões. À porta da sala, a sra. Hill lhe deu a pauta da reunião, a qual estaria discutindo os planos para a Bienal do Livro no fim daquele mês.
Darcy entrou na sala de reuniões lendo rapidamente a pauta e seguiu a para a sua poltrona à cabeceira da mesa retangular. À sua entrada, as conversas paralelas entre os seus subordinados cessaram. Darcy estava prestes a se sentar e dar início à reunião, quando a porta da sala se abriu com um estrondo e ela entrou, fazendo com que todas as cabeças virassem em sua direção.
#
O elevador parou e uma voz monótona de mulher anunciou:
- 55º andar. –Num tom cantado.
As portas se abriram e Elizabeth saiu do elevador, percorrendo os corredores da Editora Darcy com determinação. Sabia exatamente onde encontrá-lo e nada, nem ninguém iria impedi-la de lhe dizer umas boas verdades. Ao se aproximar da sala dele, o viu acompanhando a sua assistente pelo corredor, seguindo na direção contrária a dela. Elizabeth apressou os seus passos, mas não o alcançou antes de ele atravessar as portas duplas ao fim do corredor e sua assistente fechá-las após a sua passagem. Elizabeth continuou a sua perseguição, ignorando a assistente de Darcy quando a sra. Hill tentou detê-la.
- Srta. Bennet, que surpresa... – Ela dizia ao ver Elizabeth se aproximar. – Espere! A senhorita não pode entrar aí. – Disse, alarmada, quando Elizabeth a ultrapassou e rumou para as portas duplas. Elizabeth empurrou as portas sem delicadezas e foi entrando sem pedir licença. Não enxergando nada, nem ninguém além de Darcy.
- Sr. Darcy, perdoe-me. Eu tentei impedi-la. – A sra. Hill vinha logo atrás, afoita.
- Quem lhe deu permissão para ir à casa dos meus pais lhes dizer que nós estamos noivos? – Elizabeth gritou com ele, atravessando a sala de reuniões, caminhando em sua direção. 
Darcy largou a pauta sobre a mesa e veio ao seu encontro com passos largos. Ao invés de rebater a sua acusação, como Elizabeth esperava, ele ergueu as duas mãos até o seu rosto, prendendo-a, e a beijou com ímpeto. Tomando Elizabeth de surpresa e deixando-a sem reação.
Ao final do beijo, ele soltou o seu rosto unicamente para enlaçá-la pela cintura e voltá-la de frente para a sala, e seus demais ocupantes.
- Por favor, perdoem a minha noiva. Ela está um pouquinho nervosa. – Pronunciou, tranquilo e charmoso, para uma sala cativa.
Elizabeth olhou a sua volta e viu vários rostos conhecidos, inclusive Caroline Bingley, a editora chefe, Charlotte Lucas, a supervisora do Departamento de Recursos Humanos, sr. Collins, o supervisor do seu antigo Departamento, e George Wickham, do Departamento de Marketing. Todos os observavam, boquiabertos.
- Se vocês nos derem licença, nós vamos ter a nossa conversa em um lugar mais reservado. – Darcy proclamou, com o mesmo tom controlado. 
E imediatamente começou a guiar Elizabeth para fora da sala de reuniões. Praticamente a arrastou pelo corredor até a sua sala, com o corpo dela colado ao seu pelo braço que a prendia envolta de sua cintura, ignorando os olhares curiosos das pessoas a sua volta. 
Assim que ele fechou a porta às suas costas, Elizabeth se desvencilhou de seu aperto e começou a extravasar as suas frustrações, furiosa:
- Você é o homem mais vil, dissimulado e manipulador que eu já conheci! – Voltando-se de frente para ele, completou. – Escute bem o que vou lhe dizer: eu não vou me casar com você!
Darcy a segurou pelos dois braços e a puxou para si. Elizabeth só reconheceu o brilho ardente em seus olhos quando era tarde demais e ele tinha conseguido pressionar os lábios másculos sobre os seus, beijando-a com paixão. Os seus braços a envolveram pela cintura e a pressionaram contra o seu corpo rígido, permitindo-a sentir cada um dos seus músculos tensos por debaixo do terno feito sob medida.
Quando Elizabeth percebeu que estava permitindo ser subjugada por ele, tentou resistir. Principalmente, quando sentiu que aquele beijo estava revolvendo um sentimento em seu íntimo que ela estava fazendo de tudo para ignorar.
Lutando com Darcy, ela conseguiu interromper o beijo e sair de seus braços. Já que, por mais que desejasse tê-la presa em seus braços, Darcy não tinha a intenção de machucá-la para conseguir isto. 
Elizabeth estava sem ar e zonza. Por isso cambaleou para longe dele, procurando algo em que se apoiar. Tinha fechado os olhos para conseguir se acalmar e reassumir o controle de si mesma, implorando para que a sala parasse de girar, quando sentiu a mão dele se fechar em seu braço e Darcy a sustentar de pé. 
Podia ouvir a voz dele distante, soando preocupada.
- O que foi? O que está sentindo? – E ficando mais alta e clara a cada instante. – Maldição, Elizabeth! Por que não me disse que estava passando mal?
- Eu estou grávida, seu lesado! – Refutou, enraivecida, ao abrir os olhos e fitá-lo. – É normal sentir tonturas.
- Sente-se. – Ele ordenou, guiando-a até uma poltrona.
Elizabeth não protestou. Ela realmente precisava se sentar, pelo menos até que suas pernas pudessem sustentá-la sozinhas após aquele beijo devastador.
Darcy trouxe um copo de água para ela, que Elizabeth também aceitou, solvendo o seu conteúdo aos poucos. À medida que bebia tudo, o seu coração voltava a bater em um ritmo menos acelerado.
- Eu vou te levar para casa. – Darcy afirmou, autoritário.
- Vim com o meu próprio carro. – Elizabeth contestou.
- Como se eu fosse permitir que você dirigisse neste estado! – Ele esbravejou. Quando ela abriu a boca para rebater, ele a interrompeu. – Não vamos discutir. É melhor para o bebê se você não ficar nervosa.
- Como se você realmente se importasse. –Ela resmungou. 
Darcy ignorou o seu comentário sarcástico. Voltando a segurá-la pelo braço, ajudou-a a ficar de pé e a guiou para fora da sua sala. Encontrando a sra. Hill ali por perto, assim como a porta da sala de reuniões aberta e Caroline Bingley e George Wickham parados enfrente a ela, olhando em sua direção. 
- Sr. Darcy, a reunião... – A sra. Hill começou a dizer.
Darcy a interrompeu.
- Cancele, mande prosseguir sem mim, faça o que bem entender. – Com o tom de voz mortal. – Eu vou embora e não volto mais hoje.
E, sem delongas, Darcy guiou Elizabeth em direção ao elevador.
#
Elizabeth abriu a porta de seu apartamento e entrou. Estava preste a fechar a porta na cara de Darcy, mas ele a impediu. Segurando a porta aberta.
- Oh por favor, vá embora. – Elizabeth choramingou. – Eu não tenho mais energias para discutir com você hoje.
- Nós precisamos conversar. – Darcy declarou, entrando no apartamento contra a sua vontade e fechando a porta às suas costas.
Elizabeth se apressou a se afastar dele, seguindo em direção ao sofá, murmurando:
- Não, não, não, não, não...
Largou a bolsa sobre a mesinha de centro, se jogou sobre o sofá e começou a retirar os sapatos. Por fim, recostou-se no sofá, fechou os olhos e respirou fundo.
Darcy se aproximou dela, contornando a mesinha de centro e sentando-se nela, de frente para Elizabeth. Curvou-se para frente, alcançou os seus calcanhares e puxou os pés dela para o seu colo, começando a massagear um pé. 
Os olhos de Elizabeth se arregalaram instantaneamente. E ela exclamou.
- O que você está fazendo?
- Tentando fazê-la ficar confortável. – Ele respondeu.
- Não se incomode. – Ela rebateu, retraindo os pés e pondo-os no chão. – Eu mesma cuido do meu conforto. Apenas vá embora.
Mas ele não se mexeu.
- William, por favor. Vá. – Ela repetiu o seu pedido, sem o efeito desejado.
- Por que você não quer se casar comigo? – Ele a questionou.
- Você está brincando? – Ela indagou, sorrindo sem humor algum.
- O nosso casamento tem tudo para dar certo. – Ele protestou.
- Você está ouvindo o que está dizendo? – Elizabeth exclamou, exasperada. – Como um casamento entre nós dois poderia dar certo? Para começo de conversa, nem seria uma casamento de verdade! Nós estaríamos nos casando por causa do bebê e um casamento de fachada hoje em dia não faz nenhum sentido.
- Nosso casamento não seria de fachada. – Darcy afirmou. – Por que não poderíamos ter um casamento de verdade? Se há uma coisa que já ficou provado é que somos compatíveis na cama...
- Um casamento não se resume a sexo, William. – Elizabeth interrompeu seus argumentos. – É preciso ter afeto mútuo e confiança. Você não confia em mim e eu não confio em você.
- Nós podemos aprender a confiar e estimar um ao outro com o tempo. – Ele argumentou. – Case-se comigo. – Pediu.
Quando ela tentou responder, ele a interrompeu.
- Não diga nada agora. Pense e me responda depois. 
E, pondo-se de pé, ele foi embora.
#
- Pai, ...as coisas não são assim tão simples. – Elizabeth procurou as palavras certas para explicar ao seu pai a sua situação. Mas nem mesmo pelo telefone, sem ter de encarar o seu pai nos olhos, conseguia se decidir quanto ao que lhe dizer. – William e eu... Nós não temos uma relação...
- Eu sei. – O seu pai a interrompeu. – Ele explicou tudo direitinho quando esteve aqui esta manhã. Eu sei que se a situação fosse outra, vocês não estariam com tanta pressa de se casar...
- E o senhor, como a mamãe, é a favor deste casamento? Acha que eu devo me casar só porque eu estou grávida? – Elizabeth indagou, receosa.
- E você estaria se casando só porque está grávida, Lizzie? Ou por que tem sentimentos profundos por este homem? – Sr. Bennet retorquiu. – Eu lhe conheço, minha filha. Sei que você não se envolveria com o seu próprio chefe só por causa de uma atração física. 
- Ele não é meu chefe. – Elizabeth contestou, fugindo da pergunta principal. 
- Sim. Não é mais. – Seu pai replicou. Fez uma pausa, depois perguntou. – Seja sincera comigo, e com você mesma: você o ama?
- Deus... – Elizabeth murmurou, suspirando, desesperada. Por mais que ela o odiasse, não conseguia deixar de amá-lo. – Ele só está se casando comigo por causa do bebê! – Ela protestou, evadindo mais uma vez a pergunta do pai.
- Hoje em dia, ninguém mais se casa contra a sua vontade por causa de filho. – Seu pai argumentou. 
- Pai... – Elizabeth tentou contrapor, mas o sr. Bennet a interrompeu.
- O homem que esteve aqui esta manhã, dizendo a sua mãe e a mim que irá se casar com você, não é um homem que está se casando forçado por causa de uma gravidez.
Será que ela poderia acreditar nas palavras do pai? Poderia William Darcy ter sentimentos verdadeiros por ela?Elizabeth sabia que o seu pai nunca mentiria para ela num assunto tão sério como este. Mas ele podia estar enganado; afinal de contas, não conhecia tão bem Darcy para poder dizer com segurança o que se passa em sua mente. E, mais importante, em seu coração.

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