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Gostar de dançar é certamente a primeira etapa antes de se apaixonar. (Jane Austen)

Por Uma Noite Apenas - Capítulo VIII

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CAPÍTULO 8

Darcy chegou ao prédio em que Elizabeth mora às 20H. Parado enfrente a porta do seu apartamento, conseguiu ouvir um barulho suave de música vindo de dentro do seu apartamento. Sinal de que ela estava em casa. Bateu a porta e aguardou, antecipando a surpresa dela ao vê-lo.

Charles Bingley abriu a porta, para a sua surpresa.

- Charles? O que você está fazendo aqui? – Não conseguiu refrear o seu espanto, muito menos sua contrariedade.

- Ora, William, o mesmo que você, não? Eu vim para a festa de aniversário de Lizzie! – Seu amigo respondeu, à vontade e sorrindo, convidando-o a entrar. – Fui eu quem lhe mandou o e-mail convidando-o para a festinha, ou você não prestou atenção nisso?

- Não... E-eu... Esquece! – Resmungou.

- Está vendo? Está todo mundo aqui, praticamente. – Charles comentou.

E, ao observar o apartamento de Elizabeth, viu que havia várias pessoas da Editora ali, além de outros convidados. Umas pessoas ele conhecia, como a sra. Hill, sua assistente, e outras nunca vira antes.

- Eu convidei Caroline, mas ela não quis vir. Disse que seria uma perda de tempo. – Charles acrescentou, com tom de voz reservado. – Estava convencida de que você não viria.

Darcy estava pensativo. Era obvio que os seus planos com relação à Elizabeth teriam de ser adiados graças a esta festa de aniversário. Condenou-se por não saber que era o aniversário dela e imaginar que algo assim poderia estar acontecendo. E, mais ainda, por não ter lhe trazido nenhum presente.

Sim, porque sabia exatamente o que lhe dar. Pouco tempo depois do ataque daquela noite em seu escritório, comprou para Elizabeth um conjunto de colar, brincos e anel diamantes, com uma pedra preciosa âmbar oval incrustada. Peças únicas, delicadas e simplesmente lindas.

Entretanto, desistiu de presenteá-la, porque considerou a possibilidade de Elizabeth encarar aquele presente como um suborno por sua atitude naquela noite. E, se ele fosse sincero consigo mesmo, teria que admitir que elas eram mesmo um suborno.

Por isso, as joias ainda estavam em sua casa, na gaveta do criado mudo ao lado da sua cama. Guardadas, esperando...

- William! – Ouviu a voz suave da namorada do seu amigo e sorriu automaticamente para a figura esbelta de Jane se aproximando. – Que bom que você veio!

- Oi, Jane. – Cumprimentou-a com um aperto de mão cordial. – Como vai?

- Eu estou ótima. – Jane replicou, amável, quando Charles enlaçou a sua cintura e trouxe o seu corpo de encontro ao dele. – E você?

- Eu estou bem, obrigado. – Darcy afirmou, distraído; olhando a sua volta, procurando por Elizabeth.

- Trabalhando muito, como sempre, eu diria. – Charles ressaltou, alfinetando-o.

- Tenho certeza que Jane entende a minha situação, já que se encontra numa posição muito parecida com a minha. – Darcy se defendeu, lembrando ao amigo que a sua namorada era uma empreendedora.

- A minha floricultura não se compara com a sua Editora, William. – Jane observou, modesta. – Eu sou uma mera vendedora, enquanto você é um executivo.

- O trabalho de administrar os negócios continua sendo o mesmo. – Darcy não aceitou a sua justificativa.

E, mais uma vez, observou as pessoas a sua volta, procurando por Elizabeth.

- Lizzie logo virá aqui, recebê-lo. – Jane comentou. – Ela precisou ir ao quarto, mas logo estará de volta.

Darcy não se deixou constranger por Jane perceber sua inquietação, comentando.

- Bonito apartamento. – “Idiota! Não conseguiu pensar em coisa melhor para dizer!”, criticou-se mentalmente. Odiava conversa fiada e agora precisava recorrer a ela.

- Obrigada. – Jane respondeu, sem parecer desconfiada. – Nós moramos aqui desde que Lizzie estava concluindo a faculdade.

- Você também mora aqui? – Darcy questionou-a, surpreso.

- Eu não lhe contei que Jane e Lizzie dividem o apartamento? – Charles questionou o amigo.

- Não que eu me recorde. – Darcy respondeu.

- Jurava que tinha comentado. – Charles disse, pensativo; perguntando-se se era muito esquecido, ou se realmente o fizera e Darcy não estava prestando atenção.

- O que ele está fazendo aqui? – Darcy interrompeu os seus pensamentos, chamando a atenção do amigo para outra pessoa.

Um homem que estava conversando com duas mulheres loiras, as quais Darcy tinha uma vaga impressão de já ter visto antes no prédio da Editora, talvez nos elevadores.

- Ahh, William, por favor, relaxe. – Charles pediu. – Seu irmão também foi convidado.

Como que pressentindo que estavam falando dele, George Wickham olhou na direção de Darcy. E, sorrindo, atravessou a sala, vindo em sua direção. Darcy imediatamente esquivou-se de Charles e Jane, acercando-se de Wickham.

- Não esperava vê-lo aqui, William. – George comentou, tranquilo; tinha uma garrafa de cerveja na mão e bebia esporadicamente de seu gargalo.

- E nem eu, a você. – Darcy retribuiu o cumprimento, frio.

- Vamos ver, você veio para a festa de aniversário da irmã da namorada de seu amigo para fazer uma média com Charles. – Afirmou, adivinho. – Vai ficar aqui por uns dez minutos, inventar uma desculpa qualquer e ir embora. – George afirmou, debochado. – Bom, pelo menos o meu motivo para estar aqui é muito melhor que o seu. – Acrescentou, divertido. – E está bem ali! – Indicou Elizabeth.

Ela estava ainda mais irresistível que Darcy podia se lembrar. Vestia uma calça jeans cigarrete azul marinho, uma blusa de cashmere violeta e botas de cano alto café. Os cabelos castanhos escuros dançavam sobre o seu ombro e recaiam como ondas em suas costas.

- Se você me der licença, vou ali cumprimentar a aniversariante. – George disse, dispensando-o.

E Darcy assistiu ao seu meio-irmão abordar a sua mulher com um abraço apertado e um beijo demorado no pescoço. Arrancando uma risada gostosa de Elizabeth com o que quer que tenha lhe dito ao ouvido.

Foi como levar um banho de água fria!

Darcy imaginava que Elizabeth e George deviam ter algum contato, já que George trabalha no Departamento de Marketing da Editora e, ao invés de trabalhar, passa a maior parte do tempo nos corredores, paquerando as funcionárias. Mas não podia imaginar que a relação entre eles fosse assim tão... íntima.

Então, Elizabeth o viu e as suas faces, que antes estavam rosadas de divertimento, empalideceram, e o seu sorriso desapareceu de seus lábios. Darcy se sentiu como se levasse um soco no estômago.

Ainda assim, caminhou em sua direção. Precisava tirá-la de perto do seu meio-irmão. Nunca se considerara egoísta, mas não tinha a mínima intenção de dividi-la com ele. Ou com quem quer que fosse!

Como se tivesse adivinhado seus pensamentos, Elizabeth distanciou-se de George e continuou a olhar em sua direção, esperando a sua abordagem. Ao alcançá-la, Darcy levou uma mão a sua cintura, apertando a carne possesivamente, e inclinou-se sobre ela, dando-lhe um beijo no rosto – casto, porém significativo.

Queria lhe dizer: “Senti sua falta na cama hoje de manhã!”. Ao invés, disse:

- Feliz aniversário, Elizabeth! – Com a voz profunda, ao afastar-se lentamente, sem quebrar a troca de olhares.

- O-obrigada, sr. Darcy. – Ela respondeu, nervosa.

Darcy se paralisou momentaneamente com a mão ainda em sua cintura, diante de tamanho formalismo de sua parte. E apressou-se a retirar sua mão em seguida, contrariado.

- Ora, Lizzie, ele já não é mais o seu patrão, pode se dirigir a ele por William. – George se intrometeu, folgado. – Ele não se incomoda, não é, Will?

George o perturbou, sabendo que Darcy não gostava que ele usasse o apelido que apenas a sua irmã mais nova, Georgiana, usava ao se dirigir a ele.

E achou irônico que George estivesse ali dando permissão a Elizabeth para se dirigir a ele com mais intimidade, quando menos de 24 horas atrás ela estivera em seus braços, nua, gemendo o seu nome sem nenhum tipo de constrangimento.

Os seus pensamentos deviam estar escrito em seus olhos, porque ela logo ficou corada diante de seu olhar fixo.

- Você pode me chamar do que quiser. – Disse a ela, com a voz rouca, sem desviar o seu olhar.

Ela ficou ainda mais ruborizada e Darcy podia ver aquela mesma veia pulsando descontrolada em seu pescoço, despertando um desejo louco nele de morder o seu pescoço bem ali.

Percebeu também que George estava ficando inquieto ao seu lado e ficou satisfeito com isso.

- E-eu... Você não está bebendo nada? – Ela disse, pestanejando para encontrar algo para lhe dizer. – Temos cerveja, vinho e... Temo que não tenha nada mais forte. Mas posso ir ver na cozinha. – Ofereceu, apressando-se a sair dali.

Darcy não hesitou a segui-la, desviando dos outros convidados em seu caminho até a cozinha, ocasionalmente cumprimentando aqueles que conhecia com um aceno de cabeça.

Ao atravessar a porta da cozinha, a encontrou parada diante da porta da geladeira, com uma garrafa de cerveja em uma mão e outra de vinho na outra mão. Ela fechou a porta da geladeira com o quadril, caminhou até o balcão da pia, onde depositou as duas garrafas para poder pegar o copo para servir a bebida para ele. O tempo todo inconsciente de estar sendo observada por ele.

- Não precisa do copo. – Chamou sua atenção, fazendo-a pular de susto e voltar-se para fitá-lo. – Eu aceito a cerveja.

Desta vez, a expressão de cordeirinho assustado no rosto de Elizabeth não desanimou Darcy. Pelo contrário, parecia ter despertado o animal selvagem dentro dele, que rugiu satisfeito ao constatar que estavam completamente sozinhos ali.

Darcy colocou a mão dentro do bolso da calça, fechando os dedos envolta da echarpe e, enquanto caminhava decidido em sua direção, puxou o pedaço de seda ameixa de dentro do bolso.

- Você esqueceu isto. – Disse, ao parar a sua frente e passar a echarpe envolta de seu pescoço; segurando-a com as duas mãos, mais ainda sem usá-la para puxar Elizabeth para si. Como, ele tinha certeza, ela sabia que era o que ele pretendia.

Lentamente, sem desviar os seus olhos do dela, Darcy se inclinou e capturou seu lábio inferior com os dentes, arrancando-lhe um gemido abafado. Mas, antes que pudesse aprofundar o beijo, ouviram vozes se aproximando. E, como que por reflexo, Elizabeth ergueu a mão até a echarpe, arrancando-a de seu pescoço e das mãos de Darcy. Em seguida, empurrou uma garrafa de cerveja nas mãos de Darcy, fazendo-o dar um passo para trás diante da veemência de seus atos.

Darcy olhou por sobre o ombro para ver quem entrava na cozinha, constatando se tratar das duas mulheres loiras que estiveram conversando com George assim que chegara. Ao voltar o rosto na direção de Elizabeth, viu o momento em que ela abria uma porta do armário de pratos e enfiava a echarpe lá dentro, fechando a porta em seguida.

Ao virar-se de frente para ele novamente, Darcy viu que Elizabeth estava ainda mais ruborizada que antes e que aquela veia errática estava vibrando enlouquecida em seu pescoço. E não pôde evitar o meio-sorriso cafajeste que surgiu em seus lábios, satisfeito em saber que era responsável por isso.

- William, estas são Lydia Schmith e Catherine Pike. – Elizabeth apressou-se a apresentá-lo às duas mulheres que os observavam com interesse, como se adivinhassem o que estivera acontecendo naquela cozinha. – Elas são minhas vizinhas... Moram no andar de baixo. – Elizabeth continuou a balbuciar, nervosamente. – E são assistentes executiva de Margot Cavendish, editora da revista Charisma, que fica no 38º andar do mesmo prédio da Editora Darcy.

- Muito prazer. – Darcy as cumprimentou com um cordial aperto de mão.

- O prazer é nosso. – Lydia afirmou.

- Com certeza. – Catherine concordou, ambas sorrindo para Darcy com bastante charme.

George entrou na cozinha neste momento e uma conversa sem importância se desenrolou entre eles pelos próximos dez minutos. George não perdia uma oportunidade de flertar com as três mulheres em sua frente, mas parecia fazer um esforço maior para agradar Elizabeth. O que deixou Darcy desconfiado.

Elizabeth, por fim, os convenceu a voltar para a sala. Darcy não tinha a intenção de sair de seu lado. Ao cruzarem a porta da cozinha, foram abordados por Charles e Jane novamente.

A conversa evoluiu melhor com o acréscimo do casal e, em pouco tempo, as duas loiras se distanciaram. Mas George continuou presente, irritando Darcy.

- Como vai a publicação do seu livro, Lizzie? – Charles questionou, despertando o interesse de Darcy. – Quando será o lançamento?

- Vai demorar um pouco, porque acabei de assinar o contrato com a Editora Gardiner. – Ela respondeu, sorrindo.

- Você escreveu um livro? – Darcy não soube disfarçar o seu espanto com a novidade.

- Sim. – Ela respondeu, simplesmente, deixando de sorrir.

- Lizzie começou a trabalhar neste livro ainda na época de faculdade. – Jane comentou, orgulhosa das conquistas da irmã.

- E por que não mostrou o manuscrito lá na Editora para ser publicado? – Darcy interrogou Elizabeth, intrigado.

- Não é o tipo de livro que vocês publicam. – Ela replicou, evasiva.

- Nós publicamos todos os tipos de livros, Elizabeth. – Darcy contestou, insatisfeito com aquela aparente discriminação.

Mas Elizabeth não se dignou a lhe dar uma réplica. Apenas encolheu os ombros e, pedindo licença, afastou-se, indo ao encontro de Charlotte Lucas do outro lado da sala. Darcy assistiu o seu progresso em silêncio, desconfiado de que ela estava lhe escondendo alguma coisa.

Ficou ainda mais contrariado quando George despediu-se e a seguiu até o outro lado da sala, intrometendo-se na conversa que Elizabeth travava com Charlotte. E por mais que quisesse fazer o mesmo, soube que não poderia fazê-lo sem deixar bem evidente que estava a seguindo aonde quer que ela fosse.

Teria paciência, ela seria dele novamente ainda hoje! E constatou que a sua promessa de que levaria Elizabeth para a sua casa, para a sua própria cama, teria de esperar por outra oportunidade.

Darcy circulou pelo apartamento, trocando meia palavra com alguns conhecidos. Disfarçando a sua intenção de se reaproximar de Elizabeth. Conseguiu ter sucesso em sua tática algumas vezes, chegando a participar do mesmo grupo e trocar algumas palavras corriqueiras no meio da conversa. Mas nada significativo. E, por ser a aniversariante, Elizabeth precisava dar atenção a todos convidados, impedindo-a de permanecer em um lugar só por muito tempo.

Entretanto, não importava se estava ao seu lado ou do outro lado da sala, sempre que olhava em sua direção, encontrava o seu meio-irmão ao seu lado. Sempre atencioso, divertido e galanteador. E embora não visse claro sinal de encorajamento da parte de Elizabeth, também não identificava nenhum indício de contrariedade. Pelo contrário, ela parecia muito à vontade em sua companhia – alegre e receptiva às suas atenções.

Estava ruminando estas ponderações, enraivecido em um canto, observando-os conversando do outro lado da sala com as duas loiras – Lydia e Catherine; quando a voz de sua assistente lhe chamou a atenção.

- Eu ainda não entendi por que Lizzie decidiu deixar a editora Darcy para ir trabalhar na Editora Gardiner. Se sequer vai ocupar cargo melhor que o que ocupava na Editora Darcy ou e nem irá receber aumento de salário.

- Ela não deu muita explicação quanto a isso, apenas disse que precisava de uma mudança. Que se sentia estagnada e a nova Editora parecia uma aventura emocionante. – Charlotte Lucas afirmou. – Além do mais, na Editora Gardiner ela vai ter a vantagem de não ter mais de trabalhar com o antigo Supervisor de Departamento dela, o sr. Collins.

Ao ouvir este comentário, Amélia Hill riu baixinho. O que fez Darcy se perguntar se aquela indisposição com o sr. Collins fosse apenas devido à personalidade intratável do homem ou a algum fato em particular.

- Sem falar que ela também conseguiu assinar o contrato de publicação de seu livro. – Charlotte prosseguiu com o seu comentário.

- Verdade. – A sra. Hill concordou.

Após uma pausa, Charlotte acrescentou, em tom de voz reservado.

- O que poucas pessoas sabem é que Lizzie tentou mostrar o livro dela lá na Editora, mas o sr. Collins frustrou suas tentativas.

“Aha! Eu sabia que tinha alguma coisa aí!”, Darcy pensou.

- Ele fez um comentário muito baixo, menosprezando o seu trabalho sem nem mesmo lê-lo. – Charlotte continuou. – E, embora Lizzie não tenha o costume de se deixar abater com criticas alheias, o livro dela é um tema delicado para ela. Afinal, ela dedicou muito tempo e esforço nele. E se sentiu suscetível às criticas de Collins e desistiu de mostrar o livro às outras pessoas da Editora.

- Quem sabe não foi por isso que ela pediu demissão? – A sra. Hill ponderou.

- Pode ser. – Charlotte concordou.

Darcy continuou prestando atenção na conversa das duas mulheres, mas nada de mais de interessante a respeito de Elizabeth foi declarado. Então, Darcy perdeu o interesse e voltou a circular pela festa.

Perguntava-se quando as pessoas iriam embora e ele poderia ficar a sós com ela.

Era pouco depois da meia noite quando os primeiros convidados começaram a ir embora. 02H 15min restavam somente ele, Jane, Charles, Charlotte, George, Lydia e Catherine.

Darcy decidiu tentar uma nova tática e disse que estava indo embora, talvez assim encorajasse os outros a seguir o seu exemplo. Funcionou com algumas pessoas. Charlotte declarou que também estava de saída, assim como as duas loiras vizinhas de Elizabeth.

Darcy não gostou do fato de George decidir prolongar sua estada, mas como Charles ainda estava ali, decidiu não fazer uma cena ao forçar o seu meio-irmão a ir embora também. Assim como entendia que cabia a Elizabeth fazê-lo entender que ele já estava se excedendo.

Saiu do apartamento dela com as três mulheres e tomaram o elevador juntos. Mas somente ele e Charlotte saíram do prédio. Cada um seguiu para o seu carro e Darcy aguardou com o carro ligado o momento em que Charlotte iria embora. Em seguida, desligou o carro e esperou.

George teria de ir embora a algum momento e Darcy torcia para que Charles também fosse, de preferência levando Jane consigo. Assim poderia ir até o apartamento de Elizabeth, bater a sua porta e prosseguir com o seu plano inicial para aquela noite.

Mais meia hora se passou, até que ouviu as vozes de quatro pessoas. Riam. Logo em seguida, Charles surgiu abraçado a Jane. Elizabeth veio logo atrás, seguida por George. Elizabeth acompanhou a irmã e o cunhado até o carro de Charles, despedindo-se deles sem demora. Fez o mesmo com George e voltou-se em direção ao seu prédio.

Não tinha nem começado a se afastar, quando George chamou-a. Ela parou e esperou que ele se reaproximasse. Eles trocaram algumas palavras enquanto Charles ligava o carro e ia embora, levando Jane consigo.

Darcy fechou os dedos sobre o volante, até que os nós dos dedos ficassem brancos de tensão. Dizia a si mesmo, em pensamento: “Mande ele ir embora, Elizabeth! Mande-o embora!”.

Elizabeth finalmente deu as costas a George e seguiu para dentro de seu prédio, deixando o seu meio-irmão a observá-la com uma cara de tacho ao ser sumariamente dispensado.

George finalmente caminhou até o seu próprio carro, abriu e entrou. Darcy se encheu de expectativa, aguardando o instante em que ele ligaria o carro e iria embora. Mas George voltou a abrir a porta do carro e a descer, seguindo em direção ao prédio de Elizabeth.

O estômago de Darcy deu uma reviravolta. Será que ele não iria desistir? Ponderou se deveria descer do carro e ir atrás de George. Por um lado, dizia a si mesmo que tinha de fazê-lo. Por outro, perguntava-se se o fato de ter dormido com Elizabeth lhe garantia algum direito sobre ela.

Enquanto tentava se decidir, permaneceu no carro, esperando que o irmão voltasse a sair. O que ele nunca fez. As luzes do apartamento de Elizabeth finalmente se apagaram e nenhum sinal de George.

Darcy ficou ali, olhando para o andar do apartamento dela, vendo as luzes apagadas, perguntando-se se Elizabeth estaria dando ao seu meio-irmão o mesmo tratamento especial que lhe dera na madrugada anterior.

Furioso, Darcy ligou o carro e foi embora.  Prometendo nunca mais se submeter a uma situação desta. Elizabeth apenas comprovou o que ele sempre soube desde que criança: mulher nenhuma valia o sacrifício!

#

George bateu a porta e aguardou alguns instantes. A porta se abriu e Lydia o fitou, sorridente. Estava vestida com uma camisola sensual preta, de rendinhas, que deixava muito pouco a imaginação.

- Já estava pensando que não viria nunca. – Declarou, estendendo a mão e puxando-o para dentro do apartamento. Fechando a porta em seguida.

#

Elizabeth olhou o seu apartamento. Começou a juntar as garrafas de cerveja e copos espalhados na sala e levar para a cozinha. Não tinha a intenção de arrumar tudo agora, mas queria deixar o apartamento com uma aparência relativamente organizada.

Lembrando-se da echarpe, abriu o armário e a pegou de volta. Por fim, retornou para a sala e desligou o rádio. Ficou de pé no meio da sala, parada, segurando a echarpe e olhando a porta. Esperando...

Rindo de si mesma, perguntou-se o que estava esperando? Ele tinha ido embora. Fora levar sua irmã, cunhado e George até o carro apenas para se certificar de que o carro de Darcy não estava ali, conferir se ele tinha mesmo ido embora. E o carro não estava, ele tinha ido. Não tinha porque ficar esperando que ele batesse a sua porta agora.

Desligou a luz da sala e seguiu para o seu quarto.

 

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