POR UMA NOITE APENAS
POR ROSANA LOPES
CAPÍTULO I
Elizabeth Bennet subiu o elevador até o 55º andar do edifício comercial no centro financeiro de Londres, onde, até as dezoito horas daquela sexta-feira, costumava trabalhar. Embora hoje tivesse sido seu último dia no emprego na Editora Darcy, ainda havia negócios pendentes para resolver. Se William Darcy aceitasse o provocativo jogo de sedução que ela tinha em mente, esta noite eles iriam entrar num terreno proibido.
Havia tentado negar à química e à atração existente entre os dois, a qual vinha se tornando cada vez mais forte nos últimos meses. Darcy é um homem muito sério e introvertido. Nunca ultrapassara os limites do extremo profissionalismo com nenhuma de suas funcionárias; nem mesmo com aquelas que não hesitavam em demonstrar seu interesse por ele.
Pelo menos, não até aquela noite.
Elizabeth suspirou ao pensar naquela noite. Nunca passara por sua cabeça que aquele homem escondia sob a fachada de frieza e indiferença uma paixão ardente por ela. Sequer conseguia imaginar que ele a enxergasse como mulher, tampouco que era o objeto de seu desejo – como ele confessara naquela noite, entre beijos sedentos e gemidos arrepiantes.
Quando ela poderia ter imaginado que ao ir ao evento de promoção de um livro de um novo autor recém-afiliado a Editora e se esconder da companhia exaustiva do Sr. Collins, seu supervisor atrevido, em uma sala, encontraria o dono da Editora ali?
Elizabeth abrira a primeira porta que encontrou em seu caminho e entrou na sala, fechando a porta rapidamente e escorando-se a ela; fechou os olhos e suspirou pesadamente. Só para ser arrancada daquela sensação confortável de alívio pela voz rouca e profunda de Darcy.
- Fugindo de quem, Srta. Bennet?
Ela pulou de susto, procurando pela origem daquela voz. E o viu, de pé atrás de sua mesa, de perfil, enfrente a enorme janela envidraçada com a vista para o Rio Tâmisa. E ficou petrificada! Não só invadira a sala do dono da Editora sem nenhum aviso, no seu desespero de fugir do Sr. Collins. Como também não notara a sua presença ali.
Oh, como? Como eu fui me enfiar nesta fria?
- Então? – Ele persistiu em sua pergunta. Virando-se totalmente de frente para ela e começou a contornar a sua mesa.
Seu longo e penetrante olhar percorrendo a sua figura, por fim detendo-se em seu olhar. O pequeno sorriso que surgiu em seus lábios transparecia pura satisfação.
Elizabeth sentiu seus joelhos cederem e sua mente ficar nublada. Um alarme de perigo soou em sua mente. Mas não havia nada que ela pudesse fazer. O seu corpo simplesmente se recusava a atender aos comandos do seu cérebro.
Ele ergueu o copo de uísque até os lábios, sorveu o resto do líquido e depositou o copo sobre a mesa. Com poucos passos, longos e firmes, estava parado a sua frente.
Elizabeth tentou se explicar. Mas, ao abrir a boca, conseguiu apenas proferir um som estrangulado. E limitou-se a encará-lo, boquiaberta e muda. Sentindo o seu coração bater selvagemente em seu peito.
Ele ergueu a mão até o seu rosto, queimando-a com o seu toque suave. Permitindo que seus dedos contornassem a linha de seus lábios carnudos, enquanto seus olhos os devorava.
- Você tem os lábios mais tentadores que já vi. – Declarou, com a voz baixa e carregada de tensão. – Vem atormentado o meu juízo há meses! – Confessou.
E sem mais delongas, tomou-os. Pressionou sua boca sobre a dela, beijando-a sem hesitação. Com uma maestria digna de aplausos. Sua língua quente invadindo a sua boca, enquanto as suas mãos fortes a seguravam pela cintura e imprensava o seu corpo contra a porta, deixando-a inteiramente consciente do corpo másculo e excitado de encontro ao seu.
Pensando sobre aquele beijo agora, Elizabeth admitiu que nunca houvesse sido beijada apropriadamente até aquela noite.
- Quando a vi... – Ele murmurou em seus lábios, suspirando entre beijos. – neste vestido... – Percorreu as mãos de sua cintura, os dedos esbarrando levemente na curva dos seios e subindo para os ombros; onde, passou a afastar as alças do vestidinho de noite preto e simples que usava. – Não sei como me controlei. – Exclamou, abaixando a cabeça e beijando a sua pele recém-desnuda do ombro; depois o mordiscando.
- Meu Deus!
Elizabeth se viu exclamando em voz alta, enquanto ouvia-o grunhir como um animal selvagem em seu ouvido ao abaixar ainda mais o seu vestido. Ao ponto de ela poder sentir uma brisa gélida atingir a auréola de um dos seus seios.
- Linda! – Ele exclamou, admirado, enquanto distribuía beijos molhados pelo seu pescoço. Fazendo uma linha reta em direção ao seu seio exposto.
- Sr. Darcy, por favor... – Tentou protestar, mas quase não conseguiu ouvir a sua própria voz. Quem dirá, ele!
Oh! Era tarde demais, ele já atingira o seu alvo! E como era bom no que estava fazendo! Ahh! Elizabeth pegou-se a suspirar, delirante, permitindo que ele fizesse com ela o que bem entendesse.
Ele tomou os seus lábios novamente. Dominante e instigante. O seu beijo a deixava completamente entregue e vulnerável.
Ele tomou os seus seios em ambas as mãos e interrompeu o beijo, separando os seus lábios para poder assistir enquanto acariciava os seus seios com delicadeza.
Quando ergueu o olhar para ela, Elizabeth viu em seus olhos azuis acinzentados um fogo ardente que a aqueceu por dentro.
- Eu quero você, Elizabeth! – Ele disse, encostando seus lábios ao dela e distribuindo beijinhos lentos e entrecortados com um gemido. – Tanto! – Arfou a palavra de encontro a sua boca, antes de tomá-la em outro beijo selvagem.
Uma batida na porta despertou os dois, interrompendo o beijo.
- Darcy? – A voz de Caroline Bingley, sua editora chefe e irmã de seu melhor amigo, ultrapassou a barreira da porta de madeira.
Darcy soltou os seios de Elizabeth de imediato. Com uma mão, segurou a porta fechada e, com a outra, passou a chave na porta, implorando para não fazer nenhum barulho no processo.
Elizabeth, alarmada com a situação em que se encontrava e com quem se encontrava, apressadamente puxou as alças do vestido para o seu devido lugar e tentou recuperar a compostura.
Tentou sair de perto de Darcy; mas, ao captar sua intenção, Darcy segurou-a pelos braços e a manteve contra a porta. Encostou a sua testa na dela e, com um lento suspiro, pediu:
- Não se mexa.
Uma segunda batida na porta e Caroline voltou a chamar por ele.
- Darcy?
Em seguida, Darcy viu a maçaneta virar e virar, insistentemente. Seguido por um muxoxo e total silêncio.
Esperou mais um momento para se certificar de que havia desistido. Então, disse.
- Ela foi embora.
E tentou retomar de onde pararam, ao descer os lábios de encontro aos de Elizabeth. Mas ela colocou as mãos em seu peitoral firme e musculoso, afastando-o.
- Não, por favor. Não podemos. – Implorou.
Darcy fitou-a nos olhos, confuso.
- Elizabeth, ... – Tentou argumentar.
- Você é o meu patrão. – Ela o interrompeu. – Isso nunca podia ter acontecido.
Por um instante parecia que ele ia insistir. Fitava-a com evidente surpresa e contrariedade. Mas, então, soltou os seus braços e deu um passo para trás. A máscara de indiferença voltou a dominar o seu rosto e ele deu outro passo para trás. Então, voltou-lhe as costas e afastou-se completamente. Voltando a ocupar o seu lugar atrás da mesa, de pé enfrente a janela. Ignorando completamente sua presença ali.
Elizabeth estava atônita. Perdida. Agoniada.
Não saberia dizer por quantos minutos ficou ali, parada, observando-o fingir que nada acontecera, fingindo que ignorava a sua presença ali.
Então, voltou-se para a porta, alcançou a maçaneta e tentou abri-la de forma afobada. Virou a maçaneta e puxou a porta, mas esta continuou fechada. Repetiu o gesto e nada. Estava entrando em pânico, puxando a maçaneta com força, quando sentiu a sua respiração pesada, o seu perfume másculo e o seu calor às suas costas, quando Darcy contornou o seu corpo com um braço e alcançou a chave da porta, destrancando-a.
E, imediatamente, quando Elizabeth puxou a porta, ela veio de encontro a sua testa com violência. Atingindo-a e fazendo-a oscilar para trás, esbarrando na parede sólida que era o corpo de Darcy.
Ele a segurou pela cintura e ajudou-a recuperar o equilíbrio.
- Você se machucou? – Questionou-a ao ouvido, preocupado.
- Não. – Elizabeth replicou, esquivando-se de seu toque e escapando da sala.
Durante as semanas seguintes, evitou-o a todo custo. Ele, por sua vez, não tentou qualquer tipo de aproximação. Tratava-a como uma subordinada comum, como tantas outras. Frio e indiferente.
Mas sempre que o via e seus olhares se encontravam, seja por corredores ou por cima de uma mesa de reuniões, Elizabeth sentia os seus joelhos fraquejarem e o seu coração saltar em seu peito, acelerando descomunalmente.
Passava os minutos seguintes com as pernas bambas, a respiração elaborada e a cabeça nublada. E não conseguia pensar direito, quem dirá trabalhar!
Motivo pelo qual tinha aceitado uma oferta de trabalho em uma Editora nova no mercado. Com quem também estava negociando a publicação do seu primeiro livro. Um romance em que esteve trabalhando em segredo desde a época da faculdade de Letras.
Não era uma mudança que lhe trouxesse vantagens de imediato. Não estava sendo promovida a uma posição melhor a que ocupava na Editora Darcy, nem mesmo aumento de salário. Na Editora Gardiner estaria ocupando a mesma posição e ganhando um pouco menos. Mas, pelo menos, conseguiria trabalhar direito. E, quem sabe, cresceria dentro da empresa à medida que a Editora ganhasse o mercado.
No entanto, queria se dar este presente: uma noite inesquecível com o homem que a atraía como nenhum outro. Queria acordar nos braços dele na manhã de seu aniversário de 28 anos.
Darcy também acharia estimulante seu pedido erótico e concordaria em ser seu por apenas uma noite? Ou se recusaria e a mandaria embora, deixando insatisfeito o desejo profundo e consumidor que ela tinha desenvolvido por ele?














