Citações

Gostar de dançar é certamente a primeira etapa antes de se apaixonar. (Jane Austen)

Colisão - Capítulo XLI

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail

Capítulo XLI

Loucuras

 

Elizabeth fechou a porta do quarto e se encostou a ela, respirando pesadamente. Não era a primeira vez que se perguntava o que estava fazendo. Aquilo era uma loucura, sem nenhuma dúvida. Uma loucura a qual ela não conseguiu evitar.

Como poderia ter dito “não” a ele? Olhando para aqueles olhos azuis, surpreendida ainda mais por aquela forte emoção que via estampada ali do que pelo teor de seu pedido, ela simplesmente não pôde lhe dizer “não”.

E foi aí que a sua noite alcançou um nível de insanidade que ela não esperava. Ela, com certeza, não previu que ele a arrastaria para um táxi assim que recebesse a sua resposta. Ou que mandasse o taxista levá-los até a capela mais próxima. Ou que ele exigiria ao cerimonialista licenciado pelo Estado de Nevada que os casasse naquele mesmo instante.

Por um mero segundo, quando foram informados que eles teriam que providenciar primeiro o documento de licença de casamento no Clark County Marriage License Bureau[1] - espécie de cartório – para que o casamento pudesse ser realizado, Elizabeth chegou a acreditar que Darcy finalmente iria parar para pensar no que estava fazendo e desistir daquele plano maluco.

Afinal, qual era a pressa? Eles precisavam se casar nesta noite? Eles precisavam se casar em Las Vegas[2], sem a presença de familiares e amigos?

Mas ele não desistiu. Pelo contrário, parecia ainda mais determinado em prosseguir. Conseguiu arrancar uma promessa do cerimonialista de que se eles conseguissem voltar até a capela antes de meia-noite com a licença de casamento em mãos, ele os casaria nesta mesma noite.

E, então, tomaram outro táxi até o Hotel, onde ele lhe deu cinco minutos para subir até o seu quarto e pegar os documentos necessários para que pudessem ir até o Clark County Marriage License Bureau e adquirir a licença – documentos estes que o próprio cerimonialista da capela os informara serem necessários.

Com o coração batendo apressado em seu peito, atravessou o quarto e ajoelhou-se enfrente a sua mala, enfrente ao criado-mudo ao lado da cama. Com as mãos trêmulas, abriu a mala e começou a remexer em suas coisas, procurando dentre suas roupas, acessórios e produtos de beleza, os seus documentos – o seu passaporte e qualquer outro documento de identificação que possuísse.

Guardou-os dentro de sua bolsa de mão e fechou a mala, mas sem se incomodar em fechar o zíper por completo. Pôs-se de pé com dificuldade, já que suas pernas fraquejaram um pouco. Ela não conseguia deixar de perceber que o seu corpo todo estava tremendo e palpitando, transbordando de adrenalina. Ela podia até ouvir o coração batendo tão forte que parecia poder senti-lo pulsar em seus ouvidos.

Distraidamente, baixou a mão até a cama – como se procurasse se certificar de que ela estava ainda ali – e se sentou. Precisava de alguns minutos para se acalmar, ou não conseguiria sair dali com as próprias pernas.

~#~

Richard estava mais do que a vontade em seu quarto de Hotel. Blazer, blusa e gravata largados na poltrona, os sapatos e meias espalhados no meio do caminho da porta do quarto até a cama.

Estava deitado, pernas cruzadas, os pés balançando na beirada da cama. Cabeça deitada no travesseiro, uma das mãos por debaixo do travesseiro e a outra segurando o celular ao ouvido.

--Você precisava ter visto. Catherine ficou sem reação. – Ele comentava. – Não creio que ela já tenha sido enfrentada por alguém que julgasse inferior antes desta noite.

--Foi bem merecido. Ela não tinha nada que ficar opinando sobre a vida dos outros. – Moira replicou, indignada com o relato de Richard sobre o comportamento de Catherine para com Elizabeth.  

--Ela só agiu assim por causa de Will, você sabe. A presença de Lizzie aqui, somada a do namorado de Anne, destruiu com os seus planos de reaproximar Will e Anne. – Richard argumentou.

--Se ela esperava que Lizzie ficasse em silêncio enquanto ela a diminuía e humilhava em público, estava enganada. Não creio que exista uma pessoa capaz de fazer Lizzie abaixar a cabeça.

--Você está certa. – Richard concordou e, rindo, acrescentou. – Will praticamente correu para alcançá-la ao fim do jantar... Ele interrompeu o que estava dizendo aos jornalistas sobre o projeto no meio da frase, quando a viu se afastando de Charlotte em direção a saída do salão... Eles dois devem estar muito bem ocupados uma hora dessas!

--Isto não da sua conta! – Moira o repreendeu, em tom matronal. – E depois do jantar... o que você fez?

--Dei uma volta no cassino, depois vim pro quarto.

--Não quis passear por Las Vegas? Ver as atrações locais?

--Não. Estou cansado. – Richard esclareceu, espreguiçando-se na cama. – O dia estava muito abafado e agora a temperatura começou a cair. Acho que vai chover muito esta madrugada.

Ao dizer isto, voltou o rosto na direção da porta da varanda que estava aberta, permitindo que visse o céu nublado. A cortina balançava suavemente conforme a brisa noturna.

--Clima ideal para se passar na cama, não acha? – Questionou, entoando as palavras de forma sedutora.

Antes que ela pudesse responder, entretanto, um bip soou.

--Moira, espere um minuto. Tenho outra ligação. – Richard pediu-lhe, acionando o botão do celular e pondo a ligação em espera. – Alô?

--Onde você está e o que está fazendo? – Darcy questionou-o.

--No meu quarto. Vou dormir. – Richard respondeu. – Por que você está me ligando? Não devia estar com Lizzie... você sabe... “ocupado”? – Inquiriu, balançando as sobrancelhas para cima e para baixo.

--Preciso que você me faça um favor. Encontre-me no saguão do Hotel em cinco minutos. – Darcy ordenou e encerrou a ligação antes que Richard pudesse replicar.

Richard voltou à ligação anterior, encontrando Moira a esperar.

--Quem era? – Ela quis saber.

--Will. Ele quer que eu faça uma coisa para ele, não sei o que. – Esclareceu. – Eu vou ver o que ele quer e depois eu te ligo.

Eles se despediram e Richard se sentou na cama. Viu as roupas sobre a poltrona e os sapatos espalhados.

--É bom que seja importante. – Resmungou, ao se erguer da cama e começar a se arrumar para ir ao encontro do primo.

~#~

Elizabeth saiu do elevador e caminhou em direção ao saguão do Hotel. Demorou mais que cinco minutos para retornar. Mas ao parar de frente a recepção, não viu Darcy em parte alguma.

Um desconforto se apoderou de seu ventre, aquele conhecido frio na barriga de ansiedade. Seus olhos percorriam a entrada do Hotel, recepção e lounge, procurando por Darcy e não o encontrava.

Começou a se perguntar se ele não teria desistido. Depois de ter ido ao quarto e repensado sua atitude, viu a loucura que estava fazendo e desistiu.

E foi então que percebeu o porquê de não ter conseguido lhe dizer “não” ou tentado refrear o impulso dele de se casar esta noite. Porque temia que ele se arrependesse da decisão de se casar – não apenas esta noite, mas de se casar com ela.

--Ei, você viu o Will? – Richard chamou a sua atenção, interrompendo seus pensamentos perturbadores.

Elizabeth voltou-se na direção dos elevadores, de onde ele estava vindo.

--Não. – Respondeu, nervosa.

--Ele mandou me encontrar com ele aqui há... – Richard olhou para o relógio de pulso antes de completar. – cerca de dez minutos. Disse que precisava de um favor.

Elizabeth encolheu os ombros, constrangida. Imaginando se o favor de que ele se referia não era uma desculpa para escapar do “casamento”.

--Vou ligar para ele. – Richard disse, retirando o celular do bolso e discando para o primo. – Cadê você? – Questionou, assim que Darcy atendeu.

--Já estou chegando. – Darcy respondeu, conciso, e desligou.

--Que falta de educação. Segunda vez que ele desliga na minha cara. – Richard resmungou, guardando o seu celular de volta no bolso da calça. – Disse que já estava chegando. – Informou a ela.

Dois minutos depois, Darcy entrou pelas portas do Hotel e veio ao encontro dos dois. Richard foi o primeiro a vê-lo e indicou a Elizabeth, quem estava olhando para os elevadores, esperando que ele saísse de um deles. Ficando surpresa por ele estar vindo de fora do Hotel e não do seu quarto.

Darcy carregava uma sacola com um emblema de uma loja que Elizabeth não reconheceu de imediato.

--Pegou tudo? – Ele a questionou.

--Sim. – Ela respondeu, perguntando-se quando ele ia começar a se justificar por ter mudado de idéia.

--Vamos. – Darcy a envolveu pela cintura e começou a guiá-la na direção da saída do Hotel.

--Aonde nós vamos? – Richard quis saber, já os acompanhando.

--Você vai ver. – Foi a única resposta de Darcy.

À porta do Hotel, uma limusine preta os aguardava. O motorista abriu a porta dos passageiros e Darcy indicou a Elizabeth para entrar, seguindo-a. Richard entrou logo em seguida, repetindo a mesma pergunta.

--Aonde nós vamos... de limusine?

Mas ninguém respondeu.

O motorista os guiou até a Clark Avenue, estacionando próximo ao Clark County Marriage License Bureau, recebendo instruções para aguardar o retorno deles. E os passageiros desembarcaram.

Richard olhou a sua volta e só teve sua curiosidade aguçada. Começou a ter suspeita quando Darcy guiou Elizabeth até o cartório. E esta foi confirmada quando ele requisitou ao atendente uma licença de casamento, após aguardar alguns minutos para ser atendido.

Ao voltarem para a limusine, Richard soltou uma gargalhada sonora.

--Eu não acredito que vocês vão se casar!

Darcy podia sentir a mão de Elizabeth, presa a sua, transpirar. E este comentário de Richard fez com que ela ficasse ainda mais tensa ao seu lado. A ponto de quase não respirar.

--Cala a boca, Richard. – Darcy ordenou, mas o primo continuou a rir.

--Você acha que é uma loucura, não é? – Elizabeth perguntou, malmente escondendo o seu nervosismo.

--Uma loucura que eu não perco por nada neste mundo! – Foi a resposta de Richard, antes de dar outra gargalhada.

A limusine parou enfrente a capela indicada e quando os três desceram do veículo, encontraram o cerimonialista terminando de fechar as suas portas. Ao vê-los, reconheceu-os e deteve-se por um momento.

O cerimonialista olhou para o seu relógio de pulso. Embora Darcy soubesse que já passara da meia-noite, o cerimonialista ignorou este fato e admitiu a sua entrada na capela. Fechando os portões logo em seguida – aquela seria a última cerimônia que realizaria esta noite.

Elizabeth viu uma mulher ao altar, recolhendo os materiais usados durante a cerimônia e os guardando. O cerimonialista chamou a sua atenção e ela começou a recolocar tudo em seu lugar.

Elizabeth olhou a sua volta e viu a decoração simples da capela. Tapete vermelho demarcava o corredor por onde os noivos passavam para chegar ao altar, flores artificiais e velas aromáticas eram os seus únicos adereços a vista.

Os noivos assumiram a posição indicada pelo cerimonialista, ainda de mãos dadas. Richard ficou ao lado de Darcy, mas um pouco atrás. E ainda carregava um sorriso divertido no rosto.

A cerimônia foi iniciada e Elizabeth pouco saberia dizer sobre o que o cerimonialista pregou durante alguns minutos. Perguntava-se se Darcy prestara atenção ao que ele dizia tanto quanto ela. Mas não soube dizer ao olhar para ele – a expressão em seu rosto era ininteligível.

À indicação do cerimonialista, Darcy voltou-se de frente para Elizabeth e fez os seus votos de forma deliberada e com um tom de voz calmo. Seus olhos fixos nos de Elizabeth, sem desviar um segundo sequer. E esta foi a primeira vez que ela se sentiu calma e segura do que estava fazendo desde que fora pedida em casamento por ele.

E com a mesma determinação dele, fez os seus votos. Permitindo que um largo sorriso dominasse o seu rosto quando Darcy lhe dirigiu um meio sorriso durante os seus votos.

O cerimonialista perguntou-lhes se tinham alianças. Darcy, prontamente, respondeu que sim e abriu a sacola com o emblema de uma loja – a qual Elizabeth finalmente soube identificar como pertencendo a uma loja de jóias famosíssima.

Eles trocaram alianças – de ouro branco e, a de Elizabeth, com um brilhante. O cerimonialista prosseguiu com a cerimônia, declarou-os “marido e mulher”, e Darcy lhe deu um daqueles beijos inebriantes.

Ao saírem da capela, depararam-se com uma chuva torrencial. Darcy retirou o seu blazer e vestiu-o em Elizabeth. Os três precisaram correr para a limusine para evitar se molharem muito. O motorista logo começou a levá-los de volta ao Hotel.

Durante este percurso, Elizabeth percebeu que o seu penteado estava se desmanchando. Por isso, desprendeu-os, permitindo que os fios de cabelos descansassem livres sobre os seus ombros.

Darcy abriu uma garrafa de champgne do frigobar da limusine e serviu em três taças, entregando uma a ela e outra a Richard. Os três fizeram um brinde.

--Seja bem-vinda a família, priminha! – Richard a saldou.

--Oh nossa, agora eu vou ter que carregar esta cruz também?! – Elizabeth brincou, rindo-se.

Ao chegarem ao Hotel, Richard se despediu do casal no saguão, alegando estar com vontade de tomar mais um drinque no cassino. Mas não se aproximou do cassino, na realidade.

Aguardou as portas do elevador se fecharem, levando o casal de recém-casados embora, para acionar o botão de novo, esperando pelo próximo elevador. A última coisa que queria era ficar enclausurado com aqueles dois por mais tempo que o necessário.

Ao entrar no elevador e apertar o botão de seu andar, começou a imaginar qual seria a reação de Moira à novidade. E mal podia esperar para ligar para ela e descobrir.

~#~

Dois andares antes de alcançar o seu, o elevador fez uma pausa e os últimos ocupantes desembarcaram. Deixando Darcy e Elizabeth a sós. Darcy voltou Elizabeth de frente para si e, como se tivesse notado pela primeira vez que ela soltara os cabelos, enfiou os dedos entre os seus cabelos úmidos da chuva. Segurou o seu rosto e começou a beijá-la. Suave no começo e intensificando aos poucos, em um prelúdio do que estava por vir em seguida.

Foi obrigado a interromper aquela atividade quando o elevador parou e abriu as suas portas no andar de seu quarto. Guiou-a até o seu quarto de Hotel, abrindo a porta e permitindo que ela entrasse primeiro.

Acionou o interruptor da luz próximo a porta. Mas não o principal, qual acenderia todas as luzes do quarto. E sim o secundário, aquele que acionava as luzes dos abajures. Assim, a claridade era suficiente para ver os contornos dos objetos e não os seus detalhes. Criando o ambiente perfeito para uma sedução.

O seu quarto de Hotel consistia em um quarto/sala. E ele permitiu que Elizabeth observasse tudo ao seu redor sem se impor a ela, permitindo que ela se familiarizasse com o ambiente antes de se aproximar.

Elizabeth permitiu que ele retirasse o blazer de seus ombros, dobrasse-o e o colocasse sobre o sofá da sala. Enquanto isso, retirou os próprios sapatos. A sandália de salto alto fino já estava machucando os seus pés há muito tempo; e sentiu um grande alivio ao si ver livre deles.

Sem esperar por permissão de Darcy, atravessou a porta que a levaria para o quarto em si. O luxo daquele ambiente ultrapassava em muito ao que encontrara no quarto em que estava estabelecida em um dos andares inferiores daquele mesmo Hotel. Era um quarto amplo, com uma decoração clean e uma cama king size muito convidativa, cheia de travesseiros e forrada com um edredom da melhor qualidade.

Elizabeth atravessou o quarto, contornando a cama, e se aproximou das portas da varanda. Abriu parcialmente a cortina e viu a paisagem de Las Vegas através do vidro – em seu esplendor de luzes neon e cassinos luxuosos – sob aquela chuva impiedosa. Um raio iluminou o céu e Elizabeth conseguiu ouvir o barulho do trovão em seguida, mesmo a porta da varanda se encontrando fechada.

Sentiu a presença de Darcy no quarto. Virou parcialmente o rosto em sua direção e, com a visão periférica, assistiu-o retirar a gravata e desabotoar a gola da camisa. Em seguida, desabotoar os pulsos da camisa, dobrando-os e retirando o seu relógio de pulso. Vindo a guardá-lo no bolso de sua calça.

Quando foi flagrada olhando para ele, virou o rosto de volta para a porta da varanda e fitou aquela madrugada chuvosa. Sentindo os joelhos fraquejarem e o coração pulsar velozmente em seu peito. Não acreditava que estava nervosa por estar ali com ele, sabendo o que estava para acontecer.

Era surpreendente que depois de ter passado a noite toda desejando isso. Mais! Ter passado meses arrependida de não ter se entregado a ele em Londres, em seu apartamento, meses há atrás. Encontrava-se finalmente ali e estava amedrontada.

Ele era um homem experiente, enquanto ela não fazia idéia do que fazer – sim, porque saber o conceito da coisa não era exatamente a mesma coisa que saber o que fazer, ou como fazer. E se ela o decepcionasse? Não alcançasse as suas expectativas? Ela já vira ao que ele estava acostumado. Não vira Anne em toda a sua elegância e finesse esta noite?

Mas todos os pensamentos sobre Anne e qualquer outra dúvida que a estivesse corroendo naquele instante desapareceram quando sentiu a presença dele à suas costas; muito próximo, mas ainda sem tocá-la.

Darcy ergueu as mãos até o seu cabelo, afastou-o de seu pescoço e encostou o nariz em sua nuca. Respirando profundamente o seu aroma. Deixou que as mãos deslizassem por suas costas nuas, até alcançar a linha em que o vestido começava. Então, Elizabeth sentiu ele desprender o gancho de segurança do vestido, para depois começar a abrir o zíper do vestido lentamente.

Elizabeth prendeu a respiração, quando sentiu as costas dos dedos dele deslizarem da sua cintura até a sua nuca, lentamente, pela linha de sua coluna. Sentindo os pelos se arrepiarem no mesmo sentido em que o toque de seus dedos.

Os lábios dele, quentes e firmes, alcançaram a parte sensível atrás de sua orelha, ao mesmo tempo em que suas mãos ávidas invadiam o seu vestido, contornando sua cintura e acariciando os seus seios. Elizabeth rendeu-se as suas caricias, inclinando a cabeça para o lado e dando-lhe um melhor ângulo de seu pescoço; ao mesmo tempo em que relaxava e permitia que suas costas se apoiassem no peitoral dele. Libertando um longo e demorado suspiro de prazer.

O vestido estava claramente o atrapalhando. Então Darcy retirou as mãos de dentro do vestido e começou a despi-la. Mas quando ele ficou preso em sua cintura, Darcy o deixou ali por mais alguns minutos. Enquanto distribuía beijos molhados por sua nuca; a respiração quente e os lábios firmes percorrendo a linha de sua coluna até a sua cintura. Então, ajoelhando, Darcy enroscou os dedos na lateral do vestido e, com um firme puxão, livrou-a daquela peça de roupa.

Continuou a distribuir beijos e leves mordidas a sua cintura na medida em que Elizabeth virava-se de frente para ele, quem ainda estava ajoelhado aos seus pés. Darcy refez o caminho de beijos ao se erguer do chão. Suas mãos percorrendo as costas dela, até alcançar a nuca. Onde ele a segurou pelo cabelo com firmeza e, puxando levemente sua cabeça para trás, beijou-lhe demoradamente o pescoço, antes de alcançar o seu destino final – os seus lábios carnudos.

Elizabeth segurou-se a ele com desespero, sentindo os seus seios pressionados contra o peitoral dele – tendo apenas o fino tecido de sua blusa impedindo-os de sentir pele na pele.

Elizabeth afastou-se dele apenas o suficiente para poder desabotoar a sua camisa. Mas os seus dedos trêmulos estavam atrapalhados naquela tarefa e Darcy se viu obrigado a interromper os beijos que lhe dava para assessorá-la. E, impaciente com os botões da camisa, abriu-a de vez – estourando alguns botões no processo. Atirando-a aos seus pés descuidadamente.

Com o seu peitoral ao alcance de suas mãos, Elizabeth não soube como se conter. Sem aquela mesma hesitação da primeira vez em que teve a oportunidade de sentir os músculos firmes e bem desenvolvidos de Darcy, permitiu que seus dedos se enroscassem nos fios de cabelo ali expostos enquanto as suas mãos deliciavam-se com contorno de seu peito, costelas e barriga definida.

Darcy voltou a agarrá-la e beijá-la. E, segurando-a pela cintura, puxou-a para cima de si. Elizabeth instintivamente passou as pernas entorno de sua cintura e os braços envolta de seu pescoço, prendendo-se a ele. E sem mais demora, Darcy a levou para a cama.

Colocou-a sobre o colchão, deitando-se por cima dela. A pressão daquele corpo masculino, a pele quente de odor inebriante de homem, despertava uma sensação tão forte e dominante em Elizabeth. Uma sensação que ia além de sua imaginação. Algo que ela nem saberia como descrever.

Os lábios dele percorrendo o seu pescoço, ombros, clavícula e contornou os seios, sugando-os demoradamente. Deixaram-na arfante e delirando por mais, muito mais.

As mãos dele estavam passeando por suas pernas, subindo lentamente pelo interior de suas coxas, despertando um calor ardente em seu íntimo. Sentiu-o tocá-la por sobre a calcinha de renda francesa branca, acariciando-a com a medida certa de pressão no seu ponto mais sensível. Arrancando-lhe um gemido abafado.

Ele retirou a mão e enroscou os dedos nas laterais da calcinha, puxando-a para baixo e despindo-a dela também. Seus lábios voltaram a dominar a sua boca, enquanto sua mão voltava a acariciá-la ali... Os dedos finalmente tocando a carne quente e úmida, dando-lhe um prazer imensurável e enlouquecedor.

Rolando para o lado e saindo de cima de Elizabeth, Darcy atirou as pernas pela lateral da cama e começou a remover os próprios sapatos – um pé pressionando o sapato na parte dos calcanhares e empurrando-o, até que o sapato caísse inanimado no chão do quarto. E, então, repetiu o gesto com o outro pé.

Enquanto removia o cinto e abria a calça, ainda sentado na cama, Darcy sentiu Elizabeth se aproximar. A sua respiração entrecortada em sua nuca, as mãos dela percorrendo as suas costas em uma carícia suave; contornando os seus ombros e abdômen, onde ela usou as unhas para arranhar a pele sensível da sua barriga.

Ela mordeu a sua orelha, provocando-o como ele a provocara minutos antes; arrancando-lhe um:

--Elizabeth... – Abafado e rouco de desejo.

Ela permitiu que ele se levantasse da cama e despisse as meias, calça e cueca. Ao voltar-se de frente para ela, encontrou-a deitada na cama a sua espera, observando cada um de seus movimentos com ferocidade. Um raio partiu o céu de Las Vegas em dois, iluminando o quarto em que se encontravam – incidindo na figura lasciva de Elizabeth, delineando as suas formas para o deleite de Darcy.

Ele voltou para a cama, deitando-se novamente sobre ela, e a prendeu em seus braços. Dominou a sua boca com outro beijo devastador, esfomeado e selvagem. Como se quisesse, precisasse devorá-la.

Usou os joelhos para separar as suas pernas e encaixar-se ali, permitindo-a sentir a sua excitação latente pressionando-a, quase a invadindo. O corpo de Elizabeth ficou tenso e ela agarrou-se ao lençol da cama, travando os dentes e fechando os olhos de forma apertada. Mas não conseguiu evitar o gemido de dor que escapou de seus lábios quando ele a penetrou.

Darcy, quem estivera fascinado em olhar para onde os seus corpos se uniam e o prazer que estava sentindo ao se tornarem um único ser, ergueu o olhar para o seu rosto ao detectar a dor transparente naquele gemido. Viu o rosto dela virado para o lado, tentando esconder-lhe o seu desconforto. E ficou paralisado, percebendo o que acabara de acontecer. O que ele tinha feito.

A suspeita há muito tempo descartada por ele foi confirmada. Ela era virgem, pura, intocada por nenhum outro homem. Ele fora o seu primeiro. E agora estava perturbado com a culpa. Culpa de não ter sido mais cuidadoso, gentil; por ter estado tão preocupado com o seu próprio prazer para entender os sinais que ela estivera lhe lançando. E agora não sabia como proceder.

Travando o maxilar, retirou o peso de seu corpo do dela, ao erguer-se sobre os braços – estes começando a tremer imediatamente por aquele esforço de recuperar o autocontrole.

Quando Elizabeth sentiu-o se afastar, assustou-se. Virou o rosto na sua direção, os olhos aflitos bem abertos, questionando-o em silêncio por sua atitude. Sim, doera. Mas agora ela sentia aquela agonia crescer dentro dela, uma vontade de ser completamente preenchida por ele. E não podia, não queria que ele se afastasse.

Procurou demonstrar com gestos o que queria, já que duvidava conseguir se expressar com palavras naquele momento. Ela ergueu o rosto em sua direção, lhe alcançado os lábios e mordendo-os levemente, enquanto suas mãos soltavam o lençol e agarrava-o pelos ombros e o puxava de volta para si. Ergueu a pélvis de encontro à dele, abarcando-o por inteiro, gemendo de prazer ao senti-lo novamente dentro de si.

Darcy retomou os movimentos de invasão, mas sendo mais cuidadoso. Possuindo-a lentamente. Mas perdeu por completo o vestígio de autocontrole que recuperara segundos atrás, quando Elizabeth deslizou as mãos por suas costas – arranhando-o – e apertou-lhe as nádegas com força. Um gemido engasgado escapou de sua boca e ele aumentou a velocidade de suas investidas, intensificando-as cada vez mais.

Segurou-a pela cintura, puxando-a para si. Elizabeth sentiu o seu corpo ficar tenso, as suas costas arquearam e ela explodiu em êxtase com mais uma de suas investidas. Incapaz de reconhecer a sua própria voz no gemido que se seguiu.

Darcy sentiu os músculos internos dela se contraírem e ela cravar as unhas mais fortes em suas costas. E com mais uma investida, foi a sua vez de explodir dentro dela. Proferindo um gemido gutural, primitivo. E arriou-se sobre ela, arfante.

Elizabeth não saberia dizer por quanto tempo permaneceram assim, entrelaçados e unidos. Sentindo suas respirações voltarem ao normal e as batidas frenéticas de seus corações diminuírem o ritmo.

Por fim, Darcy rolou para o lado e ficou fitando o teto do quarto, em silêncio. Sentindo a falta de seu calor e do peso de seu corpo sobre o dela, Elizabeth virou-se para ele e se aproximou, deitando a cabeça em seu peito.

Darcy não a repeliu. Ao contrário, moveu-se de forma a poder passar o braço por debaixo de seu corpo e puxá-la para cima de si. Acomodando a cabeça dela em seu ombro, sentindo a sua respiração entrecortada em seu pomo-de-adão. E assim permaneceram, languidos e presos naquela atmosfera de paixão.

Elizabeth não queria dormir. Por mais que se sentisse sonolenta, queria ficar desperta e memorizar aquela noite, cada uma das sensações que ele despertara nela. Sabia que nunca se sentiria assim com outro alguém, nunca amaria outro como o ama. Sabia que depois desta noite sempre pertenceria a ele deste jeito.

Ela sabia que ele não estava dormindo também. Embora seu coração estivesse calmo e sua respiração lenta, podia sentir a sua mão acariciando as suas costas – os dedos desenhando linhas e círculos em sua pele.

Virou o rosto em sua direção, apoiando o queixo em seu peito e fitou o seu rosto. Os olhos dele se abriram ao perceber o seu movimento e a fitaram apaixonadamente. Ele ergueu a mão até o seu rosto e afastou o seu cabelo úmido da testa, acariciando em seguida a maça de seu rosto.

--Eu sempre desejei você assim... – Confessou, com a voz rouca. – Nua... entregue... em meus braços... – Sua mão contornou o seu pescoço e a segurou pela nuca, trazendo seus lábios até os dele. – Minha! – Sussurrou em sua boca, beijando-a em seguida.

Ambos sabiam que não iriam dormir tão cedo aquela noite.


[1] Ambas as partes devem estar presentes no Marriage License Bureau (funciona diariamente das 8H AM até a meia noite, incluindo feriados). A licença de casamento custa $55, em dinheiro apenas. Para se ter um casamento legal, a cerimônia deve ser realizada no Estado de Nevada dentro de um ano a partir da data de expedição da licença, por uma pessoa autorizada ou licenciada a realizar as cerimônias em Nevada. É necessária uma testemunha.

[2] Para o casamento ter validade no Brasil, é necessário que seja registrado na representação diplomática brasileira (Consulado - apresentando um documento oficial estrangeiro que comprove o enlace) e em seguida, até 180 dias após o retorno do casal ao Brasil, é preciso providenciar a transcrição da certidão de casamento no cartório nacional.

 

LAST_UPDATED2

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje84
Neste mês2421
Desde Março de 200985443
Brazil flag 63%Brazil (49483)
United States flag 6%United States (4817)
Portugal flag 5%Portugal (3748)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1432)
Ukraine flag <1%Ukraine (472)
Germany flag <1%Germany (353)
France flag <1%France (316)
Netherlands flag <1%Netherlands (302)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (302)
Latvia flag <1%Latvia (152)