Capítulo XL
The Grand Duke
Um barulho agudo invadiu o salão, chamando a atenção de todos ali presentes. O burburinho das conversas paralelas cessou e os olhares de todos procuravam a origem daquele barulho irritante. Inclusive Elizabeth e Darcy.
O barulho cessou, mas não antes de ter chamado a atenção dos convidados para Adolfo Collins – quem estava extremamente constrangido pelo ocorrido. Segurava o microfone de forma desconfortável e pigarreava repetidas vezes, como se estivesse com algo entalado na garganta.
Ele estava em um pequeno palco, ao lado de uma mesa onde uma maquete estava encoberta por um pano cor vinho. À suas costas, um telão passava imagens do Hotel em seu atual estado.
Extremamente nervoso, aproximou o microfone da boca e falou.
--Boa noite, senhoras e senhores... Eu gostaria de agradecer a presença de todos vocês aqui esta noite em nome da sra. Catherine De Bourgh e Companhia, e Darcy e Fitzwilliam Corporation... Ambos responsáveis por este maravilhoso evento.
Elizabeth olhou para Darcy, interessada em descobrir se ele estava prestando a atenção no discurso do seu primo. Mas flagrou-o a observá-la descaradamente. Sorriu-lhe, desconcertada. E sentiu o momento em que a mão dele a enlaçou pela cintura, trazendo-a mais para perto. Não em um abraço apertado. A mão dele permaneceu descansada na linha das suas costas, num gesto de pura intimidade.
Sim, o momento mágico de seu reencontro havia sido estragado pelo seu primo e sua incapacidade de manusear um microfone. Mas Elizabeth acreditava que fora melhor assim. Não havia como determinar o quanto eles dois ficariam absortos em si mesmos, acaso se beijassem, esquecendo-se de que não estavam a sós e sim rodeados de testemunhas – dentre elas, fotógrafos e jornalistas.
Virando o rosto de volta na direção de Collins, tentou concentrar-se no que seu primo dizia. Mas era impossível. Cada fibra de seu corpo estava consciente da presença imponente de Darcy ao seu lado. E tudo o que mais queria era ficar a sós com ele.
--É com grande honra que... – Collins dizia.
Sua atenção foi roubada por Darcy novamente. Pois ele retirou a mão das suas costas e começou a brincar com um cacho de cabelo que havia escapado de seu penteado e agora descansava solitário atrás de sua orelha.
Ele enrolava o cacho no dedo, permitindo que seus dedos roçassem na parte sensível atrás de sua orelha. Para depois soltar o cacho e deslizar o dedo suavemente por seu pescoço até o seu ombro nu. Dirigindo-lhe um meio sorriso, inteiramente satisfeito com sua proeza, quando Elizabeth sentiu um arrepio com o seu toque e estremeceu levemente.
Elizabeth voltou o rosto para o primo, respirando fundo e tentando não demonstrar ainda mais como aquele toque havia a abalado.
--...a sra. Catherine De Bourgh. – Collins anunciou, cedendo o seu lugar ao microfone para Catherine.
Elizabeth viu Catherine receber o microfone e Collins afastar-se. Richard subira no palco com Catherine e agora estava parado ao seu lado. Elizabeth estava se perguntando o que ele estava fazendo ali, quando a linha de seu raciocínio foi perdida. A mão de Darcy estava acariciando a sua nuca e deslizando suavemente pela linha de sua coluna, até voltar a descansar novamente em suas costas.
--...apresento-lhes The Grand Duke. – Catherine anunciou e Collins retirou o pano que cobria a maquete.
Vários flashes de câmeras registraram o momento. Um burburinho percorreu pelo salão quando o projeto foi apresentado e um vídeo com uma projeção estimativa de como ficaria o Hotel após a reforma começou a ser exibido no telão às costas de Catherine.
--Eu devo permitir que os idealizadores deste projeto assumam o palco e expliquem-no melhor para vocês. – Catherine declarou, convidando os arquitetos ao palco.
--Eu já volto. – Darcy murmurou em seu ouvido e Elizabeth finalmente entendeu que o projeto vencedor do concurso era o da sua sociedade.
Darcy afastou-se dela e, acompanhado pelos dois outros homens com quem estivera conversando antes de sua chegada, aproximou-se do palco e escalou os dois degraus. Catherine cedeu-lhe o microfone e Darcy dirigiu-se ao público. Este momento sendo registrado pelos fotógrafos com o mesmo frenesi de quando o projeto fora revelado.
Darcy foi estritamente educado, sem estender-se em seu discurso. Repassando o microfone aos seus arquitetos. Explicando que os dois outros homens eram os responsáveis por aquele projeto em particular. E foi se juntar ao seu próprio primo no fundo do palco.
Os arquitetos se revezaram no microfone, explicando o conceito daquele projeto. O qual era voltado para a questão da preservação dos recursos naturais. Os materiais para a reforma seriam ecologicamente corretos; existiria um sistema de energia solar, e de reciclagem e reaproveitamento da água que abasteceria o Hotel. Tudo focado em um ideal de proteção ambientalista.
E, entretanto, o projeto não carecia em nada em termos de glamour de um hotel cassino de luxo de Las Vegas.
Charlotte aproximou-se de Elizabeth no momento em que Anne recebeu uma ligação e retirou-se do salão apressadamente.
--Você anda escondendo o jogo, hem? – Charlotte comentou, indicando Darcy no palco. – Esqueceu-se de me contar as novidades interessantes, pelo visto. – Dizia-lhe em tom de confidência, enquanto as outras pessoas a sua volta davam sua total atenção ao discurso dos arquitetos.
--Foi um dia bastante corrido. – Elizabeth se desculpou.
--Conte-me agora. Pelo que me lembro da última vez que falamos de vocês dois, você estava convencida de que estava tudo terminado... – Charlotte implorou, curiosa.
--Ele me mandou um vaso de flores no Dia dos Namorados e começamos a conversar por telefone depois disso. – Elizabeth revelou, sem entrar em muitos detalhes. Deixando Charlotte boquiaberta. – Temos tentando nos encontrar deste então, mas esta é a primeira vez que nos vemos desde que ele foi para Milão.
--Eu sabia que vocês iam reatar. – Charlotte declarou, orgulhosa.
--Sim, Char... Você devia cobrar por suas previsões, ganharia muito dinheiro com isto. – Disse, risonha, brincando com a amiga.
Após a apresentação do projeto, o jantar foi anunciado. E todos seguiram para as mesas que deveriam ocupar. Elizabeth acompanhou Charlotte até a mesa, onde Anne e um homem muito belo e elegantemente vestido já aguardavam os demais.
Ao se aproximarem, entreouviram a conversa do casal.
--Eu disse a minha mãe que você talvez não pudesse vir. – Anne justificava-se com o homem com quem estava de mãos dadas.
--E tenho certeza de que ela ficará decepcionada quando me vir aqui. – O homem replicou, com uma expressão séria no rosto.
Elizabeth teve sua atenção voltada para a mesa quando o homem pegou um cartão que estava depositado ali, demarcando os lugares das pessoas. Ele ergueu o cartão e depois colocou-o de volta no lugar, num gesto impaciente.
Elizabeth leu o nome de Darcy no cartão e ao olhar para o cartão ao lado do dele, viu que estava escrito o nome de Anne. Entendeu perfeitamente o motivo do desgosto do homem com aquele arranjo de lugares. Era obvio a tentativa de Catherine de reaproximar Anne e Darcy.
Elizabeth observou as marcações dos outros lugares. A mesa era redonda e ampla. E da direita para a esquerda, a ordem dos lugares ficava: Catherine, Anne, Darcy, Richard, os dois arquitetos, Elizabeth, Charlotte e Collins, fechando o círculo. Elizabeth constatou que Catherine havia sido meticulosa também ao manter Elizabeth longe de Darcy naquele arranjo de lugares.
Elizabeth teve sua atenção roubada pelo casal quando Anne disse, com uma voz amorosa.
--Albert, não se chateie por besteira. – Acariciando o seu rosto. – Assim que minha mãe chegar aqui, ela resolverá o problema dos lugares. – E beijou-lhe o canto da boca. Era obvio o quanto Anne estava contente com a sua presença.
Elizabeth lançou o olhar na direção de Catherine e a viu rodeada por fotógrafos e jornalistas. Collins estava ao seu lado, como um cachorrinho rodeia o dono na esperança de que ele lance algum objeto para ele ir buscar. Logo atrás deles, também cercados de jornalistas, encontravam-se Darcy, Richard e os outros arquitetos.
Assim que alcançou a mesa em que se sentaria, Darcy se aproximou de Elizabeth. Ela, por sua vez, percebeu que o olhar de Albert acompanhou Darcy com desconfiança. Mas descartou suas suspeitas assim que viu que Darcy estava dando sua total atenção a ela, Elizabeth, e não a Anne.
--Ora, você veio. – Catherine comentou, quase em um resmungo, ao deparar-se com Albert.
--Boa noite, sra. De Bourgh. – Albert disse, estendendo-lhe a mão em um cumprimento; estranhamente formal para alguém que está se dirigindo a uma sogra.
Catherine correspondeu ao seu aparto de mão. Depois voltou o seu olhar para Collins, ordenando.
--Conserte isso. – Indicando a mesa.
Collins sumiu e retornou logo em seguida com dois garçons devidamente vestidos. Eles incluíram mais um lugar a mesa entre Anne e Darcy. Todos se sentaram. Darcy vindo a ocupar o lugar de um dos arquitetos, logo ao lado de Elizabeth, fazendo o arquiteto ir se sentar entre Richard e Albert.
Já sentada, Catherine olhou a sua volta. Elizabeth percebeu na expressão de seu rosto que ela não ficou satisfeita com a mudança de lugares. Lançava olhares azedos na direção de Albert e na sua direção também.
O jantar foi servido e em pouco tempo várias conversas paralelas se desenvolviam na mesa. Collins continuava a focar todas as suas atenções a Catherine. Enquanto Catherine dedicava sua atenção a Charlotte e inquiria-lhe sobre o desfile do dia seguinte.
Richard inquiria-lhe com Elizabeth estava e levantava suspeitas quanto à súbita vontade de Darcy de estar naquele evento quando antes se negara a comparecer, alegando estar comprometido com o projeto de Milão. Richard acreditava que Darcy estava ali por sua causa.
Anne e o namorado conversavam sobre o desfile do dia seguinte e sobre o filme que Albert estava produzindo.
Quando o segundo prato foi servido, Catherine inquiriu a Albert.
--Como anda o seu filme?
--Terminamos as filmagens há duas semanas. Está passando agora pelo processo de edição, depois será promovido e estreará nos cinemas no meado do próximo mês. – Albert respondeu, prontamente.
--É a primeira vez que produz um filme? – Ela continuou com o interrogatório, com um tom severo, causando as conversas paralelas a cessarem e a atenção de todos voltarem-se para os dois.
--Não, senhora. Eu já produzi um filme antes. Mas esta é a primeira vez que produzo e dirijo também. – Albert replicou.
--E é bom no que faz? – Ela indagou, descrente.
--Creio que sim. – Ele não pestanejou em replicar. – Só recebi boas criticas na minha última produção cinematográfica e estou confiante de que o feito irá se repetir com este novo filme.
Ela não lhe fez mais perguntas, permitindo que ele voltasse sua atenção novamente para Anne. As conversas paralelas foram reiniciadas.
Quando a sobremesa estava sendo servida, Elizabeth foi surpreendida pela seguinte pergunta de Catherine De Bourgh.
--Srta. Bennet, este é o seu nome, sim?
--Elizabeth, senhora. – Elizabeth replicou, descansando a sua colher e erguendo o rosto para olhar nos olhos daquela senhora.
--O seu primo me disse que a sua profissão é... modelo. Por que escolheu seguir justamente esta carreira?
--Minha mãe era modelo na sua juventude e montou uma agencia com uma ex-colega de profissão. – Elizabeth esclareceu. – Invariavelmente, minhas irmãs e eu fomos trazidas para este meio.
--Quantas irmãs você tem? – Catherine continuou a interrogá-la.
--Eu tenho quatro irmãs.
--E todas são modelos? Nenhuma foi a faculdade e recebeu uma educação apropriada? – Catherine quis saber, com um tom de censura em sua voz.
As conversas a mesa cessaram por completo diante desta pergunta. E todos focaram suas atenções na conversa entre aquelas duas mulheres.
--Uma das minhas irmãs mais novas cursa a Universidade de Londres. Faculdade de Física. – Elizabeth disse com naturalidade; e, em seguida, acrescentou, antes que Catherine pudesse lhe fazer outra pergunta. – Mas não creio que porque nunca freqüentei uma universidade não recebi uma educação apropriada. As pessoas deviam fazer aquilo para as quais têm talento e não passar anos em uma universidade para conseguir um diploma de uma profissão com a qual não possuem a mínima afinidade.
--Menina, você tem uma visão muito simplória da vida. – Catherine revidou, com um ar de superioridade em sua voz. – A escolha de uma profissão pouco tem a ver com afinidade. O que deve ser levado em consideração são os benefícios que poderão ser adquiridos ao longo dos anos.
Elizabeth não queria se indispor com aquela senhora, então, segurou a própria língua e guardou a resposta malcriada para si. Imaginando que se não respondesse, Catherine a deixaria em paz. Mas a sra. De Bourgh prosseguiu.
--Corrija-me se estiver enganada. Mas a carreira de uma modelo é muito curta, não?
--Sim. – Elizabeth respondeu.
--E o que você pretende fazer quando se aposentar? O que, creio eu, não demorará muito a acontecer.
--Eu estou tomando um curso de fotografia. – Elizabeth replicou, sincera.
--Outra profissão cujo sucesso é algo muito difícil de ser alcançado. – Catherine declarou com desdém.
--Se todos pensassem exclusivamente na probabilidade de obter sucesso profissional ao escolher suas profissões não haveria nenhum avanço tecnológico ou cura para as diversas doenças, por exemplo. – Elizabeth rebateu, com segurança. – E a sociedade em que vivemos atualmente não existiria. Estaríamos eternamente fadados a época do Homem das Cavernas.
Catherine fixou-lhe um olhar mortal, mas não disse mais nada a respeito de seu último comentário. Elizabeth retomou a sua colher e finalmente pôde saborear a sua sobremesa em paz.
Ao fim do jantar, Collins anunciou ao público que ao salão vizinho àquele o cassino estava preparado para atender aos convidados daquela noite com exclusividade. E a maioria dos convidados se dirigiu para o salão do cassino.
Catherine foi abordada por outros donos de Hotéis Cassinos de Las Vegas e chamou Richard e Darcy para participarem da conversa. Collins se introduziu na conversa mesmo sem convite.
Elizabeth se viu a sós com Charlotte, Anne e Albert Hurts. Mas o casal não demorou a seguir os demais convidados até o salão do cassino.
--Vamos? – Charlotte questionou-lhe, indicando o mesmo caminho que o casal se dirigira.
--Não. Estou ficando cansada. – Elizabeth respondeu. – Acho que vou me recolher.
--E o que eu digo ao seu sr. Darcy quando me perguntar por você?
--Diga-lhe em que quarto estou hospedada. – Elizabeth respondeu sem demoras. – Afinal, tenho a suíte só para mim esta noite. – Brincalhona, embora estivesse consciente de que gostava bastante daquela idéia.
--Safadinha! – Charlotte comentou, risonha.
Elizabeth mal tinha saído do salão e se aproximado do saguão de entrada do Hotel, quando ouviu uma voz masculina chamando por ela.
--Indo embora sem se despedir? – Darcy perguntou-lhe assim que a alcançou.
--Você parecia estar ocupado. – Desculpou-se.
--Já teve a chance de passear por Las Vegas desde que chegou aqui? – Ele quis saber.
--Não. Cheguei hoje e passei o tempo todo com Charlotte, fazendo provas para o desfile de amanhã. – Elizabeth esclareceu.
--Quer dar uma volta agora? – Propôs.
--Claro. – Elizabeth respondeu com pouca animação.
Preferia que ele a houvesse convidado para ir a sua suíte. Mas não tinha coragem de confessar isto. Já Darcy, por mais que desejasse o mesmo, não queria ofendê-la ao lhe fazer tal proposta. Lembrava-se perfeitamente de sua relutância em ficar a sós com ele em seu apartamento nos meses em que se relacionaram no passado.
E embora houvessem reatado o romance, esta era a primeira vez em que se viam há meses. Sequer tinham trocado um beijo ainda. Estava decidido a dar um passo de cada vez neste recomeço. E torcia para que no fim daquela noite ela terminasse em sua cama, em seus braços.
O casal saiu do Hotel e percorreu a Las Vegas Boulevard a pé. Elizabeth estava calada, pensando no quanto desejava que ele a beijasse. Encontrasse um lugar reservado e escurinho – naquela rua movimentada e excessivamente iluinada por outdoors de luzes em neon – e a abraçasse apertado e a beijasse intensamente.
Quando estavam diante da fonte do Bellagio, onde ocorre o show de luzes e jatos d’água, e se é possivel ver também a miniatura da Torre Eiffel, ornamento do Hotel Cassino Paris, Darcy cansou-se de seu silêncio e inquiriu-lhe.
--Os comentários de Catherine a respeito de sua profissão lhe aborreceu, não? – Despertando Elizabeth de seu desvaneio.
--Não. – Elizabeth mentiu.
--Eu sei que aborreceu, Lizzie. – Darcy contestou, detendo-a ao seu lado ao segurar em sua mão e fazê-la virar-se de frente para ele.
--Está bom. Eu admito. A mania das pessoas de seu nivel social de se acharem melhor que as outras me irrita profundamente. – Elizabeth confessou este fato; embora não estivesse pensando nisto antes, depois que ele lhe fizera esta pergunta lembrou-se da indignação que sentiu durante o jantar diante da prepotencia de Catherine De Bourgh. – Quem ela pensa que é para julgar a minha vida?
--Catherine é uma pessoa com ideiais conservadores. – Darcy justificou, racional. – Não deu para perceber que ela não aprova nem mesmo a profissão do namorado da filha? Embora ele seja bem sucedido em seu meio.
--Está querendo insinuar que eu não sou bem sucedida na minha profissão? – Elizabeth interrogou-o, irritando-se ainda mais com a sua defesa de Catherine De Bourgh.
--Não foi isso que eu quis dizer. – Darcy replicou, defensivo; embora não soando muito convincente.
--Talvez você também ache que eu deva mudar de profissão. – Elizabeth desdenhou, soltando a sua mão que ele ainda segurava.
--Eu acho que você deve fazer aquilo de que gosta. Seria uma hipocrisia da minha parte tentar lhe convencer a agir de forma diferente. – Darcy argumentou, calmo e racional.
A sua postura segura, imponente e o tom neutro em sua voz, ao ínves de acalmar os animos de Elizabeth, apenas a atiçou ainda mais. Ela odiava quando ele aparentava estar sendo condescendente com ela.
--Mas houve um dia em que você também desdenhou a minha profissão. – Ela contestou. – Não negue. Ouvi você dizer a Charles que eu era uma mulher fútil e egocêntrica. E pareceu surpreso por eu ser inteligente, afinal sou apenas uma modelo.
Darcy não soube o que responder imediatamente. A última coisa que esperava era que ela relembrasse deste fato. Mas ali estava ela, jogando aquelas palavras de volta em sua cara.
Diante de seu silêncio, Elizabeth tentou continuar andando. Mal começou a se afastar, para ele segurá-la e trazê-la de volta para si. E quando ela fitou-o nos olhos, Darcy possuía uma expressão dura no rosto.
--Eu confesso que eu fui preconceituoso ao extremo naquela noite. E a minha opinião era baseada exclusivamente nas experiências que possuia com outras modelos, amigas de Caroline Bingley e ocasionais casos amorosos de Richard. – Ele exclareceu, um pouco brusco e enraivecido.
Em seguida, sua voz assumiu um tom mais amoroso ao dizer.
--Eu não precisei de muito tempo para perceber que este conceito não se aplicava a sua irmã e a você.
Elizabeth estava totalmente incosnciente de que cedia com facilidade a sua força, não impondo impecilio para que seus corpos se aproximassem cada vez mais a cada palavra que era entoada de um jeito mais carinhoso por ele.
--E menos ainda para admitir que você não é somente linda e inteligente, mas a mulher mais apaixonante que eu já conheci, Elizabeth. – Terminou o discurso murmurando o seu nome, emocionado.
No segundo seguinte, ele a beijara. Sem pudores ou restrições. Suas mãos a seguraram firme, prendendo-a em seus braços. E seus lábios dominaram os dela com maestria, roubando-lhe a sensatez e a respiração.
Quando interromperam o beijo, Elizabeth viu-se a fitar aquela imensidão azul de seus olhos, semicerrados de desejo. Com a voz rouca e baixa, ele disse.
--Case-se comigo.
Elizabeth, presa em seus braços e com a consciência nublada por aquele beijo, imaginou que ele estava lhe convidando a ir para o seu quarto de hotel e respondeu.
--Sim. – Arfante.
Darcy voltou a se inclinar para beijá-la uma segunda vez, mas ela inclinou a cabeça para trás, exclamando de forma afobada.
--O q-que? O que disse? – Após o seu cerebro finalmente compreender o que ele lhe pedira e, ainda assim, se questinar se ouvira direito.
--Case-se comigo. – Darcy repetiu, desta vez sua voz rouca entoou quase um comando.
Ao ínves de um pedido humilde, ele soou como se estivesse lhe fazendo uma exigência. Embora em seus olhos Elizabeth visse estampado uma emoção difícil de identificar. Talvez, desespero.
E, com o coração galopando velozmente em seu peito, ela não soube o que lhe responder.














