Citações

Qualquer coisa nutre o amor que já é forte. Mas no caso de uma leve e diáfana inclinação, estou convencida de que um bom soneto irá matá-lo de fome completamente. (Jane Austen)

Colisão - Capítulo XXXV

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Capítulo XXXV

“A felicidade alheia incomoda”

 

Jane precisou mudar seus planos de aceitar a proposta de Wendy Cavenolt de dar aulas em seu Instituto de Beleza, pois quando conversou sobre isto com Lilian Gardiner, sua tia e agente lhe explicou que seria impossível ela dispor de tanto tempo assim durante os próximos meses.

Lilian havia conseguido um contrato irrecusável para Jane, no qual ela estaria fazendo uma turnê para participar da Fashion Week em vários países, acompanhando a grife de Gloucie Garbor. Seu itinerário incluía Paris (França), Milão (Itália), Berlim (Alemanha), Tóquio (Japão), Rio de Janeiro (Brasil), New York (EUA) e encerrava no final de Abril de volta a Londres (UK).

Qualquer modelo sonha em ter a oportunidade de participar da semana de moda e seria praticamente um suicídio profissional recusar uma oportunidade como esta. Por isto, Jane sequer tentou remediar a situação. Aceitou-a, a princípio, sem muito entusiasmo.

Isto é, até saber o seu itinerário e descobrir que estaria em Milão em plena semana dos Dias dos Namorados. Permitindo-lhe, assim, estar com Charles para comemorar esta data. Não perdeu tempo em avisar o namorado de sua boa noticia e logo ambos faziam planos para quando se reencontrassem.

Ela, entretanto, não foi a única que precisou fazer alterações em seus planos. Lilian também conseguira fechar alguns novos contratos para Elizabeth, em sua grande maioria voltada para propagandas televisivas e editoriais de revistas – a sua altura mediana ainda lhe deixava em desvantagem quando os estilistas selecionavam as modelos para os seus desfiles.

E por causa destas contratações, teria sua agenda cheia nos próximos meses. De forma que lhe foi preciso pedir demissão do trabalho na loja de sapato. Com muito custo, pensava em continuar a ir as suas aulas de fotografia – pelo menos, nos dias em que nãos estivesse muito cansada.

Este repentino sucesso devia-se às aparições de ambas Bennet em colunas de fofocas nos últimos meses do ano anterior. Os relacionamentos com homens visados na elite londrina lhes proporcionaram uma excelente publicidade. E embora a viagem deles os tenha mantido longe dos tablóides este ano e o repentino afastamento de William Darcy e Elizabeth houvesse levantado algumas suspeitas quanto ao fim do romance, ainda assim as irmãs Bennet estavam em evidência.

O último evento que Jane e Elizabeth participaram juntas antes da primeira sair em turnê com a grife de Gloucie Garbor foi um desfile para a marca Youth’s.

Ao invés da costumeira passarela, onde as modelos desfilavam para exibir os modelitos, existiam vários palcos modestos situados ao redor do salão. E as modelos ficavam sobre eles, entre os convidados, pousando como estatuas vivas. Cada palco possuía três modelos, as quais mudavam a pose a cada cinco minutos. Permanecendo assim por cerca de meia hora. Antes de serem substituídas por outras modelos e poderem ir se trocar no camarim. Voltam a ocupar o palco, prosseguindo o ciclo por mais duas trocas de roupas.

Ao fim do desfile, Elizabeth e Jane estavam tão cansadas que não tinham a intenção de ficar circulando entre os convidados. Pretendiam ir direto para casa. Mas se reencontram com Caroline Bingley, com quem nenhuma das irmãs tivera contato algum desde a festa de Ano Novo.

--Jane, querida, que maravilha lhe encontrar aqui. – Caroline se aproximou, saudando Jane com dois beijinhos ao vento. – Elizabeth, como está?

--Muito bem, Caroline, obrigada. – Elizabeth respondeu, mas Caroline já não lhe dava mais atenção.

--Como você está, querida? – Caroline questionou Jane, carinhosa. – Desde que você e o meu irmão terminaram que não tenho noticias suas.

--Do que você está falando, Caroline? – Jane disse, surpreendida. – Nós não terminamos. Charles me liga todas as noites e nos veremos dentro de algumas semanas, quando estarei em Milão.

--Verdade? Isso me surpreende muito. – Caroline comentou, fingindo espanto. – Falei com o meu irmão recentemente e ele sequer mencionou o seu nome. Estava tão empolgado com a... – Interrompeu-se, constrangida. – Ele devia estar distraído. Tenho certeza! – Disse, como se procurasse consertar uma garfe. – Que bom que vocês estão juntos! – Exclamou, permitindo Jane perceber que sua animação era forçada. – Eu preciso ir agora. Tenham uma boa noite.

Ao se despedir, dirigiu um olhar breve a Elizabeth e se afastou rapidamente.

--O que você acha que ela quis dizer com aquilo, Lizzie? – Jane perguntou a sua irmã, alarmada. – Acha que Charles está...? – Ela sequer conseguia completar sua pergunta.

--Claro que não. – Elizabeth não pestanejou em responder. – Caroline não sabe nada sobre o relacionamento de vocês dois. Charles te adora. Ele te liga todas as noites e eu duvido que ele tenha ligado sequer uma vez para a irmã.

--Ela é irmã dele, talvez ele tenha comentado... – Jane ponderou, confusa.

--Ele ficou feliz quando você lhe contou que irá vê-lo em Milão? – Elizabeth tentou argumentar com ela.

--Ficou.

--Então? Caroline só disse isto para convencê-la a esquecer o irmão dela. Está se aproveitando da viagem dele para tentar separá-los. A verdade é que ela não gosta de nenhuma de nós. – Elizabeth tentou alertar a irmã. – Ela só fingia ser sua amiga, porque não queria contrariar o irmão. Mas agora que ele não está aqui, está colocando as garras de fora.

--Eu não sei, Lizzie.

--Mas eu sei. – Elizabeth garantiu. – Vamos. Vamos para casa e você liga para ele, e verá que está tudo maravilhosamente bem entre vocês dois. – E não tardou a guiar a irmã à saída do salão.

Estavam passando enfrente aos fotógrafos à entrada, quando cruzaram com Peter Firestone. Ele estava desacompanhado e, ao vê-las, aproximou-se para cumprimentá-las.

--Oi, Jane. Elizabeth.

--Oi, Peter. – As duas o cumprimentaram, Elizabeth de mal humor.

--Devo parabenizá-las pelo espetáculo. As duas estavam maravilhosas. – Ele comentou, olhando diretamente para Jane. – Você continua a mulher mais bonita que já vi. – Declamou para ela.

--Obrigada. – Jane respondeu, corando.

--Onde está a sua namorada? – Elizabeth questionou-o.

--Irina e eu terminamos. – Peter respondeu, sorridente.

Alguns fotógrafos tentavam chamar-lhes a atenção. Então Peter disse.

--Aceitam tirar uma foto comigo?

--Não, obrigada. – Elizabeth respondeu, prontamente.

Mas Peter já tinha passado o braço envolta da cintura de Jane e guiado-a mais para perto dos fotógrafos. Aproveitando-se deste momento para cochichar em seu ouvido.

--Jane, eu estou com saudades. Será que não podemos nos reencontrar e conversar sobre nós dois? Não sabe o quanto estou arrependido pela forma que as coisas terminaram entre nós. – Sussurrava ao seu ouvido enquanto sorria de forma agradável para os fotógrafos.

--Eu tenho um namorado. Eu estou apaixonada por Charles. – Jane não tardou em responder. – E não tenho interesse em reatar nada com você, Peter.

Ao dizer isto, olhou a sua volta, procurando por Elizabeth. Percebendo que sua irmã tinha conseguido se adiantar e parar um táxi.

-Preciso ir agora. Tenha uma boa noite. – Disse, afastando dele logo em seguida.

~#~

Catherine, Lydia e Sunny chegaram à escola a que Zackary freqüenta. Era o dia da feira de ciências e ele havia convidado Catherine para comparecer. Lydia e Sunny estavam animadas, pois esperavam que Catherine finalmente descobrisse se Zackary é ou não gay.

Lydia convencera a irmã a fazer um teste. E se ele falhasse no teste, saberiam que ele é realmente gay – como ela suspeita. O teste é muito simples. Catherine só precisaria virar o rosto em sua direção quando ele fosse cumprimentá-la. Assim, quando ele tentasse beijá-la no canto da boca, acertaria em cheio a boca. E, assim, se ele não aproveitasse a oportunidade para dar-lhe um beijo de verdade, descobririam que ele é gay.

Catherine, por sua vez, estava nervosíssima com esta tarefa. Não sabia se teria coragem de virar o rosto. E, ao mesmo tempo, temia fazê-lo e descobrir que ele é gay, como a irmã suspeita. O que faria então?

Ao chegarem à escola dele, viram-se cercadas por outros estudantes, amigos e familiares percorrendo seus corredores. Precisaram visitar três turmas de 3º ano antes de encontrar Zackary. Ele estava atrás de uma banca, acompanhado de dois outros colegas de turma, dando explicações aos visitantes sobre a sua maquete exemplificativa de seu projeto escolar.

As três meninas demoraram-se olhando as outras maquetes pela sala antes de se aproximar da bancada em que ele se encontrava. Procurando o momento exato em que ele não estivesse ocupado com outros visitantes e pudesse lhes dar sua total atenção.

--Oi, vocês vieram. – Ele as cumprimentou de onde estava.

--Claro. – Catherine replicou.

E um silêncio incômodo recaiu sobre eles. Catherine percebeu que ele não veio lhe cumprimentar como de costume. Permaneceu atrás de sua bancada, sorrindo-lhe amigavelmente. Como conseguiria fazer o seu teste?

--Sobre o que é o seu trabalho? – Perguntou-lhe.

--Formas de energia reciclável. –Ele disse e não demorou a começar a explicar a sua maquete.

E antes que percebesse, haviam passado da maquete dele para a do lado, a de seu colega de banca. Dando a chance a outros visitantes a escutar a sua explicação sobre o seu projeto.

Após ouvir todas as explicações, não tinham mais o que fazer dentro daquela sala. As meninas se encaminhavam para a porta, quando Zackary chamou Catherine. Lydia e Sunny se afastaram rapidamente, para permitir que os dois conversassem relativamente a sós quando viram Zackary sair de trás de sua bancada e se aproximar. Mas ficaram os observando a distância.

--Vocês já vão embora? – Ele perguntou.

--Vamos dar uma olhada nas outras salas. – Catherine respondeu.

--Eu tenho que ficar aqui até os professores passarem e nos avaliarem. Depois eu posso sair e ficar com vocês. – Ele esclareceu. – Vai ter uma apresentação de kendo[1] mais tarde na quadra de esportes, se quiser ver.

--Claro. – Catherine replicou, embora não fizesse idéia do que kendo significa.

--Está certo, então. – Zackary declarou. – Quando eu terminar aqui, dou um toque em seu celular para saber onde vocês estão.

--Ótimo. – Catherine concordou prontamente.

E foi neste instante que Zackary se adiantou em sua direção, para despedir-se dela dando-lhe o costumeiro beijo no canto da boca. Desta vez, no entanto, Catherine agiu rápido. Com o coração batendo a mil no peito, virou o rosto em sua direção e permitiu que ele a beijasse nos lábios acidentalmente.

Ela sentiu ele dar um passo para trás e olhá-la como se não a reconhecesse. Apressadamente, disse.

--Foi sem querer!

--Zack! – O seu colega de banca gritou, chamando-lhes a atenção.

Havia um novo grupo de visitantes em sua bancada e faziam perguntas sobre a maquete dele.

Catherine aproveitou-se da distração de Zackary para correr na direção da irmã e da amiga, e arrastá-las para fora da sala. Fugindo dele.

--Ele não te beijou! – Sunny exclamava, surpresa, enquanto caminhavam pelo corredor. – Ele não se aproveitou da situação para te agarrar e te beijar! Inacreditável!

--Ele é gay! Não tenho mais dúvida disso. Ele é gay! – Lydia atestava.

--Vocês já pensaram na possibilidade de ele não querer me beijar? – Catherine o defendeu, menosprezando-se. – O problema pode ser este. Ele não desejar me beijar, porque não se sente atraído por mim.

As duas meninas ficaram caladas por instantes.

--Mas pra que ele ia topar ser seu namorado de mentira? – Lydia questionou.

--Porque sentiu pena de mim, quando me viu encurralada por Lexi naquele dia na praça... Quando fui atrás de Robbie sem saber que ele estava namorando Lexi. – Catherine argumentou, depreciativa.

--Será? – Sunny indagou, pensativa. E nenhuma das meninas soube lhe dar uma resposta definitiva.

--E agora? O que eu faço? – Catherine perguntou as amigas, mas nenhuma delas soube o que lhe responder.

As três meninas ficaram passeando a esmo, entrando e saindo de salas, olhando os projetos de ciência dos outros alunos. Cruzaram caminho com Robbie, Tristan, Lexi e suas duas amigas, Sassy e Morgan. Acabaram se juntando a eles e continuaram a circular pelo colégio.

--Vocês vão ficar para assistir a apresentação de kendo? – Tristan lhes perguntou.

--Zack me convidou. – Catherine disse, com o pensamento distante. Sua mente ainda perdida em proposições por que ele não quis beijá-la quando teve a oportunidade.

--O que é kendo? – Sunny perguntou a Tristan.

--É um tipo de luta, arte marcial japonesa. Com espada. – Ele explicou.

Perto do final da tarde, o grupo seguiu para a quadra de esporte e foram ocupar os lugares no alto da arquibancada. Estavam acomodados quando o celular de Catherine tocou e ela identificou a chamada como sendo do celular de Zackary.

Lydia e Sunny ficaram elétricas quando Catherine atendeu o celular e começou a conversar com ele, indicando onde ele a encontraria. Mas Catherine logo percebeu que Lexi e suas amigas também estavam escutando a sua conversa ao telefone.

Zackary apareceu na quadra de esporte poucos minutos depois, sozinho. E sentou-se ao lado de Catherine, passando a assistir a apresentação de kendo que estava para começar. A princípio os dois ficaram calados, sem saber como se comportar um com o outro.

Mas após a primeira apresentação de luta ter começado, Zackary começou a explicar a algumas regras da luta, níveis e movimentos variáveis de postura de combate.

No kendo as lutas são realizadas com uma espada de bambu, chamada de shinai, e são usados protetores para todas as regiões de ataque, além de uma vestimenta especial: hakama (calça), dogi ou keiko-gi (camisa/blusa) e bogu (armadura). Alguns praticantes usam ainda o obi (faixa).

São executados cortes no centro e nas laterais da cabeça (men-uchi), no antebraço (kote-uchi), na lateral do abdome (dô-uchi) e na garganta (estocada) (tsuki), e cada golpe deve ser anunciado com o Kiai (grito que demonstre o espírito e a vontade do kenshi). As lutas duram de três a cinco minutos e são disputadas na forma de melhor de três, e o vencedor é aquele que aplicar primeiro dois ippon (golpe considerado letal).

O golpe só é válido se aplicado com o lado correto da Shinai (equivalente ao lado de corte da espada). O golpe só é valido se o realizado com o correto ângulo de corte. Não é permitido golpear enquanto um oponente que estiver com a espada sobre o seu ombro. Duas penalizações de um mesmo praticante durante uma luta são consideradas um Ippon.

Podem ser consideradas penalizações: pisar fora da área de luta; empurrar o adversário para fora da área de luta; segurar a Shinai fora da Tsuka (equivalente a segurar a espada pela lâmina); demonstrar falta de combatividade; passar rasteira no adversário; soltar ou perder a Shinai durante a luta.

No decorrer das apresentações de luta, Catherine percebeu que suas companhias estavam distraídas. Sua irmã e amiga haviam descido alguns níveis da arquibancada para poder ver de perto os praticantes de kendo e poder paquerar aqueles que não estavam lutando no momento.

As amigas de Lexi estavam divididas entre criticar a atitude de Sunny e Lydia, ou seguir-lhes o exemplo. Tristan e Robbie estavam totalmente concentrados na disputa e Lexi parecia entediada.

Catherine, então, aproveitou a oportunidade para tentar conversar com Zackary. Em tom reservado, disse.

--Acho que nós devíamos terminar. – Sem lhe dirigir o olhar.

--O que? – Ele questionou, virando o rosto em sua direção.

--Nós devíamos terminar. Sabe? Parar de fingir que estamos namorando. – Esclareceu, finalmente olhando para ele.

--Por quê? – Ele perguntou, aparentemente calmo.

--Porque... Pra que você quer fingir que está me namorando? Eu só atrapalho você, impedindo que você fique com qualquer garota por quem você se interesse. – Disse, como desculpa.

--Eu não quero ficar com nenhuma outra garota. – Ele atestou, continuando a olhá-la.

--Ai meu Deus, você é gay! – Catherine exclamou em um sussurro, voltando o olhar abismado para a quadra de esporte.

--O que? Eu não sou gay! – Zackary imediatamente contestou. – Por que você acha que sou gay?

--Você acabou de dizer que não quer ficar com garotas! – Catherine rebateu, acusativamente.

--Disse que não queria ficar com outras garotas, não que não gosto de garotas. – Zackary esclareceu.

Eles continuaram a se fitar em silêncio por mais alguns minutos. Até que ela perguntou.

--O que isto significa?

--Que não estou interessado em mais ninguém. – Ele afirmou.

--E por que você não me beijou? – Questionou-o, sentindo-se corroer as entranhas de nervosismo.

--Você disse que tinha sido sem querer. – Ele se defendeu.

--Não foi, tá! – Exclamou, corando profusamente e virando o rosto; olhando novamente para a quadra de esportes. – E se queria me beijar, por que nunca tentou? – Não sabia de onde estava vindo a coragem para falar aquilo tudo, mas não ia parar agora.

--Eu venho tentando te beijar desde que nos conhecemos. – Ele replicou com simplicidade.

--Nada disso. – Catherine negou, voltando a olhar para ele acusatoriamente. – Quando?

--Eu sempre beijo você no canto da boca. – Ele se defendeu.

--No canto da boca não vale. – Contestou. – É acidental.

--Uma vez pode até ser acidental. Sempre é intenção. – Zackary argumentou.

Ficaram em silêncio novamente. Catherine podia sentir suas bochechas arderem de rubor diante do olhar analítico que ele lhe lançava, então desviou o olhar. Voltando a fitar a quadra de esportes.

Quando voltou o rosto em sua direção, abrindo a boca para contestar outro de seus argumentos, Zackary lhe segurou o rosto com ambas as mãos e a beijou com vontade. Encerrando aquela discussão.

Ouviram gritos, aplausos e assobios. Interromperam o beijo e olharam para a quadra, para descobrir o que estava acontecendo. Quem havia ganhado a disputa de kendo. Mas encontraram apenas Lydia e Sunny fazendo uma algazarra porque testemunharam o beijo deles.

~#~

Caroline terminou de escrever a sua critica da nova linha de acessórios de Adélia Kleith e a enviou pela Internet a revista para qual trabalha. Resolveu dar uma olhadinha nos sites da revista, na coluna social e vê as novidades da nata londrina.

Foi então que viu a foto de Jane Bennet e Peter Firestone da noite do desfile. Peter estava com o braço envolta de Jane, cochichando em seu ouvido e ela sorria, corada e constrangida, para os fotógrafos.

Com um sorriso diabólico no rosto, pegou o celular e ligou para o irmão.

--Charles, sou eu. – Disse, animada, quando o irmão atendeu a ligação.

--Eu, quem? – Ele questionou.

--Sua irmã. – Resmungou. – Como é possível você não reconhecer minha voz?! – Reclamou.

--Caroline?! – Ele soou surpreso. – Aconteceu alguma coisa com nossos pais? – Questionou, alarmado.

--Não. Por quê? Não posso ligar para saber como está? – Ela quis saber.

--Por quê? Você nunca se preocupou comigo antes. – Ele argumentou.

--Francamente, Charles. Falando assim até parece que sou uma péssima irmã. – Caroline defendeu-se. – Vamos. Conte-me. Como você está? O que tem feito?

--Você sabe que viajei a trabalho. – Ele respondeu, ainda estranho este interesse repentino. – Bem, estou trabalhando.

--Ora, tenho certeza que tem se divertido também. O conheço muito bem e tenho certeza que já andou se encantando por uma italiana. – Riu-se ao fim do seu comentário.

--Caroline, você sabe muito bem que estou namorando seriamente Jane Bennet. – Ele resmungou. – Não tenho interesse em nenhuma outra mulher.

--Eu pensei que vocês tivessem terminado! – Caroline exclamou, sorrindo sozinha. – Especialmente depois de tê-la visto muito bem acompanhada numa noite destas. – Segurou-se para não rir quando ouviu o silêncio repentino do irmão. – Lembra-se de Peter Firestone? ...Aquele homem quem a sra. Bennet disse que era namorado da filha e que ela acreditava que a pediria em casamento. Lembra-se?

--Hum-hum. – Ouviu o irmão replicar.

--Pois ele mesmo. Vi Jane com ele em um desfile a que atendi... – Caroline prosseguiu. – Eu conversei brevemente com ela e a vi indo embora com ele. – Fez uma pausa para que ele dissesse alguma coisa; como o silêncio persistiu, ela continuou. – Uma amiga minha me contou que Peter terminou um noivado com Irina Savoyer, filha de Albert Savoyer, dono da Savoyer Industry, por causa de Jane. Que ele estava decidido a reconquistá-la... Há até fotos deles juntos no site da revista para que escrevo. Por isso eu pensei que vocês não estavam mais juntos.

Ela precisou se controlar bastante para não gargalhar nesta parte.

--Charles? Você está me ouvindo?

--Caroline, eu tenho que desligar...

E no segundo seguinte ela ouviu a ligação ser interrompida.

--Quero ver se desta vez eu não consigo separá-los de vez! – E rindo, comemorou. – É o que eu digo sempre. Se quer uma coisa bem feita, faça você mesmo! – Satisfeita consigo mesma, relaxou em seu sofá. – Agora que me livrei de Jane Bennet, quero ver Elizabeth conseguir se reaproximar do meu William.

 



[1] O kendo ou quendô é uma arte marcial japonesa moderna (gendai budo), desenvolvida a partir das técnicas tradicionais de combate com espadas dos samurais do Japão feudal, o Kenjutsu.O praticante de kendo é chamado de kenshi ou kendoka. Apesar de ter sido originalmete criado no Japão, foi na Coréia que o Kendo se popularizou e tornou-se mais agressivo, quando movimentos do taekwondo e hapkido foram integrados a esse estilo deixando-o mais dinâmico. A prática do kendo não se limita ao manejo da shinai (espada de bambu), Bokuto (espada de madeira) ou katana (espada longa japonesa), mas abrange também a prática e cultivo do espírito e do Reigi (etiqueta).

 

 

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