Citações

Nada é mais enganoso do que a aparência de humildade, que é frequentemente apenas a falta de personalidade. (Jane Austen)

Colisão - Capítulo XXXI

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Capítulo XXXI

Torcendo para dar certo

 

O sr. Alfred  Reynolds desceu as escadas e surgiu a sala. Tinha a intenção de seguir direto para a cozinha, de onde o cheiro de pão quentinho o convidava. Mas um avolumado ao sofá da sala chamou a sua atenção e o deteve ali por mais uns instantes.

Ao se aproximar do sofá, reconheceu Richard. Ele estava dormindo, coberto com uma colcha de frio grossa. Confuso quanto ao motivo de ele se encontrar ali, foi em busca de sua mulher na cozinha.

A sra. Reynolds, como sempre, parecia ter adivinhado que já estava de pé e servia uma caneca de café para ele. E em seguida colocou um pão fresquinho ao prato sob a mesa a frente de sua cadeira cativa.

--O que Richard veio fazer aqui? – Perguntou-lhe, ao assumir o seu lugar a mesa.

--Não consegue imaginar? – A sra. Reynolds respondeu, dirigindo-lhe um olhar cheio de significados.

--Quando ele chegou?

--Hoje bem cedo. Eu tinha acabado de acordar e o ouvi bater a porta. – Ela esclareceu, também se sentando a mesa e acompanhando o marido naquele café da manhã. – Estava bastante cansado. Dei-lhe um copo de conhaque, para aquecer, e me ofereci a ir abrir a casa grande para ele. Mas recusou, disse que preferia ficar aqui.

--Hum... – O sr. Reynolds resmungou, pensativo.

--Então, bem... Eu trouxe um cobertor para ele, e o pobrezinho deitou e dormiu. – Completou, amorosa. – Pelo que percebi, veio para cá com a roupa do corpo. E, como estava vestido elegantemente, tenho certeza de que saiu da festa de Natal na casa de seus tios e veio direto para cá.

--Irresponsável. Pegar a estrada de madrugada após ter bebido. Pois sim, não creio que tenha passado a noite passada sem ingerir uma dosezinha sequer de álcool. – Reprovou o sr. Reynolds.

--E as pistas devem estar muito perigosas com a neve... – A sra. Reynolds concordou, mas com um tom de voz mais brando, quase maternal e sinceramente preocupado.

--O que ele espera ganhar vindo aqui deste jeito? Moira já disse que não há chances de eles reatarem. Não é porque ele veio para cá sem avisar que conseguirá mudar a opinião dela. – O sr. Reynolds argumentou, seguro de sua posição.

--Eu não teria tanta certeza quanto a isto. – A sra. Reynolds discordou.

O sr. Reynolds dirigiu-lhe um olhar cético, então ela argumentou.

--Eu não vi a nossa filha gostar de nenhum de seus namorados tanto quanto gostou dele. Quanto gosta dele. – Corrigiu-se, por fim.

--Assim como ela nunca teve outro namorado que a tenha magoado mais que ele. – Seu marido refutou, como se assim viesse a por um fim na discussão.

Os dois continuaram a comer em silêncio, até que o sr. Reynolds disse.

--Não sei como você pode torcer para que estes dois reatem após o que ocorreu entre eles, Jean.

--Eu quero que a nossa filha seja feliz, Alfred. – Justificou-se. – Quer você queria admitir ou não, a sua filha o ama e só será feliz com ele. Por isso, eu torço para que eles se acertem de uma vez por todas.

Ambos ouviram passos próximo a porta da cozinha e se calaram. Poucos segundos depois Moira adentrava a cozinha. Tinha uma expressão mal-humorada no rosto e desejou aos pais um breve ‘bom dia’ antes de se sentar a mesa e tomar o seu café em silêncio.

Nenhum de seus pais trouxe o assunto da visita inesperada de Richard a baila novamente em sua presença e ela parecia preferir fingir ignorar o fato. Após o café, retornou para o seu quarto e só voltou a surgir a sala de novo vestida para sair.

Seu pai estava à sala, sentado a sua poltrona favorita, lendo um jornal. A lareira crepitava com nova madeira, o aroma e a temperatura estavam acolhedor. Richard continuava embrulhado praticamente até a cabeça e dormia pesadamente.

Moira foi até a cozinha, encontrando sua mãe a lavar os pratos e talheres da ceia da noite passada juntamente com os do café da manhã.

--Eu vou fazer uma visita a Kayleen Fredenberg. – Avisou a sua mãe, a porta da cozinha.

Ouviu o barulho do jornal sendo dobrado e perguntou-se se seu pai estaria prestando atenção no que dizia a sua mãe. Mas não virou-se para olhá-lo e confirmar suas suspeitas.

--Vou levar o carro de papai. – Continuou falando com sua mãe.

--Eu não sabia que vocês duas mantinham contato. – A sra. Reynolds comentou, impedindo que conseguisse escapar rapidamente.

--Ahh... Eu soube que ela casou... – Moira justificou-se, sem graça. – Fica meio estranho eu vim pra cá e não ir visitá-la sequer uma vez.

--Claro, claro. – Sua mãe concordou, adivinhando o verdadeiro motivo para esta vontade inusitada de ver antigos amigos. – Divirta-se.

--Volto mais tarde. – Informou-lhe, evasiva.

--Uma hora você vai ter de enfrentá-lo, minha filha. – Murmurou para si mesma após a saída de Moira.

~#~

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Enviada: quarta-feira, 23 de dezembro de 2009 22:03:55

Para: Georgie ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )

Assunto: Max Licon

Dá para acreditar na mensagem que o Max me enviou? Não é possível que ele esteja tão tranqüilo assim quanto ao que aconteceu com a gente no Festival de Inverno de Música. Quer dizer, a gente ficou. Não foi só um beijo. Foram vários!

E sabe o que ele me enviou em resposta ao meu torpedo? “Desencana!”. Foi exatamente esta a palavra que ele usou! E só ela. Não escreveu mais nada. Nadinha de nada! Nem um ‘olá, como vai você?’. Nada. Só “desencana”!

Qual é? Que tipo de amigo é este? Eu pensei que ele teria um pouquinho de mais consideração comigo. É como se ele me colocasse na mesma categoria das menininhas que ele fica por aí e que não pretende ter nenhum tipo de vínculo. E EU QUE PENSEI QUE NÓS FOSSEMOS AMIGOS!

Eu não pensava que o Max fosse assim. Quero dizer, eu podia esperar uma atitude desta vindo do Patrick. Mas nunca do Max. Eu realmente esperava mais dele.

Georgiana terminou de ler o e-mail que a amiga lhe enviou, sentindo-se bestificada. Não é que Patrick tinha razão?! Betsy ficou mesmo desnorteada com a atitude de Max. Incrível! Nunca imaginara que estes joguinhos de conquista pudessem dar resultado com a sua amiga.

Rindo consigo mesma, clicou sobre o botão de resposta e começou a escrever um mensagem para a amiga.

De: Georgie ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )

Enviada: quarta-feira, 25 de dezembro de 2009 09:22::55

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Assunto: Re: Max Licon

Betsy, eu pensei que você ficaria contente com a reação de Max com relação ao que aconteceu entre vocês dois. Afinal, não era isso o que você queria? Que ele não pensasse que estava rolando algo a mais entre vocês dois só porque vocês trocaram alguns beijinhos durante o show?

A resposta dele condiz com os seus desejos. Assim não ficará nenhum clima estranho entre vocês quando voltarmos do recesso de inverno. Vocês vão continuar a serem amigos e nada mais. Você devia estar aliviada de ele não estar pensando em te cortejar... nem nada.

Estava tendo um acesso de riso quando uma segunda janela se abriu no cantinho da sua tela, avisando que Eric tinha acessado sua conta no chat de bate-papo e estava a convidando para uma conversa virtual.

Sentiu aquele costumeiro frio na barriga e, com o coração aos pulos, clicou no botão de enviar a mensagem. Saiu do seu e-mail e clicou sobre a janela que se abriu na sua tela.

Ikarus: oi! Que bom que vc está online!

Smurfete: oi! Como foi o seu Natal?

Ikarus: foi ótimo. Bem tranqüilo aqui em casa.

Ikarus: acredita que o meu irmãozinho, que seis meses atrás só pensava em vídeo-game, já está na terceira namorada? E com menos de uma semana de diferença entre uma e outra.

E assim permaneceu por horas a fio, trocando mensagens com Eric.

~#~

Quando Richard finalmente acordou, a manhã já estava quase terminando. Não havia sinal de Moira em parte alguma e a sra. Reynolds lhe informou que o seu marido tinha ido verificar o as condições do vinhedo.

Richard conhecia pouco da cultura da produção do vinho. Sabia o extremo básico para um membro de uma família de viticultores. Sabia que a qualidade da uva tem enorme influência sobre o sabor e qualidade do vinho, por isso a colheita deve ser realizada no tempo certo. Uma colheita antes do tempo resulta em um vinho aguado, com baixa concentração de açúcar e, consequentemente, de álcool. Se a uma colheita for tardia, a uva produzirá um vinho rico em álcool, mas com pouca acidez.

Sabia também que a cultura do vinho depende de ciclos, em que se inicia no outono. Há o fim de uma colheita e o inicio da aração da terra a fim de limpar os sulcos e oxigenar o solo, para que a planta recupere seus nutrientes.

O inverno é o tempo de poda, de preparar as videiras para um novo ciclo produtivo. É através da poda que se é possível guiar o desenvolvimento da cepa e determinar a futura produção. A videira sendo é uma planta trepadora, o sistema de condução é fundamental para orientar o crescimento dos brotamentos – a distribuição dos cachos deve ser em função de assegurar a melhor exposição solar.

Na primavera é o momento de lavrar um pouco o solo para facilitar a irrigação e tirar os matos. É necessária uma cuidadosa desfolhação para melhorar a ventilação das plantas e assegurar de que os brotamentos estejam bem iluminados.

E no verão há a colheita. O vinhedo repousará no descanso. Os cachos, que já anunciam o vinho novo, irão da vinha para a adega. Ocorrendo a seleção de uvas para esmagamento. O qual produzirá uma mistura de suco, cascas e bagas que será chamado de mosto.

A fermentação é a parte mais complexa e importante do processo de fabricação do vinho. Nesta etapa é necesário um contrôle rígido da temperatura bem como apresença correta de microrganismos responsáveis pela fermentação. O contato com o ar deve ser evitado, pois ocorreria a oxidação do vinho.

Ocorre então a filtragem – retirada dos produtos e sedimentos que deixam o vinho turvo – e o envelhecimento em barris, em geral, de carvalho. O tempo de envelhecimento varia de uva para uva e, durante esse tempo, a acidez diminui e os vários componentes da uva passam a formar o corpo e a estrutura do vinho, gerando a complexidade de seus odores e sabores.

Mas Richard não saberia dizer como se é feita a irrigação dos solos ou identificar o amadurecimento da uva e determinar o tempo ideal da colheita; não sabe qual a temperatura exata a ser mantida nas adegas durante o processo de fermentação e envelhecimento. E muito menos saberia enfrentar as dificuldades climáticas que aquela região[1] apresenta para a cultura do vinho – provenientes dos verões úmidos e outonos chuvosos, propiciando a atuação dos fungos.

Tudo o que sabe é graças ao seu pai, quem teve o trabalho de tentar lhe ensinar o funcionamento do vinhedo e produção do vinho quando ainda era adolescente. Não que tenha conseguido ter muito sucesso em seu esforço, já que Richard não lhe dera muita atenção naquela época. Preferia passar o seu tempo com os jovens da sua idade, ao invés de perambular pelos terrenos de Pemberley com o seu pai aprendendo sobre uva.

Por isso, quando a sra. Reynolds começou a lhe explicar as precauções extras que o seu marido estava tomando com a plantação neste inverno não foi capaz de demonstrar algum conhecimento sobre o que ela falava. Ela logo percebeu a sua testa franzida e a expressão de desorientação estampada em seu rosto, e encerrou o assunto.

Serviu-lhe um delicioso café e voltou as suas tarefas diárias. Antes que ela saísse da cozinha, no entanto, Richard perguntou-lhe por Moira. Ela sorriu, como se estivesse esperando por aquela pergunta, e lhe contou que Moira fora a cidade se encontrar com Kayleen Fredenberg.

Richard ficou intrigado com aquela informação. Não sabia que Moira mantinha contato com as suas antigas colegas de escola. Em particular com Kayleen, com quem ela nunca teve muito contato nem mesmo no ginásio.

Após o café, Richard aceitou a oferta da sra. Reynolds de abrir a casa principal para ele, para que pudesse tomar banho e trocar de roupa. Por sorte, seu irmão viera passar uma temporada de inverno em Pemberley com sua família recentemente e deixara algumas roupas no armário. Porque as únicas roupas suas que encontrou ali eram apropriadas apenas para o verão.

Como acordou tarde, passou-se o horário do almoço sem que sentisse fome. Mas começou a ficar inquieto quando Moira não voltou para casa para almoçar com os pais. Passou o começo de sua tarde sempre próximo a janela da sala, na expectativa de vê-la chegar de carro.

Quando percebeu que à tarde já se punha e ela ainda não voltara, saiu de casa e tomou o carro até a cidade. Não sabia ao certo se teria a audácia de bater a porta da casa de Kayleen. Por isso, ficou rodando de carro pelo vilarejo enquanto não se decidia.

Por fim, viu o carro do sr. Reynolds estacionado enfrente ao pub local. Sabia que aquele pub em particular era da família de Luke McQuirk, com quem Moira tivera um envolvimento na adolescência. Desconfiado, estacionou o seu carro ao lado do carro do sr. Reynolds e seguiu em direção ao pub.

Quando entrou no pub, teve suas suspeitas confirmadas. Moira estava ali acompanhada por Luke. Kayleen estava presente e Harriet Delenbaugh, uma das conquistas de Richard, também estava ali. Mas o fato de Luke e Moira estarem entretidos um com o outro, enquanto as outras duas pareciam servir apenas de testemunhas, deixou Richard irritado.

Tentando controlar a sua raiva, caminhou até a mesa em que os quatro se encontravam, e os cumprimentou sorrindo. O pub estava vazio e Luke estava servindo as bebidas pessoalmente. Ao ver Richard, dirigiu-lhe um olhar surpreso e desconfiado. No entanto, Richard tratou-o com cordialidade.

Em pouco tempo, todos conversavam amigavelmente. Revelavam ao outro pedaços de suas vidas cotidianas e riam de trapalhadas da adolescência.

--Eu estou noiva, veja. – Harriet exibiu o anel de noivado em seu dedo para Moira e Richard verem.

--E quem é o felizardo? – Richard a interrogou.

--Meu irmão. – Luke esclareceu.

--Seu irmão mais novo? – Richard questionou. Lembrava-se do irmão mais novo de Luke o seguindo por todos os cantos, como ele e William costumavam fazer com Noah.

--Sim. – Harriet declarou, animada. – Ahh não me olhe assim. Nunca pensei que você pudesse ter uma mente tão quadrada, Richard. A nossa diferença de idade não é tão grande assim.

--Eu não estou dizendo nada. – Richard defendeu-se, erguendo as mãos em um gesto de rendição.

--E você? Não tem uma noiva ou namorada? – Kayleen perguntou-lhe.

--Eu? Não. – Sabia que Moira o observava, mas não olhava em sua direção.

--E porque não? – Harriet quis saber, inclinando-se em sua direção e insinuando-se para ele, de modo que ele pudesse ver melhor o decote de sua blusa.

--Quem eu quero não me quer. – Riu ao responder, fingindo fazer pouco caso da pergunta.

Embora continuasse a olhar para Harriet, conseguia sentir que Moira estava ficando tensa. Não ouvia mais a voz de Luke, por isso sabia que os dois estavam prestando atenção ao que ele discutia com as outras duas mulheres.

--E quem é esta tresloucada? – Kayleen perguntou em tom de deboche, dirigindo um olhar divertido a Harriet. Todos eles sabiam muito bem a quem Richard se referia.

--Humm... – Richard decidiu que era o momento de tomar um gole de sua bebida.

E, ao fazê-lo, voltou o seu olhar para Moira. Quem ficou ruborizada e ainda mais tensa. Pedindo licença a todos, informou-lhes que precisava usar o banheiro. Harriet e Kayleen a seguiram, risonhas. Deixando para trás Luke e Richard a sós.

O silêncio pairou entre os dois por alguns segundos, até que Luke o quebrou.

--Você acha que essas indiretas vão te levar a algum lugar?

Richard ergueu as sobrancelhas, em sinal de desafio e não replicou nada.

--Seus truques da época da adolescência não vão funcionar, Richard. – Luke prosseguiu. – Ela não quer mais nada com você.

--Nenhum de nós é mais uma criança e eu não preciso de truques para conquistar mulher alguma. – Richard replicou, calmo. –Então, não fique preocupado. Você não corre o risco de passar a noite trancado no armário de vassouras novamente. – Disse, rindo, referindo-se a uma das manobras que usara para mantê-lo longe de Moira quando eram adolescentes.

--Moira há muito que deixou de ser a menininha inocente que se impressionava com os seus galanteios. – Luke argumentou, desdenhoso. – Ela não vai cair na sua lábia de novo.

--Você sempre foi meio lerdinho para este tipo de coisa, então vou lhe explicar com calma. – Richard afirmou, com um ar professoral. – Ela vai voltar para mim e eu não vou precisar fazer nada contra você para conseguir isso. Porque esta história é sobre nós dois, ela e eu. Se há um intruso aqui... é você.

Richard viu as meninas saindo do banheiro e, com um gole, terminou sua bebida, erguendo-se de sua cadeira. Despediu-se das meninas com calma e carinho, sob o olhar desconfiado de Moira, e saiu do pub.

Estava abrindo a porta do carro quando Moira o alcançou.

--O que você fez? – Ela exigiu saber.

--Não estou lhe entendendo. – Richard respondeu, detendo-se fora do carro por um momento para conversar com ela.

--O que você disse a Luke enquanto estávamos no banheiro? O que você fez? – Ela parecia zangada.

--Eu não fiz nada a ele. – Richard respondeu, irritado.

--Não acredito em você. – Moira disse, exaltada. – Você não veio até aqui a toa. Eu conheço você. Você fez alguma coisa, disse alguma coisa. Eu sei disso!

--Como queria! – Richard resmungou, dando a entender que ia entrar no carro.

--Pare, Richard. – Moira o deteve novamente. – Me diga de uma vez o que quer! Porque está aqui!

--Você sabe o que eu quero. – Ele disse com suavidade.

Mas a expressão de indiferença que viu no rosto dela voltou a irritá-lo.

--Quer saber o motivo de eu ter vindo para cá assim? – Questionou-a; Moira confirmou com um curto aceno de cabeça, cruzando os braços. – Eu me senti sozinho e queria te ver. Num impulso idiota eu peguei o carro e vim para cá. – Replicou numa explosão de emoção. – Mas já percebi que a minha presença lhe incomoda. Então, não se preocupe. Eu vou embora. – Dizendo isto, entrou no carro, fechou a porta e tirou o carro da vaga do estacionamento. Indo embora.

Como já era de noite, decidiu pernoitar em Pemberley e ir embora pela manhã. Assim, foi jantar na casa dos pais de Moira e aproveitar para despedir-se deles.

O jantar foi bastante silencioso. O clima entre ele e Moira estava estranho. O sr. e a sra. Reynolds eram os únicos que conversavam sobre amenidades na maior parte do tempo.

--Por quanto tempo você pretende ficar, Richard? – O sr. Reynolds lhe perguntou em determinado momento.

--Eu volto para Londres pela manhã. – Respondeu.

--Tão cedo? – A sra. Reynolds estranhou aquela revelação.

--É. Eu vim para cá sem planejar nada. – Richard desculpou-se. – Eu acabei deixando alguns negócios inacabados em casa que precisam ser solucionados antes da virada do ano. Então, eu vou ter de voltar amanhã mesmo.

A sra. Reynolds dirigiu um olhar para o marido e, juntos, fitaram a filha. Quem estava com o rosto voltado para baixo, como se estivesse concentrada em sua comida, mas com o garfo parado.

O clima ficou ainda mais carregado após esta revelação. Nem mesmo os pais de Moira souberam como desfazer aquele mal estar que aquela noticia trouxe para todos a mesa.

Richard não quis ficar muito tempo na casa dos pais de Moira após o jantar, então não demorou a se despedir deles com afeto – recebendo um abraço da sra. Reynolds e um firme aperto de mão do sr. Reynolds. Como não havia a possibilidade de se aproximar de Moira após a discussão daquele fim de tarde, despediu-se de longe com um simples:

--Boa noite e feliz Natal. – Saindo da casa logo em seguida.

Atravessou a varanda e desceu os três degraus, pisando no chão coberto de neve. Puxou a gola do casaco mais para cima, protegendo-se melhor do frio e colocou as duas mãos dentro dos bolsos de seu casaco. Inspirou e expirou lentamente, antes de começar a seguir em direção a casa principal.

Mas ouviu a porta ser aberta e a luz da casa incidir sobre ele temporariamente. Voltou-se me direção a casa quando Moira saia e fechava a porta a suas costas, vestindo o seu próprio casaco.

--Você não precisa ir embora... por minha causa. – Ela lhe disse, com um tom de voz desconfortável.

--Eu só vim aqui por sua causa, Moira. – Afirmou.

--Eu sei. – Ela murmurou em resposta.

Olhando-a ao topo da escada, Richard teve uma sensação de dejà vú. Já estivera naquela situação antes. Suspirou ao lembrar em como terminara tudo da primeira vez, com os dois aos beijos naquela varanda. Como queria que este fato se repetisse!

Moira parecia estar lendo a sua mente. Porque, quando ele deu um passo em direção aos degraus da escada, ela se apressou a dizer.

--Boa noite. – E voltar para dentro de casa, deixando-o ali sozinho.

 



[1] As regiões vinicultoras na Inglaterra são: Weald e Downland (Kent, East Sussex, West Sussex), Wessex (Dorset, Wiltshire, Hampshire, Isle of Wight), Southwest e Wales (Hereford, Worcester, Südwales), Thames and Chiltern (Oxford), East Anglia (nordeste de London até costa de Norfolk) e Mercia (Midlands). As plantações mais bem sucedidas da Inglaterra têm lugar nos solos ricos em calcário de Kent, Sussex (ambos no sudeste do país) e Hampshire, onde enólogos focaram no plantio de Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay, as uvas usadas para a produção de Champagne.

 

 

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